quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Democradura: Estado usa a máquina policial, partidária, social e sindical para intimidar a imprensa já amestrada

Segunda Edição de Quarta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

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Por Jorge Serrão

Já não basta usar as verbas da publicidade oficial para adoçar o departamento comercial da amestrada mídia brasileira. A nova tática do governo Lula, dos seus partidários e dos seus “movimentos sociais e sindicais organizados” é usar o aparelho repressivo do Estado para intimidar a imprensa e inviabilizar seu direito constitucional à liberdade. Ontem, jornalistas de VEJA foram intimados a prestar depoimento na Polícia Federal. Eles foram os profissionais responsáveis pela apuração de reportagens que relataram o envolvimento de policiais em atos descritos pela revista como "uma operação abafa" destinada a afastar Freud Godoy da tentativa de compra do dossiê falso que seria usado para incriminar políticos adversários do governo.

Os repórteres Júlia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro foram ouvidos pelo delegado Moysés Eduardo Ferreira. Para surpresa dos repórteres sua inquirição se deu não na qualidade de testemunhas, mas de suspeitos. Não houve violência física. Mas, segundo a Veja, o relato dos repórteres e da advogada que os acompanhou deixa claro que foram cometidos abusos, constrangimentos e ameaças em um claro e inaceitável ataque à liberdade de expressão garantida na Constituição (ainda em vigor, até prova em contrário). O caso foi mais uma prova objetiva de que no Brasil não existe Democracia, definida como a “Segurança do Direito”.

A dita-dura, travestida de excesso ideológico de militantes políticos que se dizem de “esquerda”, mostra sua verdadeira face. Na segunda-feira, os petistas que aguardavam Lula, segunda-feira em frente ao Palácio da Alvorada agrediram os jornalistas que estavam à porta, fazendo o seu trabalho. Um dos democratas agrediu um repórter duas vezes com o mastro da bandeira do partido e outra jornalista foi empurrada. Os manifestantes gritavam palavras de ordem contra a imprensa. Três frases ameaçadoras foram emblemáticas do pensamento nazifascista em vigor: “Eu prefiro a ditadura do que a imprensa"."Vamos fechar todos os jornais"."Se falar de dossiê, vai levar dossiê na cara".

Ouvido sobre o episódio criminoso, um representante da Fenaj — Federação Nacional dos Jornalistas, sempre alinhada ao PT — afirmou que isso acontece porque os jornalistas “provocam”. O caso foi tão grave que até obrigou o PT a um pronunciamento oficial. O presidente em exercício do partido, Marco Aurélio Garcia, condenou as hostilidades de militantes do PT contra a imprensa durante coberturas jornalísticas. Garcia, futuro provável ministro da Defesa da próxima nova-velha gestão Lula chamou a atenção de seus militantes: "Qualquer manifestação de intolerância, se houve, tem a nossa condenação. Os jornalistas têm a nossa solidariedade e, mesmo divergindo muitas vezes da imprensa, jamais negaremos o papel que ela tem".

A Revista Veja comentou o fato de maneira emblemática: ”A estranheza dos fatos é potencializada pela crescente hostilidade ideológica aos meios de comunicação independentes, pelas agressões de militantes pagos pelo governo contra jornalistas em exercício de suas funções e, em especial, pela leniência com que esses fatos foram tratados pelas autoridades. Quando a imprensa torna-se alvo de uma força política no exercício do poder deve-se acender o sinal de alerta de modo que a faísca seja apagada antes que se torne um incêndio. Nunca é demais lembrar: Pior do que estar submetido à ditadura de uma minoria é estar submetido a uma ditadura da maioria".

A ironia dessa estória é que, enquanto os jornalistas da Veja eram intimidados pela Polícia Federal, Lula proclamava em seu primeiro discurso oficial: “Estendo as mãos ao entendimento e à concórdia”.

Revolta no Senado

O senador Heráclito Fortes (PFL-PI) denunciou ao plenário ontem a tentativa de intimidação praticada por agentes da Polícia Federal em São Paulo contra os repórteres da Veja.

O repórter Marcelo Carneiro ficou retido na delegacia até que o presidente do PSDB Tasso Jereissati ligou para o Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.

