quarta-feira, 10 de maio de 2006

Dirceu negocia a Varig, dá palestra para banco suíço investigado pela PF, se livra do Caso Daniel e 170 políticos são denunciados

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Por Jorge Serrão

Exclusivo - Isto sim é "Organização". No mesmo dia em que foi recebido na sede brasileira (em São Paulo) do banco Credit Suisse, que convidou seus “clientes especiais” para ouvir uma palestra sobre “o que se passa no Brasil”, o advogado José Dirceu de Oliveira e Silva obteve do Supremo Tribunal Federal uma liminar para não mais ser investigado pela Promotoria Criminal de Santo André (SP) por suposto envolvimento em corrupção na prefeitura da cidade e que teria redundado no assassinato do prefeito petista Celso Daniel, em 2002. Este mesmo banco - onde Dirceu teria uma conta, no exterior, recheada de milhões de dólares – é investigado pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e operações ilegais feitas em parceria com doleiros. O escândalo é acompanhado de perto pelo juiz federal Fausto Martin Sanctis.

O poderoso Dirceu também obteve outra grande vitória ontem nos bastidores. Sua articulação secreta para a venda da Varig, em ação conjunta com o mega-investidor russo Boris Berezoovski, foi aprovada pelos credores da companhia. O fundo de investimentos do russo ( que é alvo na Europa de denúncias de lavagem de dinheiro e incentivo das operações da Al Qaeda de Osama Bin Laden) já teria US$ 1 bilhão para o negócio. E a operação terá ainda um financiamento de R$ 100 milhões do BNDES – tudo articulado, nos bastidores, por Dirceu, que semana passada se reuniu com o russo no Brasil. Do encontro com Dirceu, em um hotel de luxo em São Paulo, o russo saiu com uma mala que guardava uma ordem de compra de de 2.600 kilos de ouro, emitida por um banco belga. O poderoso Zé conta com o respaldo econômico do governo da Venezuela, do qual é “assessor informal” para sacramentar a operação Varig, ficando inteiramente invisível no mega-negócio de adquirir a banda boa de uma empresa área falida.

Mais graves que os negócios nada secretos de Dirceu, feitos nos subterrâneos do poder do Estado, são as denúncias da Operação Sanguessuga da Polícia Federal, que vai acionar o Ministério Público para investigar 170 deputados e alguns senadores. Amparada na delação premiada, que abranda a pena para quem colabora com a Justiça, a ex-assessora do Ministério da Saúde, Maria da Penha Lino entregou a lista de parlamentares envolvidos no esquema de usar emendas ao orçamento da União e faturar com as verbas liberadas para o pagamento das fraudadas licitações para a compra de ambulâncias em prefeituras.

Maria da Penha revelou que dinheiro das propinas - apelidado de “rachadinha” ou “rachadão”, dependendo do volume - chegava à Câmara escondido em malas, bolsos de paletó, meias e até cuecas de funcionários da Planam, principal empresa do esquema de corrupção. Até agora, a Operação Sanguessuga prendeu 48 acusados de participar do golpe. Entre eles, dois ex-deputados, empresários e diversos assessores de parlamentares.

Alarmado com a repercussão do caso, o presidente do Congresso, Renan Calheiros, convocou para hoje, às 9h 30min, uma reunião de emergência, reservada, com os senadores e principais líderes dos partidos aliados na Câmara. Na convocação do constrangedor encontro, Renan escreveu: "Pedimos maior discrição possível aos senadores sobre esta reunião, para não levantar a ira da imprensa, a fim de solucionar o problema da Câmara dos deputados, que pode envolver o Senado".

Os nomes dos parlamentares citados por ela não foram divulgados para a imprensa. O documento será encaminhado para o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Ministério Público Federal (MPF), que decidirão se será aberta investigação.A detonação do escândalo tirou o sono de muitos congressistas. A segurança da Câmara foi acionada ontem à noite, por volta das 21h 30min, para apurar uma estranha saída de equipamentos de informática – laptops, computadores e HDs (Discos Rígidos) dos gabinetes de vários deputados. Cada retirada foi registrada, oficialmente, pela segurança, para uma posterior auditoria. Inclusive, foram anotadas as placas dos carros em que o material foi retirado.

