segunda-feira, 22 de maio de 2006

CPI abafa documento revelando acordo financeiro entre empresários de bingo e o governo para legalizar o jogo no Brasil

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Por Jorge Serrão

Transformou-se em um verdadeiro nó, na CPI dos Bingos, um documento sigiloso denunciando que as entidades mantenedoras de Bingos estariam doando até R$ 3 milhões por mês, de forma não-contabilizada, ao Partido dos Trabalhadores. O dossiê, cujo conteúdo é abafado e os governistas não querem ver no texto final da comissão, revela todo o acordo político-financeiro montado entre o PT e os donos de casas de bingo, desde a campanha presidencial passada, para a liberação geral do jogo no Brasil.

O documento revela que toda a cúpula petista sabe do acordo, principalmente o presidente Lula da Silva, José Genoíno, Antônio Palocci e José Dirceu, que foram seus principais articuladores. Desde 2002, os empresários do jogo se comprometeram a injetar recursos mensais para a campanha do PT. Quando Lula vencesse a eleição, como ganhou, o acordo previa que o partido receberia uma injeção de R$ 50 milhões. Até hoje, segundo o documento em posse da CPI, o PT estaria recebendo a mesada de R$ 3 milhões. Suspeita-se que seja via “caixa 2” – e não pela contabilidade fiscalizável pela Justiça Eleitoral.

O documento revela que foi montada toda uma estratégia para a aprovação, ainda no governo Lula, da legislação que permitiria a liberação geral do jogo no Brasil – proibição decretada no governo do General Eurico Gaspar Dutra, em 1946. A fim de evitar reações de segmentos que foram a base de apoio do PT, como a Igreja Católica (contra o jogo), o dossiê revela que foi articulada uma jogada de marketing. Na verdade, um jogo de cena.

O dossiê revela: Em pleno acordo com os empresários do jogo, Lula assinou uma portaria mandando fechar os bingos. Assim o governo abafaria o escândalo Waldomiro Diniz (ex-assessor de José Dirceu, na Casa Civil, indiciado em inquérito na Polícia do Rio de Janeiro por apanhar dinheiro do jogo para a campanha petista). E daria uma satisfação aos católicos contrários à jogatina. Os bingos sabiam que teriam de segurar o prejuízo do fechamento temporário. Mas, logo, teriam permissão para reabrir as casas de jogos, por mandados de segurança, para os quais o governo faria vista grossa, em troca do apoio financeiro ao PT.

Além de Waldomiro (homem de confiança de José Dirceu), o acordo com os empresários do jogo tinha o aval pessoal do próprio Lula e de Dirceu. Dois petistas tinham proeminência nas articulações com a turma da jogatina: o coordenador da campanha petista, Antônio Palocci Filho e José Genoíno. Os dois seriam os responsáveis pela arrecadação, segundo o documento em poder da CPI dos Bingos. Genoino, inclusive, tem sobrinhos que são gerentes de grandes bingos em São Paulo.

Tratado como tabu no governo (da mesma forma que o assassinato de Celso Daniel), o caso dos Bingos é abafado na CPI dos Bingos, cujo relatório final será apresentado pelo senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), cuja apresentação está prevista para o inicio de julho. Mas não está afastada a hipótese de que senadores de oposição questionem o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, sobre o caso, durante o depoimento dele, marcado para amanhã, na comissão parlamentar de inquérito.

Pesquisando o jogo

A CPI dos Bingos encomendou pesquisa de opinião para definir o futuro do jogo no País.

Até amanhã, a Secretaria de Pesquisa e Opinião Pública do Senado ouvirá 1.072 eleitores por telefone em todos os Estado.

Mas a regulamentação imediata dos bingos ainda é uma alternativa descartada na elaboração do relatório final do senador Garibaldi Alves Filho.

Apesar do fortíssimo lobby dos empresários do jogo, generosos financiadores de campanhas eleitorais.

Delúbio pode explicar...

Um novo depoimento do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares está marcado para terça-feira na CPI dos Bingos.

A justificativa para convocá-lo foi o suposto pagamento de R$ 1 milhão por empresários de bingos à campanha para eleger o presidente Lula em 2002.

Delúbio recorreu ao Supremo Tribunal Federal para ser dispensado do comparecimento à CPI ou, no caso de ter de depor, obter licença para silenciar diante de perguntas cujas respostas possam incriminá-lo.

Ligações com o banqueiro

Os integrantes da CPI pretendem questionar o ex-tesoureiro Delúbio a respeito do suposto pedido de milhões de dólares ao banqueiro Daniel Dantas a fim de bancar a campanha petista ao Planalto.

Em troca, de acordo com Dantas, o governo evitaria embaraços para o Banco Opportunity.

A declaração do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira de que o empresário Marcos Valério de Souza tinha a missão de arrecadar R$ 1 bilhão para o partido até o fim do mandato de Lula também estará na pauta dos questionadores da CPI, bem como a afirmação do ex-secretário-geral petista, Silvinho Pereira, de que Delúbio não respondia sozinho pelas decisões financeiras do PT.

O jogo se complica

O deputado federal José Divino (PRB-RJ) discutiu, em pelo menos uma ocasião, trama para salvar da CPI da Loterj (Loteria Estadual do Rio) o empresário de jogos Carlos Cachoeira, mediante pagamento de R$ 4 milhões.

Uma gravação obtida pela Folha de S. Paulo revela que Divino apostava na força do presidente da Assembléia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB), para resolver o assunto de “cima para baixo”.

A idéia era excluir o santo nome do empresário do relatório final da comissão...

Encontro vergonhoso

O encontro do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, com o banqueiro Daniel Dantas, revelado neste fim de semana, desagradou aos investigadores da Polícia Federal que tratam do dossiê sobre supostas contas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades no exterior, atribuído ao banqueiro.

A reunião de Bastos com Dantas levanta a suspeita sobre um pacto de não agressão entre governo e banqueiro.

O escandaloso encontro ocorreu em Brasília, na noite de quarta-feira 17, conforme revelou a revista Veja.

