quinta-feira, 4 de maio de 2006

“Fora, Ladrão e Chega de Mensalão”: mega-manifestações em cinco capitais vão exigir um basta ao crime organizado nas instituições

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Por Jorge Serrão

O governo do presidente Lula, a classe política e o crime organizado - que corromperam e romperam com as instituições - vão experimentar a primeira de uma série de grandes marchas em que milhares de brasileiros, insatisfeitos com a realidade atual, sairão às ruas para protestar e cobrar transformações. “Fora, Ladrão! Chega de Mensalão! Brasil Acima de Tudo”. Estes serão os slogans das mega-manifestações públicas, marcadas para o próximo dia 21 de maio, a partir das 15 horas, em cinco capitais do País: São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte e Porto Alegre.

O Dia da Dignidade Nacional é apartidário. Não tem conotação ideológica. Nasceu de uma idéia de cidadãos que se reúnem no Orkut para “pensar o Brasil”. Os atos cívicos de (21 de maio, um domingo) serão a primeira de uma série de manifestações em que a sociedade não está tão calada (como parece) diante de escândalos políticos que violentam nossas almas. Milhares (quem sabe milhões) de brasileiros vão clamar por Justiça e punição para a “organização criminosa” que se apossou do Estado Nacional. A intenção é restabelecer o Estado de Direito e as instituições. O movimento espontâneo de cidadania é contra a corrupção e a impunidade dos políticos que têm envergonhado o Brasil.

Todos concordam que nada justifica que o Crime Organizado continue a determinar os destinos da Nação brasileira. No entanto, cada cidadão precisa indagar a si mesmo: Por que somos “legais” com a corrupção no Brasil? Como combater a corrupção em um País no qual a maioria dos cidadãos e a estrutura política ou oligárquica de poder são coniventes com ela? Uma pesquisa do Ibope, revelada em março, confirmou nossa “leniência” nacional com a corrupção.

Outra pesquisa mais recente, feita pela PricewaterhouseCoopers com 79 presidentes de empresas que faturam mais de US$ 100 milhões por ano no País, revelou que 96% apontam a corrupção como o principal problema ético brasileiro. Essa corrupção, segundo a pesquisa, é estimulada pela ineficiência do sistema legal, favorecendo a impunidade e a burocracia.

Aqui no Brasil, quando o assunto é punição aos desvios sociais, políticos e econômicos tudo tende a acabar em “pizza”. Este foi o apelido sociológico-político dado à mania nacional de ser conivente, conciliador e leniente com as coisas públicas erradas.

E a pesquisa comprovou que a maioria da sociedade brasileira está pronta para tolerar e até saborear, cada vez mais, este prato indigesto da nossa cultura anti-cidadã. Prova disso: o eleitor brasileiro é conivente com a corrupção ou os desvios de conduta social. Uma pesquisa Ibope divulgada em março mostrou que 69% dos eleitores admitem cometer pelo menos um tipo de ato ilícito entre 13 ilegalidades do cotidiano listadas pelo pesquisador.

Mais grave ainda: se tivessem oportunidade, 75% dos eleitores afirmam que cometeriam ao menos um ato de corrupção entre 13 apresentados pelo instituto aos entrevistados. Em situações do dia-a-dia, 14% dos eleitores admitem subornar alguém para se livrar de uma multa, 7% sonegam impostos, e nada menos do que 55% compram cópias piratas ou falsificadas de produtos. Tais números apenas indicam que todos nós precisamos passar por uma verdadeira CPI da Consciência, o que depende de profundas transformações culturais em nosso “jeito brasileiro de ser”.

Quando se fala em combate a corrupção, é preciso refletir, profundamente, sobre os números da pesquisa do Ibope sobre o assunto. Se fossem eleitos, 40% dos eleitores brasileiros escolheriam familiares ou pessoas conhecidas para cargos de confiança, 18% mudariam de partido em troca de dinheiro ou cargos, 18% contratariam sem licitação empresas de parentes para prestar serviços públicos e 31% aproveitariam viagens oficiais para lazer próprio ou de familiares.

Os percentuais crescem muito quando o eleitor se refere não a si mesmo, mas a terceiros - especialmente políticos. Para os eleitores, 84% dos brasileiros e 86% dos políticos escolheriam amigos ou parentes para cargos públicos, 62% da população e 83% do mundo político usam dinheiro de caixa dois para fazer campanha eleitoral, por exemplo.

Mas nem tudo está perdido. Às vezes, os ladrões e corruptos se arrependem. Mas a estrutura “jurídico-política” não os ajuda a expiar seus pecados. Eis um exemplo curioso e real. Na sexta feira passada, o funileiro Rogério dos Santos Bernardino, de 20 anos, morador do Jardim Mirante, em Várzea Paulista, interior de São Paulo, procurou o Delegado Ailton Antonio Pinheiro. O rapaz implorou para ser preso! Ele compareceu ao 4º Distrito Policial e confessou o roubo a uma empresa de ônibus de Jundiaí. O confesso ladrão Rogério levou cinco mil dólares em dinheiro e muitos passes de ônibus.

