domingo, 16 de abril de 2006
Lula-Lá e os 40 ladrões
Por Sônia van Dijck
Número mágico que nos leva de volta à infância, quando pensávamos que ladrões só roubavam roupas no varal e galinhas no quintal. Nem imaginávamos que haveria violência urbana, MST, PT, políticos corruptos e marqueteiros calhordas. Os 40 ladrões, que enfrentaram os expedientes de Ali-Babá e saíram perdendo, povoaram nosso imaginário, vindos de um tempo em que uma moça esperta salvou a vida contando histórias.
Já não se fazem crianças como antigamente. As crianças de hoje devem ouvir seus pais contando a história do relatório do MP, que lista 40 ladrões, que fizeram pouco caso da República, enxovalharam as instituições democráticas, transaram com muita grana ilícita, transformaram a vida de uma testemunha contra seus planos macabros em um inferno, tiveraram como sua primeira-bailarina a Deputada sem compostura, trocaram as odaliscas pelas "meninas" da cafetina-mor e tapetes por jatinhos e não tinham uma caverna, mas sim a mansão da República de Ribeirão Preto.
Vindos de Ali-Babá, nossa realidade atual não tem um herói mágico. Tem um vilão: Lula-Lá, o maior beneficiário dos feitos dos 40 ladrões.
O sésamo (= grão de gergelim) de Lula-Lá é o Planalto e seu "abre-te, sésamo" foram nossos votos, e o tesouro para que se mantivesse em sua caverna-palácio foi arrebanhado por 40 ladrões engravatados, que, sistematicamente, assaltaram os cofres públicos, extorquiram empresas, usaram doleiros e se associaram a bancos.
Mergulhamos no mundo real e descobrimos o maior estelionato eleitoral montado nos palanques da última eleição presidencial. Os 40 ladrões não são imaginários: o relatório do MP cita, detalhadamente, seus nomes e suas façanhas criminosas.
Mas, Lula-Lá e seus asseclas insistem em nos empurrar para o mundo da fantasia: Lula-Lá não sabia de nada; tudo não passa de crise de denuncismo, de golpismo, de invenção da imprensa burguesa e reacionária; os crimes são pura invenção de jogadas eleitoreiras; os 40 ladrões são inocentes.
Lula-Lá inverteu o papel do herói mágico: configura-se uma amarga paródia de Ali-Babá, como grande timoneiro de 40 ladrões. Seu projeto é ficar no poder indefinidamente, legitimando as ações daqueles que o MP diz que compõem uma "quadrilha".
Mas, ninguém pode ter sucesso nesse tipo de aventura se não contar com algum auxiliar mágico. No caso de nossa história real, o auxiliar mágico tem vários perfis: oposições coniventes, que jogam com seus interesse eleitoreiros; OAB vacilante; políticos de telhado de vidro; sociedade civil desorganizada e desmobilizada; magistrados que protegeram investigados com habeas corpus e, agora, vão protelar o andamento do processo encaminhado pelo MP (conforme pronunciamento do STF); estudantes doutrinados pelos professores petistas.
Assim, tudo indica que Lula-Lá vai continuar desfrutando com pompa e circunstância sua permanência na caverna-Planalto e os 40 ladrões circulando alegremente e até voando em jatinhos para propor acordos políticos nos longes das Gerais.
Vivendo essa paródia grotesca de Ali-Babá e os 40 ladrões, vou terminar acreditando que estou em um Brasil mágico. Aqui, o crime compensa, desde que os ladrões tenham se apoderado das instituições republicanas.
E como aqui tudo está pelo avesso, as lideranças políticas, as vozes das instituições da sociedade civil colocam a culpa nos ombros dos cidadãos: não se pede o impeachment de Lula-Lá porque não há um clamor popular nesse sentido e porque é preciso manter a governabilidade.
Esses senhores bem falantes confundem manter a governabilidade com o processo de desgaste das instituições. Em nome de manter o governo, permitem o comprometimento das instituições. Fazem de conta que não sabem que os governos passam, mas a República permanece e a democracia se fortalece sempre que a corrupção é punida.
Mas, o mais grave desses senhores bem falantes é que estão abrindo mão de seus deveres como lideranças da sociedade civil e colocando a responsabilidade sobre os cidadãos. No final das contas, os brasileiros são culpados pela permanência do esquemão de poder de Lula-Lá e seus 40 ladrões.
Se Sherazade tivesse contado nossa história, o sultão teria mandado lhe cortar a cabeça: nossa história é imoral para os padrões do harém.
Mas, o Presidente Lula nem sequer vai perder a pose, muito menos o cargo.
Quebramos nossa lâmpada quando perdemos a inocência. O Gênio pegou o último tapete e fugiu do mar de lama, em direção às Arábias.
PS: podem colocar este texto no tapete mágico da web e mandar para os amigos
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1 comentários:
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