terça-feira, 21 de novembro de 2006

EUA dão ultimato de 7 dias ao Brasil para liberar os dois pilotos do Legacy, e IPM pode atingir Waldir Pires

Edição de Terça-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

Ouça também o podcast Alerta Total no seu computador.
http://podcast.br.inter.net/podcast/alertatotal
Edição em áudio a partir de Meio-dia.

Adicione nosso blog e podcast a seus favoritos do Internet Explorer.

Por Jorge Serrão

Exclusivo – Os Estados Unidos da América deram um ultimato ao governo brasileiro: se, em sete dias, não forem liberados os dois pilotos da ExcelAire, o Departamento de Estado norte-americano “virá buscá-los”. Ou melhor, Joe Lepore e Jan Paladino embarcam de volta para casa como "exilados". Os dois estão no Rio de Janeiro, impedidos de retornar ao seu país, porque seus passaportes estão retidos por um exagero da Justiça Federal – que se nega a liberar os documentos. Os norte-americanos já constataram que a verdadeira causa do acidente entre o jatinho Legacy e o Boeing da Gol (no dia 29 de setembro, matando 154 pessoas) foi a falta de segurança do controle do espaço aéreo brasileiro, sem investimentos necessários – fato que vem sendo alertado pelos EUA desde 2002.

Ao receber o recado dos EUA e diante da ameaça de um incidente diplomático com a Casa Branca, Lula ficou transtornado com Waldir Pires, e quer tirá-lo o mais depressa possível do Ministério da Defesa. O Comando da Aeronáutica também quer a cabeça de Pires, seu suposto superior hierárquico. Ao abrir um Inquérito Policial Militar para apurar se a Associação dos Controladores de vôo estaria agindo como um “sindicato”, o que é proibido por lei, induzindo militares a quebrarem a hierarquia, o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Luiz Carlos Bueno quer atingir Pires. No IPM, o ministro baiano corre o risco de ser enquadrado como o agente causador da insubordinação dos controladores de vôo, durante a crise de “apagão” do sistema do Cindacta. Pires tem tudo para acabar punido pelo Código Penal Militar – o que abriria uma crise do governo com as Forças Armadas.

A ordem, no gabinete de crise da Presidência, é desarmar tal bomba. A missão apaziguadora está a cargo do ministro do Gabinete de Segurança Institucional, General de Exército Jorge Félix. Mas o próprio Waldir Pires ajuda a alimentar a crise, armando sua “defesa prévia”. Ontem, o ministro da Defesa saiu em defesa dos controladores rebelados e de si mesmo. "A associação não agiu como sindicato. Absolutamente. Eles têm uma parte civil que tem ampla liberdade. Esses é que me procuraram". Pires sempre insiste que na reunião para a qual convidou o presidente da associação, um sargento controlador, ele foi levado lá em um carro do próprio Comando da Aeronáutica, com conhecimento e autorização do comandante da força, e foi muito cauteloso na conversa.

Waldir Pires jura que os controladores militares não fizeram reivindicações. “Foram muito cuidadosos. Disseram sempre que eram aspirações". Ao ser indagado se o IPM servia para intimidar os controladores, Pires provocou os militares: "Eu espero que eles sejam fortes. Eu daria um conselho a eles: sejam fortes. Nós somos cada vez mais dignos da vida, quanto mais pudermos resistir e tocar adiante, cumprindo sempre uma coisa essencial: preservem a segurança". E aconselhou: "Se por acaso o físico não resistir, não trabalhem. Agora, eu creio que somos capazes de resistir a muita coisa quando estamos mobilizados por dentro e estou vendo que eles estão com vontade e trabalhando”.

Revolta em silêncio das legiões

Nos bastidores, o Comando da Aeronáutica avalia que os controladores aproveitaram um momento em que estavam em evidência para reivindicar melhores salários e condições de trabalho, fugindo à disciplina militar.

Ainda no silêncio obsequioso das casernas, o Alto Comando da FAB também considera que, nesta crise, o governo desprezou o código militar e tratou dos controladores de vôo com lógica sindical

Para irritar ainda mais os oficiais da FAB e de todas as Forças Armadas, o governo petista ainda ameaça a segurança nacional, ao cogitar a transferência do controle do tráfego aéreo para a área civil.

Lula sabia dos problemas

A gestão “contingenciada” de recursos para as Forças Armadas, apenas para agradar ao FMI com mais superávit primário, é a principal responsável pela crise do setor aéreo.

O governo Lula não investe nos aeroportos e no controle de tráfego os R$ 1 bilhão e 900 milhões arrecadados com as tarifas aeroportuárias (taxas de embarque) pagas por passageiros e pelos donos das aeronaves.