A investigadora Olívia explicou ao jovem ladrão que não poderia simplesmente prendê-lo, porque existia todo um trâmite, que depende da decisão da Justiça. Numa diligência à casa do rapaz, os policiais encontraram tudo aquilo que o funileiro disse ter roubado, inclusive os dólares. Bernardino, que já havia levado até as malas esperando ficar em definitivo na cadeia, voltou para casa bastante frustrado ao saber que deveria aguardar a decisão da Justiça em liberdade.

O próprio jovem ladrão confessou ser perigoso e alegou não ter condições de continuar solto. Rogério Bernardino foi à delegacia acompanhado de sua mãe. Ela defendeu que o filho deveria pagar pelo erro que cometera. A vontade de Rogério ser preso era tamanha que ele próprio fez questão de falar com a imprensa, assumindo uma série de delitos, inclusive roubo a vários ônibus.

No momento, uma prisão era efetuada, e o funileiro até propôs ser trocado com os dois irmãos envolvidos, que alegavam inocência, em caso de roubo. Não teve sorte. O bandido auto-confesso ficou solto. Tal qual um político “mensaleiro” qualquer que faz parte da mega-organização criminosa que vem assaltando o Brasil e violentando as instituições... Vida que segue...

A corrupção política, que podemos rejeitar no grito, na Justiça e nas urnas, é difícil de ser erradicada porque está enraizada na “alma nacional” do próprio cidadão-eleitor-contribuinte. Por isso, no Brasil, tudo muda para sempre ficar a mesma coisa. Ou evoluímos nossa prática humana, com base nas virtudes – e não nos vícios -, com ênfase na solução – e não nos problemas -, com vontade de transformar – e não apenas reformar, com disposição para agir “propositivamente” – e não conciliar ou ser leniente com tudo que está errado -, ou jamais seremos, em qualquer data presente, um País de futuro.

Enfim, o problema não é quem está ocupando eventualmente o poder e se locupletando dele. A matriz da corrupção no Brasil está em cada um de nós que elegemos nossos pretensos representantes políticos, nas esferas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Ou evoluímos como seres humanos, ou é pura perda de tempo discutir o processo político, “enxugando o gelo” em uma nação que só produz e reproduz, a cada dia, mais corrupção, violência, intolerância, desrespeito, desigualdade, injustiça, impunidade e – consolidando tudo isso, no plural – despotismos, mentiras, medos e ilusões sem fim.

Quando corrompemos ou somos “lenientes” com a corrupção, estamos pecando. A raiz do pecado, neste caso, significa “desviar-se do alvo” – como a própria origem etimológica da palavra “pecado” nos ensina. Nossa leniência é fatal. Ser leniente significa “ser brando, manso e suave e não ter um mínimo de disciplina e rigor com as coisas”.

O brasileiro parece tão leniente que isso beira à conivência – que é o vício de tolerar coisas socialmente aceitas como “erradas”. Errar é humano, mas ser leniente e conivente, às vezes, torna-se desumano. Ou até criminoso. Não devemos ser “legais” com a corrupção. Mas somos!

Transformar essa realidade depende da chamada ação objetiva da consciência de cada indivíduo, somando esforços no coletivo, e com a promoção social de uma verdadeira “auto-vigilância” ética para que as soluções de agora não se transformem em problemas que parecem durar enquanto existir nossa civilização brasileira.

Se os cidadãos brasileiros não discutirem essa questão essencialmente humana da cidadania e da política, abordando verdades objetivas, continuaremos sendo um mero instrumento de corrupção, a serviço da reprodução de verdades e realidades subjetivas de um pretenso poder que, no final das contas, nem sabe direito a quem está servindo. Seremos meros “inocentes inúteis” que condenam ao fracasso o próprio destino como pessoas de Bem.

Por tudo isso, é mais que urgente o combate direto ao Crime Organizado, a partir da consciência individual de cada um. Ao usurpar o poder do Estado, para a prática sistemática de crimes, a classe política rompeu as instituições e se desqualificou para cuidar da coisa pública. Foram rompidas as instituições, nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Compete aos segmentos esclarecidos da Nação, em defesa da soberania nacional e da legalidade, restabelecer as instituições democráticas. A missão é para cidadãos politizados, porém sem vínculos com a classe política que hoje virou sinônimo de “organização criminosa” para nos desgovernar.

Vida que segue...

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2 comentários:

Bibi disse...

Jorge,
Com certeza dia 21, vamos mostrar a toda corja que não estamos inertes ante a palhaçada que se transformou a política Brasileira !
Vamos agora acelerar cada vez mais a nossa divulgação !
Parabéns pelo Blog...minha lista toda já está sabbendo...hehehe
Bjs
Bibi (Gabriela)

Angelo da C.I.A. disse...

Eu realmente espero que dê alguma repercussão todo este protesto. Mas, infelizmente, sabemos que as massas tão "dominadas"
www.angelodacia.blogspot.com