O próprio presidente do Congresso, Renan Calheiros, dorme mal há vários dias por causa de investigações contra um ex-assessor, nomeado por ele para o Senado, chamado Francisco Sampaio de Carvalho. O servidor cometeu o erro fatal de usar um fax da liderança do PMDB no Senado para operar uma conta bancária aberta no paraíso fiscal da ilha Grand Cayman, no Caribe. A conta, de número 650303, identificada pelo codinome "Pacto", chegou a registrar R$ 11 milhões e 100 mil reais em depósitos.

A Polícia Federal tem em seu poder papéis mostrando que o dinheiro foi transferido em 2003 para outra conta, de codinome "ABCDHGFE", cujo saldo de investimentos chegou a R$ 15 milhões e 500 mil reais em 2004. Extratos, autorizações para compra de ações no exterior e relatórios bancários dos investimentos, num total de cem folhas, entre originais e cópias, relacionam todas as operações ao ex-consultor de Renan, que se demitiu no dia 16 de março do Senado, onde ganhava a merreca de R$ 17 mil mensais.

O escândalo, denunciado pela Folha de São Paulo, envolve o Unibanco – que hoje tem tucanos de peso em sua diretoria, como o ex-ministro da Fazenda de FHC, Pedro Malan, e o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Os funcionários do "private bank" - agência para clientes com depósitos superiores a R$ 1 milhão - do Unibanco em Belo Horizonte pediam autorização ao cliente para adquirir no exterior ações de empresas brasileiras.

O pedido era enviado, para receber a assinatura de autorização, ao fax da liderança do PMDB no Senado ou à casa de Carvalho, em Brasília. Autorizadas, as aquisições eram feitas, num primeiro momento, com recursos da conta "Pacto", aberta no UBT (Unicorp Bank & Trust Ltd.), uma subsidiária do Unibanco sediada em Grand Cayman, ilha do Caribe.

No auge das atividades da "Pacto", em 4 de abril de 2002, o banco apontou saldo de US$ 4 milhões e 840 mil dólares em investimentos (R$ 11,1 milhões ao câmbio daquele dia). A segunda conta bancária relacionada nos papéis a Carvalho foi aberta no mesmo banco e operada nas mesmas circunstâncias. O conjunto de papéis também indica supostas contas e operações financeiras em outros bancos no exterior. Anotação em uma folha de agenda datada de 12 de janeiro de 2000 registra o número de uma conta no "Citibank-NY (Nova York)", 36013255, com recomendações para uma transferência "em favor da conta nº 650303 codinome Pacto".

Resta saber em nome de quem tal “pacto” financeiro era operado dentro das dependências do Congresso Nacional. Mas a classe política, novamente, comprova sua ligação com operações ligadas ao mais fino crime organizado no mundo, sob o comando do grande controlador do capital financeiro internacional, que opera diretamente da famosa City londrina (a bolsa de valores da Inglaterra). Todos esses escândalos só vêem à tona porque a banca londrina está em conflito de poder com os Estados Unidos, cujos serviços de inteligência têm vazado dossiês na Justiça brasileira contra a classe política, que é uma agente consciente do "poder controlador".

Os resultados objetivos da guerra travada entre o "controlador" e "a águia" norte-americana, pela hegemonia do poder e dos negócios no mundo, vão definir o destino da política brasileira até outubro - ou antes disto. A ruptura institucional no Brasil é evidente. Todos os poderes da República estão afetados pela corrupção. A classe política, literalmente, tomou de assalto o poder do Estado com a finalidade de corromper e roubar, associando-se a bandidos de toda espécie, desde negocistas internacionais de fino trato até traficantes de drogas, armas e prostituição. Brasília é o retrato imundo do crime.

Como bem escreveu o jornalista Clovis Rossi, na Folha de São Paulo, instituições apodrecem irremediavelmente quando um grupo partidário é acusado de formar uma "organização criminosa" pelo procurador-geral da República, sendo o presidente da República também o presidente de honra do grupo. Suspeita que também recai sobre o segundo homem na hierarquia da "organização criminosa", devidamente qualificado pelo procurador Antônio Fernando de Souza - uma verdadeira "águia" contra o crime no Brasil.

Para tentar mudar todo esse quadro negro, cada cidadão brasileiro deve fazer um exame de consciência urgente e mostrar que não tem vergonha de ser honesto - mesmo em um País onde pesquisas de opinião, nem sempre confiáveis, apontam nossa tolerância, conivência e leniência com a corrupção.

