sexta-feira, 5 de maio de 2006

Levantando a Cabeça

Edição de Artigos de Final de Semana do Alerta Total

Por Márcio Accioly

No dia 30 de junho de 2000, o senador cassado, Luiz Estevão, foi detido numa operação policial que mobilizou três delegados e 25 agentes federais. Envolvido no esquema de desvio de recursos na construção do prédio do TRT de São Paulo (de onde foram carregados mais de 169 milhões de dólares), ele não reagiu à voz de prisão.

Pediu apenas que não o algemassem. Ao se dirigir para o veículo que o levou até à sede da Polícia Federal, em Brasília, sua ex-excelência exibia à mão direita uma Bíblia de capa azul. Comportamento típico da maioria dos flagrados em bandidagem no país.

Em menos de 24 horas, o ex-senador foi libertado. À época, enviou recados desesperados ao Palácio do Planalto, ameaçando “derrubar a República”, caso não providenciassem sua soltura. As ameaças surtiram efeito.

Naquela fase dura e difícil da vida pública nacional, o país estava sendo despojado de suas riquezas naturais pela ação nefasta do maior criminoso que já passou pela sua Presidência: FHC (1995-2003).

O sociólogo da boca de tuba desnacionalizou a economia em cerca de 78%! Doou ainda, de forma inacreditável, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), com financiamento do próprio BNDES. E ninguém fez nem faz nada.

Seu sucessor, Dom Luiz Inácio (PT-SP), nosso amável beberrão, montou uma quadrilha de assaltantes que arrombou os cofres públicos abertamente, dando seqüência a uma política econômica suicida cujo desfecho será o caos social.

Com todos os poderes contaminados (Executivo, Legislativo e Judiciário), eis que a parte sadia de nosso Judiciário começa agora a reagir de forma vigorosa contra um estado de coisas que ameaça seriamente à nossa organização social.

Na última quarta-feira (03), o Tribunal Regional Federal da 3ª Região – TRF -condenou o ex-juiz Nicolau Lalau dos Santos Neto a 26 anos e cinco meses de prisão (ele é cúmplice de Luiz Estevão no desvio do TRT de São Paulo), pelos crimes de peculato, estelionato e corrupção passiva.

Lalau foi ainda condenado a pagar multa de um milhão e 200 mil reais. Neste mesmo processo, foram condenados os “empresários” Fábio Monteiro de Barros (ex-candidato a suplente de senador em Roraima) e José Eduardo Ferraz, da Incal.

Monteiro de Barros recebeu a mesma pena aplicada ao ex-senador Luiz Estevão: 31 nos de cadeia pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, estelionato, uso de documentos falsos e corrupção ativa. Todos eles assaltaram o TRT.

O que todos se perguntam é o seguinte: o Brasil está mudando? Será que as nossas classes médias vão tomar consciência da gravidade do momento e se engajar num movimento de defesa de nossos valores? Oferecendo suporte às decisões do Judiciário e atuando para que corruptos e ladrões não se elejam nem se reelejam?

A maioria dos nossos políticos acredita que, ao se conquistar mandato eletivo, ganha-se passaporte para a impunidade. Eles se utilizam do dinheiro público como se fosse particular, sem estabelecer a menor distinção. É preciso que se modifique esse conjunto de privilégios intitulado de “imunidade parlamentar”.

A ninguém deve ser dado o direito de roubar os cofres públicos, carregar salários de funcionários e promover a desorganização generalizada, pelo simples fato de ter sido contemplado com mandato de quatro anos (prefeitos, governadores, deputados estaduais e federais) ou de oito anos (caso de senadores).

É preciso que haja, além da pena prisional, confisco dos bens surrupiados. Lugar de meliante é na prisão. Não se tem como dispensar benevolência a gatuno.

Márcio Accioly é jornalista.

Nenhum comentário: