sábado, 20 de janeiro de 2007

Os Limites de uma Onda Esquerdista

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por César Felício

É uma sintomática coincidência que os partidos de esquerda na América Latina promovam uma cúpula na semana em que o presidente venezuelano Hugo Chávez proclama seu caráter socialista. O grupo que se reúne a partir de hoje em San Salvador, tendo como anfitrião a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), atende pelo nome de "Foro de São Paulo" e nasceu sob o patrocínio do PT, em 1990.

Os encontros anuais não costumam chamar muita atenção, a não ser de certos radicais de direita no Brasil, que os desenham como uma espécie de Operação Condor com sinal ideológico invertido. A leitura do texto que servirá de base para os debates, divulgado em espanhol na página eletrônica do PT, permite divisar os limites da guinada latino-americana para a esquerda.

O documento foi escrito por dois representantes de partidos governistas -- o PT, no Brasil, e o Movimento 5ª República, na Venezuela -- e dois oposicionistas, o PRD mexicano e a salvadorenha FMLN. O texto lembra que na primeira reunião do grupo, em 1990, os integrantes estavam no governo em um único país: Cuba. Hoje desfrutam o poder na Venezuela, Brasil, Bolívia, Nicarágua, Argentina, Chile, Uruguai e Equador. Até que ponto governariam como desejam é outro tema. Os limites a um poder absoluto parecem incomodar os participantes do encontro.

"Nossa chegada ao governo significa que passamos a controlar uma cota de poder, mas as outras cotas continuam sob controle das classes dominantes. Os chamados mercados, as grandes empresas de comunicação, os setores da alta burocracia do Estado, os comandos centrais das Forças Armadas, os poderes Legislativo e Judiciário, além da influência dos governos estrangeiros, competem com o poder que possuímos quando ocupamos a Presidência", diz o texto.

Antes de ser uma verdadeira marcha ao socialismo, a ofensiva de Chávez, com medidas tais como a nacionalização de multinacionais da telefonia e a cassação da concessão de emissoras de televisão, sugere a coroação de um processo de concentração de poder, que começou com seu confronto com o Congresso e a Suprema Corte, ao convocar a Assembléia Constituinte em 1999, passou pela queda de braço com os funcionários da petroleira PDVSA, em 2002, pelas provocações aos Estados Unidos e o duelo contra a mídia, ao vencer o referendo sobre a sua permanência no cargo em 2004.

As instâncias de poder foram vencidas uma a uma e o resultado é palpável. Segundo a pesquisa de opinião desenvolvida no ano passado pelo Barômetro Ibero-Americano de Governabilidade, em 2002 as empresas privadas (89%), o sistema bancário (80%) e a mídia impressa e televisiva (77%) eram as instituições mais admiradas da Venezuela. Quatro anos depois, quem assume o primeiro plano são as Forças Armadas, com 67%.

"Socialismo" de Chávez é concentração de poder

O cenário em todos os demais países autoriza a pensar que Chávez é uma exceção no contexto latino-americano, bancada pelo barril de petróleo a mais de US$ 50. No Uruguai, articula-se um acordo de livre comércio com os Estados Unidos. Na Nicarágua, os sandinistas prometem respeitar contratos. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi em seu primeiro mandato um construtor de superávits primários.

"Interessa tanto à esquerda quanto à direita falar em uma onda política na América Latina, porque a transposição internacional de realidades é sempre sedutora, mas o que vejo é uma certa perplexidade. A esquerda está com dificuldade de traçar rumos", comenta um especialista, o historiador e cientista político Paulo Vizentini, do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em vez de uma opção ideológica, foi a demanda generalizada por políticas sociais, em relação às quais os governos eleitos no início dos anos 90 foram incapazes de atender, que levou os grupos de origem esquerdista ao poder.

Para Vizentini, mesmo no caso de Chávez é difícil delinear aonde se quer chegar. Guardadas as óbvias diferenças -- Chávez nunca financiou o terrorismo -- pode-se traçar um paralelo entre o venezuelano e o presidente líbio Muammar Gaddafi. "Gaddafi tem origem militar, substituiu uma petromonarquia e fez uma certa distribuição da prosperidade do petróleo para uma população pequena, com renda per capita alta. Seu discurso teve diferentes oscilações ao longo do tempo, é difícil até hoje defini-lo. Em certos momentos, foi socialista. Em outros, pregou uma democracia islâmica", comenta Vizentini.

O que a movimentação de Chávez também deixa claro são os pontos de contato existentes entre a oposição ao venezuelano e a outros dirigentes vinculados à esquerda no continente, mesmo separados pelo tempo histórico e pelo espaço. Um mesmo discurso estava presente na oposição a Perón e a Getúlio nos anos 40 e 50. Reapareceu, quase igual, no tipo de ataque recebido ano passado por Lopez Obrador no México e Evo Morales na Bolívia. Mais do que denunciar defeitos iguais, o discurso anti-populista revela a coerência de uma elite na América Latina.

César Felício é repórter de Política do jornal Valor Econômico. Artigo Publicado originalmente no Valor em 12 jan 2007.

2 comentários:

Mario disse...

O que Ahmadinejad, presidende do Irã vem fazer nestas bandas da América Latrina?