O líder tucano no Senado, Arthur Virgílio (AM), vai convocar o ministro Thomaz Bastos a explicar o “claro atentado à liberdade de imprensa” praticado pela Polícia Federal.

Auto-censura da Imprensa

O jornalista e filósofo Olavo de Carvalho faz uma dura crítica à imprensa por não abordar alguns assuntos considerados tabus:

“A norma vigente em todas as redações deste país é, nesse ponto, a mesma que se adotou quanto ao Foro de São Paulo . Toda a mídia brasileira – inclusive antilulista – transformou-se numa engrenagem da máquina de desinformação revolucionária empenhada em demonizar os Estados Unidos ao ponto de legitimar, em nome do temor a uma invasão americana impossível, a conivência ao menos passiva com a ocupação do continente pelas forças armadas da virtual União das Repúblicas Socialistas Latino-Americanas. Um jornalista colabora com esse processo cada vez que faz alarde em torno de violências imaginárias cometidas contra terroristas na prisão americana de Guantánamo e encobre de silêncio a brutalidade real e ininterrupta a que estão expostos os prisioneiros de consciência no vizinho cárcere cubano. Essa dupla e concomitante regra de desinformação é seguida hoje fielmente por todos os órgãos de mídia deste país, incluindo os mais antilulistas”.

Olavo de Carvalho reclama que “a própria Veja , nas páginas internacionais, fornece semanalmente a sua quota de mentiras anti-americanas, em penitência por ter dito a verdade contra o PT na seção nacional”.

Olavo adverte: “Os planos do Foro de São Paulo vêm de longe, e o Brasil, em vez de se preparar para defender-se contra eles, chegou a reeleger presidente o homem que os concebeu. Nunca uma nação se rendeu com tanta docilidade – e com tanta antecedência - a um inimigo tão obviamente mal intencionado”.

As Forças Armadas vão responder?

Olavo de Carvalho reitera uma séria denúncia em seu artigo “Tá tudo dominado”, no Diário do Comércio de São Paulo:

“O Brasil é hoje um país inerme e virtualmente cercado. Desaparelhadas, politicamente intimidadas, reduzidas à míngua pelos cortes orçamentários e à subserviência humilhante por vinte anos de bombardeio difamatório, nossas Forças Armadas não têm a mínima condição de defender o País contra as tropas empenhadas em garantir pelas armas a consecução do plano do Foro de São Paulo : a integração continental sob a bandeira neocomunista. Nunca a soberania e a própria integridade da nação estiveram tão ameaçadas. Não há nenhum motivo razoável para duvidar de que, tendo chegado tão perto de realizar seu sonho de poder total, a esquerda revolucionária latino-americana destruirá pela força qualquer obstáculo que não possa remover pelo engodo e pela manipulação.”.

Olavo questiona, diretamente, nosso poder militar: “A situação militar do Brasil é muito simples e clara. Hugo Chávez está montando um exército de um milhão e meio de homens bem armados, a maior força aérea da América Latina, e vinte bases militares em território boliviano, todas na fronteira com o Brasil. Seus aliados são, de um lado, o exército argentino de Kirchner, de outro lado as FARC e o ELN, cujo número de combatentes é hoje difícil de calcular mas que têm um orçamento militar incomparavelmente maior que de qualquer país latino-americano, com exceção da Venezuela”.

Pergunta: Será que as Forças Armadas vão responder à acusação de inoperância e despreparo feita por Olavo de Carvalho?

Deputados, cumpram a lei, pelo menos

A regra é clara, e não adiantam manobras da Presidência da Câmara ou até pareceres do Supremo Tribunal Federal para impedir o cumprimento irrestrito da lei.

Os 513 deputados federais serão obrigados a julgar o pedido da empresária paulista Ana Prudente, para a abertura de processo por crime de responsabilidade contra o presidente Lula da Silva e seu vice José Alencar.

Ana e seu advogado Luciano Blandy estarão nesta quarta-feira, em Brasília, entrando com um recurso regimental ao Plenário da Câmara, a fim de que o Processo Protocolo nº 040913 seja submetido e julgado pelos componentes daquela Casa.