Pela trégua celebrada, o governo não colocaria a Polícia Federal na cola do banqueiro desde que Dantas e seu investigador fechassem a boca – e que o banqueiro segurasse seus sócios e cúmplices, caso eles viessem a ser convocados a depor na CPI dos Bingos.

Uma hora a casa cai...

A revista Veja lembra que não é a primeira vez que o ministro Bastos “é flagrado na casa errada”.

Há dois meses, Veja revelou sua participação em reunião na qual o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda) tentou apagar as provas da quebra do sigilo do caseiro Francenildo Costa.

Ele não perdeu o cargo naquela ocasião pela lassidão moral da política brasileira. É possível que a mesma lassidão o garanta no cargo novamente”.

O curioso é que, na noite de quarta-feira, enquanto Bastos se encontrava com o banqueiro investigado pela Polícia Federal, a própria Polícia Federal, de quem Bastos é superior hierárquico, deixava vazar que convocaria um editor executivo de VEJA e o colunista Diogo Mainardi para depor em Brasília. Ou seja, enquanto mandava a PF incomodar os mensageiros, o ministro negociava com o autor da mensagem”.

Veja pega pesado

A revista Veja deixou claro que não pôde comprovar a autenticidade dos papéis, que podem ser todos eles uma fraude.

Mesmo assim, é custoso acreditar que o banqueiro tenha gasto tanto tempo e dinheiro na contratação e instrumentação dos melhores espiões internacionais e tenha saído da operação com um monte de documentos de fantasia.

Fosse tudo fantasia, teria o ministro Márcio Thomaz Bastos se abalado a, arriscando o próprio cargo, encontrar-se secretamente com o banqueiro Dantas?

Afinal, Dantas não é o inimigo da PF, o investigado pela polícia e que, segundo o governo, falsifica papéis para derrubar o próprio governo?

Fosse tudo fantasia, o ex-ministro José Dirceu teria se curvado aos interesses de Dantas sob a ameaça do escrutínio da Kroll, como mostra a ata da teleconferência em poder da Justiça americana?

Na esperança de que a apuração caminhe agora pelas vias oficiais, VEJA, na semana passada, entregou todos os 41 documentos de que dispunha ao procurador-geral da República – única autoridade com estofo ético e poderes para investigar o caso.

Interpelando Lula

Diogo Mainardi revela em sua coluna, na revista Veja, que decidiu interpelar judicialmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Supremo Tribunal Federal.

O colunista alega que resolveu agir judicialmente porque “não se sabe ao certo quem Lula pretendia chamar de bandido, mau-caráter, malfeitor e mentiroso”.

Mainardi detona: “O Alberto Dines (jornalista, do Observatório de Imprensa), que tem uma mentalidade igual à de Lula, e consegue entender o que ele fala, interpretou da seguinte maneira: Embora o presidente tenha protestado em termos impróprios contra Márcio Aith, fica evidente que se referia ao parajornalista e pau-mandado Diogo Mainard”.

Caso Lula confirme que o bandido, mau-caráter, malfeitor e mentiroso sou eu, processo-o por crime contra a honra. Para sorte do presidente, minha honra custa barato. Quero receber um ressarcimento de apenas 38.500 dólares, exatamente a mesma quantia que o espião da Kroll lhe atribuiu no paraíso fiscal. Metade do dinheiro vai para Márcio Aith (jornalista da Veja que assina a reportagem sobre o caso)”.

Conexão dançarina

Uma outra denúncia vai tirar o sono dos ocupantes dos Palácios do Planalto e da Alvorada.

Uma ONG formada pelas principais lideranças petistas, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atuou sem contrato dentro de uma negociação milionária de publicidade na Prefeitura de São José dos Campos, administrada pela petista Ângela Guadagnin (1993-1996).

Servidores públicos foram usados para realizar parte do serviço pelo qual a prefeitura pagava.

A lista dos membros dessa associação, a Rede de Comunicação dos Trabalhadores, tem além de Lula, outros 52 nomes como Paulo Okamotto (presidente do Sebrae), Delúbio Soares (ex-tesoureiro petista), Gilberto Carvalho (chefe-de-gabinete de Lula), Ricardo Berzoini (presidente do PT) e Luiz Marinho (ministro do Trabalho).

Doação e mensalão

As doações de empresas ao diretório regional do PT de São Paulo despencaram após o escândalo do mensalão, segundo a prestação de contas de 2005 entregue ao Tribunal Regional Eleitoral.

De janeiro a março de 2005, o PT recebeu R$ 700 mil da CSN e da coletora de lixo Vega Ambiental.

Após a entrevista do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) à Folha de S. Paulo, em 1º de junho, e até dezembro último, o PT paulista conseguiu captar apenas R$ 38 mil e 500 reais – dos quais R$ 18 mil foram uma doação da Stardoor Publicidade por “outdoors em comemoração ao aniversário do senador Aloizio Mercadante”.

Os diretórios nacional e estadual do PT arrecadaram em 2005 cerca de R$ 4 milhões em doações de pessoas jurídicas.

O valor é inferior ao de 2004, quando os dois diretórios captaram R$ 19 milhões e 500 mil reais.

Acredite quem quiser...

Ao receber de presente, no sábado, no Palácio da Alvorada, uma camiseta oficial e um agasalho da Seleção Brasileira do Futebol, presenteados pelo craque Roberto Carlos, o presidente Lula garantiu que o ato não fazia parte de campanha reeleitoral:

Ainda nem decidi se serei candidato, como posso estar em campanha?

Tem razão. Até a falecida Velhinha de Taubaté acredita nas palavras de Lula, um homem que, a cada dia, dá provas de que sabe cada vez mais de tudo, embora pareça que nunca saiba de nada que seja contra seu governo, cujas chances de reeleição são enormes.

Programa eleitoral

O presidente Lula tem uma reunião hoje com a cúpula petista para definir a participação dele no programa de tevê do PT, que vai ar na próxima quinta-feira.