Destaque Internacional - Informes de Coyuntura - Año X - No. 208 - San José de Costa Rica - 18 de enero de 2007 - Responsable: Javier González.-

Alianza Chávez -Ahmadinejad: "eje del mal" y "eje auxiliar"

Las previsiones del profesor Constantine Menges sobre la articulación de Venezuela e Irán como un "eje del mal" para dominar a América Latina, cobran notable actualidad; y deben complementarse con el surgimiento de un "eje auxiliar" de gobernantes de izquierda que asumen el papel de "moderados útiles" para tranquilizar y adormecer reacciones, pavimentando el terreno para el avance del "eje del mal"

1. El presidente de Irán, Mahmoud Ahmadinejad, el mismo día de su llegada a Caracas el 13 de enero pp., anunció junto al presidente de Venezuela, Hugo Chávez, la creación de un "fondo estratégico pesado" venezolano-iraní de 2 mil millones de dólares para usar como un "mecanismo de liberación" continental de ayuda a gobiernos izquierdistas que deseen "liberarse del yugo imperialista" (cf. Granma, La Habana, Enero 16, 2007). Ahmadinejad viajó posteriormente a Quito y a Managua para asistir a la toma de posesión de los presidentes Correa y Ortega, prometiendo a ambos una vasta ayuda financiera a cambio de un alineamiento con la alianza Venezuela-Irán.

2. El reciente viaje del presidente iraní a América Latina y los acuerdos firmados con el presidente venezolano ponen en foco las previsiones realizadas en 2002 por el profesor Constantine Menges, investigador del Hudson Institute y profesor de la George Washington University, sobre la constitución de un "eje del mal" latinoamericano con la participación activa de Venezuela y Cuba, y con el apoyo de Irán, para dominar América Latina y separarla de los Estados Unidos. Las izquierdas radicales, que antes apelaban al secuestro y a los asaltos a mano armada para financiar la revolución, hoy cuentan con recursos casi infinitamente superiores, provenientes del petróleo venezolano-iraní.

3. Las previsiones de Menges, fallecido en julio de 2004, deben ser hoy complementadas con el surgimiento de un "eje auxiliar" de gobernantes de izquierda que asumen el papel de "moderados útiles" para adormecer las sanas reacciones y pavimentar el terreno al "eje del mal". Entre los principales exponentes continentales de ese nuevo "eje auxiliar" se cuentan los presidentes Lula, de Brasil, y Kirchner, de Argentina.

4. Con los acuerdos firmados entre el presidente Chávez y el presidente Ahmadinejad, América Latina podrá transformarse, en el corto o mediano plazo, en un nuevo campo de batalla político, financiero y, quién sabe, militar de los conflictos del Oriente Medio.

5. Todo lo anterior debe verse en un cuadro de desgaste del tejido políticosocial en varios países latinoamericanos, desde la "libanización" de Bolivia, pasando por la asfixia de las clases productoras rurales argentinas, hasta el creciente control territorial ejercido por clanes de narcotraficantes en sectores suburbanos de las ciudades de Rio de Janeiro y São Paulo, con desdoblamientos en la "triple frontera" entre Brasil, Argentina y Paraguay, así como en la frontera entre Brasil y Colombia.

6. Lo anterior no debería ser motivo de desánimo, sino un incentivo para la acción doctrinal y publicitaria. Es verdad que los sectores conservadores, de centro y de derecha de las Américas no cuentan ni de lejos con los recursos de la alianza musulmano-izquierdista arriba referida. Pero tienen un capital bajo muchos puntos de vista más valioso, que es el vasto público latinoamericano, mayoritario en todos los paíes del continente, que no comparte las ideas de izquierda y que está dispuesto a apoyar a líderes responsables y honestos que interpreten sus justos anhelos. Es lo que mostró una reciente pesquisa de Latinobarómetro, cuyos resultados se transcribieron en anterior edición de Destaque Internacional.

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EnviarEditorialesRelacionados

* Lula: ¿"moderado-útil" al servicio de Chávez?

(si Lenin viviera en nuestros días, más que hablar del "tonto-útil" tal vez prefiriese hablar del "moderado-útil", hoy encarnado en América Latina en el presidente Lula, discutiblemente moderado, pero indiscutiblemente útil, al servicio de Chávez, el sucesor de Fidel Castro).

* "Ola" izquierdista en América Latina: el mito y la realidad

(una pesquisa de Latinobarómetro muestra que cada uno de los mandatarios de izquierda recién electos ha necesitado "los votos del centro político para salir elegido, porque no hay suficiente electorado de izquierda para ello"; y constata que la izquierda "paradojalmente es mucho más débil que la derecha en la región", no habiendo ningún país que llegue a tener más del 34% de la población a la izquierda).

Luciano Blandy disse...

O cidadão que escreveu essa matéria no Valor Econômico é de uma desonestidade intelectual ímpar. Durante 15 anos o Foro de São Paulo vem sendo denunciado por alguns dos raros órgãos de mídia ideologicamente independentes e o restante da mídia, de forma torpe e criminosa, rebatia dizendo que o tal Foro era lenda, que não existia. Agora, quando se torna impossível esconder sua existência, ele vem com essa versão canalha de que as reuniões do Foro só são levadas a sério por "radicais de direita"???
É muito simples constatar o contrário: Basta ler as atas das reuniões anteriores e verificar que suas decisões são deliberativas - isto é - todos os membros, ao assinar a ata, se OBRIGAM a implementá-las. E da leitura das atas, também se verifica com uma facilidade infantil, que a maioria das DELIBERAÇÕES do Foro de São Paulo, ou já foram implementadas, ou estão em franco passo de implementação.
Quanto ao argumento de que Hugo Chavez não financia grupos terroristas, o tal "jornalista" apenas se esqueceu de mencionar que, um dos membros do Foro - do qual não só Chavez é integrante, mas também Lula e o PT - é a FARC, considerada quase no mundo todo como uma organização terrorista e - coincidentemente,tratada como "movimento social" pelos governos da América Latina liderados por membros do Foro de SP. Realmente, enquanto jornalistas com tamanha desonestidade, forem cultuados no Brasil, o país não tem saída.