domingo, 31 de dezembro de 2006

Os “Negócios” da China

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Jorge Serrão

Toda ideologia, por mais linda que pareça, é uma forma de dominação praticada por um controlador econômico maior. Perfeito exemplo desta tese é a China. A Nação pretensamente “comunista” que de socialista não tem nada, a não ser o autoritarismo, é a patrocinadora oficial do nosso “consumismo”. Lá é praticado um agressivo Capitalismo de Estado. O governo local é um mero executor de ordens superiores, vindas de fora das muralhas. O poder real é outro, oculto às vistas profanas.

Quem dirige os destinos da economia chinesa não são os homens do Partido Comunista Chinês (com quem o PT brasileiro tem um tratado de amizade). Os poderosos chefões são os banqueiros europeus que fazem o serviço para os controladores da nobreza econômica européia. A economia é aquecida ou esfriada de acordo com a irrigação ou o enxugamento de dinheiro no mercado. Quem dirige tal operação especulativa são os banqueiros do HSBC, Rothschild, ABN-Anro e os manipuladores de fundos a eles associados.

Eles controlam o comércio no mundo. Fazem isso porque dominam a circulação dos capitais. Com este poder mundial, se acham superiores dos Estados nacionais. Por isso, mandam e desmandam nos governos. A manutenção do poder deles depende do patrocínio de aventuras ideológicas nos ditos países pobres, mas ricos em recursos naturais. Uma das colônias modernas mais conhecidas, que se enquadra nesta descrição, é o Brasil. Ou alguém pensava que era o Paraguay?

A China, atualmente, é o centro do sistema regulador dos controladores. A economia brasileira e seus empresários gananciosos caíram direitinho na armadilha dos mandarins vermelhos - fantoches ideológicos patrocinados pelos banqueiros que dirigem a City de Londres. Graças às exportações de commodities para os chineses – como soja em grão, minério de ferro, petróleo, celulose e madeira, couros, peles, fumo em folhas, motores de automóveis e ligas de ferro -, o Brasil engordou o saldo da balança comercial, conseguiu um alívio no pagamento das contas externas e baixou o preço dos produtos industrializados (importados da China) no mercado interno, permitindo um aumento do consumo, sem aumentos de salários significativos ou com eficiente distribuição de renda.

Mas essa ilusão do “negócio da China”, que não é sólido, já se “desmancha no ar” (apenas para usar uma irônica expressão de Karl Marx, pai do comunismo, e que a vida toda foi patrocinado por banqueiros ingleses). O comércio entre o Brasil e a China já ficará desfavorável ao Brasil, a partir do ano que vem. As importações das porcarias chineses vão superar as exportações brasileiras. Até 2009, a China deve superar os EUA como o principal fornecedor do Brasil em computadores e peças, circuitos integrados, dispositivos de LCD, motores e geradores elétricos, tecidos, brinquedos, compostos químicos, transmissores e receptores de telefonia celular.

Conclusão óbvia ululante do mau negócio da China para o Brasil: o modelo de sustentação econômica baseada no mero comércio de commodities é inadequado para o Brasil, no longo prazo. As commodities são produtos de baixo valor agregado. Geram poucos empregos. Além disso, as importações de produtos chineses asfixiam nossa indústria local. Nossos empresários pagam o preço da própria burrice. Bancando malucos, que rasgam dinheiro, nossos industriais continuam batendo palminha para governos que cometem todos os pecados capitalistas. Mantêm a carga tributária altíssima. Não investem em infra-estrutura e transportes. Fazem a alegria dos banqueiros com a política de juros altos – inviabilizando qualquer financiamento mais barato ao setor produtivo.

Aliás, por falar no papel do Brasil na economia mundial, um sempre alerta leitor do Alerta Total chama a atenção para um fenômeno curioso. “Por que o risco-Brasil cai lá fora, apesar do panorama internamente desfavorável (como a falta de segurança jurídica, inúmeros projetos de lei indicando, disfarçadamente, confisco monetário, carga tributária absurda e etc.)?”. A resposta cai do céu, que é o maravilhoso mundo virtual.Alerta-nos o leitor que, no dia 12 de dezembro passado, na insuspeita agência britânica Reuters, Gertrude Chavez-Dreyfuss, publicou o artigo: "Rogers: Sell U.S. dollar, buy real and yuan" (http://tinyurl.com/yy8sux).

O texto cita Jim Rogers, que é um U.S. fund manager, co-fundador e parceiro de George Soros do Quantum Hedge Fund. Quem é George Soros? É um dos socialistas, patrocinadores de ONGs pretensamente bem-feitoras da humanidade e um dos "donos" do dinheiro do mundo. Só para ter uma idéia, com um estalar de dedos, tem o poder de derrubar qualquer moeda do mundo. É um dos principais fundadores das organizações socialistas como o Diálogo Interamericano, Centro Tri-Continental e Clube dos Bildelberg, cujo objetivo é a implantação do governo mundial “socialista”.

Na entrevista, Jim Rogers recomenda que se troque o dólar norte-americano pelo real (brasileiro) e pelo yuan (chinês). No primeiro caso, porque a economia brasileira está baseada em commodities. Aliás, o leitor nos lembra que Soros é um dos principais manipuladores de commodities no mundo. Recentemente, seus parceiros, os banqueiros ingleses Rothschild, ganharam o direito a remodelar a BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), sediada em São Paulo. Voltando à vaca atolada, n segundo caso, Jim Rogers acredita que o yuan venha a ser a principal reserva mundial de moeda (até porque ele próprio é um dos maiores investidores nas empresas da China).

Diante de tal constatação insuspeita, nosso sagaz leitor indaga: “Será que ainda há quem duvide que quem manda no Brasil não são nem os tucanos e nem os petralhas, que são financiados pelos donos do dinheiro do mundo?”. Pergunta mais oportuna, impossível. O problema é que alguns soldados do forte, a Velhinha de Taubaté e suas primas de Minas Gerais e Washington, encarcerados em seus valores ideológicos radicais, preferem não acreditar nisto. Azar delas e deles! E nosso, também, porque os controladores não estão de brincadeira e só jogam para ganhar.

Aliás, o campo de jogo preferido dos controladores é o mercado financeiro, que eles dominam como ninguém, desde que o capitalismo está em vigor. No Brasil, o jogo é perverso. O sistema vive entregue às suas próprias regras. A propósito do controle das operações financeiras do tráfico e do crime organizado em geral, vale um comentário do professor Adriano Benayon. Segundo ele, esse controle seria uma das coisas que a CPMF possibilitaria. Entretanto, FHC fez o Congresso aprovar emenda à Constituição que isenta da CPMF as operações especulativas. Trata-se de emenda ao artigo 85 do ADCT. Essa emenda, de prazo temporário, foi novamente instituída, por meio de outra emenda de mesmo teor, por meio da reforma tributária de Lula da Silva. Desse modo, segundo nos lembra Benayon, o crime organizado tem todas as condições de, como grande investidor, valer-se não só da isenção da CPMF, como da não-identificação das transações que seus bancos realizam para ele. Assim, ninguém pega o dinheiro lavado “legalmente” pelo crime no sistema financeiro.

O negócio é tão sério que até Paulo Salim Maluf, ilustre deputado eleito pelo voto dos paulistas, salvou-se da forca judicial. A Justiça Federal resolveu trancar o processo em que o ex-prefeito de São Paulo é acusado de remessa ilegal de dinheiro para os bancos da Suíça. O Ministério Público foi obrigado a retirar do processo contra Maluf os documentos enviados por autoridades suíças. No acordo internacional, estava proibido que os documentos fossem usados como prova em processo por lavagem de dinheiro. Piada de suíço, não. É sério.

E Sua Excelência Maluf, que agora ganha foro privilegiado para julgamento no Supremo Tribunal Federal, não terá o mesmo destino de Saddam Hussein. O ex-ditador iraquiano foi enforcado por crimes contra a humanidade. O pior é que agora tem tudo para virar mártir. Até o presidente Lula já saiu na defesa dele, alegando ser contra a pena de morte. Saddam será enterrado em algum lugar desconhecido do Iraque (um grande inferno para o vivo presidente Bush). Que a terra lhe seja leve, Saddam!

Enquanto Sadam vai do inferno para o céu, o Brasil vai para o vinagre econômico. Devidamente patrocinado pelos controladores europeus, o presidente Lula da Silva segue, triunfante, em seu projeto de poder por mais quatro anos – ou mais, se deixarem. E tome demagogia. A mais recente é sobre o miserável salário mínimo pago por aqui. Lula ameaça vetar qualquer tentativa de aumentar o salário mínimo além dos R$ 380 já definidos pelo seu governo para o próximo ano, como já fez, "com o maior prazer", ao vetar reajuste aos aposentados, ano passado. E na posse do segundo será anunciado o Plano de Metas. Do verbo “meter”, é claro.

Vida que segue, hoje é dia 31. Dia de celebrar o ano que acaba e começa. Enquanto o Brasil vai para o vinagre, devidamente patrocinado pelos controladores europeus, o presidente Lula da Silva tem motivo de sobras para festejar, junto com seus 1.500 puxa-sacos convidados para a modesta cerimônia de posse (que custará apenas R$ 1 milhão). Outro que começa o ano radiante é o intelectual Marcola, também presidente, só que da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Mesmo no Regime Disciplinar Diferenciado, Marcos Willians Herbas Camacho vai casar com Cynthia Giglioli da Silva, de 30 anos, com quem vive há cerca de 15 anos.

Por aqui, o exercício do poder é uma festa criminosa. Afinal, o governo do crime organizado é conceituado como a perversa associação, para fins delitivos, entre membros dos três poderes, criminosos de toda espécie, a classe política, e o sistema financeiro. Por isso, no País em que o crime organizado reina absoluto, os marginais têm bons motivos para começar o ano comemorando. Ou não têm?

Exatamente porque é preciso ter amor, fé e esperança para se combater o governo do crime, valorizando os cidadãos conscientes e honestos que nos honram com a leitura diária, o Alerta Total deseja um Feliz 2007. E Vida que segue...