Cobertura completa do caso no post anterior do Alerta Total, na manchete:

Câmara será obrigada a julgar pedido de processo contra Lula e Alencar sobre reunião que gerou o “mensalão”

Intimidação objetiva contra a Veja

Ao tomar o depoimento da repórter Julia Duailibi, o delegado Moysés Eduardo Ferreira indagou os motivos pelos quais ela escrevera "essa falácia".

A repórter da VEJA, então, perguntou ao delegado Moysés qual era o sentido de seu depoimento, uma vez que ele já chegara à conclusão antecipada de que as informações publicadas pela revista eram "falácias".

Ao ditar esse trecho do depoimento para o escrivão, o delegado atribuiu a palavra à repórter, no que foi logo advertido pela representante do Ministério Público Federal, a procuradora Elizabeth Kobayashi.

A procuradora pediu ao delegado que retirasse tal palavra do depoimento porque tratava-se de um juízo de valor dele próprio e que a repórter nunca admitira que escrevera falácias.

Fugindo do assunto

Embora a jornalista de VEJA estivesse depondo na condição de testemunha num inquérito sem nenhuma relação com a divulgação das fotos do dinheiro do dossiê, o delegado Moysés Eduardo Ferreira a questionou sobre reportagem anterior, assinada por ela, que tratava do tema.

O delegado exigiu, então, da repórter que revelasse quem lhe dera um CD com as fotos.

A repórter se recusou a revelar sua fonte.

Durante todo o depoimento da repórter Julia Duailibi, o delegado Moysés Eduardo Ferreira a questionou a sobre o que ele dizia ser uma operação de VEJA para "fabricar" notícias contra a Polícia Federal.

O policial alegou que matéria fora pré-concebida pelos editores da revista e quis saber quem fora o editor responsável pela expressão "Operação Abafa".

Ataque corporativista?

O delegado reclamou que as acusações contra o diretor-executivo da Superintendência da PF, Severino Alexandre, eram muito graves.

E perguntou: "Foi você quem as fez? Como vieram parar aqui?".

Referindo-se à duração do depoimento, o delegado Moysés Eduardo Ferreira ameaçou:

"Se você ficou duas horas, seu chefe vai ficar quatro".

Quem paga pelo quê?

Indagada sobre sua participação na matéria, a repórter Camila Pereira disse ter-se limitado a redigir uma arte explicativa, a partir de entrevistas com advogados, sobre como a revelação da origem do dinheiro poderia ameaçar a candidatura e/ou um eventual segundo mandato do presidente Lula.

O delegado perguntou quais advogados foram ouvidos.

A repórter respondeu que seus nomes haviam sido publicados no próprio quadro.

O delegado, então, perguntou se VEJA pagara pela colaboração dos advogados.

Diante da resposta negativa, o delegado ditou para o escrevente que a repórter respondera que "normalmente a revista não paga por esse tipo de colaboração".

A repórter, então, o corrigiu, dizendo que a revista nunca paga para suas fontes.

Cerceando a ação da advocacia

Embora os repórteres de VEJA tenham sido convocados como testemunhas, o delegado Moysés Eduardo Ferreira impediu que eles se consultassem com a advogada que os acompanhava, Ana Dutra.

Todo e qualquer aparte de Ana Dutra era considerado pelo delegado Ferreira como uma intervenção indevida.

Em determinado momento, Ferreira ameaçou transformar a advogada em depoente.

Ele também negou aos jornalistas de VEJA o direito a cópias de suas próprias declarações, alegando que tais depoimentos eram sigilosos.

A repórter Júlia Duailibi foi impedida de conversar com o repórter Marcelo Carneiro.

Mau exemplo do Requião

A jornalista Bia Moraes, do site Comunique-se, denuncia mais um abuso à liberdade imprensa, também cometido segunda-feira pelo governador reeleito do Paraná, Roberto Requião (PMDB).

Na primeira entrevista coletiva que concedeu após o resultado da eleição, Requião atacou diversos veículos da imprensa paranaense e nacional, ironizou jornalistas presentes e ausentes (citando-os pelo nome), acusou boa parte da imprensa de, deliberadamente, manipular notícias durante a campanha para prejudicá-lo, e culpou a mídia pelos pontos perdidos nas pesquisas de intenção de voto e pela pouca diferença com que se elegeu em relação ao adversário”.