Centenas de vôos são cancelados ou sofrem atrasos, fazendo com que passageiros percam horas nas filas dos galpões de embarque, porque o governo não usa o dinheiro público como deveria.

Objetivos do IPM

Além de atingir Waldir Pires (o que os militares jamais vão admitir publicamente), o IPM aberto pela Aeronáutica tem outros dois objetivos, durante 60 dias de investigações.

Primeiro, investigar a suposta operação-padrão realizada pelos controladores de vôos no fim do mês passado, considerada pela Aeronáutica a principal responsável pelo caos aéreo.

O problema é que tal operação padrão também foi causada pela pane no software do Cindacta, que está senso substituído.

Segundo, investigar o comportamento dos 150 militares de Brasília, responsáveis pelo Centro de Controle Aéreo (Cindacta-1), que respondiam pela área no momento da tragédia com o avião da Gol.

O IPM é tocado pelo Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), sob delegação do Comando da Aeronáutica.

13 que azara o governo

Até amanhã, a Polícia Federal tomará os depoimentos de 13 controladores de vôo no inquérito que investiga o acidente com o Boeing da Gol.

Os dez controladores de vôo de Brasília e os três de São José dos Campos foram ouvidos pelo delegado Rubens José Maleiner, já que o delgado Renato Sayão, que preside o inquérito está de licença médica.

Os 13 profissionais operavam no controle aéreo no dia da colisão no ar do avião da Gol, que ia de Manaus para o Rio, com escala em Brasília, com o jato Legacy, fabricado pela Embraer, que partiu de São José dos Campos com destino aos Estados Unidos.

De quem foi o erro?

No dia do acidente, 29 de setembro, o Boeing da GOL deveria voar a 41 mil pés, como era de costume.

Mas sobrevoava o Mato Grosso a 37 mil pés, altura em que ocorreu o choque com o avião Legacy, que saiu de São José dos Campos (SP) com autorização para voar a 37 mil pés até chegar ao Aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus (AM). O plano de vôo original do Legacy previa três altitudes. Nesse trecho, 36 mil pés, e depois, 38 mil pés.

Já os pilotos do Boeing da Gol foram autorizados pelo Cindacta-4 (Centro de Controle de Tráfego Aéreo de Manaus) a sobrevoar a 37 mil pés.

Não foi divulgado se o plano original do vôo previa 37 mil ou 41 mil.

Coragem para agredir

O ministro da Defesa, Waldir Pires, comentou ontem que não tem medo de voar e que tem feito isso com muita freqüência e sem problemas.

"A única coisa que eu posso dizer é que eu vôo de avião".

O ministro insistiu que pedirá um relatório ao Comando da Aeronáutica acerca das denúncias sobre três "quase acidentes" neste ano, conforme noticiado no fim de semana.

Segundo o ministro, a Aeronáutica assegura que não ocorreram estes "quase acidentes" e que não há problemas nos equipamentos de comunicação.

Culpados pela crise

As crises setoriais no Brasil não têm razão de existir.

Os fundos setoriais, criados para arrecadar verbas para as mais diversas áreas, já possuem R$ 89 bilhões e 700 milhões de reais.

O problema é que o governo não usa o dinheiro na atividade legalmente definida.

Os bilhões de reais acumulados servem para fazer caixa e manter o superávit primário firmado com o Fundo Monetário Internacional.

Quem perde com isso são os consumidores, que sentem cada vez mais o peso das taxas no seu bolso, e os setores não beneficiados, que vivem em crises por falta de investimentos.

Vários maus exemplos

Os 4 bilhões e 200 milhões do FUST (o Funto de Telecomunicações) não são destinados para a democratização da Internet nas escolas públicas, além de outros projetos.

Os 2 bilhões e 600 milhões do Fundo de Marinha Mercante, criado para subsidiar o desenvolvimento da indústria naval, por meio de arrecadação de 25% de tudo que é pago pelos importadores só servem para engordar as contas do tesouro e criar um superávit favorável.

E o FAT, Fundo de Amparo ao Trabalhador, tem R$ 56 bilhões disponíveis, enquanto o desemprego aumenta.

O problema do Brasil não é falta de dinheiro público, mas o uso que não se faz dele.

Culpa de São Pedro

O Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer), em Brasília, confirmou ontem que as fortes chuvas que caíram ontem em Curitiba e na região metropolitana derrubaram árvores que acabaram danificando uma rede de fibras óticas da Embratel.

Por esses cabos trafegam dados de comunicação do Centro Integrado de Defesa e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta 2), que foi afetado.

Aldo a Perigo?