Jorge Serrão é jornalista, radialista e publicitário, especialista em Administração Pública e Assuntos Estratégicos. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total (http://alertatotal.blogspot.com)

Hora de uma nova Constituinte

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Miguel Angelo Teixeira Pedroso

A Nação Brasileira tem se sobressaltado pelo comportamento espúrio que tem caracterizado nosso Congresso Nacional. A generalização é plenamente justificável porque as poucas vozes dissonantes são fracas e pouco representativas, ou simplesmente simulam repúdio num primeiro momento para tornarem-se passivas e confortavelmente acomodadas no usufruto das benesses inescrupulosamente conquistadas com o uso desonesto da procuração outorgada de boa fé através do voto pelo verdadeiro titular do poder: O POVO BRASILEIRO!

Basta de hipocrisia! Basta da moral de quem anda despido! Basta de vilania!

Urge que a voz do povo encontre eco em todos os rincões desta terra e invada o covil em que se transformou o local onde deveriam estar guarnecidos os nossos interesses por uma postura ética, moral e destituída de ambições meramente pessoais que deveria pautar a atuação dos nossos parlamentares.

Através deste ato de derradeiro inconformismo com o quadro político atual, o grupo de brasileiros que endossar este documento de minha lavra e, portanto, de exclusiva responsabilidade, face à:

● evidente impossibilidade de se esperar uma atitude coletiva saneadora deste órgão doente que é o Congresso Nacional;

● inviabilidade de se esperar um ato do Executivo que seria plenamente justificado pela procuração também outorgada nas urnas ao Presidente da República;

● e às conseqüências já conhecidas de um ato de iniciativa das Forças Armadas, pela óbvia ilegitimidade institucional;

Exige a realização de um plebiscito com a finalidade de decidir a conveniência para o Estado Brasileiro do fechamento imediato do Congresso e a convocação imediata de uma Assembléia Nacional Constituinte que:

● tenha absolutamente vedada a participação de todo o cidadão com antecedentes políticos de qualquer natureza, independentemente da comprovada ou presumida idoneidade;

● tenha um prazo máximo de cento e oitenta dias para redigir, divulgar e acolher emendas populares para a redação definitiva de uma nova Constituição;

● revogue todo e qualquer privilégio conquistado por político de todos os poderes – incluindo aqueles que não exercem cargos na administração pública, mas que sejam filiados a partidos políticos ou a órgãos não governamentais de reconhecida vinculação a bandeira de qualquer coloração –, referentes a vantagens econômico-financeiras e previdenciárias que não se enquadrem nas regras previdenciárias vigentes para todos os assalariados brasileiros;

● mantenha a atividade legislativa necessária à condução administrativa do Estado Brasileiro no período em que funcionar;

● seja dissolvida logo após a promulgação da nova constituição, realização de novas eleições legislativas e diplomação dos novos integrantes do Congresso.

Na expectativa de que sejam destroçados os grilhões que nos prendem a esta ditadura velada exercida por maus brasileiros, firmo-me, sujeitando-me às penas da lei, na esperança de que a consciência política, com contornos éticos e morais definidos, do povo brasileiro encerre definitivamente um passado que nos envergonha e que possamos, com a cabeça levantada e os olhos abertos ao nível de atitudes dignas, descortinar horizontes que sirvam de legado justo às gerações que nos sucederem.


Miguel Angelo Teixeira Pedroso é militar da reserva. Manifesto escrito num pedaço do Rio Grande, em 24 de dezembro de 2006.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Forças Armadas têm o dever legal de agir contra o governo do crime organizado que patrocina o terrorismo

Edição de Sexta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

Por Jorge Serrão

A atual onda de violência e terror que se abate sobre o Rio de Janeiro, a exemplo da promovida em maio deste ano na Grande São Paulo, é um mero exercício tático do governo do crime organizado. Trata-se de um ensaio de demonstração de força das futuras ações para-militares para a tomada ou a consolidação de um movimento revolucionário de conquista do poder. O objetivo estratégico do “terrorismo marginal”, que tem facetas ideológicas, é gerar medo e tensão, no primeiro momento, para justificar, em etapas posteriores, ações autoritárias ou as medidas de força da nova ordem estatal que se planeja implantar no Brasil. Os bandidos mais visíveis, que realizam as violentas badernas, são meros instrumentos de “bandidos maiores”, com poder político e, sobretudo, econômico que pretendem subjugar a sociedade brasileira, para continuar explorando-a historicamente.

O Crime Organizado exerce o Poder Real no Brasil. Governo do Crime Organizado é conceituado como “a perversa associação, para fins delitivos, entre membros dos três poderes da República, os criminosos de toda espécie, a classe política, e o sistema financeiro”. Grupos de Bandidos não agem por acaso, isoladamente ou sem “ordens superiores”. Dependem do apoio ou da conivência do Estado. Quem não entender este conceito jamais conseguirá compreender o que realmente acontece hoje no Brasil. Quando a sociedade não entende o que realmente se passa, não reage, se amedronta e fica refém da estratégia da “bandidagem politicamente organizada”. Mas quando se domina o conceito correto, o quadro exige uma reação de quem tem o dever de defender a Democracia, que é a Segurança do Direito, contra o terrorismo.

O papel constitucional de combater a atual onda de terrorismo é das Forças Armadas – amadas ou não. O Exército, a Marinha e a Aeronáutica têm o dever legal de intervir imediatamente. Só precisam ter clareza de que o verdadeiro inimigo interno obedece a interesses externos, claramente alienígenas. O conceito é claro e está bem exposto na monografia, posta à disposição do Ministério da Defesa, com o título: “Como Desestimular a Ação do Terrorismo Internacional no Brasil”. Só não lerá o chefe militar que não quiser, for omisso, conivente ou tiver medo de enfrentar o inimigo real. O Alerta Total recomenda aos militares a leitura do citado trabalho e também do nosso texto Os artigos 142 contra os “171”, aqui publicado em 17 de setembro de 2006.

O trabalho produzido por um grupo de estudos define a conjuntura atual de terror com precisão cirúrgica. “Terrorismo é a ação ou omissão, típica e antijurídica, levada a efeito com o fim precípuo de causar medo, terror ou intimidação na população, como forma de compelir a administração pública direta, indireta, as autarquias ou organismos internacionais a fazer ou deixar de fazer alguma ação ou atender reivindicação, ainda que justa”. Em resumo, Terrorismo é medo, para produzir três tipos de vítimas. A Vítima Tática (o morto, o ferido ou o seqüestrado), a Vítima Estratégica (aquela que sobrevive ao atentado, e está sob risco) e a Vítima Política (que são o Estado e a Democracia, aqui entendida como a Segurança do Direito).

O Brasil não pode ser ameaçado pelo governo do crime organizado. Os militares, que fazem parte do poder armado do Estado, sabem muito bem disto. A defesa da Pátria é um dever supra-constitucional. E este dever é das nossas Forças Armadas. Mas alguns militares fingem ignorar isto. O Exército, a Marinha e a Força Aérea servem para garantir a defesa da Pátria contra qualquer ação (interna ou externa) que submeta risco à Soberania Nacional. A regra é clara. A Doutrina também. A defesa é a ação efetiva para se obter ou manter o grau de segurança desejado. A segurança é a condição em que o Estado, a sociedade e os indivíduos não se sentem expostos a riscos ou ameaças objetivas.

Qualquer militar aprendeu na escola que a Política de Defesa Nacional trabalha com dois conceitos básicos. A Segurança é a condição que permite ao País a preservação da soberania e da integridade territorial, a realização dos seus interesses nacionais, livre de pressões e ameaças de qualquer natureza, e a garantia aos cidadãos do exercício dos direitos e deveres constitucionais. A Defesa Nacional é o conjunto de medidas e ações do Estado, com ênfase na expressão militar, para a defesa do território, da soberania e dos interesses nacionais contra ameaças preponderantemente externas, potenciais ou manifestas.

A doutrina também vale para ameaças internas, principalmente se elas forem oriundas de forças externas. Com base na Constituição Federal e em prol da Defesa Nacional, as Forças Armadas poderão ser empregadas contra ameaças internas, visando à preservação do exercício da soberania do Estado e à indissolubilidade da unidade federativa. O artigo de nossa Lei Maior que define a destinação das Forças Armadas se subordina à sua Missão Institucional – e não o contrário, como preferem alguns comodistas intérpretes do Direito Constitucional.

O artigo 142 da Constituição Federal é cristalino e fácil de ser lido por quem não seja um “analfabeto político”: “As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”.

A existência do Brasil, como País independente e soberano, depende, diretamente, do cumprimento incondicional do dever de “defesa da pátria”. Tal obrigação não está sujeita a qualquer restrição imposta por quaisquer dos três poderes: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Além disso, é uma obrigação supra-constitucional, pois a segurança da Lei Maior depende do estrito cumprimento dessa missão das Forças Armadas. Por isso, as Forças Armadas têm a obrigação constitucional de zelar pela “Segurança do Direito”, que é o verdadeiro conceito de Democracia. O resto é conversa fiada.

Trata-se de um mero detalhe, embora não pareça, o fato de traficantes fecharem ruas, praticarem ações táticas de guerrilha urbana e colocarem Rio de Janeiro em estado de sítio – a exemplo do que já ocorreu com São Paulo, em maio. O terror e o caos são uma mera preparação para o quadro de “revolução” que se desenha na América Latina. Sem entrar em detalhes deste processo - evidente e anunciado publicamente pelos seus próprios agentes políticos, é preciso que fique clara, antes, a resposta a uma pergunta fundamental: “A quem realmente interessa tudo isto que acontece agora?”. Quem está realmente por trás da onda de terror aparentemente praticada por “bandidos de favela”? Ou melhor: Quem está por trás desses bandidos? A resposta é: o Governo do Crime Organizado, que obedece a quem realmente controla, lá de fora, o destino da política e da economia do Brasil. Os bandidos daqui de dentro, os “pé-rapados” e os mais cultos e ocultos, obedecem e são agentes conscientes ou inconscientes de um mesmo controlador.