Por isso, no próximo dia 21 de maio, às 15 horas, cada brasileiro de verdade deve sair às ruas para celebrar o "Dia da Dignidade Nacional". Não é um simples ato contra o desgoverno. O poder simbólico da manifestação é muito maior. Cada um terá a chance de mostrar para si mesmo e para toda a sociedade que tem as mãos limpas. Sem demagogia e de forma apartidária, mostrando quem somos, de verdade, para a falsa oligarquia política.

A nossa mobilização, do "zé povinho", marchando aos milhares pelas ruas das principais capitais brasileiras, será a forma de mostrar para a classe política que tudo precisa realmente mudar para ficar diferente - e não apenas fingir que muda para que tudo permaneça do jeito que está agora. O brasileiro precisa "fazer política" e não ser vítima dela.

Democracia não é apenas votar, por obrigação, como nos é imposto legalmente - "dando emprego" bem remunerado e delegando poderes políticos para uma classe política que vive em um sistema que apenas explora a sociedade, cada vez mais de forma criminosa ou expoliativa (vide os impostos elevados que pagamos no Brasil, sem o devido retorno social). Na verdade, Democracia é a plena segurança do direito - hoje afrontada pelo poder das "organizações criminosas" que se apossaram do Estado Brasileiro.

Se não houver mudanças já, o holocausto social e institucional, com o crime organizado dominando, será o resultado da guerra entre o "controlador" e "a águia" - uma sangrenta batalha em que nós, brasileiros e brasileiras, estamos no meio e sofrendo todas as conseqüências diretas e indiretas. A nossa sobrevivência soberana como cidadãos só depende da nossa atitude de brasileiros honestos que apenas querem viver felizes.

Jorge Serrão, jornalista radialista e publicitário, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. http://alertatotal.blogspot.com e http://podcast.br.inter.net/podcast/alertatotal

Banco Suíço

O banco para cujos “clientes vips” José Dirceu deu palestra ontem, o Credit Suisse, é investigado pela Polícia Federal por suspeita

A PF espera provar que o escritório de representação do banco, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, é vinculado diretamente à matriz na Suíça, e opera de modo ilegal no País, captando clientes interessados em abrir e movimentar contas bancárias numeradas no exterior, em especial na Suíça, a fim de amparar remessas não autorizadas de divisas, dissimuladas em forma de operações de compra de títulos de capitalização daquele banco.

O Grupo Credit Suisse (GCS) é um dos maiores grupos financeiros mundiais, sendo considerado a espinha dorsal da banca Suiça. O Credit Suisse Banking, membro do Grupo Credit Suisse, é lider de mercado nas áreas de banca e seguros na Suiça, com mais de 2,6 milhões de clientes.

Os investigados

Em abril, a PF chegou manter preso, por 10 dias, o gerente internacional para negócios do Brasil do Crédit Suisse, Peter Schaffner.

Outros cinco funcionários do banco suíço e um gerente do banco do Brasil também estão sendo investigados.

Quem cuida do caso é o juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Criminal, especializada em crimes financeiros. E também o delegado federal , Ricardo Saad, que comandou a Operação Suíça.

Até agora, segundo a Polícia Federal, as investigações mostraram que há fortes indícios de que os suspeitos agiam ilegalmente remetendo para o exterior grandes somas de dinheiro de origem duvidosa. Os executivos facilitavam investimentos diretos em instituições suíças, bulando a receita federal brasileira.

A PF também investiga a participação de doleiros no envio de dinheiro. O banco tenta desmentir tudo...

Livres do cadáver insepulto

A liminar concedida ontem pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Eros Grau livrou o poderoso Zé Dirceu e o chefe-de-gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, e outras testemunhas de ser ouvidas pela Promotoria no Caso Celso Daniel.

Além de Dirceu e Gilberto Carvalho, também deveriam depor o presidente estadual do PT, Paulo Frateschi, o advogado Aristides Junqueira, que teria recebido R$ 500 mil das contas do empresário Marcos Valério para fazer a defesa dos petistas envolvidos no caso, o próprio Marcos Valério, o ex-deputado Roberto Jefferson e o doleiro Toninho da Barcelona, além de Mirian Belchior, ex-mulher de Celso Daniel, e Bruno Daniel, irmão do prefeito morto em 2002.

Foi é a segunda vez que o tribunal poupou o petista de ser investigado pelo desvio de recursos da Prefeitura de Santo André, durante a administração do petista Celso Daniel.

Tudo fica parado...