No programa, que terá 20 minutos de duração, Lula deve dar o toque final.

Deve fazer uma mensagem, fechando o programa. Mas ele ainda não está em campanha, até a convenção nacional do PT, marcada para 24 de junho...

Ou seja, falta pouco para Lula definir se vem mesmo candidato à reeleição ou, do contrário, se vai preferir concorrer à Presidência da União Democrática Ruralista, entidade que reúne fazendeiros...

Viajando na reeleição

Em sua campanha não declarada pela reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem viajado como nunca.

Desde a virada do ano, Lula já percorreu, apenas em deslocamentos dentro do País, 39.386 milhas (63.383,8km).

Foram 37.554 milhas (60.435,6 km) a bordo do Aerolula e mais 1.882 milhas (2.948,2 km) no helicóptero Super Puma que serve à Presidência.

De acordo com os números, pretensamente sem fazer campanha, Lula já deu pouco mais de uma volta e meia ao redor do mundo.

Gastando por conta

O custo, só em combustível, é estimado em R$ 3 milhões e 150 mil reais.

Mais de 60 equipes de 30 pessoas cada tiveram de ser formadas para dar suporte às viagens de Lula pelo País, nesses quatro meses e meio.

Isso custa em diárias pelo menos R$ 850 mil, totalizando um gasto de R$ 4 milhões.

Esse valor representa mais que o dobro do gasto com transporte aéreo em aviões declarado pelo candidato Lula na campanha de 2002.

Aparelhamento sindical

O governo Lula dá uma prova de como usa a máquina do Estado para aparelhar e financiar o seu braço sindical.

Para ter direito a créditos do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), agricultores têm de se filiar a sindicatos, que vivem explosão de adesões em áreas rurais no Brasil.

A CUT, central sindical historicamente ligada ao PT, é a principal beneficiada. Dos 3.490 sindicatos hoje filiados à central, 1.272 (36%) são de agricultores.

Dinheiro público em jogo

A gestão federal do PT multiplicou por quase cinco a verba do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar).

A partir de julho, na reta final da campanha eleitoral, o governo começa a liberar o recorde de R$ 10 bilhões a agricultores familiares.

A grana é maior que o orçamento do Bolsa-Família, que também será recorde: R$ 8 bilhões e 700 milhões de reais.

Com a máquina sindical bem azeitada e remunerada no campo, o apoio à reeleição fica bem mais fácil...

Enquanto isso, os pequenos produtores rurais seguem encalacrados com dívidas bancárias, por causa dos juros altos, e o governo mostra má vontade na hora de negociar...

Solidariedade do amigo urso?

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou ontem solidariedade ao governador de São Paulo Cláudio Lembo (PFL).

Em discurso durante a inauguração da nova sede do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, no centro da capital paulista, Lula disse que Lembo não poderia ter feito mais do que fez para conter a onda de violência no estado:

"Quero dar minha solidariedade ao governador Cláudio Lembro. Ele não poderia ter feito mais do que fez. O governo federal não podia vir sem o pedido, senão seria intervenção".

Oferecendo a força que não existe

Mais cedo, Lula e Lembo estiveram juntos pela primeira vez desde o início da crise de segurança em São Paulo.

Lula e Lembo se encontraram na área de autoridades do aeroporto internacional de Congonhas, onde Lula desembarcou por volta de 9h15.

Na conversa, o presidente voltou a oferecer ao governador o apoio das forças de segurança federais caso seja necessário:

"Eu disse para ele, no aeroporto, Cláudio, o que você precisar não se faça de rogado. Não é um problema fácil. É preciso meditar na solução que queremos para esse problema. O problema não é do governador, presidente ou prefeito, é de toda a sociedade".

Culpando sempre a sociedade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em campo, ontem à tarde, para reduzir a pressão política na crise provocada pelos ataques de bandidos em São Paulo, na última semana.

Lula voltou a culpar a falta de investimento social nos anos 80 e 90 pelo aumento da criminalidade no País e defendeu o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, do rival PFL, na condução do problema.

Sempre esperto, Lula aproveitou a brecha aberta por tucanos – como Fernando Henrique Cardoso, e Geraldo Alckmin – que fizeram críticas a Lembo, em função da explosão de violência em São Paulo.

Dia da Dignidade Nacional

Enquanto Lula discursava para sua claque ensaiada de sindicalistas, nas ruas de São Paulo, onde o presidente passou o domingo, o povo marchava contra a corrupção, a impunidade e a organização criminosa que vem infernizando o País.

O Dia da Dignidade Nacional, organizado pelo Movimento Reforma Brasil, a partir de uma inédita mobilização do Orkut da Internet, reuniu milhares de pessoas em São Paulo, Rio de Janeiro Minas Gerais, Pernambuco, Paraná e Mato Grosso.

Na capital paulista, principal palco do movimento apartidário e da cidadania, 20 mil pessoas (segundo a PM) saíram da Praça Oswaldo Cruz e caminharam pela Avenida Paulista.

Fora, Ladrões!

A manifestação parou o centro econômico do País.

O protesto foi diretamente contra o governo do crime organizado que corrompeu e rompeu com as instituições brasileiras, tendo a classe política como principal força de sustentação.

O povo, em massa, gritou: “Fora, Ladrões”... O ouvido da classe política deve ter doido bastante...

O nome do presidente Lula sequer foi citado pelos organizadores do evento. Em frente ao Trianon, além de cantar o Hino Nacional, os manifestantes fizeram um minuto de silêncio em nome da paz e em memória das vítimas da recente guerrilha urbana na Grande São Paulo.

O povo não é palhaço

No Rio, a concentração foi na Cinelândia, onde centenas de manifestantes, munidos de apitos e narizes de palhaço, defenderam a dignidade nacional.

No trio elétrico, os destaques foram as atrizes Christiane Torloni e Lúcia Veríssimo, pediram que a população reagisse à corrupção e à violência.