A coletiva no Palácio Iguaçu, sede do governo do estado, foi marcada não apenas pelos ataques à imprensa.

O governador reeleito praticamente não respondeu às perguntas dos mais de vinte jornalistas presentes e pouco falou sobre seu plano de governo.

Para a coletiva, foram convocados dezenas de políticos, aliados e funcionários públicos, que funcionaram como claque: aplaudiam declarações de Requião e vaiavam jornalistas que tentavam fazer questionamentos mais contundentes.

Vitória do Bengaleiro

Pela 3ª vez foi rejeitada, agora pelo juiz da 12ª Vara Federal, a queixa-crime no processo que o ex-ministro e ex-deputado José Dirceu move contra o escritor paranaense Yves Hublet, que o “bengalou” no cocuruto por três vezes, no Salão Verde da Câmara, no ano passado.

O sempre irônico Bengaleiro Geral da República comemora:

Agora, pelo visto, só resta a Dirceu esperar pelo Juízo Final”.

O escritor, eufórico com essas vitórias, diz que José Dirceu deve perder – de vez – as esperanças de ganhar nesta Suprema Instância Celeste, pois tudo indica que o Divino Juiz também seja incorruptível.

Hublet conta ainda com o testemunho do Filho Dele, Jesus Cristo, que expulsou os vendilhões do Templo a chibatadas.

A decisão judicial

Extrato da decisão do juiz da 12ª Vara Federal, José Airton de Aguiar Portela:

Os fundamentos da decisão que rejeitou a queixa-crime (fls.74/75) permanecem incólumes, mesmo diante das razões de recurso estrito apresentadas (fls. 81/87), inexistindo inovação que justifique a reforma daquele decisum, a teor do disposto no art. 589 do Código de Processo Penal. Destarte, convencido do seu acerto, determino a subida dos autos ao E.Tribunal Regional Federal da 1ª Região...”.

Emir Sader condenado

O professor Emir Sader, militante petista, escreveu um artigo no site Carta Maior, no dia 28 de agosto de 2005, em que acusava o senador Jorge Bornhasen, presidente do PFL, de "racismo".

Sader imputou ao senador "discriminação aos 'negos, pobres, sujos e brutos', intitulando-o de fascista, pessoa repulsiva da burguesia brasileira, direitista, adepto das ditaduras militares, racista, repulsivo, odioso, pessoa abjeta, conivente com a miséria do país mais injusto do mundo, roubador, explorador e assassino de trabalhadores, opressor, terminando por dizê-lo odiado pela esquerda, e sob seu ponto de vista, odiado pelo povo brasileiro".

Bornhausen recorreu à Justiça e Emir Sader foi condenado por injúria "à pena de um ano de detenção, em regime inicial aberto, substituída nos termos do artigo 44 do Código Penal por pena restritiva de direitos, consistente em prestação de serviços à comunidade ou entidade pública, pelo mesmo prazo de um ano, em jornadas semanais não inferiores a oito horas, a ser individualizada em posterior fase de execução".

Mão pesada contra o petista

O juiz Rodrigo César Muller Valente, da 11ª Vara Criminal de São Paulo, pegou ainda mais pesado:

Pelo disposto nos artigos 48 da Lei nº 5.250/67 e 92, inciso I, do Código Penal, considerando que o querelante valeu-se da condição de professor de universidade pública deste Estado para praticar o crime, como expressamente faz constar no texto publicado, inequivocamente violou dever para com a Administração Pública, segundo os preceitos dos artigos 3º e 241, XIV, da Lei 10.261/68, motivo pelo qual aplico como efeito secundário da sentença a perda do cargo ou função pública e determino a comunicação ao respectivo órgão público em que estiver lotado e condenado, ao trânsito em julgado".

Traduzindo o juridiquês: Sader corre o risco de perder seu emprego público.

Blindagem para Palocci

Será o Supremo Tribunal Federal quem vai decidir se recebe ou não a denúncia contra o deputado federal eleito e ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci Filho.