Em julho de 2002, o então ministro do STF Nelson Jobim mandou arquivar um inquérito criminal solicitado pelo ex-procurador-geral da República Geraldo Brindeiro contra o então deputado federal José Dirceu.

Na época, Jobim alegou que os indícios eram insuficientes para a abertura do inquérito.

Com a decisão do STF, a investigação iniciada há três semanas ficará suspensa até a manifestação final do Supremo - o que não tem prazo para ocorrer.

Mania de perseguição

O advogado José Luís Oliveira Lima, que representa o ex-ministro José Dirceu, voltou a repetir ontem a brilhante tese de que seu cliente tem sido alvo de uma “perseguição” pelo Ministério Público de São Paulo.

O advogado julga que o MP tem adotado procedimentos ilegais e inadequados para tentar convocar Dirceu a prestar depoimento sobre o caso.

O advogado aposta que a decisão é o primeiro passo para o arquivamento do caso.

Outro protegido pelo Supremo

O esperado depoimento de João Arcanjo Ribeiro, conhecido como Comendador Arcanjo e suspeito de ser o chefe do crime organizado no Estado do Mato Grosso, acabou frustrando os integrantes da CPI dos Bingos que foram à Cuiabá (MT) ouvir o ex-policial, condenado a 44 anos de prisão.

A CPI pretendia esclarecer a relação do Comendador com jogos de azar, transportes urbanos e o suposto envolvimento no esquema de corrupção e assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, em janeiro de 2002.

Protegido por um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Arcanjo negou todas as acusações que pesam sobre ele.

Comendador nega tudo

O comendador Arcanjo negou conhecer Ronan Maria Pinto e Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusados de envolvimento no assassinato do petista.

Orientado por seu advogado, Zaid Arbid, Arcanjo também negou ter trabalhado com bingos ou máquinas caça-níqueis, embora comandasse os crimes de contravenção em Mato Grosso, motivo pelo qual o Ministério Público pediu a sua prisão.

Preso no Presídio Pascoal Ramos, Comendador chegou ao comando da Polícia Militar — onde foi tomado o depoimento — de helicóptero, algemado e com colete à prova de balas. Ele foi escoltado durante a audiência por 20 policiais militares e federais.

O grande vôo do Zé

O advogado José Dirceu está negociando pessoalmente a venda da Varig.

É dele o contato direto com o investidor russo Boris Berezovski, aquele que se tornou bilionário com o desmonte do socialismo na terra de Lênin e Stalin, comprando empresas do Estado a preços aviltados.

O russo, que afirma ter um patrimônio de US$ 3 bilhões, embora as estimativas de mercado ponham o valor em um patamar dez vezes maior, esteve na semana passada com Dirceu, em uma reunião, em São Paulo.

Boris Berezovski teria US$ 1 bilhão para investir no negócio da Varig.

Porta escancarada

Os credores da Varig aprovaram ontem em assembléia uma proposta unificada da empresa e dos funcionários representados pelo TGV (Trabalhadores do Grupo Varig) de leilão de uma parte da empresa dentro de um prazo estimado em, no mínimo, 60 dias.

A proposta contou com a aprovação das três classes de credores, que incluem funcionários, empresas de leasing e empresas estatais.

E conta com apoio de US$ 100 milhões do BNDES. Serão dois modelos distintos de venda de ativos da Varig.

O buraco é mais em cima

O Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou diversas irregularidades na operação tapa-buraco lançada pelo governo federal nas estradas federais.

Os problemas vão desde custos superestimados, uso de material de baixa qualidade até falta de fiscalização do andamento dos trabalhos.

Hoje, o ministro Augusto Nardes vai apresentar parecer com o resultado da fiscalização feita nas obras.

Listinha dos sanguessugas

Outra prova objetiva da existência da organização criminosa, comandada pela classe política, para assaltar os cofres públicos no Brasil.

Em depoimento à Polícia Federal (PF) em Cuiabá (MT), a funcionária do Ministério da Saúde Maria da Penha Lino entregou o nome de 170 deputados federais que teriam participação no esquema de fraudes em licitações de ambulâncias em prefeituras.

Os nomes dos parlamentares citados por ela não foram divulgados para a imprensa. O documento será encaminhado para o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Ministério Público Federal (MPF), que decidirão se será aberta investigação.

A quadrilha foi desmontada na última quinta-feira pela PF, em operação batizada de Sanguessuga, quando foram cumpridos mandados de prisão no Acre, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Amazonas e Distrito Federal. Desde o início da ação, 55 pessoas acabaram presas.