Como os verdadeiros controladores das ações de terror estão bem longe e aparentemente protegidos, as Forças Armadas precisam eleger para atacar, de imediato, outros alvos bem objetivos. Tal ataque, antes que seja praticado pela via das armas, precisa ser planejado e executado pela inteligência. No Rio de Janeiro, especificamente, o tráfico de drogas tem “acordos” ocultos com a classe política. Os bandidos garantem votos nas áreas carentes, em troca de um “armistício informal”: o governo e a Polícia fingem que combatem os “parceiros bandidos”. Tudo é uma grande farsa. Na verdade, o aparelho repressivo do Estado, seus comandantes e os políticos (que mandam neles) são bem remunerados pela corrupção. Os bandidos ganham, a sociedade perde e ninguém tem razão...

O “tráfico” (que é apenas o aspecto fora da lei do Governo do Crime Organizado) promove variadas atividades mercantis: o tráfico, a produção, a distribuição e a venda de drogas propriamente dita; o tráfico, transporte e aluguel de armas (em regime de dellivery); atividades marginais como o controle do chamado “transporte alternativo” e vans e kombis (também usadas na infraestrutura de entrega de armas e deslocamento de soldados do tráfico), a prostituição (negócio em que os bandidos têm sociedade com policiais), a jogatina ilegal (onde a mesma pareceria se repete); e o controle e gestão de um processo de corrupção policial e do Judiciário que faz inveja as máfias mais sofisticadas do planeta.

Curiosamente, até hoje, pouco se fez para combater as fontes de financiamento do tráfico. O dinheiro que o tráfico de drogas e armas utiliza tem de passar pelo sistema financeiro. Não tem outro jeito, pelo volume envolvido. Por que nenhum banco é identificado e punido por conivência com a bandidagem? O que faz o COAF que não identifica os “marginais” que movimentam tanto dinheiro para financiar o Governo do Crime Organizado? Por que não se promove um combate efetivo a um pouco citado sistema de “investimento” do tráfico de drogas e armas, em que os “investidores” (ricos e famosos do asfalto) são remunerados pelos lucros obtidos na compra, venda, aluguel e até leasing de lotes de drogas e armas? Por que o Ministério Público só age com “rigor seletivo”, alvejando os bandidos que interessam ao poder vigente do crime, mas deixando outros de fora da repressão, livres para agir?

São perguntas demais sem respostas objetivas... No caso específico do Rio de Janeiro, um outro fato muito grave deveria chamar a atenção dos serviços de inteligência das Forças Armadas. Tratam-se das milícias formadas por policiais, bombeiros e ex-policiais têm se expandido rapidamente pelas favelas do Rio. Oficialmente, elas têm sua existência ignorada por autoridades do Estado. Mas existem. São reais. Elas expulsam traficantes, assumem a segurança, exploram serviços clandestinos, promovem o assistencialismo e cobram taxas dos moradores. Quem não paga é ameaçado. Nos últimos anos, o número de favelas do Rio controladas por grupos paramilitares mais do que dobrou, passando de 42 para 92 – de acordo com informações de pesquisadores acadêmicos da Insegurança Pública carioca.

Os grupos paramilitares se organizam do lado de fora da favela e invadem a área, destituindo os traficantes do poder. As milícias paramilitares promovem atividades paralelas ao tráfico - que fica terminantemente proibido de governar a região. O poder paralelo das milícias inclui o controle do transporte alternativo (vans e moto-táxis), a distribuição ilegal de pontos de TV a cabo e, em alguns casos, a cobrança de taxas de moradores e pequenos comerciantes. Mas quem garante que os grupos também não assumem, de forma velada, os negócios do tráfico? O curioso é que tais grupos são bastante semelhantes às “milícias de bairro” que hoje atuam nas áreas carentes da Venezuela do Tenente coronel Hugo Chávez – comandante militar do Foro de São Paulo e hoje um revolucionário latino-americano que, em 17 de maio, celebrou, com a nobreza econômica européia, o Tratado dos Povos das Américas com Londres. Mas tudo isso deve ser mera coincidência...

O que os serviços de inteligência das Forças Armadas deveriam saber já é de conhecimento dos serviços de inteligência norte-americanos que monitoram o desenvolvimento do terrorismo nos grandes centros urbanos brasileiros. No meio de tais milícias estão profissionais internacionais do terrorismo, membros vindos de grupos como as FARC colombianas, o IRA irlandês e o ETA espanhol. Meses atrás, o editor do Alerta Total foi chamado (por uma minoria de ignorantes e céticos) de “mentiroso” e “maluco” por ter revelado o teor de um relatório reservado da Direção Nacional de Inteligência dos EUA, a alguns senadores brasileiros, advertindo sobre o risco de “ações de terror e guerrilha urbana”. Agora, somos obrigados a interromper nossos sete dias de férias no hospício para lembrar que a previsão macabra se concretizou. E, o pior de tudo, é que ainda fiquei sem meu nariz de Pinóquio que estava prontinho para o carnaval. Vida que segue...

O mais curioso de tudo que acontece agora é que as forças de segurança do Rio foram alertadas, há dois meses, pela Secretaria de Administração Penitenciária, de que ocorreriam ataques na cidade. A PM recebeu, ainda, informações mais detalhadas, no dia 26 passado, inclusive sobre a data precisa dos atentados. Ninguém fez nada. Agora, tudo é guerra verbal inútil. A Secretaria de (In)Segurança atribui os ataques à busca de regalias pelos bandidos na mudança de governo. A da Administração Penitenciária, que tem documentos para mostrar, defende a tese de que as ações foram cometidas por duas facções criminosas que se uniram para combater as milícias, formadas por policiais da ativa e da reserva, em favelas antes dominadas pelo tráfico.

Os criminosos até deixaram no local de um dos atentados um bilhete acusando a governadora Rosinha Garotinho de compactuar com as milícias (milíssias, no criminoso português dos bandidos). Embora não saibam escrever direito, os marginais devem saber o que estão denunciando. Ou não sabem? Eis a questão. O fato é que os ataques sincronizados de “facções criminosas” (a serviço de quem?) causaram a morte de pelo menos 11 pessoas. A reação policial matou sete supostos traficantes. Foram 18 assassinatos que trouxeram pânico ao Rio de Janeiro, às vésperas do Réveillon. Infelizmente, nesta história, não conta o número exato de vítimas. Mas a qualidade criminosa da ação – preparatória de futuros atos de terror com finalidades políticas.

No meio de todo o caos, a declaração mais caricata de todo o episódio de violência e terror foi emitida ontem pelo Comandante da Polícia Militar do Rio, coronel Hudson de Aguiar. Ao recusar um possível auxílio da Força Nacional de Segurança, indo contra a proposta do governador eleito Sérgio Cabral Filho (PMDB), o coronel Hudson comprovou que tal “força” é uma farsa. Disse ele para quem quisesse ouvir: "A Força Nacional foi treinada pela Polícia Militar do Rio, e o aluno não pode trazer nada ao instrutor. Se eles vierem para cá será para morrer e voltar no caixão".

Resumo da ópera de malandros: Se as Forças Armadas, de verdade, não agirem, como preceitua o artigo 142 da Constituição ainda em vigor, o quadro de terrorismo ficará inalterado. E o ano novo só será feliz para os membros do Governo do Crime Organizado.

Jorge Serrão é jornalista, radialista e publicitário, especialista em Administração Pública e Assuntos Estratégicos. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total (http://alertatotal.blogspot.com)

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Confraria do Garoto: a alegria contra a “anacquia”

Edição Extra de Quinta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Jorge Serrão

Xô, “anacquia”! Venha voando, alegria. O terminal 2 do Aeroporto Internacional Tom Jobim será palco de felicidade para os turistas e passageiros, nesta sexta-feira, a partir das 10 horas da manhã. Os 13 membros da tradicionalíssima sociedade lúdico-etílico-carnavalesca Confraria do Garoto prepararam uma recepção especial para quem vier passar o reveillon no Rio de Janeiro. Além da famosa Banda, sob o comando de Nelson Couto, o Xerife, os Confrades estarão munidos de galhos de arruda macho (virgem), pétalas de rosas, água de cheiro e sementes de café.

Os primeiros viajantes homenageados chegarão no vôo nº 8035 da TAM, vindos de Londres. Os britânicos serão recebidos, on time, pela pontualidade da Confraria, com a tradicional “God Save de Queen!”. Os demais turistas serão saudados com os cartazes: “Welcome”. Poupem os Turistas. Deus salve os Turistas. Nós amamos os Turistas. Bienvenido. O Turista é intocável. Viva o Turista. Ao desembarcarem, todos serão chamados pelo primeiro nome e tratados como “irmãos”. Todos terão tratamento vip, com direito a tapete vermelho, sob uma chuva de pétalas de rosas e toques de clarins. E, claro, “Arruda Neles”, para dar sorte.

O evento conta com o apoio oficial da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, através da Secretaria de Turismo e da Riotur, da ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis) e da Infraero. Para 2007, a mensagem da Confraria do Garoto é: “Que todos entrem bem. E saiam melhor ainda”.

Reflexos do real valorizado e do dólar barato

Edição de Artigos de Quinta-feira do Alerta Total http://alertaototal.blogspot.com

Por Cesar Maia

1. Quando se analisa os efeitos de um dólar barato no Brasil, só se leva em conta o impacto sobre o movimento comercial, ou seja, sobre as exportações e importações de bens. A médio prazo -dizem todos- será um desestímulo às exportações e um estímulo às importações o que fechará este superávit atual quando o comercio internacional estiver menos aquecido. Bem, é provável que assim seja.

2. Mas se tomarmos pelo aspecto financeiro poderemos medir o subsídio implícito do Real valorizado.

3. O investidor e o especulador, estarão sempre atentos a dinâmica da cotação a curto e a médios prazos. A curto prazo um dólar barato reduz os riscos dos credores que emprestaram seu dinheiro no Brasil, e com isso o risco-Brasil diminui. O governo e parte da imprensa comemoram como se tratasse da economia brasileira, e não é o caso. Ao contrário.