O juiz Lúcio Alberto Eneas da Silva Ferreira, da 4ª Vara Criminal de Ribeirão Preto (SP), determinou ontem o envio do processo ao Supremo. Palocci é acusado de superfaturamento de contrato de limpeza pública em Ribeirão Preto, enquanto era prefeito da cidade (2001-2004).

Na semana passada o Ministério Público de São Paulo ofereceu denúncia e pediu prisão preventiva contra Palocci e mais oito acusados, entre eles o também ex-prefeito de Ribeirão Gilberto Sidnei Maggioni, por formação de quadrilha, peculato (apropriação de dinheiro ou de bens móveis por funcionário público) e falsificação de documento público.

Ao mandar o processo para o Supremo, o juiz Ferreira explicou que é da competência do STF julgar deputados federais a partir de sua diplomação.

Apesar de ainda não ter sido diplomado, o que está previsto para 19 de dezembro desse ano, o juiz entendeu que é possível retroagir os efeitos para desde a proclamação do resultado da eleição.

A força do pai ajuda

O advogado Alexandre Jobim, filho do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim, encabeça a lista de nomes avaliados pelo PMDB para uma vaga no conselho diretor da Anatel.

Se o nome de Alexandre Jobim passar pelo crivo da cúpula governista do partido, ele será indicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Alexandre Jobim é mestre em Direito pela Universidade do Texas e atua como consultor jurídico da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), além de ser membro do comitê jurídico da Associação Internacional de Radiodifusores.

Sua indicação tem a simpatia tanto da cúpula do PMDB como do ministro das Comunicações, Hélio Costa.

Governo no Supremo?

Alexandre Jobim tem no pai seu principal padrinho político na indicação para a Anatel. Aliado de Lula, Nelson Jobim é um dos expoentes do PMDB cotados para assumir o Ministério da Justiça no segundo mandato do presidente.

Jobim já ocupou o cargo no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Apesar da ligação com a administração dos tucanos, Jobim atuou várias vezes em defesa de interesses do governo Lula quando esteve à frente do STF, entre maio de 2004 e março passado.

Em outubro do ano passado, por exemplo, durante julgamento de um recurso do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, para que fosse suspenso seu processo de cassação, Jobim chegou a questionar abertamente o voto de outros ministros do STF que não acolheram o pedido de Dirceu.

Por causa de episódios como esse, e por seu passado parlamentar, segundo o jornal o Estado de São Paulo, Jobim era conhecido, nos bastidores, de forma irônica, como "líder do governo no Supremo".

Briga pela vaga

Já ocorre, nos bastidores do poder, uma briga de foice para ocupar uma vaga na Anatel, na véspera da implantação da tV Digital – um dos negócios bilionários dos próximos anos, que será regulado pela Agência.

A primeira vaga a ser preenchida está aberta desde novembro do ano passado, com a saída de Elifas Gurgel do Amaral, ex-presidente da agência.

A segunda surgirá no dia 5 de novembro, com o fim do mandato do conselheiro Luiz Alberto da Silva.

Com isso, a agência ficará com apenas três conselheiros: Plínio de Aguiar Junior e Pedro Jaime Ziller, indicados no governo Lula, e José Leite Pereira Filho, indicado por Fernando Henrique.

Dois nomes estão no páreo para ocupar a segunda vaga: o do assessor especial da Casa Civil André Barbosa, que teria o apoio da ministra Dilma Rousseff, e o do atual ouvidor da Anatel, Aristóteles dos Santos, que tem o apoio da ala sindical do partido.

Mera coincidência

Comentário de um atento leitor do nosso blog:

Na edição de segunda-feira, o Alerta Total publicou: "...Para neutralizar tal ação da Águia de Washington, Lula já planeja uma viagem, o mais urgente possível, para um encontro com o presidente George Bush. Quer oferecer aos norte-americanos oportunidades de negócio, em troca de sustentação política. Se vai conseguir... Isto são outros bilhões de dólares...";

Ontem, SAIU NO SITE DO TERRA: "Amorim disse a jornalistas, no portão do Palácio da Alvorada, que Bush convidou Lula para uma nova visita aos Estados Unidos, convite que foi aceito. O presidente norte-americano, segundo Amorim, estimulou o presidente reeleito do Brasil a manter um trabalho conjunto pelo fortalecimento da democracia e o aprimoramento das relações comerciais(??)...".