É só conferir o livro-caixa

O advogado da assessora, Eduardo Mahon, confirmou que os deputados recebiam dinheiro vivo dos executivos da Planam, que fornece ambulâncias e equipamentos médicos e odontológicos.

Maria da Penha revelou que há "um livro-caixa" da Planam que comprovaria a participação de deputados federais no esquema.

Nesse livro-caixa constariam nome do deputado, a emenda, o valor liberado e os equipamentos a serem comprados.

Teriam sido desviados, no mínimo, de R$ 110 milhões dos cofres públicos. Mas o valor do rombo pode chegar a R$ 250 milhões.

Propina até na cueca

A funcionária do Ministério da Saúde contou que a propina era levada aos deputados pessoalmente pelos irmãos Wandir e Luiz Antônio Trevisan Vendoin – esse último é acusado de ser o chefe da quadrilha.

Segundo ela, os dois entravam no Congresso Nacional com dinheiro no bolso do paletó, da calça, nas meias e até na cueca. A quantia era sacada em uma agência do Banco Itaú no Setor Comercial Sul.

A família Trevisan Vendoin é dona da Planam, empresa que nos últimos cinco anos forneceu mais de mil ambulâncias a prefeituras de todo o país em contratos fraudados.

Como operavam os sanguessugas

A Polícia Federal descobriu que o esquema de corrupção era financiado por emendas ao Orçamento da União, de autoria de parlamentares interessados no negócio e que atuam no Congresso como lobistas e representantes de revendedores de ambulâncias.

Primeiro, eles procuravam prefeitos interessados na aquisição de veículos adaptados para unidades móveis de saúde, para atendimento médico ou odontológico.

Fechada a lista, apresentavam as emendas dentro da cota pessoal de R$ 3,5 milhões — até o ano passado. Essas emendas têm aprovação integral na Comissão Mista de Orçamento e no plenário do Congresso.

Depois de conseguir aprovar a emenda, o parlamentar muda a função e passa a agir como contínuo dos prefeitos para liberar o dinheiro da emenda.

Com recursos garantidos, o grupo manipulava a licitação e fraudava a concorrência valendo-se de empresas de fachada.

Corrupção sem intermediários

Pelo menos um deputado federal investigado na Operação Sanguessuga por suposto envolvimento com o esquema de venda de ambulâncias superfaturadas recebeu dinheiro diretamente em sua conta dos integrantes da quadrilha que operava a fraude.

Em conversa captada pela PF, Luiz Antônio Vedoin e Alessandra Trevisan, filhos de Darci Vedoin (apontado como chefe da quadrilha), falam sobre pagamentos que deveriam fazer a uma série de pessoas.

De acordo com a PF, no caso do deputado Reginaldo Germano (PP-BA), eles dispensaram a utilização de “um laranja” e fizeram o depósito na conta do próprio deputado.

Negociata pelo telefone

A PF descobriu muita coisa através de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça.

A conversa que compromete o deputado Germano ocorreu no dia 22 de dezembro do ano passado.

Luiz Antônio discorre sobre todos os pagamentos que deveriam ser efetuados naquele dia. Diz que não pronunciaria os nomes completos dos beneficiários, somente as iniciais, mas acabou falando o nome do parlamentar.

A PF levantou também pagamentos para uma série de assessores de parlamentares, entre os quais dos deputados Maurício Rabelo (PL-TO) e Elaine Costa (PTB-RJ) e o senador Ney Suassuna (PMDB-PB).

Viva a impunidade

Sob forte pressão, a cúpula da Câmara dos Deputados decidiu ontem fazer uma triagem e arquivar, sem abertura de investigação, a maior parte dos casos que envolvem o nome de 62 deputados nas investigações sobre um esquema de venda de ambulâncias superfaturadas a prefeituras.

Não deve passar de dez o número de deputados contra os quais a Corregedoria abrirá investigação.

Ciro deve dar hoje um parecer para cada um dos 62 casos — pelo arquivamento ou pela abertura de sindicância.

Mesa dominada

A Mesa da Câmara vai se reunir e, como é praxe, deve aprovar a decisão do corregedor.

O problema é que, dos sete integrantes da Mesa, três são citados na lista.

Ciro Nogueira confirmou que foi procurado pelos deputados citados, que disseram estar muito indignados com a denúncia... O eleitor deve estar muito mais indignado, deputado.

Enfim, fora!