Torloni detonou ao pedir o voto consciente nas próximas eleições: “Chegamos no limite. Nossa dignidade está em jogo. Não dá mais para reclamar tomando uísque no sofá de casa. É indo para a rua que a gente modifica as coisas. Os jornais deveriam publicar graciosamente a lista de todos os parlamentares envolvidos em escândalos, para que as pessoas saibam em quem estão votando".

Lúcia Veríssimo, que reclamou da apatia do Brasil diante de tantas denúncias, foi na mesma linha: “Nas listas de discussão na Internet, as pessoas demonstram indignação, buscam respostas. Vim de São Paulo e fiz questão de participar da manifestação aqui por viver no Rio. Minha indignação é em âmbito federal, estadual, municipal”.

Ao som de músicas como Que país é esse?, da banda Legião Urbana, e Até quando?, de Gabriel, o Pensador, os manifestantes saíram da Cinelândia, contornaram a Praça Paris e retornaram, num percurso que durou uma hora. A manifestação foi encerrada com o Hino Nacional. No trajeto, motoristas foram convidados a buzinar para mostrar sua indignação.

Virada contra o medo

Cerca de 1 milhão e 500 mil pessoas assistiram entre sábado e domingo a filmes e peças de teatro, dançaram todo tipo de música e fizeram coro para dizer que São Paulo não é um lugar para covardes.

Este foi o balanço das 24 horas da Virada Cultural, que às 11 da manhã de ontem já superava o público da primeira edição da festa, apesar dos sete dias de violência no Estado.

Nenhuma ocorrência policial foi registrada, mostrando que a população não faz parte do governo do crime organizado e nem compactua com as organizações criminosas.

Democracia da impren$a

Atenção Associação Brasileira de Imprensa: o grupo Ternuma (Terrorismo Nunca Mais, de Brasília) denuncia um violento ato de censura recente em nosso País.

No dia 17 de maio foi pago ao Jornal da Comunidade, de Brasília, a quantia de R$ 2 730,00 para a publicação no final de semana, 20 de maio, de um comunicado de adesão ao Dia da Dirgnidade Nacional, conforme o contrato de publicidade número 1634.

Tudo acertado, o grupo Ternuma recebeu da empresa jornalística, por e-mail, o modelo da publicação, no formato: largura 03 colunas, altura 27.

Mas no dia 18, um telefonema do jornal, comunicou que a diretoria da empresa não publicaria a matéria solicitada e que a importância seria devolvida, o que realmente foi feito, com outro cheque, já que o nosso já havia sido compensado.

O Ternuma protestou, via Internet, contra a censura imposta pelo Jornal da Comunidade, que é ligado ao ex-governador Joaquim Roriz, um dos mais fortes aliados do governo.

Pedido do Planalto

O gabinete de crise já foi acionado. O Palácio do Planalto, a pedido do presidente Lula, recomendou à mídia aliada do governo que não exagerasse na divulgação dos atos públicos pelo Dia da Dignidade Nacional.

A recomendação era a mesma que todos os governos fazem contra quaisquer indícios de atos de oposição: já que não se pode censurar, pelo menos pode minimizar.

As Organizações Globo, ainda em cima do muro em relação ao governo, preferiram a tática de minimizar, embora duas de suas principais artistas contratadas estivessem presentes às manifestações públicas. A Rede Record noticiou em seu Fala Brasil, os atos do Rio e São Paulo.

Mas o editor e o governista que se derem ao trabalho de ver as imagens da manifestação que parou a Avenida Paulista, com mais de 20 mil pessoas (segundo números oficiais da Polícia Militar), não terão o direito de privar seus leitores e telespectadores da verdade a ser noticiada. Ou censurada - de acordo com as conveniências da mídia amestrada ao poder e que prefere acolher o clamor da verba publicitária pública ao clamor da opinião pública de verdade.

Preocupação com os nomes

Balanço atualizado divulgado no final de semana pela Secretaria de Segurança Pública mostra que o número de suspeitos mortos pela polícia subiu de 107 para 109, durante os 299 ataques do crime organizado na guerrilha urbana da semana passada.

Nenhum dos mortos teve o nome divulgado até agora.

O “segredo” tem um motivo. Entre os que tombaram em combate com a Polícia, estão terroristas profissionais, gente ligada às FARCs colombianas e até ao movimento dos sem terra, o que pode indicar a motivação política do confronto da organização criminosa contra as autoridades de segurança...

Os ataques provocaram, ao todo, 154 mortes e deixaram 54 pessoas feridas.

Balanço da guerra

De acordo com o governo de São Paulo, foram realizados 299 ataques, sendo 12 ao Poder Judiciário, 82 a ônibus, 17 a agências bancárias, 58 a casas de policiais e 5 a imóveis.

Uma viatura da CET, uma garagem de ônibus e uma estação do metrô também foram atacados.

Além dos 109 suspeitos mortos, foram presos 125 acusados de envolvimento com os ataques iniciados há uma semana. Ao todo, 149 armas foram apreendidas.

Das 45 vítimas identificadas dos ataques, 23 são PMs, 7 policiais civis, 3 guardas municipais, 8 agentes de segurança penitenciária (ASP) e 4 cidadãos comuns. Dos policiais mortos, 21 foram alvos de ataques durante a folga.

Polícia nas ruas

Nos presídios do estado, as visitas estão suspensas nas 74 unidades que promoverão rebeliões, como medida de segurança e punitiva.

Em algumas penitenciárias, o banho de sol também foi suspenso.

Na sexta-feira, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) começou a cortar, por determinação judicial, o sinal enviado para aparelhos celulares de nove presídios que ficam nas cidades paulistas de Avaré, Presidente Wenceslau, Iaras, Araraquara, São Vicente e Franco da Rocha, com o objetivo de evitar a comunicação entre presos e criminosos em liberdade.

E os direitos humanos das 45 vítimas inocentes?

Embora o governador Cláudio Lembo tenha afirmado que não pretende dar nome aos mortos, entidades de direitos humanos, os ministérios públicos Federal e Estadual e a Defensoria Pública adiantam que vão exigir do governo a relação nominal das vítimas.

