Segunda Edição de Quinta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com
Por Graça Salgueiro
Vocês já ouviram falar em “BRPP”? Certamente que não, pois a sigla que designa o “Bloco Regional de Poder Popular” (BRPP) é e deve continuar tão oculta dos debates nacionais quanto foi e continua sendo o Foro de São Paulo, criado pelo ditador Fidel Castro e o sr. Luiz Inácio Lula da Silva, há 16 anos.
Desde dezembro de 2004 o Mídia Sem Máscara vem denunciando a formação deste "bloco", idealizado pelo sociólogo comunista germano-mexicano, Heinz Dieterich, guru do ditador Fidel Castro e assessor de Hugo Chávez. O conceito deste bloco foi imaginado por Simón Bolívar no sonho de criar uma “Pátria Grande”, com todos os países da América Latina sem fronteiras nacionais. Desde há dois anos que este sociólogo vem amadurecendo a idéia que começou a tomar forma concreta com a modificação sofrida pelo MERCOSUL recentemente, de não mais ser apenas um acordo de cooperação “comercial” entre países da América do Sul mas também político, militar, social e cultural entre os países da América Latina e Caribe. E, para isso, foi admitida a Venezuela como membro efetivo, foram assinados vários acordos com Cuba e já se fala na admissão da Bolívia e Chile como membros.
Nos dias 27, 28 e 29 de outubro a cidade de Sucre, na Bolívia, foi protagonista da realização do primeiro encontro do Bloco Regional de Poder Popular, intitulado “Primeiro Encontro de Povos e Estados pela Libertação da Pátria Grande”, promovido e organizado por Heinz Dieterich, a convite do cocalero Evo Morales, presidente da “Nova Bolívia” (conforme ele mesmo se intitula). O encontro reuniu por volta de 700 delegados latino-americanos, europeus e norte-americanos, 4.000 participantes no início e 2.500 no encerramento.
Segundo Heinz, esse foi um “encontro fundacional-originário, isto é, sem falsos compromissos com interesses, ideologias, estruturas e poderes burgueses-feudais ou imperiais, estabelecidos e com mentalidade republicana. Quer dizer, que não pretende entregar aos Presidentes [na Cúpula Sul-americana de Nações, a realizar-se em dezembro de 2006, em Cochabamba] uma carta petitória, com a mentalidade feudal de pedir favores ao soberano. ‘Consciência republicana’ significa entender que o poder e a legitimidade dos Presidentes emanam do povo. O poder popular, o soberano, o constituinte, não tem que pedir audiência. Deve acordar em uma relação entre iguais, a aliança estratégica entre governos progressistas [que neste momento integram o BRPP: Argentina, Bolívia, Brasil, Cuba, Paraguai, Uruguai e Venezuela] e o Bloco Regional de Poder Popular: com realismo, gravidade e consciência clara dos três eixos da aliança”. (...) “Sucre deve ser o momento fundacional do único poder que pode derrotar o binômio oligarquias-imperialismo: a aliança entre Povos e Estados progressistas”. (...) “É a hora do pacto anti-feudal-oligárquico, anti-colonial e anti-imperialista. Sem este espírito de audácia e de vanguarda, o Sujeito popular libertador da Pátria Grande não poderá nascer”.
Esta combinação participativa entre índios, operários, intelectuais, líderes sindicalistas, professores universitários e militares, “garantiu o conteúdo essencialmente revolucionário, analítico, construtivo e integrador do encontro e evitou que derivasse em um simples debate acadêmico ou a um conjunto de demandas incoerentes”, segundo a percepção de Pedro Campos Santos, historiador e membro do Partido Comunista Cubano e expositor do painel “Socialismo do Século XXI”, sobre a “Auto-gestão e a co-gestão operário-estatal na nova economia socialista de equivalências”.
Para garantir o avanço do processo revolucionário regional, quatro elementos centrais foram estabelecidos:
1. Necessidade de suspender o pagamento da dívida externa;
2. Retirada das bases militares norte-americanas dos territórios da Pátria Grande;
3. Estabelecimento de um plano integral, sustentável e ecológico de desenvolvimento da indústria e da agricultura, que utilize racionalmente os recursos naturais da região em função dos interesses dos povos latino-americanos, que deve ficar sob o controle dos trabalhadores da cidade e do campo mas, sobretudo, das populações indígenas;
4. Organização de um plano militar de caráter defensivo integrado regionalmente, para enfrentar a eventual agressão e intervenção militar direta do imperialismo e que deverá estar baseado na concepção da “guerra de todo o povo”. Esse organismo seria denominado Bloco Regional de Poder Militar.
Vale salientar que a “guerra de todo o povo” é de concepção Castro-comunista empregada em Cuba até os dias atuais e copiada por Chávez na Venezuela. Segundo o conceito de Bloco Regional de Poder Militar, imaginado por Heinz Dieterich, as Forças Armadas de todos os países seriam unificadas; essa tese recebeu o aval do Brasil. Significaria, literalmente, o fim das atuais Forças Armadas e é por isso, também, que Chávez tem feito compras astronômicas de armamento e equipamentos militares, ofereceu apoio militar à Bolívia e o sr. Lula não se abala nem se envergonha do estado de mendicância em que se encontram nossas Forças atualmente. Os exemplos do sucateamento, menosprezo, vexames e humilhações porque passam nossos Militares são sobejamente conhecidos, me dispensando de ter que repeti-los; o Brasil inteiro sabe do que falo.