A deputada petista que se celebrizou com a dança da pizza, Angela Guadagnin (SP), pediu afastamento definitivo do Conselho de Ética da Câmara.

Em nota lida nesta terça, ela justificou sua decisão declarando-se desapontada por ter sido afastada temporariamente do colegiado enquanto respondia a representação do PPS por ter “comemorado em ritmo de dança” a absolvição do também petista João Magno (MG) no plenário da Câmara.

Fui execrada pela mídia, que exibiu a versão dos fatos, e não os fatos. Nunca faltei com o respeito, luto por princípios nos quais acredito e busco a Justiça e a verdade”.

Angela se considera vítima de vingança de seus pares por ter “ousado pensar diferente” e que uma simples manifestação de alegria foi entendida como desrespeito.

Fingindo que pune

O corregedor da Câmara, deputado Ciro Nogueira (PP-PI), vai pedir o arquivamento do processo contra Francisco Rodrigues (PFL-RO) no parecer que deverá ser entregue nesta quarta-feira ao presidente da Casa, Aldo Rebelo (PC do B-SP) sobre o uso irregular de verbas indenizatórias.

Rodrigues admitiu que usou notas fiscais frias para prestar contas à Casa, reportando gastos de combustível mesmo que as despesas fossem de outra natureza. Segundo ele, era mais fácil justificar os gastos dessa maneira.

O corregedor, porém, considerou que não cabe ao órgão fazer auditoria nas notas fiscais se o departamento responsável pela prestação de contas da Câmara não o fez.

Xingar dá só advertência

O corregedor da Câmara, deputado Ciro Nogueira (PP-PI), propôs ainda que o deputado Jorge Bittar (PT-RJ) receba uma advertência por má conduta por ter xingado o senador Delcídio Amaral (PT-MS) na última sessão da CPI dos Correios.

Bittar foi processado por Delcídio, que queria vê-lo cassado depois do episódio, ocorrido durante a sessão em que foi aprovado o parecer do relator, Osmar Serraglio (PMDB-PR), sobre as investigações conduzidas pela comissão parlamentar de inquérito.

Integrante da bancada governista, Bittar não aceitou a aprovação do texto e investiu contra o senador aos palavrões.

Defendendo bandidos?

O presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), reclamou que nem todos os parlamentares acusados de participar do esquema de compra de ambulâncias superfaturadas estão realmente envolvidos no crime e que, por isso, vai “resguardar a dignidade” de todos os citados nas denúncias.

Após o trabalho da Corregedoria e da Mesa Diretora, acionarei de imediato, e com o mesmo senso de urgência, todas as medidas necessárias para resguardar a dignidade e o respeito às prerrogativas constitucionais que tenham sido atingidas em sua honra em razão desses acontecimentos”.

É mais um caso com tudo para acabar em pizza.

Suassuna poupado

Já o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) poupou o líder do PMDB na Casa, Ney Suassuna (PB), único senador citado nas denúncias.

Renan avisou que só abriria processo contra ele quando ficasse comprovada a participação de Suassuna no esquema.

O senador, um dos mais poderosos da base governista, seja quem ocupe o governo, está muito preocupado...

Ministério vulnerável

Cinco dias depois das primeiras prisões da Operação Sanguessuga, o ministro Agenor Álvares (Saúde) determinou ontem o rastreamento dos convênios ainda não pagos.

Também ordenou um maior rigor na futura liberação de dinheiro público para emendas parlamentares.

O Ministro constatou que, “enquanto mantivermos esse sistema de destinação de dinheiro público, com controle frouxo, será uma fonte de corrupção”.

Espaço aberto para a organização criminosa

A vulnerabilidade do sistema, segundo o ministro, pode ser expressa em números que ele administra.

Em 2006, o orçamento do ministério registra 2.700 emendas parlamentares, que autorizam despesas no valor de aproximadamente R$ 1 bilhão e 900 milhões.

Por ano, o ministério assina entre 6.000 e 8.000 convênios com prefeituras e organizações da sociedade civil para transferências de verbas da União.

O ministro da Saúde alega que, se simplesmente optar por bloquear as despesas propostas pelos parlamentares, deixará de cumprir a Constituição, que impõe gastos crescentes na área.

Servindo a vários senhores?

O governo Lula (que é inimigo político do grevista de fomeAntony Garotinho) repassou verbas para duas entidades supostamente sem fins lucrativos ligadas a doadores do pré-candidato à Presidência pelo PMDB: IBDT (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Treinamento) e CBDDC (Centro Brasileiro de Defesa dos Direitos da Cidadania). Elas tiveram pagamentos autorizados neste ano.