4. Vejamos o impacto do subsidio implícito no dólar barato. Todos os que em algum momento vão comprar dólares para remeter ao exterior, seja por conta de seus investimentos, seja por conta de remessas de lucros e dividendos, tenderão a antecipar as suas decisões. Esta antecipação em si vai sinalizar a tendência do dólar a médio prazo em função da pressão da demanda sobre a cotação. Se esta mexe pouco é porque ainda há fôlego e o movimento continua.

5. Esta semana este Ex-Blog reproduziu uma matéria da FSP dizendo que as remessas de lucros e dividendos haviam crescido, passando de 6 bilhões de dólares em 2002, a 16 bilhões de dólares em 2006. Na semana anterior este Ex-Blog reproduziu uma matéria do ESP, dizendo que em 2006 os investimentos de empresas brasileiras no exterior, haviam batido recordes e chegavam a mais de 20 bilhões de dólares. Supondo, generosamente, que antes alcançavam 5 bilhões de dólares, teremos um acréscimo de 15 bilhões. No caso das remessas o acréscimo foi de 10 bilhões de dólares. Total de acréscimo: 25 bilhões de dólares.

6. Um dólar considerado pelos exportadores como aceitável, deveria estar no mínimo no patamar nominal da Argentina, ou seja, em 3 reais, já descontando a diferença pela inflação maior da Argentina. Uma diferença de 80 centavos entre os câmbios brasileiro e argentino, que usamos como referencia pela série desde a re-estabilização Argentina. Ou seja, 36% de subsídio, sobre a cotação atual do Real.

7. Se aplicamos estes 36% sobre os 25 bilhões de dólares de acréscimo dos fluxos financeiros, teremos um subsidio implícito dado pelo dólar baixo, de 9 - nove - bilhões de dólares, e que favorecem quem remete lucros e dividendos e quem -por isso mesmo- investe (capitais brasileiros), fora do Brasil, produzindo emprego lá fora.

8. As razões de um dólar barato vem desde o governo FHC e são simples: ajuda a conter a inflação e estimula o consumo da classe média e a acomoda politicamente. Da mesma forma converge com as empresas brasileiras que acreditaram no milagre do cambio baixo de FHC e que depois -com o estouro do cambio em 1999- se tornaram inadimplentes no exterior. Agora estão felizes. Suas dividas receberam também um subsídio implícito. Mas isso nem foi contabilizado aqui. Como não o foi o déficit crescente na conta Turismo.

9. Claro, que - outra vez - as razões que produzem um dólar barato, serão as mesmas -a partir de um certo ponto- que irão estimular a inevitabilidade da mudança de seu patamar. Todos sabem disso. E por isso mesmo todos usam este período de dólar barato para antecipar a sua compra e se dar bem, enquanto é tempo. E -Lula- continua merecendo a confiança do mercado.
E como!

Cesar Maia é prefeito da Cidade do Rio de Janeiro e (ex) blogueiro profissional.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Política de menor estatura

Edição de Artigos de Quarta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Almeida Lima

Ufa!... Chegamos ao final de mais um ano. Com a mensagem de um Feliz Natal que desejo a todos os brasileiros, e com um grande sentimento de PAZ interior, arrisco-me a uma análise do que representou a Política para todos nós durante este ano.

Numa avaliação que se pretenda imparcial, não foi esta a Política que o Brasil vivenciou. Ela não dignificou, não engrandeceu, e não se voltou para a prática do bem comum. A política foi a do “p” minúsculo, tamanho miúdo e insignificante igual ao daqueles que protagonizaram os conchavos que levaram a maioria do Congresso Nacional à aprovação de maldades contra o povo, dos que se adequaram ao papel de mensaleiros e sanguessugas, de pizzaiolos, de Severinos e de patrocinadores do aumento dos subsídios ao apagar das luzes da sessão legislativa. Por tudo isto se afirma que a atual legislatura do Congresso Nacional foi a pior de todos os tempos. Resta-me perguntar: esta é a análise correta? E quanto ao Poder Executivo do presidente Lula da Silva, o que dizer?

A teoria de Montesquieu da tripartição dos poderes do Estado em Legislativo, Executivo e Judiciário um dia poderá ser restaurada e dignificada, mas hoje já se encontra démodé. À parte o Poder Judiciário por comportar avaliação em separado, mas quanto aos poderes Executivo e Legislativo eles não existem mais. Pela necessidade de avaliação de algumas situações da cena política nacional, o apropriado são as pessoas fazerem uso das expressões “governo” e “oposição” e não mais Poder Executivo e Poder Legislativo, ou mesmo Presidência da República e Congresso Nacional.

Não é justo que assim continue sendo feito, pois eu não integro nenhum parlamento enquanto Poder. Ele deixou de existir. Eu pertenço é a uma parcela da classe política que compõe a oposição. Foi-se o tempo em que o parlamento tinha autonomia, identidade, sentimento de auto-estima, pois mesmo dividido em bancada do governo e bancada da oposição, havia o consenso no colegiado de que “ao rei se dava tudo, menos a honra”. Hoje isto não mais existe, nem mesmo em parcela da chamada “oposição”, pois basta que esta receba um aceno para entregar a sua honra na “bacia das almas”.

O sistema de governo adotado pelo Brasil hoje é o híbrido negativo, pois representa a junção de tudo o que existe de pior no presidencialismo e no parlamentarismo. E isto significa a nulidade do parlamento que deixou de ter expressão própria.

Uma avaliação imparcial se faz de forma desapaixonada. E espero que façam! Pois é justo condenar o Congresso Nacional em todo o seu conjunto por ter tomado “esta” ou “aquela” decisão quando se sabe que ali é um colegiado, e um parlamentar não pode ser responsabilizado pela ação ou pela omissão da maioria? Será que o povo perdeu a capacidade da distinção, da separação do joio e do trigo? Mensaleiros e sanguessugas foram todos os parlamentares? Os corruptos mensaleiros e sanguessugas devem ser crucificados, e quem os corrompeu que foi o governo Lula da Silva é absolvido? Sabe-se que a maioria dos parlamentares do Congresso Nacional é da base do governo, portanto, quando os corruptos não foram cassados quem não permitiu a cassação de todos eles, não foi o governo Lula da Silva que detém a maioria?

A quem pertence a maioria dos membros das mesas da Câmara e do Senado, bem assim a dos parlamentares? Quem, então, comandou a aprovação das maldades contra o povo? – Existe alguma outra resposta que não seja precedida da expressão: foi o governo Lula da Silva? E então, o governo está apenas no Executivo, ou ele está mesmo é na maioria que compõe o Congresso Nacional? Portanto, existe Congresso Nacional, ou o que existe mesmo é governo?

Ora, volto-me ao início. Esta legislatura foi a pior de todos os tempos porque ela nasceu assim, ou esta situação decorre do fato do governo do presidente Lula da Silva ter feito dela a pior de todos os tempos? Quem afirmou, em certa ocasião, que no Congresso Nacional tinha mais de trezentos picaretas não foi o próprio presidente Lula da Silva? Portanto, é demais afirmar que ele preferiu construir a sua base de apoio com essa gente sem escrúpulos a formar uma maioria com pessoas honestas e em cima de propostas moralizadoras e decentes para o País?

Por todas estas razões nunca saiu de minha consciência a idéia de que o governo do presidente Lula da Silva sempre trabalhou para a desmoralização do Congresso Nacional, leia-se, a desmoralização de toda a classe política do País, para que ele pudesse, sozinho, nadar de braçadas como os ditadores sempre fizeram. Quem já viu um Congresso Nacional depois de sofrer inúmeras e repetidas desmoralizações ao longo de uma legislatura (quatro anos) chegar ao final e pretender dobrar os salários de seus membros numa proporção de setenta salários mínimos contra um do pobre trabalhador brasileiro?

Que tudo isto tenha servido, pelo menos, de aprendizado, pois para nada mais teve serventia dignificante.

Como ciência e arte para a prática do bem comum, a Política se confunde com o Natal. Por isso, ela deve ser uma prática diária e permanente. O meu sonho é que renasça nas pessoas esse sentimento, pois assim estaremos edificando o que Ele anunciou. PAZ é tudo que preciso! PAZ é tudo que lhe desejo!

Almeida Lima é Senador da República (PMDB-SE)

Será que foi por causa disto?

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Por Mara Montezuma Assaf

Ninguém conseguia entender porque Aldo Rebelo defendia com tanta energia aquele aumento nababesco e agora sabidamente inconstitucional. Até porque na Câmara existe uma assessoria jurídica considerada muito boa, e para a qual não poderia escapar este "detalhe". Ou escapou ou ela fechou os olhos.

Em ambos os casos, é grave e imperdoável.

Conversando com uma amiga, acho que conseguimos encontrar o fio da meada e matar esta charada. Sigam o raciocínio...

Alencar está doente, isto é um fato lastimável para ele, mas está. No caso de algo acontecer com ele, sucede-lhe no cargo de Vice-presidente da República o presidente da Câmara dos Deputados . Já é mais do que sabido que Aldo Rebelo é o candidato favorito de Lula para tentar a reeleição.

E no caso de alguém ter que assumir a vice-presidencia, nada melhor para Lula do que ter um seu peixinho nadando em suas águas. Gostaram da "visão de longo alcance" de Lula?

Mas para garantir sua vitória na votação em plenário Aldo precisava conquistar os votos dos representantes do baixo clero, aqueles deputados do tipo "Severino", que praticam o politicoalpinismo e adoram receber uma ajuda nesta escalada. Nada melhor então que Aldo acenar-lhes com um aumento substancial de salário, e põe substancial nisso! Quem resiste ao poder do dinheiro nos dias atuais, e ainda mais em Brasilia? Com ele chega-se às alturas rapidinho.

Aldo se esforçou para conseguir este objetivo, trabalhou arduamente à ponto de confrontar-se até com a indignação da população, chegando mesmo a declarar que não adiantava o povo "fazer chiadeira" pois o aumento era legal e legítimo! Pode?

