sexta-feira, 11 de novembro de 2005

Lula prefere constrangimento agora, e consegue adiar prorrogação da CPI dos Correios

Edição extra de sexta-feira do http://alertatotal.blogspot.com

Por Jorge Serrão

Em uma operação bem-sucedida, comandada pelo presidente Lula e com participação de ministros e líderes aliados, o governo conseguiu impedir que a CPI dos Correios seja prorrogada até 11 de abril.

Há uma razão simples, prosaica, para o governo pagar o preço do constrangimento de barrar a prorrogação da CPI dos Correios: se a investigação fosse levada até 11 de abril do ano que vem (em vez de terminar em 11 de dezembro), o risco de contaminação do processo eleitoral seria enorme. O que está sem controle agora poderia se transformar num pesadelo sem fim para Lula.

Por essa razão o Palácio do Planalto preferiu pagar o preço agora. Repetiu na política o que fez tantas vezes Fernando Henrique Cardoso. A avaliação geral é que a lista com os nomes dos deputados que recuaram será exibida alguns dias, a mídia vai dizer que tipo de benefício cada um teve (o que é sempre difícil de provar), vai ser pau puro no governo. Depois de uma semana ou dez dias, o assunto morre. Essa é a visão edulcorada do atual cenário, como os governistas o enxergam.

Com pressões e promessas de liberação de verbas, o Planalto conseguiu a retirada de 64 assinaturas de parlamentares do pedido de prorrogação. O prazo para mudanças no texto terminava à meia-noite e os oposicionistas foram apresentando à Mesa do Congresso novos nomes para substituir os que desistiam.

Quase conseguiram: deram 20 novos nomes e precisavam de 21. Ao ser lido no plenário do Congresso, de manhã, o requerimento tinha 214 assinaturas de deputados. À meia-noite, estava com 150.

Os maiores desistentes

Para que a CPI fosse prorrogada, eram necessárias as assinaturas de pelo menos 171 deputados e 27 senadores no requerimento.
Os partidos campeões de retirada de nomes foram PMDB, com 23 deputados, PP, com 13, PTB, com 10, e PL e PSB com 4 cada um.