O IBDT recebeu R$ 80 mil do Ministério da Cultura. O CBDDC já tem repasse autorizado de R$ 60 mil do Ministério da Saúde. IBDT e CBDDC assinaram convênios, sem licitação, com a Fundação Cultural Palmares e com o Fundo Nacional de Saúde.

As duas ONGs se aproximaram do governo federal em seminário que discutiu no Rio a anemia falciforme, que vitima a população negra, basicamente.

Que coincidência!

As mesmas entidades foram contratadas sem licitação pela governadora Rosinha Matheus (PMDB), mulher de Garotinho, e estão ligadas a dois doadores do peemedebista.

O CBDDC recebeu R$ 105,6 milhões no ano passado, pela FESP (Fundação Escola de Serviço Público), vinculada à Secretaria de Administração.

O IBDT recebeu R$ 26,89 milhões da FESP, desde 2004.

Lula e a Igreja

O presidente Lula enviou ontem uma carta à 44ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em mais uma tentativa sua de descolar-se das denúncias contra o seu governo e o seu partido.

Lula escreve que já teve muitas “angústias e dores” desde que assumiu o mandato, mas afirma que nenhuma crise política lhe tirou o “ânimo e o entusiasmo de trabalhar”, especialmente porque tem “certeza” de que sua gestão fez a opção pelo “povo mais pobre”, razão de suas “alegrias e satisfações” no cargo.

Lula declara ainda que tudo o que faz tem por objetivo os “ideais” que sempre defendeu, os “compromissos que historicamente” orientaram sua vida e que ele afirma ter assumido com o “povo brasileiro".

Decepção do arcebispo

O arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes, no entanto, disse que o “povo” ficou decepcionado com o volume de corrupção no governo Lula.

“Isso não significa que a corrupção tenha ocorrido só neste governo. Mas desta vez veio num volume muito grande, e o povo ficou decepcionado. Não podemos desistir e dizer que não vale a pena porque tudo isso é podridão. Não é por aí”.

Para dom Cláudio, “o povo brasileiro é muito maior do que estes episódios brutais” e “maior do que os partidos políticos”.

Igreja e os números

A assembléia da CNBB começou ontem em Indaiatuba, no interior de São Paulo, e termina no dia 17, raciocinou ontem sobre os números de uma pesquisa interessante sobre a expansão dos evangélicos pentecostais, de 5,9% para 11,9%, nos últimos 15 anos.

Desde o ano 2000, os católicos na Cidade de SP diminuíram de 79% para 68% e Evangélicos passam de 8% para 15% sendo que quase todo o crescimento foi entre os "pentecostais".

Outras religiões atingem 8% e os sem religião passam de 6% para 9%.

Dados por regiões

Na Cidade do Rio, os Católicos alcançam hoje 65% e os Evangélicos 19%.

Uma queda expressiva do número de católicos, que passaram de 78,7% em 1991 para 68,4% no ano de 2000, marcou a década de 90, em São Paulo, enquanto as porcentagens de evangélicos pentecostais aumentaram, ao mesmo tempo, de forma expressiva - de 5,9% para 11,9%.

No caso do Rio desde 2000 não há mais crescimento dos evangélicos, diferentemente do que ocorreu em São Paulo.

Julga Garotinho

A Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro protocolou agravo de instrumento para fazer subir ao TSE o recurso especial interposto no TRE carioca, mas que teve a subida ao Tribunal Superior negada, no processo contra abuso de poder econômico do casal Garotinho na eleição para prefeito de Campos dos Goytacazes.

No agravo dirigido ao TSE, o Ministério Público argumenta que o recurso especial não discute matéria de prova, mas tão somente o direito aplicado ao caso, motivo pelo qual é cabível seu julgamento pelo TSE.

No recurso especial que pretende ver julgado pelo TSE, a Procuradoria sustenta que o TRE "afastou a figura do abuso de poder para reconhecer nos fatos provados meras condutas vedadas, e este é o ponto central da contrariedade e do pedido de reforma do julgamento que está sendo formulado".

Garotinho leve

Boletim do médico Abdu Neme Jorge Makhluf Neto, divulgado ontem, revela que depois de nove dias de greve de fome o ex-governador Anthony Garotinho já perdeu 6,8 quilos.