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Rodrigo César Rebello Pinho, já solicitou as cópias dos boletins de ocorrência dos eventos que resultaram em morte, nos confrontos com a polícia.

Existem 85 corpos no IML de São Paulo.

Por que não fazem o mesmo com as vítimas inocentes?

O subdefensor público Pedro Giberti afirmou que a Defensoria aguardará o término das investigações para emitir uma opinião em definitivo:

Se tiver havido uma única lesão fruto de desvio de conduta, vamos proteger as pessoas afetadas".

Médicos do Conselho Regional de Medicina de São Paulo querem saber, até quarta-feira, se inocentes foram mortos pela polícia na última semana, depois do início da onda de ataques atribuída ao PCC (Primeiro Comando da Capital).

Eles vão passar o começo desta semana analisando os laudos parciais feitos pelo IML (Instituto Médico Legal) sobre as mortes de suspeitos em confrontos desde o dia 12.

Conexão PCC/CV e outros bichos

O Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) tem certeza absoluta: os bandidos paulistas do Primeiro Comando da Capital têm uma parceria forte com os bandidos do Comando Vermelho carioca.

O acordo de cooperação entre o crime organizado prevê treinamento e fornecimento de drogas e armas em comum.

O PCC e o CV têm ligação direta com as Farc (as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

A inteligência das Forças Armadas identificou que membros das Farc, dissidentes do grupo separatista basco ETA e terroristas do oriente médio vêm dando treinamento, há pelo menos dois anos, em técnicas de guerrilha urbana, aos membros das duas organizações criminosas brasileiras.

Denúncia de O Dia

O jornal O Dia, do Rio de Janeiro, confirmou ontem a aliança entre as organizações criminosas do eixo Rio/São Paulo.

A principal diferença entre as facções está na administração do dinheiro. Líder do CV, Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, preso no Complexo Penitenciário de Bangu, recebe semanalmente de R$ 30 mil a R$ 50 mil referente apenas à arrecadação com a venda de drogas no Complexo do Alemão — um dos maiores redutos do bando.

A contribuição fixa, segundo investigadores, é privilégio dos chefes. Ao contrário dos membros livres do PCC, que são obrigados a dar R$ 550 mensais para a facção, os “sócios” do CV contribuem esporadicamente, dependendo dos lucros e da região onde cometem crimes.
Nas comunidades onde o CV tem mais força — Alemão; Providência, no Centro; Mangueira; Jardim América (favelas do Dique e Furquim Mendes); Manguinhos e Jacarezinho —, há aproximadamente mil homens e 300 fuzis, como o FAL, Parafal, AK-47, G-3 e AR-15, segundo levantamento feito por O DIA com base em informações da polícia.

Dedicados quase exclusivamente ao tráfico, os integrantes desse ‘exército’ repassam pouco dinheiro quando as bocas-de-fumo estão ‘quebradas’. Já os ladrões de carros e cargas alugam armas para ações próximas a redutos onde o CV atua.

Grandes articuladores

Em 2002, dois dos principais articuladores do PCC — César Augusto Roris da Silva, o Cesinha, e José Márcio Felício, o Geleião — ficaram presos em Bangu 1 com membros do CV e intermediaram conversa entre o líder deles, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

Em telefonema interceptado pelo Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), a que a Justiça paulista teve acesso, os dois falam sobre compra de armas ou drogas.
A principal suspeita é de que eles dividam lotes que chegam ao Brasil pela fronteira.

Loteria do PCC?

Os braços do crime organizado em São Paulo já criaram uma rede de serviços que controla desde a entrega de armas via Correios até o transporte alternativo.

O que mais impressionou as autoridades, porém, foi a descoberta de uma Loteria do Crime, que funciona entre os membros do Primeiro Comando da Capital (PCC).

O sorteio, feito através da Loteria Federal, é mensal e o primeiro prêmio é sempre um carro zero quilômetro. O segundo colocado leva uma motocicleta e o terceiro, uma TV de 29 polegadas.
Cada ‘bilhete’ custa R$ 10 e, segundo a polícia, o jogo do PCC movimenta cerca de R$ 100 mil por mês.

A loteria alternativa despertou o temor de que o PCC decida entrar para o ramo dos caça-níqueis, controlado por bicheiros.

Como se lava a grana do PCC

A Polícia de São Paulo tenta identificar quem são os “laranjas” cujos nomes são utilizados – voluntariamente ou não – pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) para que o dinheiro do grupo seja movimentado por seus principais líderes.

A idéia da polícia é desarticular o poderio econômico do grupo criminoso, que, na última semana, apavorou São Paulo.

A diversificação na arrecadação de dinheiro inclui extorsão a motoristas de vans, como acontece no Rio, onde o tráfico de drogas exige pagamento de pedágio para “autorizar” a circulação de vans e Kombis.

É ou não é um governo do crime organizado?

Mais de 100 contas de laranjas

O delegado Ruy Ferraz Fontes, do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), tenta rastrear ao menos cem contas bancárias utilizadas pelo grupo para movimentar os valores arrecadados com as mensalidades pagas pelos “irmãos” – como se auto-denominam os integrantes da facção criminosa.

Em depoimento à CPI do Tráfico de Armas, na semana retrasada, Ruy Fontes afirmou que o PCC arrecada, em média, R$ 700 mil por mês.

O valor leva em conta apenas doações, e não o dinheiro arrecadado com o tráfico de drogas e aluguel de armas.

Crack in Rio

A facção criminosa que aterrorizou São Paulo com uma onda de ataques está por trás da invasão do crack nos morros do Rio.

A droga, derivada da sobra do refino da cocaína e conhecida como pedra da morte, vem ganhando território em favelas dominadas pelo Comando Vermelho.

Interceptações de conversas telefônicas apontam o traficante Pablo Pierre Mendes do Amparo, de 29 anos, como o principal elo entre as quadrilhas e que vem usando o Morro da Providência como base para a distribuição de até mil pedras por semana.