Diante do tamanho da indignação popular, num preocupante crescendo, o STJ resolveu olhar com mais atenção , cuidado e carinho a nossa legislação e "descobriu" que o aumento aprovado pela Câmara na calada da noite baseava sua legitimidade num decreto já caducado em 2003....

Pois bem, e agora? Não saiu o aumento, claro! E Renan nesse período se enfiou debaixo do tapete , bem quietinho, rezando para ninguém se lembrar dele.... Aldo teve que aguentar sozinho esse rojão, saindo com sua imagem corroída e muito , mas muito bravo.

A opção de Lula agora é curvar-se ao desejo de Chinaglia, que sonha com a presidencia da Câmara.

E nossa opção é tentar trazer sempre tudo à tona , continuarmos a pensar juntos, trocar idéias , pois muitas cabeças sintonizadas em conjunto chegam a conclusões inesperadas. E sobretudo, nossa opção maior no momento é não engolirmos esse petista Chinaglia como possível futuro-vice-presidente do Brasil. Ora!

Chinaglia não, e nem ninguém ligado ao PT ou que seja de um partido envolvido com os mensaleiros, cuecões, malotes, marycorners, valeriodutos , propina de Correios e sanguessugas.
Porque nós já aguentamos por quatro anos a indigesta dieta de pizzas - segundo uns em nome da governabilidade, segundo outros por causa de figurinhas que foram trocadas nos porões do Palácio desde há muito tempo.

Mas desta vez não vamos suportar engolir pizzas nem sapos.

Por isso, senhores políticos em geral, vamos fazer um trato:
nós os aguentamos por mais esta legislatura, mas em contrapartida exigimos que nos sirvam uma dieta light, muito light.! O principal ingrediente deste regime está meio em falta mas se procurarem bastante com certeza vão achar. Seu nome é Decência.

Garanto que esta dieta pode fazer bem " para ambas as partes".

Mara Montezuma Assaf é ensaísta.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

A Implosão: Garotinho é o Lula de amanhã

Edição de Artigos de Terça-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Cesar Maia

1. Pelo menos na política européia os ciclos políticos duram uns 10 anos. Há raras exceções, como Helmut Kohl cujo ciclo durou 16 anos. Uns encerram seu ciclo por cima - como Thatcher ou Clinton- e outros, simplesmente encerram, e outros mais, terminam seu ciclo de poder com a imagem completamente afetada. Há casos curiosos, como o de Brizola que fora do poder permaneceu com grande prestígio popular, mas não com o voto popular, como se a população o admirasse, mas não para governar. FHC - analogamente - manteve seu prestígio intelectual, mas também sem voto. Vamos tratar dos que saem com a imagem terminalmente afetada.

2. Há uma razão maior para os riscos de desintegração de imagem. É a distonia entre a imagem percebida e a imagem real. O político que se aventura num programa de potencialização e popularização de sua imagem, descolada dos fatos, corre esse risco. Li num artigo que Niestche definia "mito" como "um fato para o qual se inventa uma ação que o gerou e se o atribui ao líder". Quando a propaganda política na TV, governos colam a si investimentos do setor privado que independeriam de governo, ou fatos que já vem de muito longe, e se atribuem a razão dos mesmos se está num caso definido por Niestche como -mito. Quando manipulam estatísticas, idem.

3. Uma análise comparada e abaixo da superfície entre Garotinho e Lula mostra muitas semelhanças. Até o comportamento das ditas elites em relação a eles se assemelha. Lembro os inícios de governo, por receio de desmandos, e depois, por saudarem as boas novas em relação aos governos, seja por interesses, o fato é que tanto Garotinho quanto Lula pisaram com garbo estes tapetes persas.

4. Ambos usaram e abusaram da publicidade paga. A papelaria deles nunca se viu igual. Garotinho com seus tablóides e revistas populares e Lula com as ricas edições de revistas com artigos assinados por tantos professores e ditos intelectuais muito bem remunerados por eles e por suas cumplicidades e silêncio, e outras populares.

5. Ambos usaram e abusaram do recurso ao assistencialismo que um chama de uma forma e outro de outra. Ambos introduziram programas de cooptação de jovens através de ajuda de custo com as justificativas mais incríveis, como segurança e esporte.

6. Garotinho poderia ter tido seu ciclo antecipado, mas foi salvo pela gulosa Benedita. Elegeu-se (assim diz a decisão do TSE), através de sua esposa (nunca foi tão precisa uma decisão por interpretação). Lula foi em frente, saltando por cima dos cadáveres insepultos dos corruptores de seu time íntimo. Garotinho ainda tenta saltar por cima de um deles: as maquininhas. Ambos são os campeões mundiais da contratação de falsas ONGs para financiar seus esquemas políticos -direta ou indiretamente. Ambos "abriram" seus fundos de pensão. Enfim, são politicamente gêmeos.

7. A única diferença é que dona Marisa não se aventurou no mundo do teatro (lembram-se da Índia?), do canto (em parceria com Elymar Santos)...

8. Aquela distonia alimentada pela publicidade tem um inimigo mortal e definitivo: o tempo. O tempo em governo aproxima a imagem maquiada da imagem real. Quase sempre até exagerando negativamente em relação à imagem real. É o que se chama em política de ciclo de exaustão. Essa aproximação é inevitável e ocorre sempre na segunda metade de um segundo governo.

9. Lembro-me do diretor de um dos dois mais importantes bancos estrangeiros no Brasil (em 1999), entusiasmado com a criação do Rio-Providência pelo Garotinho. Eu disse a ele:- "Não tem chance política de dar certo." Ele não entendeu. Em geral o fator político é minimizado pelos grandes empresários. Contratam palestras como para cumprir um dever de ofício. Fazem lobbies no Congresso em torno de seus interesses, convidam ministros para passear de iates, e fins de semana em fazendas cinematográficas... Mas não trabalham com uma assessoria de análise estratégica política. Querem saber das fofocas e dicas... Os mais -digamos- prudentes levam seu dinheiro para fora no que se chama de "hedge político".

10. O mensalão é a cara do governo Lula. As maquininhas são a cara do governo Garotinho. O apagão aéreo é a cara de Lula. A quebra do Estado é a cara de Garotinho.

11. Hoje, dia 26, Rosinha Garotinho vai encerrar seu governo implodindo um complexo de presídios. Nenhuma imagem mais própria para o ciclo dos Garotinhos. E pelos dois lados: o fato e seu uso.

12. Quanto a Lula: quem viver, verá!

Cesar Maia é prefeito da Cidade do Rio de Janeiro e blogueiro profissional.

Roubo Eleitoral

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Por Obe Fainzilber

Como sempre faço, passado o ato, continuo falando do mesmo. Passada a eleição ainda comento com amigos e conhecidos os fatos que nos levaram ao resultado catastrófico das urnas eletrônicas.

Quanto mais discutimos os fatos “mais me convenço de que neste País as coisas não são como parecem ser”. Ninguém melhor que o batráquio paleontológico querendo fazer o falecido socialismo ressurgir, a ser parafraseado aqui. O que parece ser um Presidente, não é senão um golpista dissimulado de “salvador dos pobres”, ou um cristo como ele prefere se comparar.

O que parece um governo nada mais é que um desgoverno, eleito sem programa qualquer, depois de 4 longos anos tentando descobrir o que fazer enquanto Governo. Passará mais quatro anos administrando o empobrecimento do povo, como estratégia de poder.

O modelo que aí está vem se mostrando muito mais perverso que seus antecessores soviético, cubano e chinês. Estes traçaram e gravaram na cabeça do povo “quem eram” e o que pretendiam logo no alvorecer de seus “mandatos”. O modelo aqui adotado é mais insidioso e diabolicamente dissimulado aos olhos do povo incauto e míopeseado pela fragilidade da sua condição de meros sobreviventes.

Jogados, por manobras cientificamente planejadas, ao lirismo romântico da ideologia socialista, os cidadãos demorarão a perceber que o socialismo não é e nunca foi senão um cruel capitalismo de Estado, bem mais selvagem e espoliador que o liberalismo.

Quem pode esperar que a massa do povo achatada por uma grande deformação de informação planejada, tenha condições de sentir o que ocorre à sua volta.

O motivo de escrever esta matéria é relatar a minha experiência como fiscal de urna pelo PSDB no primeiro turno do recente teatro eleitoral. Por falar em teatro, cabe lembrar Sheakspere: há muito mais entre o Céu e a Terra do que imagina nossa vã filosofia. Creio piamente que há muito mais entre o atual governo e o povo, do que esta simulação de eleição democrática.

Em maio deste ano quando meu amigo Jorge Serrão publicou matéria sobre o acordo em New York , entre as cúpulas do PT e PSDB, parecia inacreditável a informação; eu lhe telefonei e perguntei até que ponto poderíamos dar crédito ao assunto, recebi dele a garantia da fonte.

Durante todo o processo eleitoral, conversei com vários pacientes sobre qual a melhor escolha, e sentia-se generalizado no povão uma angustiante expectativa pela vitória do Alckimin. Não estou aqui defendendo que este seria melhor opção.

Faltando quatro dias para o segundo turno, conversamos com lideranças do PSDB que informavam acerca de uma pesquisa que eles teriam feito, em todo o país para sentir a real intenção de voto do povo, obtendo-se uma expectativa de vitória de seu candidato.

No primeiro turno das eleições, como cito acima, trabalhei como fiscal de urna pelo PSDB, e acompanhei todo o processo desde o encerramento da eleição até a apuração dos votos da secção que fiscalizei.

Após o encerramento foi feito a conferencia, nas dependências da escola, por parte de funcionários do TSE, de urna por urna, e de seus relatórios. Este material, após lacrado individualmente por urna, foi transportado ao Cartório Eleitoral Regional, onde foi protocolado ao ser entregue a outro funcionário do TSE, o que ocorreu por volta das 19h. Seguiu-se a separação dos disquetes que foram enviados ao computador para a leitura. Embora esta operação no computador tenha sido muito veloz, cerca de 5 segundos por disquete, o processo de leitura do conjunto dos disquetes encerrou após as 23h., sendo sistematicamente enviados dados parciais, por internet, aos computadores centrais do Tribunal.

