domingo, 28 de janeiro de 2007

Farsa Atabalhoada

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Almeida Lima

Em linguagem vernacular, castiça, isenta de vícios, “farsa” é uma peça teatral de comicidade exagerada, burlesca, ridícula, ou mesmo embuste. A palavra “atabalhoada” quer dizer atrapalhada, o que é feito às pressas, desconexo, desarrumado, tumultuado. Portanto, a expressão “farsa atabalhoada” é a melhor definição que o nosso vernáculo oferece para bem caracterizar o conteúdo do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, anunciado pelo presidente Lula da Silva e coadjuvado pelos ridículos e mambembes atores Guido Mantega e Dilma Rousseff.

Até mesmo o anúncio foi uma mise-em-scène medíocre e fora dos padrões de respeitabilidade, não apenas ao público presente, uma platéia de governadores recém-empossados, prefeitos, jornalistas, empresários e trabalhadores, mas a todos quantos assistiram pela televisão de forma ansiosa diante da grande expectativa gerada ao longo de dois meses pelo próprio presidente da República.

O que todos desejavam do governo era ouvir o que ele ainda não anunciou, embora já esteja no segundo mandato: um Planejamento Estratégico de Desenvolvimento Integrado para o País ou, pelo menos, algo de menor dimensão, um simples Plano de Governo. O anunciado foram palavras de ordem como “destravar o País”, ou “acabar as amarras”, sempre produzidas pelos marqueteiros de plantão, mestres em pirotecnia e factóides. Nada mais!

Após a eleição, o presidente Lula da Silva, mais de uma vez, apareceu com uma dessas declarações risíveis que somente a desinteligência humana costuma produzir. Ele afirmou: “tenho até 31 de dezembro para anunciar medidas para destravar a economia, mas não me perguntem o que é que eu não sei, e não me perguntem a solução que eu, ainda, não a tenho, mas vou encontrar, porque o país precisa crescer”.

Mas o que dizer de um presidente da República que em seu segundo mandato, reeleito que fora há noventa dias, não tem, sequer, um conjunto de ações e nem mesmo um ministério constituído? - Irresponsabilidade, desleixo e incompetência é o mínimo que se pode atribuir a este governo. O “espetáculo do crescimento” anunciado como peça de marketing, transformou-se agora em farsa do crescimento.

Como anunciar crescimento da economia (PIB) num País sem poupança; cujo governo se apodera de todos os recursos disponíveis como o grande tomador; que produz superávit primário apenas para pagar o serviço da dívida; que gasta mal, que é perdulário e corrupto; que não cria ambiente favorável a investimentos privados; que pratica a maior taxa de juros do mundo, inviabilizando qualquer empreendimento; que cobra uma das maiores cargas tributárias do planeta, aumentando o “Custo Brasil”, inclusive com a onerosidade da folha de salários, asfixiando as empresas que perdem capacidade de ampliação de mercado; que não promoveu a diminuição das desigualdades regionais e sociais como forças propulsoras para o fortalecimento e ampliação do mercado consumidor interno?

Ora, passaram-se quatro anos de governo e todas essas providências foram substituídas por uma política de aparelhamento partidário do Estado, pela corrupção desenfreada e pela prática do populismo.

Este é um governo medíocre e enganador.

José de Almeida Lima é Senador da República (PMDB-SE)

2 comentários:

Anônimo disse...

Esse texto expressa muito bem o que é prática política no Brasil isto é - O SUJO FALANDO DO MAL-LAVADO!

Ivan Moraes disse...

>“farsa atabalhoada” é a melhor definição que o nosso vernáculo oferece para bem caracterizar o conteúdo do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, anunciado pelo presidente Lula da Silva e coadjuvado pelos ridículos e mambembes atores Guido Mantega e Dilma Rousseff<

Porque eh que voce nao comeca desde o deposito compulsorio dos militares nos anos 70 e nos explica quantos programas governamentais anteriores foram farsas desde entao? Da maneira que voce escreveu, esta ate parecendo que a unica farsa foi a de Lula, mas nao a dos 8 malditos anos de FHC, por exemplo... Agora, que o plano tem erros, isso tem sim, e sao inexplicaveis, a comecar pelo fato que Lula baixou taxas menosdo que o previamente combinado com os governadores. Segundo, ele nao atacou os bancos mais frontalmente, e essa situacao com os bancos vai piorar cada vez mais. Nao vai ser por bondade do enorme coracao deles que eles vao tirar o cavalinho da chuva.

Porem, eh um plano como qualquer outro, eh so comparar ponto por ponto: todos os planos nos ultimos 20 anos foram miseros.