As conversas de Pablo com integrantes da quadrilha paulista foram interceptadas inicialmente pelo Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) de São Paulo e repassadas no começo da semana à Polícia Federal e à Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança do Rio (SSinte).

Livre trânsito do traficante

Na última segunda-feira, o rastreamento de um dos aparelhos usados por Pablo registrou o deslocamento do traficante da Tijuca, provavelmente do Morro do Borel, até São Paulo.

A descoberta levou os policiais do Deic a informar a polícia carioca sobre a movimentação do traficante.

Pablo e o irmão dele, Rômulo Mendes do Amparo, seriam ligados a antigos integrantes do bando de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, atualmente preso na superintendência da Polícia Federal em Brasília.

As investigações revelaram que um dos aparelhos usados pelo traficante está em nome de uma empresa carioca, que até a tarde de sexta-feira não havia registrado na polícia o roubo do telefone. Está sendo investigada e pode ser enrolada no caso...

Ouvindo os defensores do PCC

A CPI do Tráfico de Armas confirmou para amanhã os depoimentos dos advogados Sérgio Weslei da Cunha e Maria Cristina de Souza Rachado.

Ambos são acusados de comprar por R$ 200 a cópia dos depoimentos do diretor do Deic de São Paulo, Godofredo Bittencourt Filho, e do delegado Ruy Ferraz.

Os dois delegados prestaram depoimento no dia 10 de maio, em sessão secreta da comissão.

Não podem se misturar...

Uma reunião administrativa decidirá, nesta terça-feira, onde e quando o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, vai ser ouvido pela comissão.

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), avisou à CPI que não quer esse depoimento nas dependências da Casa.

A sugestão de Rebelo é que uma comissão de parlamentares viaje a São Paulo para tomar o depoimento do preso.

Atentado aos aliados?

O Correio Braziliense de hoje noticia: “PCC ameaça Congresso”.

A Agência Brasileira de inteligência alerta sobre uma suposta bomba que a facção criminosa planejava explodir no Parlamento.

Câmara e Senado reforçam segurança diante da ameaça, que não deve se configurar. A não ser que os bandidos estejam cobrando alguma dívida de campanha eleitoral...

Rebelião controlada

A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo informa que terminou sem feridos a rebelião na cadeia de Botucatu, no interior do Estado.

Os detentos, rebelados desde a manhã deste domingo, negociaram com a diretoria do presídio a transferência de 10 presos - um deles, condenado e outros nove, provisórios.

O carcereiro, que era mantido como refém, foi liberado sem ferimentos.

O presídio de Botucatu tem capacidade para 60 detentos, mas abriga atualmente 220.

Fabricantes de crimes sexuais

Alegando segredo judicial, a Corregedoria da Polícia Civil do Paraná não divulga os nomes dos 11 policiais civis presos, entre eles dois delegados, acusados de participar de uma quadrilha que praticava a pedofilia, associada à extorsão.

Em razão do sigilo, o secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, alega que não pode dar detalhes do escândalo.

Os policiais - dois delegados, seis investigadores, um escrivão e dois agentes administrativos - atuavam no 4º, 7º e 12º Distritos Policiais de Curitiba.

Todos foram indiciados por concussão, extorsão, formação de quadrilha, corrupção de menores e atentado violento ao pudor.

Armadora do esquema

A polícia procura Luciana Polera Correia Cardoso, 21, que seria a mentora do esquema.

Uma pessoa ligada a ela fazia contatos com meninas entre 10 e 14 anos nas portas de escolas de Curitiba, oferecendo-lhes a oportunidade de ganhar dinheiro em troca de favores sexuais.

Utilizando a Internet, onde tinha um site, Luciana fazia contato com pessoas com bom poder aquisitivo e marcava um encontro com as meninas, em seu apartamento, no bairro Fazendinha, ou em algum motel.

Extorsão policial

Enquanto a pessoa estava com a adolescente, os policiais eram avisados e se dirigiam ao local para fazer uma “batida”, tiravam fotos e filmavam o cliente com a menina nua.

A pessoa era levada para o distrito policial e começava a outra parte do golpe.

Ali era negociado um valor entre R$ 5 mil e R$ 30 mil para não ser instaurada uma investigação por crime de exploração sexual, estupro ou atentado violento ao pudor.

Matadores de servidores públicos

A Polícia Civil do Paraná prendeu três adultos e dois adolescentes suspeitos de integrarem suposta quadrilha apontada como responsável por mortes de funcionários públicos do Paraná.

Sete outros suspeitos foram presos na semana passada.

A polícia suspeita que o grupo tenha matado em abril passado o técnico da Justiça Federal em Curitiba Takeru Mauro Koarata, 44, e Miguel Baron Neto, 15, filho de um agente penitenciário.

Há, ainda, suspeitas de o mesmo grupo ter tentado matar um policial civil em Foz do Iguaçu e jogar uma granada em uma unidade da polícia em Curitiba.

O Cope suspeita que a quadrilha seja comandada por Marilda da Silva, 38, suposta líder do tráfico de drogas na região de Santa Felicidade, segundo a polícia, e por um rapaz de 19 anos foragido do Educandário São Francisco.

O crime compensa 1

Quinze anos depois das fraudes que causaram um rombo de US$ 600 milhões ao INSS, 18 dos 45 réus condenados pelo desfalque continuam administrando 150 imóveis que compraram com o dinheiro roubado.

Embora hipotecados pela Justiça ­– o que impede sua venda –, os imóveis continuam rendendo dinheiro e conforto para os acusados.

O ex-advogado Ilson Escóssia da Veiga e Jorgina de Freitas, a mais famosa fraudadora do INSS, são os únicos condenados presos.

O Estado só recuperou menos de 15% do que foi roubado pela quadrilha.

O crime compensa 2

A quadrilha que manipulava prefeituras e parlamentares para fraudar licitações e vender ambulâncias superfaturadas teve seu faturamento turbinado em 3.746%.