Que coincidência, não?

Versão oficial da conversa

O presidente americano, George W. Bush, parabenizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela reeleição e descreveu a vitória de Lula nas eleições de domingo como "espetacular" em um telefonema na manhã de ontem.

O teor da conversa foi revelado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que esteve com Lula no Palácio da Alvorada, em Brasília.

De acordo com Amorim, o diálogo entre os dois presidentes foi muito caloroso e, em tom de brincadeira, Bush disse que gostaria de ter o "know-how" de Lula para ajudar o Partido Republicano a sair vitorioso nas eleições parlamentares americanas no próximo dia 7:

"Você teve uma vitória espetacular, precisa me dar um pouquinho do seu know-how porque estou precisando para ganhar agora".

Além de felicitar Lula pela reeleição, Bush também teria convidado Lula para uma visita.

O presidente teria respondido que irá aos Estados Unidos "em breve".

Outros telefonemas

A manhã de Lula ontem no Palácio da Alvorada foi dedicada a telefonemas internacionais.

De acordo com Celso Amorim, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, também ligou para o presidente.

O ministro revelou que, no caso de Blair, o convite para uma visita teria partido de Lula, que sugeriu ao líder britânico que venha ao Brasil.

Blair também cumprimentou Lula pela vitória de domingo e conversou rapidamente com o presidente sobre a importância da retomada das negociações multilaterais na OMC (Organização Mundial de Comércio).

Negócios da China

O presidente da China, Hu Jintao, também enviou uma mensagem de congratulações a Lula.

De acordo com o ministro chinês das Relações Exteriores, Liu Jianchao, a China acredita que a "parceria estratégica" com o Brasil vai se desenvolver ainda mais no segundo mandato de Lula.

É o capitalismo de Estado chinês, travestido de "comunismo que não existe objetivamente", se preparando para tomar conta do mundo e do Brasil.

De boas intenções... o Planalto está cheio

Em seu primeiro pronunciamento oficial em rede nacional após a reeleição, o presidente Lula da Silva afirmou que seu segundo mandato vai ser focado em "desenvolvimento com distribuição de renda e educação de qualidade".

Para alcançar esses objetivos, o presidente espera contar com a união das forças políticas do País.

"Volto a afirmar que o nome do meu segundo mandato será desenvolvimento - desenvolvimento com distribuição de renda e educação de qualidade. E é em torno desta proposta, capaz de unir todos os brasileiros e brasileiras, que venho pedir o esforço e o entendimento nacionais".

Exemplo de concórdia

Lula defende que, encerrada a disputa eleitoral, as forças políticas devem se unir pelo bem do País.

"Pois os verdadeiros adversários são a injustiça social, a desigualdade e as várias formas de atraso que atravancam a vida nacional".

Ao se colocar como "homem de diálogo", Lula disse que mais uma vez estende as mãos "para o diálogo e a concórdia".

"Conclamo toda a sociedade, a começar pelas lideranças políticas e movimentos sociais, a unirmos o Brasil em torno de uma agenda comum"

Sobre a derrota de Lula nas urnas

Comentário do professor Adriano Benayon sobre o fato de Lula ter sido rejeitado pela maioria do eleitorado:

“Especificamente sobre a argumentação segundo a qual Lula não foi bem julgado pelo eleitorado, cuja maioria não teria votado nele, penso que ela não procede do ponto de vista jurídico-constitucional. Ela é reminiscente daquelas teses sobre a maioria absoluta invocadas por Carlos Lacerda e partidários do alinhamento absoluto com o poder estrangeiro contra Vargas, JK e outros.Entretanto, pode-se dizer que o valor dos votos dados a Lula é muito baixo, uma vez que eles são em grande parte devidos à aversão ao que podia representar seu adversário. Por parte dos mais conscientes, o temor de um processo de devastação da nacionalidade mais radical, mais conseqüente e mais coerente, do tipo do praticado pelo governo do PSDB de 1994 a 2002, de oitenta anos de atraso em oito, de inversão da relação patrimônio/dívida pública, etc. Da parte do chamado povão, a sensação, discutível mas não de descartar de todo, de que seu afundamento na miséria foi mais acelerado durante o reinado peessedebista do que no petista”.

