Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com
Por Jorge Serrão
O Partido dos Trabalhadores não tem um projeto para o Brasil – baseado na soberania, na autodeterminação e na paz social. Os demais partidos têm o mesmo defeito do PT. O negócio deles são os projetos de poder. Aliás, de negócios eles sabem tudo. Principalmente os petistas. O jeito billgateano do próspero empresário Lulinha é um belo exemplo de empreendedorismo político. O pai dele tem mais quatro anos de gestão (ou falta dela). É Lula de Novo, com a culpa do povo. Mas não da maioria, felizmente.
O nome dele rejeitado por exatos 67.617.893 cidadãos, que corresponde a 53,70% dos eleitores. Ele obteve 46,3% do total de votos das 125.913.479 pessoas aptas a votar. Politicamente, o País está dividido. Machado nele! “Ao vencedor, as batatas”. Podres e quentes. O primeiro governo Lula continuará sub judice (sofrendo julgamento por uma lista enorme de escândalos). O segundo mandato vai se ocupar de tentar consertar o muito que se fez de errado no primeiro. E quem administra problema vive condenado a nunca arranjar solução. É a praga da história.
Lula tem quatro prioridades imediatas. Primeiro, correr atrás de todas as forças políticas para barrar qualquer oposição mais radical ao seu governo. Cooptar é o verbo a ser conjugado por ele. Segundo, acelerar as negociações com os partidos aliados para desmontar o PT e iniciar a montagem do que seus ideólogos chamam de “reforma política”. Lula não vai reformar nada. Apenas promoverá um rearranjo das forças, em novos partidos, em torno do seu governo, de preferência.
Terceiro, negociar, nos bastidores, com o Judiciário, para evitar surpresas nos julgamentos de casos como o Mensalão e do dossiê dos Aloprados. Tantos casos poderiam lhe render um processo de impeachment. Quarto, blindar-se internacionalmente. Lula terá de negociar, depressa, um dificílimo pacto de não agressão e tolerância com os Estados Unidos. E terá de anular “aliados” latino-americanos como Hugo Chávez. Do contrário, o venezuelano ficará com o comando das forças políticas “de esquerda” na região.
Se sobrar um tempinho, depois de apagar tantos incêndios (sem ser bombeiro), Lula tentará governar. Aí retoma-se o dilema: Que representatividade moral pode ter Lula para se apresentar como presidente reeleito de todos os brasileiros? Na semana que passou, a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), fez o comentário mais duro sobre a reeleição de Lula: “Respeito humildemente o resultado das urnas, mas não sou demagoga. Não vou dizer que respeito qualquer resultado eleitoral, porque não respeito. Respeito o resultado das urnas. Eu perdi, fui derrotada Não sou demagoga a ponto de dizer que qualquer decisão do povo é sábia e soberana. Conversa!”.
“Heloísa Helena pega ainda mais pesado com seu ex-companheiro: “Do mesmo modo como várias vezes fiz considerações em relação às outras candidaturas, cheguei à conclusão dolorosa – que não vai me tirar a esperança – e triste – que não vai tirar minha capacidade de luta – de que, seu eu tivesse passado oito anos roubando aqui no Congresso Nacional, sendo cúmplice da roubalheira do Presidente Lula, sendo base de bajulação do Governo passado ou chafurdando na pocilga com os porcos da política, teria tido mais chance de ser eleita. Realmente fico impressionada! Cheguei à conclusão de que se eu tivesse passado oito anos roubando no Congresso Nacional, como muitos roubam, como o Presidente da República rouba, com certeza a vida seria muito melhor”.
A geleira dos números eleitorais congela o forjado clima de consagração psicológica de poder dada ao presidente pelos seus marketeiros. A sorte de Lula é que, da classe política, ele não sofrerá oposição objetiva, programática, consistente ou sistemática. O petista poderá reinar. Mas sem os poderes absolutos que pensa que tem. Do contrário, sua monarquia pode redundar em anarquia. É tudo que alguns oportunistas e golpistas (dentro do próprio governo) querem – o que não é bom para o Brasil.