Ou seja, o ganho dos sanguessugas foi multiplicado por 38 vezes – nos primeiros três anos de atuação, segundo revelam as investigações da Polícia Federal.

Entre 2000 e 2005, as empresas da família Trevisan-Vedoin, de Mato Grosso, movimentaram R$ 11 milhões, sem contar as ramificações coordenadas por outros colaboradores.

Os números foram levantados pela Receita Federal, que nos últimos dois anos vinha monitorando as empresas do esquema. Varias delas eram apenas de fachada, mas ganharam licitações milionárias para fornecer os veículos adaptados para ambulâncias que eram comprados pelas prefeituras, com recursos de convênio do Ministério da Saúde.

Gabinetes da roubalheira

Os grampos telefônicos feitos pela Polícia Federal (PF) na Operação Sanguessuga revelam que gabinetes de deputados funcionavam como pequenos escritórios comerciais do esquema.

Os diálogos indicam que parlamentares acusados de receber propina do esquema de venda de ambulâncias superfaturadas ajudavam também a difundir o negócios nas prefeituras sob sua influência eleitoral.

É o que mostraram, por exemplo, os diálogos registrados pela PF que mencionam o deputado Marcos Abramo (PP-SP).

E o livro caixa?

A documentação da Controladoria-Geral da União (CGU) enviada à Corregedoria da Câmara contém novos indícios do envolvimento de parlamentares com a máfia dos sanguessugas.

Os recursos de emendas apresentadas por pelo menos seis deputados patrocinaram graves irregularidades nas licitações para a compra, pelas prefeituras municipais, das unidades móveis de saúde.

Entre esses deputados, quatro deles aparecem no livro-caixa da Planam Comércio e Representação Ltda., empresa fornecedora dos veículos. Outros dois foram citados pela ex-assessora do Ministério da Saúde Maria da Penha Lino como ligados ao esquema. Maria da Penha está presa em 4 de maio na Operação Sanguessuga.

Basta cruzar as listas

A suspeita contra os parlamentares foi reforçada com o cruzamento entre a lista de 24 deputados que teriam recebido dinheiro da Planam, a relação de congressistas citados por Maria da Penha em depoimento à Polícia Federal e o relatório da CGU, que constatou irregularidades nas licitações realizadas com o dinheiro das emendas apresentadas pelos congressistas.

No total, 60 prefeituras foram investigadas pela controladoria.

Em boa parte delas, os auditores constataram ilegalidades nas licitações para a compra das ambulâncias, como revela amostragem do cruzamento de dados à qual o Correio teve acesso.

A CGU constatou a presença do mesmo grupo de empresas, liderado pela Planam, em 90% dos convênios firmados entre municípios e Ministério da Saúde para a aquisição dos veículos.

Vai dar pizza?

Ficou para esta semana a votação do processo de processo de cassação do deputado Vadão Gomes (PP-SP) na Câmara.

Como não é matéria legislativa, o processo deverá ir a plenário na quarta-feira, independentemente de a pauta continuar trancada na Casa.

O Conselho de Ética aprovou o relatório de Eduardo Valverde (PT-RO) que recomenda a absolvição parlamentar, acusado de ter recebido R$ 3 milhões e 700 mil do empresário Marcos Valério de Souza, operador do mensalão.

O parecer anterior, de Moroni Torgan (PFL-CE), que pedia a cassação de Vadão, foi rejeitado pelos integrantes do Conselho.

Impunidade geral

Dos 19 acusados de envolvimento com o esquema do mensalão, dez já foram absolvidos pelo plenário.

Outros quatro parlamentares renunciaram para escapar da cassação, e apenas três foram cassados: Roberto Jefferson (PTB-RJ), José Dirceu (PT-SP) e Pedro Corrêa (PP-PE).

Tomara que os mensaleiros também não sejam absolvidos nas urnas.

Nova pesquisa presidencial

A Confederação Nacional dos Transportes (CNT) divulga na amanhã mais uma rodada da pesquisa Sensus.

O trabalho de campo começou na quinta e foi até domingo, entrevistando 2 mil pessoas em 195 municípios de todos os Estados do país.

Além das tradicionais perguntas sobre intenção de voto para o primeiro e o segundo turnos da disputa presidencial, o levantamento também ouviu os eleitores sobre o desempenho do governo federal, a nacionalização do gás boliviano e a expectativa em torno da Copa do Mundo da Alemanha.

Alarme no ninho tucano

O triunvirato tucano, comandado por FHC, Tasso Jereissati e Aécio Neves, chegaram a uma conclusão que não podem tornar pública:

A candidatura de Geraldo Alckmin não tem chances de decolar, sobretudo com senador José Jorge de vice.

Em conversa nos últimos dias, Jorge Bornhausen, presidente do PFL, e Tasso Jereissati, presidente do PSDB, já chegaram à conclusão de que é melhor agüentar o Lula, em um segundo mandato, e ver como fica tudo depois.

Fechando o Cofre

A campanha de Alckmin já sente falta de dinheiro.

Bornhausen e Jereissati decidiram que não pretendem usar toda a verba de campanha que têm disponível para este ano.

A tática do PSDB e do PFL é suportar Lula no próximo mandado, e tentar eleger deputados e ganhar próximas eleições municipais.

Nos bastidores tucanos, ainda se fala no nome de Serra, como candidato tucano, depois da copa do mundo, quando ocorrem as convenções de verdade para decidir quem vem mesmo na disputa...

Bronca e socorro para Lembo

O senador Jorge Bornhausen deu uma bronca no amigo e governador de São Paulo, Cláudio Lembro, que pensou em entregar o cargo, alegando pressões, depois dos ataques do crime organizado.

O governador paulista alega problemas de saúde para seguirem frente.

Por isso, o PFL vai montar uma tropa de choque administrativa para ajudar Lembo. A reunião que vai definir a junta governativa informal está marcada para esta quarta ou quinta-feira, no máximo.

Candidato ao senado

O que o Alerta Total avisou há tempos, mineiramente, aconteceu.

