sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Em defesa da Lei de Anistia

Leia o discurso do General de Exército Gilberto de Figueiredo, Presidente do Clube Militar, no almoço de solidariedade ao Coronel Brilhante Ustra:

Exmas autoridades, Exmos Srs Presidentes dos Clubes Naval e de Aeronáutica, Almirante José Júlio Pedrosa e Brigadeiro Ivan Moacyr da Frota, associados dos três clubes que promovem este encontro, senhoras, senhores. Nosso homenageado, Cel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Aqui represento o Clube Naval, o Clube Militar, o Clube de Aeronáutica e, certamente, imenso número de brasileiros indignados com a injustiça. Reunidos estamos para proclamar nossa inconformidade com os rumos dados a nosso país nos últimos tempos, a ponto de tornar possível algo tão fora de propósito como essa ação judicial movida, sabe-se bem com que propósito, contra uma figura modelo de militar e cidadão.

A idéia desta reunião surgiu inspirada na justa homenagem prestada ao Cel Ustra, em Brasília, pouco após seu retorno de São Paulo. Foi idéia feliz, em momento em que forte era a sensação da necessidade de uma resposta à altura, em face da afronta feita à consciência das pessoas de bem. E, para engrandecer o encontro, tivemos a felicidade de contar com a precisa, bela e contundente palavra de Jarbas Passarinho, na saudação ao homenageado.

A partir de então, inúmeras manifestações foram formuladas no sentido de que o Rio de Janeiro, onde seu último livro foi lançado com retumbante sucesso, teria, também, de promover uma forte demonstração de solidariedade ao companheiro tão cruelmente ofendido em sua dignidade. Coube aos Clubes Militares, acolhendo a aspiração da imensa maioria de seus associados, dar existência ao acontecimento.

Em março de 1964, o povo brasileiro, usando suas Forças Armadas como legítimo instrumento, desencadeou memorável contra-revolução democrática, que impediu a absorção de nosso país pelo comunismo internacional. Hoje, como aconteceu outrora, a luta do Cel Ustra continua sendo uma batalha em prol da democracia, na medida em que representa a verdade contra a mentira, a dignidade contra a infâmia, a honradez contra a vilania, o patriotismo contra a traição.

A primeira certeza com que nos deparamos reside na convicção de que tentam impingir ao povo brasileiro uma tremenda, uma escandalosa impostura, como ficou sobejamente esclarecido, inclusive com provas documentais, no livro “A Verdade Sufocada”, de autoria de nosso homenageado. São mentiras odiosas, continuamente difundidas pelos que foram fragorosamente derrotados nas armas, com o objetivo de, pela força da repetição, torná-las aceitas, invertendo a realidade de nossa história recente. Mas não é apenas a inverdade que provoca revolta. Há, ainda, o caráter juridicamente excêntrico de tal ação, em face da lei de anistia.

A Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979, concede anistia a todos quantos houvessem cometido crimes políticos ou conexos, no período entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979. Com a lei pretendia-se, evidentemente, promover a paz e a concórdia entre brasileiros. Assim entenderam uns. Assim, recusam-se a admitir outros. Justamente os que mais dela se beneficiaram, conquanto tivessem cometido os mais variados e torpes crimes: roubos, seqüestros, assassinatos, atos de terrorismo indiscriminado, entre outros. Querem que se esqueçam de seus delitos, recebem polpudas e ilegítimas indenizações e, a par disso, buscam enxovalhar a honra alheia, ao arrepio da própria lei que os ampara.

O encontro que hoje promovemos tem, pois, a marca da solidariedade ao companheiro de profissão, que soube com dignidade e competência cumprir seu dever de soldado; tem a marca do repúdio à injustiça que alguns mal intencionados pretendem cometer contra um profissional exemplar; tem a marca da certeza de que o Brasil, mercê da atuação de homens determinados, livrou-se de caminhos politicamente indesejáveis, que levaram tantos povos, no século passado, a desenganos e sofrimentos; tem a marca da firme recusa em se aceitar o ressentimento como norma e o revanchismo como meta; tem a marca do inconformismo com a manipulação da justiça em nosso país.

Cel Ustra, reunidas neste histórico salão, palco de memoráveis batalhas em defesa dos interesses da gente brasileira, estão pessoas que acreditam no trabalho sério e competente que o Sr desenvolveu ao longo de toda a sua carreira; pessoas que crêem na democracia como meta e na dignidade como princípio; pessoas que têm fidelidade aos valores cristãos; pessoas que, por o conhecerem, não podem admitir as acusações que agora querem, covardemente, lhe imputar.

Queira receber nossa estima, nosso apoio e nossa solidariedade.

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