Ditadura, nunca mais! Muito menos a dita-dura de petistas que se arvoram no direito divino de atentar contra a imprensa e a liberdade de expressão. Lula montou um grupo de trabalho apenas para analisar o que é publicado a favor e contra Lula ou seu governo. O objetivo é dar prontas respostas, e anular quem faz críticas indevidas. Tal modalidade de “censura” é caracterizada por alguns pontos. É aplicada por agente da administração pública. Tem caráter incontrastável. Não admite recurso, defesa ou contraditório. É baseada em critérios vagos como a ordem moral e política. Ao usar o aparelho repressivo do Estado para praticar a censura, mesmo com as melhores das intenções, o governo implode a Constituição. E deve ser legalmente responsabilizado por tal crime.
A tentativa de implantar um controle da mídia, através da chamada e pretensa “Democratização dos Meios de Comunicação”, corre o risco de criar um monstro ainda maior e perigoso para a cidadania. Alguns ideólogos do PT acham que podem reeditar o modelo do ditador Getúlio Vargas, recriando um Departamento de Imprensa e Propaganda com cara de bonzinho e cheio de bilhões de reais das estatais para distribuir para a mídia amestrada e a que pretende criar e adestrar, conforme seus valores “revolucionários”. O nome disto é: Di-ta-du-ra! E sem militar. Neste caso, quem milita são militantes – ou meliantes, dependendo do caso e da ocasião. Quase todos armados, amados ou não.
Lula não foi reeleito para agir ditatorialmente. A maioria que não o elegeu vai exigir dele uma postura de respeito aos brasileiros. Lula deveria saber que a história é implacável com os títeres, sobretudo com aqueles que se tornam déspotas e inimigos da liberdade de expressão. A lição histórica é clara: Quem imprensa a imprensa um dia também acaba imprensado. Se Lula, que nunca sabe de nada, não sabe disto é bom começar a ir aprendendo.
Jorge Serrão, jornalista radialista e publicitário, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. http://alertatotal.blogspot.com e http://podcast.br.inter.net/podcast/alertatotal
domingo, 5 de novembro de 2006
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4 comentários:
Eu gostaria de saber o que os petistas de plantão tem a dizer sobre ditadura. Alguém se habilita? Ah, e antes que alguém me chame de "burguesia opressora", saiba que eu tenho um uno mille velho e moro no grajaú, são paulo.
MENSALÃO LUSO-BRASILEIRO
O célebre juiz espanhol Baltazar Garzón pode trazer novidades à pista levantada, em 2005, pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) sobre o mensalão no governo Lula: o juiz investiga lavagem de dinheiro e fraude fiscal do banco português Espírito Santo, na Espanha e Portugal.
Jefferson disse que o BES e a Portugal Telecom se envolveram na compra de deputados. Portugal investigará uma off-shore na ilha da Madeira.
`Foi bom lembrar que 67 milhoes de brasileiiros nao Votaram no Lula. E´bom lembrar tambem que dos que votaram, nao votaram na esquerda. Recentemente o Data Folha 47% de direitistas, 18 % de conservadores e apenas 30% de esquerdistas. Lembro tambem que dos 190 milhoes de brasileiros,outros 63 milhoes nao votaram. Mas são sujeitos de direitos... Portanto Lula governa um Brasil partido. Se aceletrer muito para a esquerda, o Brasil racha e ele cai... Brasil é mais conservador que esquerda.
O Saber concorda em gênero, número e grau com o Sr. Aguinaldo Silva. Brasileiro é bem mais conservador do que de esquerda; afinal o que é ser esquerda. Tais conceitos - esquerda, direita, centro nascidos à época dd Rev. Francesa - parece que ruiram com a queda do Muro de Berlim em 1989. Esqueceram de avisar aos brasileiros iludíveis com os marqueteiros. Outra morte já anunciada é a do Homo Sapiens, que está cedendo lugar e cada vez com mais rapidez para o Homo Videns.
PS: tenho um blog mas estou começando agora. Ainda preciso aprender e muito, digo, a saber como manusea-lo e formatá-lo melhor. Por exemplo, não sei como faço para permitir comentários em meus blogs.
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