Numa reunião com as bancadas federal e estadual do PMDB mineiro, prevista para hoje, o ex-presidente Itamar Franco deverá anunciar que desistiu de vez da pré-candidatura à Presidência e retomará a investida para disputar uma vaga ao Senado pelo partido.

O problema é que Itamar terá de disputar a indicação do partido no voto, em convenção marcada para junho.

O ex-deputado federal e ex-prefeito de Uberlândia Zaire Resende – ligado ao grupo peemedebista que defende uma aliança com o PT nas eleições estaduais –, já anunciou que não desiste de sua pré-candidatura ao Senado.

Briga pela vice

Apesar de o Diretório Nacional do PSOL já ter aprovado a indicação do jornalista e economista César Benjamin (PSOL-RJ) para a vaga de vice na chapa à Presidência da República que será encabeçada pela senadora Heloísa Helena, o assunto vai ser rediscutido em prol da manutenção da aliança do PSOL com o PSTU e o PCB para as eleições de outubro próximo.

Membros dos três partidos esquerdistas marcaram para quarta-feira uma reunião, em Brasília, para definir outro nome de vice da senadora.

O PSTU já afirmou que o partido poderá retirar o apoio à candidatura da senadora caso o PSOL mantenha a decisão de disputar a eleição com uma chapa “pura”.

O PSTU ofereceu o nome do presidente da legenda, José Maria de Almeida, para compor a chapa com Heloísa Helena.

Chegada à francesa

Dez meses depois da visita do presidente Lula à França para as comemorações do Ano do Brasil no país europeu, o presidente francês, Jacques Chirac, desembarca em Brasília para uma visita de Estado.

Ele chegará na quarta-feira e, acompanhado de membros do governo e do Parlamento, além de empresários franceses, cumprirá agenda oficial até sexta, quando volta a Paris.

Na quinta de manhã, será recebido no Palácio do Planalto por Lula. Depois, visitará o Congresso e o Supremo Tribunal Federal.

Aviso dos especuladores

O presidente Lula já foi avisado, e não poderá dizer que não sabia...

A equipe econômica prevê que uma ação prolongada de aumento dos juros nos EUA possa elevar o dólar a uma cotação entre R$ 2,30 e R$ 2,40.

Na quinta-feira, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o ministro Guido Mantega (Fazenda) fizeram a avaliação sobre eventuais impactos no Brasil que foi transmitida a Lula.

Custo social

A classe média brasileira continua trabalhando mais para o Estado do que para si mesma.

Um estudo feito pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) mostra que as famílias de classe média gastam o equivalente a 113 dias de trabalho por ano apenas para custear despesas com saúde, educação, previdência privada, segurança e pedágio, serviços que deveriam ser oferecidos adequadamente pelo Estado aos contribuintes.

Para o advogado Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT e um dos autores do estudo, a "escravidão do contribuinte" é decorrente da ineficiência do Estado na prestação daqueles serviços.

Que dureza

O trabalhador brasileiro está ganhando cada vez menos na hora de se aposentar.

Um estudo feito pela Anfip (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social) mostra que o fator previdenciário reduziu em 3,09% o valor médio das aposentadorias por tempo de contribuição que foram concedidas em 2005.

A tendência é que a redução seja ainda mais acentuada neste ano.

Dia D para os bancos

O Banco Central divulga amanhã o relatório de política monetária e operações de crédito relativo a abril que vai mostrar se o consumidor e as empresas já estão sendo beneficiados pelos cortes da Selic.

Tudo indica que: não! O documento referente a março, divulgado no mês passado, mostrou que o efeito dos pequenos cortes na Selic era quase residual nas taxas médias de juros cobradas nos empréstimos bancários livres de direcionamento obrigatório.

O relatório do spread bancário (a diferença entre a taxa de captação e a de remuneração), que permaneceu praticamente inalterado entre fevereiro e março, vai mostrar quanto os bancos estão ganhando nas costas dos tomadores de empréstimo.

O resultado de março indicava ainda uma nova expansão do volume de empréstimos, incentivada principalmente pelo crédito consignado, que pode estar chegando ao limite, com o esgotamento da capacidade de pagamento dos endividados.

Mas crescimento do financiamento habitacional, porém, pode contribuir para novo aumento do volume de dinheiro ofertado aos consumidores.

Mais desemprego?

O IBGE vai divulgar na quinta-feira sua Pesquisa Mensal de Emprego relativa a abril.
Se confirmada a tendência observada desde janeiro, o resultado será uma nova alta do número de desempregados.

Em março, os desocupados somavam 10,4% da população econômica ativa nas seis maiores regiões metropolitanas do país, a menor taxa para o período desde que a pesquisa com a atual metodologia começou a ser feita, em 2002, mas superior à de fevereiro, que havia ficado em 10,1%, e à de janeiro, de 9,2%.

Já o rendimento médio do trabalhador, medido pelo mesmo levantamento, havia subido 0,5% em março, passando de R$ 1.001,43, em fevereiro, para R$ 1.006,80.
Em relação a março de 2005, a alta no poder de compra do trabalhador foi de 2,5%.

Chávez no cinema

Os fãs de Chávez podem vibrar. Mas, calma, não são as tietes do velho humorista mexicano, que é a única coisa imexível na tevê de Sílvio Santos, depois dos programas do Baú da Felicidade...

É que o cineasta Oliver Stone (norte-americano e recente ganhador de Oscar) e o produtor britânico John Daly, que produziu “O Último Imperador”, prometem um filme sobre o golpe institucional que, no dia 12 de abril 2002, com a ajuda do governo norte-americano, tirou do poder, por breves instantes, o presidente da República Bolivariana da Venezuela, Hugo Chávez.

A produção de Hollywood, que será anunciada no festival de Cannes, certamente vai sofrer o boicote do presidente George Bush e de Condoleezza Rice, sua simpática mulher-forte do Departamento de Estado. Os dois amam Chávez...

Vida que segue...

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Um comentário:

Anônimo disse...

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