Garotinho está pesando 84,2 quilos — pesava 91 no início da greve.

O ex-governador, que protesta contra o que chama de perseguição política e tentativa de a mídia "desconstruir sua imagem", está lúcido, orientado e mais ativo que nos dias anteriores, mas queixa-se de dores musculares, cãibras e tonteiras esporádicas.

Bronca de Temer

O presidente do PMDB, o deputado Michel Temer, repetiu que o partido não concorda com a decisão da greve de fome de Garotinho.

Compete a ele, Garotinho, sair ou não da greve de fome. O PMDB não tomou partido. Não é uma questão partidária. É questão pessoal".

Temer admitiu a possibilidade de telefonar para Garotinho e pedir que ele desista da greve de fome.

Brincando com a máquina?

Para engrossar o ato de apoio ao pré-candidato do PMDB a presidente Anthony Garotinho, hoje de manhã no Centro, o governo estadual convocou servidores que ocupam cargos comissionados, o que é uma flagrante utilização da máquina do Estado.

A denúncia foi feita ontem por três sindicatos de servidores e negada pelo Palácio Guanabara.

O presidente do Sindicato dos Servidores da Secretaria de Justiça, Paulo Ferreira, revelou que soube da convocação por meio de servidores e assessores parlamentares. O presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Fernando Bandeira, também denunciou a convocação do Palácio Guanabara.

Quem será?

O total de advogados punidos pelo Conselho de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil aumentou 283% nos últimos 5 anos.

Em 57% dos casos, o advogado ficou com dinheiro de processos judiciais.

Um advogado dos artistas (que se gaba de receber milhões de seus clientes, só anda de carros importados, nunca tem nenhum bem declarado em seu nome e é assíduo freqüentador de grandes badalações) foi condenado pela 18a. Vara Cível, desde 1995, a pagar o que deve ao seu fiador-autor da ação de cobrança, através da penhora de seus honorários.

Só que o advogado não paga, alegando que não tem renda, igualzinho ao empresário-dentista dos artistas.

Uma leitora do Alerta Total pede que cada um tente adivinhar quem se encaixa nesse perfil... Sugere uma Operação Sorriso Amarelo do MF, nele!

Costureiras da dona Lu

Lu Alckmin, ex-primeira dama de São Paulo e mulher do atual candidato à Presidência da República pelo PSDB, Geraldo Alckmin, ganhou ontem uma manifestação de apoio nas proximidades da avenida Paulista.

Um grupo de cerca de mil costureiras fez um protesto em frente ao ateliê do estilista Rogério Figueiredo, nos Jardins.

Foi ele quem declarou ter doado 400 peças de roupa para a ex-primeira-dama e depois, quando chamado a confirmar a história à Justiça, voltou atrás e disse que já não se lembrava exatamente quantas peças havia confeccionado para ela.

Lu Alckmin, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou ter recebido 49 peças, que teriam sido doadas anonimamente a instituições de caridade.

Expondo Alckmin

Na tentativa de tornar o candidato Geraldo Alckmin mais conhecido no país, os tucanos decidiram ontem que o ex-governador de São Paulo terá 20 minutos dos 40 minutos de propaganda partidária do PSDB em cada Estado.

A orientação foi dada pelo presidente nacional do partido, senador Tasso Jereissati (CE), durante reunião entre o candidato e as bancadas do PSDB e do PFL no Congresso nesta terça.

Além de abocanhar metade do tempo de propaganda nos Estados, ficou decidiu que Alckmin vai mudar o tom de seus discursos. A idéia é construir discursos específicos para cada Estado visitado pelo candidato.

As viagens também sofrerão uma mudança. Alckmin deve ser acompanhado pelo candidato do PSDB à sucessão do governo de São Paulo, José Serra.

Bandidos dos combustíveis

A Polícia Federal prendeu 24 pessoas acusadas de adulterar gasolina, sonegar impostos e falsificar documentos e notas fiscais, dos quais 14 em São Paulo e 10 na Bahia.

Entre os suspeitos estão dois executivos de uma empresa química de São Paulo, acusados de comandar a venda ilegal de solvente que seria misturado à gasolina em postos do Estado de São Paulo.

A "Operação Pólo" concluiu que quatro empresas fantasmas de tintas e vernizes na Bahia forjavam a compra do solvente da empresa Bandeirante Química, que fica na cidade de Mauá (ABC).

Vida que segue...

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2 comentários:

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