Lembro aos leitores que, na região Oeste do Brasil, a eleição foi encerrada quando os relógios em Brasília marcavam 18h. Lembro ainda que nas regiões pantaneira, centro oeste, amazônica as distancias a serem vencidas pelas urnas chegam a mais de 3 h até que cheguem aos Cartórios Eleitorais. Desprezei aqui dados de tempo da apuração dos 2% de urnas que falharam e foram utilizadas urnas manuais, cuja contagem é muito mais lenta.

Diante da análise destes fatos, afirmo com todas as letras: O LULA NÃO GANHOU A ELEIÇÃO. ELE ROUBOU OS VOTOS DOS BRASILEIROS E AS ELEIÇÕES.

É IMPOSSÍVEL A TOTALIZAÇÃO ANTES MESMO DE OS DIQUETES CHEGAREM AOS CARTÓRIOS ELEITORAIS, O QUE NA MÉDIA DEMOROU EM TORNO DE 2 HORAS.

Por muitos anos me perguntei, como judeu que sou, se o judaísmo não seria uma religião que sofre de paranóia? Sempre relembrando os fatos trágicos de sua história, ano após ano comemorando na Páscoa sua fuga desesperada das Terras do Faraó; ano após ano relembrando a inglória luta dos derrotados macabeus; ano após ano tentando lembrar ao Mundo seu sofrimento no Holcausto Nazista. Creio, hoje, que estão certos, visto que afinal só após a criação do Estado de Israel, o País passou a ser mais precavido, muitas vezes adotando até o ataque como forma de defesa.


Creio que está faltando aos povos latino americanos esta visão retrospectiva da história, este rememorar da história, lembrar das ditaduras soviética, cubana, chinesa. Embora tenham ocorrido em outros países, servem de modelo a ser observado, para que tiremos lições e possamos agir preventivamente.

Oprimidos pelas dificuldades cotidianas e pobreza miséria, nosso povo está sem condições de reação. Caberá aos mais informados, como responsáveis pelos destinos de do Brasil, começarem a perceber que algo deve ser feito. Pois que cumpram seu papel enquanto o banho de sangue é evitável. Após o naufrágio do Titanic só restou contar e recolher os mortos e feridos.

Não queremos ver nosso Titanic naufragado.

Obe Fainzilber é médico.

Saída nada democrática

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Por Márcio Accioly

Quem sabe dizer com exatidão o exato percentual de energia (produzido no planeta), consumido pelos EUA? Fala-se em 50%, 55%, 60% e outros números, mas não interessa ao supremo império dos dias atuais a revelação dos dados.

O que se sabe é que se for somado o consumo de cada uma das demais potências, mais a conta dos chamados emergentes (Brasil incluído), teremos um planeta exaurido em sua capacidade. E esse progressivo esgotamento planetário vem de vários e vários anos. A conta não vai demorar muito a ser cobrada por mãe natureza.

Vai-se longe o tempo em que as sociedades guerreavam apenas em busca “de um desejo profundo de aumentar a honra pessoal ou como inspiração dos deuses sussurrada em seus ouvidos”. Tudo isso é encontrado apenas no registro da história.

Desde a cunhagem das primeiras moedas no reino da Lídia (640 e 630 a.C.), a história mudou inteiramente de configuração.

O melhor na vocação capitalista foi a ascensão das famílias banqueiras italianas, em cidades-estados como Pisa, Florença, Veneza, Verona e Gênova, depois que Felipe IV (o Belo), no ano de 1314 (ano de sua morte), completou o ciclo de destruição total dos Cavaleiros Templários, favorecido pela tibieza do Papa Clemente V.

Os Templários criaram o sistema embrionário da organização bancária como hoje a conhecemos. E morreram por isso, queimados em praças públicas, da mesma maneira que países ricos como o Brasil são hoje destruídos por conta de suas jazidas minerais e recursos naturais.

Depois que tudo passou a ser executado com exemplar cinismo, nas dívidas contabilizadas com juros extorsivos de escancarada expropriação, tudo é permitido. Tais atos se respaldam nas bombas atômicas, porta-aviões e armamentos de assombrosa tecnologia!

Na papagaiada que se estruturou, intitulada “democracia”, colocaram-se representantes que nada representam (os mandatos são “conquistados” a preços proibitivos) e ladrões do dinheiro público são reverenciados como “excelências”.

Tudo é feito às claras, impossível de se escamotear, por mais que “comentaristas políticos” pagos a peso de ouro se esforcem. É só ver o caso brasileiro: Juvenal Gomes do Nascimento, 18 anos, foi condenado a cinco anos de prisão por ter roubado uma galinha “na cidade de Pedra, a 275 quilômetros do Recife”.

Transformando em galinhas o dinheiro roubado por mensaleiros, sanguessugas e animais semelhantes, em quantos anos de prisão implicaria? Nossa “democracia” é de matar de rir na sua tragicomicidade.

No antigo Império Romano, o imperador Tibério, quando não encontrou mais o que taxar, “ordenou que cada homem do império levasse sua esposa e filhos para a comunidade de nascimento para fazer um censo, a partir do qual seria cobrado um imposto individual”.

Não chegamos ainda a tal requinte, mas estamos próximos: é só verificar o Projeto de Lei Complementar (n° 1370), de autoria do deputado federal Nazareno Fonteles (PT-PI), estabelecendo “o limite máximo de consumo” e a “poupança fraterna”.

Sua excelência quer determinar por lei o que as classes médias devem consumir, tomando o restante de dinheiro que superar o “limite máximo de consumo”. O projeto nada fala a respeito do dinheiro público roubado pelos colegas de sua excelência.

Parece até a reencarnação putrefata de Felipe IV, o Belo.

Márcio Accioly é jornalista.

domingo, 24 de dezembro de 2006

Feliz Natal do Alerta Total

Que Jesus ilumine sempre o coração de cada um de nós, transmitindo-nos Amor, Fé e Esperança.

São os votos natalinos do Alerta Total aos leitores e amigos.

De presente, um poema de Wanderlino Teixeira Leite Netto


Noel tropical

Enfeitarei com bolas de bexiga meu pé de angico
plantado lá no fundo do quintal.

Não virá, neste Natal, Noel, aquele tal:
gordo, patusco, bem nutrido.

O que há de vir é nanico, endividado, sofrido,
sem gorro na cabeça chata,
de bermuda, camiseta e alpercata.

Em vez da alva barba, a boca em caco
e um balaio, não o saco.

Haverá Sol em lugar da neve de algodão
e os sinos não badalarão neste Natal:
os sons serão de berimbau!

Nada de castanhas, nozes, avelãs e vinho de outro cais,
apenas aguardente e frutos tropicais.

Vejam só: Noel virá de jegue, não de trenó.

Até nem será Noel quem virá neste Natal,
mas Severino e Ribamar e Juvenal e Zé,
que hão de dispensar a sorrateira chaminé.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Pacotão de Lula quer taxar os ricos, criar nova poupança capitalizada e incentivar o consumo dos mais pobres

Edição de Sexta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

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Por Jorge Serrão

Exclusivo - As chamadas “elites”, que não foram seus eleitores, serão o principal alvo do pacote do presidente Lula da Silva que pretende “destravar” a economia. O governo espera conseguir recursos para investimentos em infra-estrutura taxando ainda mais a classe média alta e os ricos. A equipe econômica estuda um imposto sobre grandes fortunas e uma taxação sobre consumo de artigos de luxo – como carros mais sofisticados e jóias. O acordo para as medidas é costurado com industriais, empreiteiros e banqueiros. O Alerta Total teve acesso a algumas idéias.

Entre as medidas mais polêmicas em estudo, o governo pensa em criar um imposto de 0,5 a 1% sobre os salários acima de R$ 4 mil. O valor seria destinado a um mega-programa de construção de casas populares. Os fundos de investimento, com depósitos acima de R$ 50 mil, também seriam sobre-taxados e os recursos destinados a programas sociais produtivos. As medidas de impacto seriam anunciadas esta semana pelo presidente. Mas ele preferiu adiá-las, temendo que o governo fosse tragado pela onda negativa da repercussão dos 90,7% do aumento salarial dos deputados e senadores.

O governo também pretende mudar as regras da caderneta de poupança. Não haverá confiscos – como se comenta em boatos via Internet. A idéia é criar uma nova modalidade de aplicação, combinada com títulos de capitalização de curto prazo. A poupança daria maior remuneração a aplicações de três a seis meses. Mas o poupador ficaria proibido de retirar o dinheiro durante este período, sob pena de perder a remuneração em juros e correção. A grande alteração seria na destinação e na possibilidade maior de uso dos recursos dos poupadores – atualmente restrita ao financiamento imobiliário. Parte do dinheiro financiaria a Saúde ou socorreria a Previdência.

Se pensa em taxar ainda mais os mais ricos, o governo estuda medidas para agradar a classe média e baixa. Um dos projetos é retirar os impostos sobre artigos de primeira necessidade, como a cesta básica, a exemplo do que já fizeram alguns estados. A regra seria nacional, aprovada pelo Conselho de Política Fazendária (o Confaz). Além disso, seriam reduzidos os impostos sobre eletrodomésticos e eletroeletrônicos, como fogões, geladeiras, máquinas de lavar, televisores, computadores e aparelhos de áudio e vídeo. A intenção de Lula é aumentar o poder de consumo do seu eleitorado, agradando aos segmentos econômicos que agora lhe dão sustentação na indústria, no comércio, na construção civil e no sistema financeiro.

Desiste disso...

O governo empurrou com a barriga a principal medida destinada a aumentar a concorrência bancária e reduzir os juros aos consumidores.

Prometida na campanha eleitoral, a nova conta salário – na qual o trabalhador poderá transferir, de forma automática e sem custo, seus rendimentos para o banco de sua preferência – apenas será implementada entre abril de 2007 e o distante ano de 2012.