O fato de o PC do B não ter ultrapassado a cláusula de barreira na última eleição pode comprometer as intenções reeleitorais do presidente da Câmara, Aldo Rebelo.

A insuficiência de votos na eleição passada impede que o partido possa ocupar cargos chaves no parlamento, como presidir comissões.

Segundo a cláusula, perderia direito a funcionamento pleno em todas as casas parlamentares do Brasil, além de horário gratuito de rádio e TV e participação mais ampla no fundo partidário todo partido que não alcançasse, nas eleições para a Câmara Federal, pelo menos 5% dos votos em todo o país, sendo 2% em nove estados.

Aldo está preocupado e procurando uma saída jurídica para o problema, por o cargo é chave neste segundo mandato.

Até porque, no Palácio do Planalto, todos já dão como certa que, por questões de saúde, o vice José Alencar não poderá tomar posse.

Assim, o presidente da Câmara se torna o primeiro substituto eventual do presidente Lula.

Hora de acordar, Lula

Em sua primeira viagem ao Rio desde a reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva devolveu ao município a gestão plena dos recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), lançou a Campanha Nacional de Combate à Dengue e alfinetou seus principais adversários políticos no estado: o prefeito Cesar Maia e o ex-governador Anthony Garotinho.

Lula lamentou a ausência de Cesar nos eventos de que participou.

Depois, criticou políticos “que gostam de pirotecnia e até de tirar foto com bandido importante, mas, quando não prende, a culpa é do governo federal”.

Lula se referiu a Garotinho que, em 2004, deixou-se fotografar com o principal suspeito do assassinato do casal Staheli.

Descobriu o Cabral

Sempre ao lado do governador eleito do Rio, Sérgio Cabral, Lula prometeu nova fase na relação entre os governos federal e estadual:

Quero dizer ao Sérgio Cabral que pode tomar posse com a tranqüilidade de quem vai ter um presidente da República que fará o que for possível e impossível para ser o seu companheiro nos bons e nos maus momentos do Rio”.

O presidente Lula elogiou a indicação do médico Sérgio Côrtes — que foi o interventor nomeado pelo governo federal nos hospitais municipais da capital, ano passado — para a Secretaria Estadual de Saúde.

Ele vai poder ser uma espécie de balizador entre os governos municipais, estadual e federal. Se depender do governo federal, nunca mais vamos ter uma crise de saúde no Rio”.

Mancada, para variar

Em Jacarepaguá, o presidente visitou as obras de mais uma unidade da rede federal de hospitais de alta complexidade Sarah.

Ao elogiar os trabalhos, Lula fez uma brincadeira de mau gosto:

Agora, quem tiver disposição para esportes radicais já tem onde ser atendido”.

FHC e Collor no aguardo

FHC adorou a idéia de Lula de criar um conselho de ex-presidentes da República.

Agora, Lula quer incluir no conselho o ex-presidente Fernando Collor, que sofreu impeachment no Senado em 1992 e acaba de ser eleito senador em Alagoas, depois de cumprir um período de inabilitação.

Fernando Henrique recordou que Lula havia feito essa proposta a ele e aos ex-presidentes Itamar Franco e José Sarney em maio do ano passado, mas as condições políticas não permitiram que a idéia fosse adiante.

Em maio de 2005, Lula viajou com os três ex-presidentes para os funerais do papa João Paulo II.

Um mês depois estava instalada a crise do mensalão, que quase levou a oposição a pedir o impeachment de Lula.

Papos ideólogicos

Sábado, depois do enterro do senador Ramez Tebet em Três Lagoas (MS), Lula ofereceu carona até Brasília a Virgílio e aos senadores peemedebistas Pedro Simon, Renan Calheiros, José Sarney e Waldir Raup.

Durante o vôo de pouco mais de uma hora até Brasília, Lula e os senadores trocaram impressões sobre os chefes da Revolução Russa de 1917, recordou Virgílio.

O tucano lamentou ter deixado o livro "Lenin, uma biografia definitiva", do britânico Robert Service, no avião que levara os senadores ao enterro.

Virgílio comentou que a biografia mostrava aspectos humanos de Lenin, positivos e negativos, que ele mesmo desconhecia.

José Sarney, que está lendo "A Corte do Czar Vermelho", do argentino Simon Sebag Montefiore, contou que Josef Stalin, sucessor de Lenin, era fisicamente franzino e parecia mais robusto nas fotografias do que realmente era.

Segundo Virgílio, Lula recordou sua viagem a São Petersburgo (cenário da revolução) e comentou que as ditaduras sempre tentam fazer que pareçam fortes os ditadores, para que pareçam fortes também.