Benayon acrescenta: “Para todos, independentemente de classe ou de nível de informação, houve uma absoluta falta de escolha. Essa absurda e intolerável situação determina que o valor dos votos a Lula é zero, do mesmo modo que esse seria o valor dos votos de Alckmin, se ele tivesse vencido esse kafkiano confronto”.

O professor lembra um detalhe fundamental: “No atual sistema político da pseudodemocracia governada pela corrupção comandada pelos centros oligárquicos anglo-americanos todo o mandatário eleito é ilegítimo. Então, Lula não é ilegítimo, porque provavelmente está incurso em fatos imputáveis como crime. De resto, seus concorrentes pelas benesses permitidas pelos potentados estrangeiros não ficam atrás em matéria de atos ilícitos”.

Falta de educação

Na última quinta feira, o relatório da UNESCO veio confirmar que o Brasil é um desastre educacional.

Na avaliação geral, entre 127 países, o Brasil se classificou em 72º (SEPTUAGÉSIMO SEGUNDO) lugar.

No ranking de desenvolvimento, que avalia o grau de cumprimento das metas traçadas na Conferência Mundial de Educação, no Senegal, em 2000, ficamos atrás do Paraguai e uma posição somente à frente da Síria.

Apenas foram elogiadas duas iniciativas: a bolsa escola de FHC e a bolsa família de Lula.

O internauta Pedro Paulo comenta: “Isto é que é desenvolvimento educacional de país bem governado por quem nunca estudou”.

Gestão de florestas (ou privatização delas)

Tem prazo apenas até hoje quem ainda tiver interesse em contribuir com o teor do decreto presidencial que vai regulamentar a Lei de Gestão de Florestas Públicas.

A minuta do decreto permanece na página eletrônica do Serviço florestal Brasileiro. As sugestões poderão ser enviadas até hoje para o seguinte endereço: sfb@mma.gov.br

O Serviço Florestal Brasileiro fará um balanço das contribuições enviadas pela internet e recolhidas nas audiências públicas e preparará, até o dia 6 de novembro, uma nova versão do decreto para ser analisado pela CGFLOP - Comissão de Gestão de Florestas Públicas e pela Conaflor - Comissão Nacional de Florestas, que se reunirão conjuntamente nos dias 7 e 8 próximos.

Audiências públicas

Cerca de 150 pessoas entre empresários, acadêmicos, representantes de prefeituras, ONGs e movimentos sociais estiveram ontem no auditório do Banco da Amazônia em Belém (PA) para a última audiência pública sobre a regulamentação da Lei de Gestão de Florestas Públicas.

Desde o dia 18 de outubro, a equipe do Serviço Florestal Brasileiro tem organizado audiências públicas para apresentar e discutir a minuta do decreto presidencial que vai regulamentar a Lei nº 11.284, de março de 2006.

Foram ouvidas as populações de Rio Branco (AC), Porto Velho (RO), Recife (PE), São Paulo (SP), Manaus (AM), Cuiabá (MT), Belém e Santarém (PA).

Fumar faz bem para a Saúde...

O lucro líquido da Souza Cruz aumentou para R$ 570 milhões e 300 mil reais, de janeiro a setembro.

Foi 16,9% superior ao de igual período do ano passado.

O resultado levou o Conselho de Administração a pagar aos acionistas R$ 33.565.384,36 a título de juros sobre o patrimônio líquido, elevando a distribuição no ano para R$ 311,090 milhões, ou R$ 1,01766 por ação.

O presidente da Souza Cruz, Andrew Gray, comenta:

"Nossos resultados refletem o bom desempenho de nossas marcas estratégicas, que permitiram crescimento do volume de vendas de 3,5%".

Uma prova inequívoca de que fumar faz bem. Pelo menos para o balanço da Souza Cruz

Vida que segue...

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