A previsão inicial era que entrasse em vigor em janeiro, mas os bancos não chegaram a um acordo sobre o regime de perde e ganha com os depósitos.

Super Propaganda

Os marketeiros do governo montam um sistema publicitário de fazer inveja ao velho Departamento de Imprensa e Propaganda do Estado Novo, que foi inspirado no esquema de propaganda nazista de Josef Goebels.

Radiobrás iria criar uma propaganda de rádio e tevê para prestar contas, diariamente, do que o governo está fazendo.

O enfoque será popular, e a publicidade seria bancada pelas empresas estatais.

Incentivando a mídia amestrada

O plano faz parte do projeto maior de “Democratização dos Meios de Comunicação”.

O governo vai destinar ainda mais verbas de publicidade para novos veículos de informação que ficariam alinhados com a orientação política do Palácio do Planalto.

As grandes redes de tevê receberão um reforço, ainda maior, dos anúncios da Petrobrás, Caixa, Banco do Brasil e Correios.

Privatização das estradas

O governo espera dobrar resistências do Tribunal de Contas da União para deslanchar, o mais depressa possível, o projeto de concessões de estradas à iniciativa privada.

Nas últimas semanas, aconteceram reuniões intensas com as cúpulas das grandes empreiteiras que formarão consórcios para administrar os lucrativos pedágios que serão criados, em troca de estradas mais seguras.

As grandes construtoras já fizeram um acordo entre elas, em parceria com empreiteiras estrangeiras, para que todas ocupem seus espaços econômicos, assim que forem lançados os editais de licitação.

As “capitanias hereditárias” serão reeditadas, sob o comando das poderosas Carioca, OAS, Mendes Júnior e companhia limitada.

Jogada de Serra e Kassab

Não é à toa que o Prefeito de São Paulo é o queridinho de 11 em cada 10 empreiteiras.

Gilberto Kassab (PFL) quer cobrar pedágio nas Marginais do Tietê e do Pinheiros, e idéia já tramita na Câmara Municipal paulista.

Para tornar isso viável, o alcaide pretende delegar a operação desses corredores ao governo do Estado, que instalaria mecanismos de cobrança e faria melhorias na capacidade de tráfego, por meio de parcerias público-privadas (PPP).

Em fevereiro, a Prefeitura havia estimado investimento entre R$ 400 milhões e R$ 1 bilhão para modernizar as marginais.

Papai Noel manda

O presidente Lula defendeu ontem a decisão pessoal de reajustar o salário mínimo para R$ 380.

"Não tem equipe econômica. Quem decide é o presidente da República. Ninguém ganha, ninguém perde; quem ganha é o povo brasileiro com essa decisão Todo mundo ganha nessa história".

Foi a principal declaração do presidente, na festinha de confraternização dos funcionários do Planalto, onde Lula usou um gorro de Papai Noel.

Interesse do Ministro

Industriais fofoqueiros comentam que o empresário Jorge Gerdau quer ir correndo para o governo Lula porque está interessado em vender ferros para edificações, dentro do programa de investimentos em infra-estrutura e de construção civil.

Segundo os matracas, a intenção do futuro ministro da Indústria e Comércio é saber, antecipadamente, dos planos do governo, para planejar os investimentos do grupo que ele fingirá largar.

As más línguas futricam que Gerdau apenas seguirá o belo exemplo do atual ministro Luiz Fernando Furlan, que viabilizou “negócios da China” para a empresa da família dele ficar ainda mais sadia economicamente, no mercado asiático de alimentos.

Quem fica

Além de Gilberto Gil, que ontem aceitou continuar no Ministério da Cultura, o presidente lula confirmou a permanência de outros seis ministros em seus cargos.

Lula já disse o "você fica" a Guido Mantega (Fazenda) e Henrique Meirelles (BC), Luiz Dulci (secretário-geral da Presidência), Dilma Roussef (Casa Civil), Celso Amorim (Relações Exteriores) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social).

Também confirmou no time a escalação de seu secretário particular, Gilberto Carvalho.

Amizade collorida?

Semana passada, o Agente 171 do Alerta Total registrou que Lula se reuniu com Fernando Collor durante uma hora e meia, extra-oficialmente.

Lula quer consolidar sua base de apoio do Nordeste, onde Collor comanda as poderosas Organizações Arnon de Mello de comunicação.

Lula já sabe que não poderá contar com ACM, donatário da também poderosa Rede Bahia, que tem força na Bahia e no interior nordestino.

Protesto em terra firme

A TAM deixou ontem seis aeronaves no chão, alegando segurança técnica, em protesto velado contra as acusações que vem sofrendo de ser uma das responsáveis pelo caos no setor aéreo.

A Gol ameaça fazer a mesma operação padrão de segurança, deixando aviões no solo.

As empresas reclamam que viraram alvos de todas as ações nos Procons, enquanto o verdadeiro culpado pelo apagão na aviação é o governo federal, que deixou de investir na segurança de vôo e controle do espaço aéreo.

Desculpas esfarrapadas

O presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea) e da TAM, Marco Antonio Bologna, assumiu parte da responsabilidade pelos problemas enfrentados nos últimos dias nos aeroportos do País.

O presidente Lula recebeu com alívio a informação de que, desta vez, os problemas não eram nem do controle do tráfego aéreo nem de falha nos equipamentos da Aeronáutica.

Bologna admitiu que seis aviões da companhia apresentaram “problemas técnicos” e 26 vôos tiveram de ser cancelados.

Bologna estimou que, num prazo de 48 horas, se restabelecerá a normalidade.

Dia de Fúria

Em São Paulo, policiais ameaçaram usar gás pimenta para conter tumulto na sala de embarque do aeroporto de Congonhas.

No Rio, um passageiro foi detido no aeroporto Tom Jobim (Rio) após quebrar um computador de uma empresa aérea.

Em Brasília, um grupo invadiu a pista e teve de ser contido pela polícia.

Foram os retratos ontem do dia de caos nos aeroportos do País, com quase 44% dos vôos com atrasos de mais de uma hora.

A confusão continua hoje, com toda certeza, em nossos aeroportos.

Privilégio descabido

Deputados e senadores, que não tiverem um jatinho particular, não serão obrigados a enfrentar filas nos aeroportos, como os simples mortais.

Alegando que precisava garantir a votação do Orçamento no Congresso, a Câmara pediu a liberação de aviões da Força Aérea Brasileira para transportar os parlamentares do Nordeste de volta para casa hoje.

A FAB deveria lhes emprestar um ônibus, só de sacanagem.

Quase apanhou

Pegou fogo a sessão da Câmara que, no final da noite de anteontem, adiou para o próximo ano a decisão sobre o aumento de 90,7% dos parlamentares.

Deputados ouviram xingamentos de manifestantes e o presidente da Casa, Aldo Rebelo, quase foi agredido por vereadores que cobram mais vagas nas Câmaras municipais.

Viva a impunidade

Tudo indica que nenhum dos 69 deputados e três senadores acusados de envolvimento com a Máfia das Ambulâncias será punido.

O Conselho de Ética da Câmara encerrou seu trabalho no escândalo dos sanguessugas com “punições” a nenhum deputado.

O Conselho recomendou a cassação de quatro deputados acusados de envolvimento com a máfia dos sanguessugas.

Mas alegou que eles não precisam ser punidos agora, pois não foram reeleitos.

Os deputados Lino Rossi (PP-MT), Cabo Júlio (PMDB-MG), Nilton Capixaba (PTB-RO) e José Divino (sem partido-RJ) sequer vão perder seus direitos políticos, como prova de que a impunidade política vigora mesmo no Brasil.

A madame e o Príncipe

Um "pen drive" apreendido pela Polícia Federal com um dos contadores do contraventor Rogério Andrade revela o pagamento mensal de R$ 300 mil para uma mulher identificada como "Madame" e outra pessoa citada como "Príncipe".

A contabilidade detalha o pagamento de propinas para a polícia.

Um delegado federal contou ter sido procurado pelo ex-chefe da Polícia Civil Álvaro Lins, preocupado em saber se seu nome aparecia nos arquivos.

Resta agora desvendar quem seriam a Madame e o Príncipe...

Apresentador em apuros

Será apresentada na tarde desta sexta-feira, na sede da Polícia Civil de Pernambuco, a conclusão do inquérito que averigua casos de abuso sexual contra menores de idade praticados pelo apresentador e radialista Denny Oliveira.

O acusado deverá ser indiciado por ter abusado de duas garotas, uma de 10 anos e outra de 12. Ele pode ter ainda a prisão preventiva decretada.

A prisão de Denny Oliveira dependerá do parecer da delegada da Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA), Inalva Regina.

A promotora dirá se o apresentador, que nega todas as acusações, pode exercer pressão sobre os familiares das supostas vítimas, o que prejudicaria nas investigações.

Vida que segue...

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quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Lula atira nos marajás do Ministério Público e ignora equipe econômica aumentando o mínimo e a tabela do IR

Edição de Quinta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

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Edição em áudio a partir de Meio-dia.

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Por Jorge Serrão

Aproveitando a popularidade das críticas fáceis aos super-aumentos salariais, iguais ao que o Congresso foi obrigado a adiar para fevereiro, o presidente Lula da Silva entrou em campo com duas ações demagógicas. Primeiro, entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal para impedir o pagamento de salários superiores ao teto do funcionalismo público, que atualmente é de R$ 24 mil e 500 reais. Segundo, contrariando sua ultra-conservadora equipe econômica, liberou o ministro do Trabalho para negociar com as centrais sindicais um salário mínimo de R$ 380 reais e uma correção de 4,5% na sempre defasada tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física.

Já no desgastado Congresso, em operação bem combinada com os pensadores do Palácio do Planalto, os deputados resolveram deixar para o ano que vem a votação sobre o reajuste salarial dos parlamentares. Suas excelências também preferiram retirar da pauta de votações os projetos que acabam com os benefícios da verba indenizatória e dos 14º e 15º salários. O adiamento foi sacramentado depois de uma reunião de quase duas horas a portas fechadas, no início da tarde, em que líderes partidários e integrantes da Mesa da Câmara não conseguiram se entender. Os políticos profisisonais não encontraram clima para aprovar a equiparação de 90,7% com o salário dos ministros do STF e nem mesmo para dar um aumento de 28%, subindo seus vencimentos para R$ 16 mil e 500 reais, a segunda alternativa.