Mas entre Lenin e Stalin, Lula preferiu elogiar "a oratória brilhante" de Leon Trotsky, chefe militar da Revolução que seria perseguido e exilado por Stalin no final dos anos 1920.

Novo partido

Mobilização Democrática (MD) é o nome do novo partido que surge, a partir da fusão entre PPS, PHS e PMN.

O MD terá, a partir de fevereiro de 2007, 27 deputados federais, 1 senador, 81 deputados estaduais, 367 prefeitos e quase 4 mil vereadores.

A fusão foi motivada pela entrada em vigor, na próxima legislatura, da cláusula de barreira, estabelecida pela lei dos partidos políticos (9096/95).

O número da MD será 33 – antigo número do PMN.

"Democracia" chinesa

A China voltou a restringir o acesso a sites como Wikipedia e Blogspot depois de dois meses de uma suposta trégua.

No início de agosto, após anos de censura, foi anunciado o desbloqueio do servidor Blogspot, e em outubro foi liberado o acesso à enciclopédia Wikipedia, depois de um ano de restrições.

Embora o Ministério de Informação chinês se negue a explicar as razões para o novo bloqueio do Blogspot e da Wikipedia (entre outros sites), tudo parece indicar que responde à presença de matérias "críticas" a Pequim.

A justificativa do Governo chinês para os bloqueios é sempre a mesma: as empresas da internet "devem respeitar as leis chinesas".

A China é o segundo país do mundo em número de internautas, com cerca de 130 milhões de usuários da rede, atrás apenas dos EUA, que conta com 198 milhões.

Vida que segue...

Novas informações a qualquer momento.
Recramasões, ilogius ou revelasões bomba para:
jorgeserrao@gbl.com.br
Faça comentários clicando no link abaixo.
Ouça as informações clicando no link da rádio (podcast) Alerta Total:
http://podcast.br.inter.net/podcast/alertatotal/

Fiquem com Deus!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Inteligente, inovador, fortemente analítico e propositivo, utilizando as mais modernas tecnologias para transmissão instantânea e eletrônica de informação privilegiada e análise estratégica, junto com a difusão de novos conhecimentos voltados para a construção e consolidação de novos valores humanos.

3 comentários:

Anônimo disse...

1- Ontem mesmo conversava com um membro da aeronáutica e este me informava que os controladores de vôo estão aproveitando a oportunidade apenas para reinvidicar melhores salários e codições de trabalho, uma vez que agora eles já não são regidos pelo regime militar, e sim, pelo MTB;
2- Continuando o depoimento acima, é inegável que os controladores de vôo aqui no Brasil ganham menos que outros controladores de vôo de países como os EUA. E é inegável que estes mesmos controlam, por vez, mais aeronaves que o acordado nas regras Internacionais;
3- Acontece que, e isto é muito importante, que o fluxo de aviões no Brasil, mesmo tendo crescido nos últimos anos, ainda é muito menor que nos outros países mais avançados;
4- Então o fato real é que os controladores de vôo daqui podem levar talvez uns 40 minutos ou mais para informar todas as suas aeronaves, mas ficam mais 1h30 livres, sem estresse, pois não há mais nada a fazer, uma vez que não existem mais vôos;
5- Portanto é um tanto incoerente, e apenas oportuno, a reinvidicação de melhores condições de trabalho, pois de fato não existe este CAOS que estão pintando por aí;
6- Por outro lado, eles, os controladores, são a parte mais fraca de toda a situação do desastre aéreo, e não merecem receber a total responsabilidade pelo acontecido;
7- O Governo, esse sim, deveria utilizar a verba destinada para melhorias do transporte aéreo e melhorar a infraestrutura aéreoportuária, passando por recursos humanos, equipamentos mais modernos, etc...;
8- Por último, mas não menos importante, abaixar a cabeça para os norte americanos, liberando os pilotos (que aparentemente estão vivendo muito bem esta estadia - com dinheiro de quem?) seria mais uma vez mostrar que ainda não somos e não merecemos ser uma nação completa e competente. Somente aqueles que sofrem pressão, não a cedem, e passam por ela dignamente, com confiança, respeitando as leis internacionais e as leis nacionais, é que crescem sendo respeitados.

Anônimo disse...

AUDITORIA DA DÍVIDA JÁ! Aí está a raiz de todos os problemas. O resto é conversa fiada!

Anônimo disse...

O Waldir Pires é mais um testa de ferro que será descartado para resguardar o Companheiro Mor. A verdade acabou vindo à tona e não é mais possível usar os pilotos americanos como bodes expiatórios. Às vezes a mentira cola, outras não...