O evento não contou com a participação do anfitrião, Evo Morales, nem representantes do Governo brasileiro (ou membros da cúpula do PT) porque ocorreu numa data espinhosa em que se negociava a assinatura do novo acordo com a Petrobras e as eleições presidenciais em vias de acontecer. Aliás, aquela decisão sobre o contrato com a Petrobras estava tomada e foi dada a conhecer no último minuto do dia aprazado, meia-noite do sábado que antecedeu às eleições, e que não seria a mesma se o vencedor não fosse o “ungido”, o “cabra marcado para vencer”, o sr. da Silva.
O programa dos três dias do Encontro foi vastíssimo, pois teve 11 eixos e exposições centrais que iam das 9 da manhã até às 10 da noite, cujos temas foram: “Unificação do Movimento Indígena”; “Unificação do Movimento Camponês”; “Unificação do Movimento Operário”; “Intelectuais, Modelo Econômico Regional de Desenvolvimento”; “Direito à Vida”; “Soberania da Pátria Grande e Defesa Militar”; “Defesa Ecológica da Pachamama”; “Poder Local, Orçamento Participativo, Auto-governo e Democracia Direta”; “A Geo-política do Gás e o Petróleo como Armas de Libertação” e “Aliança entre Poder Popular e Estados na Libertação Social, Nacional e Regional” cuja exposição seria de Evo Morales, que não compareceu, ficando a cargo de vários comentaristas, dentre eles o idealizador do projeto, Heiz Dieterich.
À noite, como parte dos eventos culturais, foram apresentados vários filmes dentre os quais “Tupac Amaru”, um documentário sobre o líder indígena peruano que originou o bando guerrilheiro “Movimento Revolucionário Tupac Amaru” (MRTA); filme muito edificante, sem dúvida. A palestra de encerramento ficou a cargo do Vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, intitulada “Como desmontar os quatro pilares do neoliberalismo e com quê substitui-los”.
Mas não posso encerrar o artigo sem mencionar as origens de alguns palestrantes, de modo especial, os brasileiros. Da América Latina havia representantes das “Mães da Praça de Maio”, da Argentina; “Frente Ampla”, do Uruguai; “MST”, do Brasil; “Rádio Havana” e Partido Comunista, de Cuba; “Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional” (FMLN), de El Slavador; “Assembléia Poder Popular de Oaxaca”, México; CONAIE, do Equador; “Movimento pelo Socialismo do Século XXI” e Militares, da Venezuela, além de universidades do mundo todo.
A representação brasileira é surpreendente, sobretudo quando se trama em meio a guerrilheiros e comunistas, o fim da Soberania do Estado Nacional brasileiro que muitos fingem defender. Estiveram presentes Nildo Ouriques, presidente do IELA/UFSC e professor da UFSC, militante da Ação Popular Socialista (APS) – um dos grupos trotskistas existentes no PSOL -; Marise Oliveira, do SEPE-RJ (Sindicato Estadual dos Profissionais em Educação do Rio de Janeiro), CUT/RJ e da Coordenação Estadual/RJ da APS; Lujan Maria Bacelar de Miranda, ex-dirigente da CUT; Aguinor Bicalho Vieira, co-fundador e membro da direção do MST e, finalmente, o Brigadeiro Reformado da FAB, Sérgio Xavier Ferolla, ex-Comandante da ESG e ex-Ministro do STF.
O Brigadeiro Sérgio Ferolla participou da mesa de debates sobre “Soberania da Pátria Grande e Defesa Militar”, ao lado do General Raúl Baduel, ministro da Defesa da Venezuela que tem em seu haver a responsabilidade de inúmeros crimes de assassinatos, inclusive o de La Paragua, até hoje sem punição dos militares culpados do massacre dos garimpeiros, dentre eles brasileiros. O brigadeiro Sérgio Ferolla participou da mesma mesa em que expunha Francisco Montes, “ex” combatente do bando guerrilheiro FMLN e defendia a soberania, não de sua Pátria, do Brasil, mas de uma “Pátria Grande”, comunista, sem fronteiras e sem Forças Armadas Nacionais. E a prova da sordidez deste Militar brasileiro está aqui, no site do próprio bloco, para quem quiser conferir: http://www.bloquerpp.org/ejes.html.
Os dados constantes deste artigo não são “opiniões” ou paranóias da articulista mas fatos comprovados através dos vários links indicados. O Bloco Regional de Poder Popular é mais uma sucursal do Foro de São Paulo; o que há dois anos foi um sonho (ou seria pesadelo?) de um comunista internacionalista e apátrida, agora tornou-se realidade e pretende nos destruir. Mas, enquanto isso, os nacionalisteiros e esquerdistas brasileiros estão preocupados unicamente em denunciar e combater as “20 bases americanas” no continente Latino-Americano e a “invasão” da Amazônia pelos yankees.
Graça Salgueiro é editora do blog Notalatina (http://notalatina.blosgpot.com) e do site Mídia Sem Máscara (www.midiasemmascara.org) onde o artigo foi originalmente publicado.
4 comentários:
Quem já leu o livro "Utopia" vai ser que nada disso é novidade. Tudo isso é praticamente uma fotocópia do livro. É tudo o que se prega em Utopia. É o mesmo plano aplicado na Rússia e na China no passado, e que não deu certo. É uma idéia linda, mas que na prática é inviável. A propósito, o nome do livro virou sinônimo de "sonho impossível" não foi à toa.
Complementando o tópico anterior, gostaria de dizer que moro na periferia de São Paulo, passo maus bocados na tentativa de montar uma pequena empresa e não me vi representado nessa história. Não sou índio e nem quero voltar ao tempo feudal com uma enxada na mão. Algum petista fanático de plantão poderia me dizer como minha vida iria melhorar? Pelo visto o BRPP não é sucursal do FSP, é sim sucursal do inferno!
SUMIRAM COM O BLOG DA GRAÇA SALGUEIRO!?!?!?
Não sumiram não, apenas houve um erro de digitação no "blogspot".
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