Em sua estratégia para “caçar marajás”, Lula acionou o STF, pedindo uma liminar, para contestar uma resolução do Conselho Nacional do Ministério Público que permite a procuradores e promotores acumular o salário com gratificações referentes ao exercício de função de direção, chefia ou assessoramento e adicional de aposentadoria. Curiosamente, a ação de Lula foi protocolada no STF depois que o presidente teve uma reunião, no final de semana, com o procurador-geral da República e presidente do Conselho do Ministério Público, Antonio Fernando de Souza, com a presidente do STF, Ellen Gracie, e com o vice, Gilmar Mendes. Na ocasião foi divulgado que o assunto da reunião era um plano de cargos e salários para servidores do Judiciário e do Ministério Público.

Jogada de Lula

A Advocacia Geral da União alega que a Constituição proíbe o pagamento acumulado de benefícios e adicionais.

"O dispositivo apontado, ao permitir a acumulação com o subsídio mensal dos membros do Ministério Público da União e dos Estados, a incorporação de vantagens pessoais decorrentes de exercício de função de direção, chefia ou assessoramento, bem como o adicional de 20% na aposentadoria, viola frontalmente o disposto no artigo 39, parágrafo 4º. da Constituição Federal (que proíbe o recebimento de acréscimos)".

É o que pensa o advogado-geral da União, Alvaro Augusto Ribeiro Costa, representando Lula na ação.

Comentário do Imperador

Ceasar Maia, Imperador do Rio, tem um parecer sobre os recentes movimentos do Presidente e dos políticos amestrados:

Ou a quinta coluna é muito competente ou os parlamentares são muito incompetentes! Politicamente!

Cesar Maia constata que os sanguessugas transferiram a crise ética ao Congresso, e, agora, os salários dos parlamentares deram cobertura à crise do apagão aéreo.

Sermão do Bispo

"Atitudes como a que temos visto nestes dias, matam o espírito do Natal. Como aceitar que um parlamentar brasileiro receba R$ 800 por dia quando boa parte das pessoas que representa é obrigada a viver com R$ 12?".

Foram as duras palavras de Dom José Braz de Aviz, Arcebispo do Distrito Federal, em sermão a senadores e deputados no Salão Negro do Congresso Nacional.

Os parlamentares expiaram seus pecados na missa em ação de graças promovida pelo Congresso.

Os políticos ouviram o sermão de cabeça baixa.

Que é isso, companheiro?

Até o sempre politicamente correto deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) acabou soltando uma reclamação que reflete o pensamento da maioria dos parlamentares:

"Se acabamos com a verba indenizatória, vamos ficar reduzidos ao salário de R$ 12 mil, e não dá para ficar só com isso".

Quanto ganham suas excelências?

A verdade é: Deputados e senadores recebem salário mensal de R$ 12.800 reais, além de verbas para contratação de funcionários, cotas de passagens aéreas, telefônicas e de postagem.

A média mensal de um deputado inclui gastos com passagens (16 mil reais), auxílio moradia de 3 mil reais, cota postal e telefônica de 4.628 reais, verba indenizatória de 15 mil reais e verba para contratação de funcionários de 50.185 reais.

Estima-se que um deputado custe R$ 1 milhão por ano aos cofres públicos.

Ele merece...

A Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul aprovou ontem, em votação secreta por 18 votos a 6, o pagamento de pensão mensal e vitalícia para ex-governadores do estado.

A medida atendeu pedido do governador José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT.

Zeca deixará o cargo em janeiro, após oito anos no poder, e ficará sem mandato eletivo.

Mas, pela decisão da Assembléia, continuará recebendo R$ 22 mil e 100 mil por mês, seu atual salário.

Triste e sozinho

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, admitiu que ficou sozinho na defesa do salário de R$ 24 mil e 500 paus para deputados e senadores, apesar de a iniciativa ter sido também do presidente do Senado, Renan Calheiros.

Além de sair desgastado do episódio, Aldo teme que a atitude em favor do sagrado bolso do baixo clero do Congresso lhe custe a tão sonhada reeleição para presidência da Câmara.

O presidente Lula, em sua fase Fernando Collor, será um dos que não vai querer proximidade com o camarada Aldo.

Mínimo do mínimo

Liberados pelo presidente Lula, os ministros do Trabalho, Luiz Marinho, e da Previdência, Nelson Machado, fecharam um acordo com as centrais sindicais para reajustar o salário mínimo de R$ 350,00 para R$ 380,00.

Será um aumento de 8,6% - bem longe dos 91% que os congressistas queriam dar para si mesmos.

Aumento de R$ 30 extra em vigor em abril.

Também foi acertada a correção da tabela do imposto de renda em 4,6%.

Pela nova tabela do IR quem ganha até R$ 1.303,69 fica isento da mordida do feroz Leão.

Empurra para depois

O presidente Lula prefere ignorar informes da equipe econômica de que uma grave crise está em gestação na economia norte-americana, com possíveis reflexos tsunâmicos sobre o Brasil.

Foi esse o real motivo da manutenção nos cargos do Ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente Henrique Meirelles, do Banco Central.

A crise à vista também foi o motivo oculto para que o presidente Lula adiasse para o próximo ano o anúncio do pacote econômico encomendado para destravar o crescimento do PIB.

Desculpa esfarrapada

Após reunião com seus principais ministros, o presidente Lula concluiu que as propostas não estavam bem detalhadas e ainda havia dúvidas.

Segundo Lula, a área econômica não fez o dever de casa de encontrar formas de compensar a desoneração tributária que o pacote deverá oferecer a empresas que investirem em infra-estrutura.

O governo também não tem clareza total sobre a nova modalidade de poupança, em gestação, e sobre a taxação sobre os fundos de renda fixa.

Indicador da crise

O Conselho Monetário Nacional (CMN) decide hoje, em sua última reunião do ano, a redução da Taxa de juros de Longo Prazo (TJLP) para 6,5% a 6,6% ao ano, obedecendo a fórmula que leva em conta a meta de inflação e o risco-país.

Definida como o custo básico dos financiamentos do BNDES, a TJLP iniciou o primeiro trimestre deste ano em 9% e teve quedas consecutivas até chegar no último trimestre em 6,85% ao ano.

A nova taxa balizará os financiamentos do BNDES entre janeiro e março.

Vida que segue...

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Lealdade

Edição de Artigos de Quinta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Rodrigo Vianna

Quando cheguei à TV Globo, em 1995, eu tinha mais cabelo, mais esperança, e também mais ilusões. Perdi boa parte do primeiro e das últimas. A esperança diminuiu, mas sobrevive. Esperança de fazer jornalismo que sirva pra transformar - ainda que de forma modesta e pontual. Infelizmente, está difícil continuar cumprindo esse compromisso aqui na Globo. Por isso, estou indo embora.

Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: "você não vai agüentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros". Agüentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos - sim - bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção. Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: "olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás". Isso não era só um discurso.

Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política - da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo. Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu.

Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem! Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto". Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.

Na reta final do primeiro turno, os "aloprados do PT" aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui. Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: "por que não vamos repercutir a matéria da "Istoé", mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira?" Por que isso, por que aquilo... Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?

Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de "petistas" e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do "governo anterior", acharam que ninguém ia achar estranho?

Faltando seis dias para o primeiro turno, o "petista" Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!

Ah, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as "suspeitas", e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente... A mensagem era clara.

Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição. Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada...). O que pedíamos era isonomia.

Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.! Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar! Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas.

Era o que estava na tal fita do "dossiê". Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas? E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas "desagradáveis".

A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar. E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores...E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos.

Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa - as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder. Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!

Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite? Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?

O JN levou um furo, foi isso?Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele... Mas, a Globo não pôs no ar... O portal "G-1" botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a "CartaCapital" ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era. Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo?

Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente.E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da "CartaCapital". Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes! Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista "Quatro Rodas" dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks têm a brilhante idéia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que vocês acham? Os metalúrgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim! Aqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição...De resto, está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de "pretos e pardos". Vocês já viram isso no ar? Sinto vergonha...

A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como "concubinas" ou "amásias". Nunca usamos esses termos! Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de "turcos" pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos? Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de "Parada dos Pederastas". Francamente, não tenho mais estômago.

Mas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas? Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês.Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado. Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.

Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo: "(...)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança".

Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas... Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo - sim - no Brasil. E vejam o vocabulário: "lealdade e confiança". Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da "lealdade".

Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou. Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi "leal" com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia! João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:"Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando". Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças?

Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política! Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na "geladeira". Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação - especialmente em São Paulo.

Boa parte dos seus "colaboradores" (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas - "colaboradores", essa é boa... Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou. Mas, isso tudo tem pouca importância.Grave mesmo é a tela da Globo - no Jornalismo, especialmente - não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?

Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho? Depois, não sabem porque os protestantes crescem...Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira!Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental. Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais.Foram quase doze anos de Globo.

Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha - nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil. Havia o João Paulada - o faz-tudo da Redação.

Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces...Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo. Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós - nas ruas, no Metrô, na padaria.

Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia "vallet park", nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira. Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.Mas, há as pessoas. Essas valem a pena.

Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas...

1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem "lealdade"; parecem "poderosos chefões" falando com seus seguidores... Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.

2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades.Saudades das equipes na rua - UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo.

Saudades dos editores - que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais.Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem - acho que fui leal com as pautas de vocês e (bem menos) com os horários! Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica - sempre leais.

Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter - com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda). Bem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui.Perdi cabelos e ilusões. Mas, não a esperança.

Um beijo a todos.

A carta de Rodrigo Vianna circula pela internet. Em nota, a TV Globo diz que Rodrigo Vianna encaminhou a mensagem após ter sido informado pela emissora de que seu contrato não seria renovado.