sábado, 20 de janeiro de 2007

Idas e Voltas Sem Fim

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

O presidente da República, Dom Luiz Inácio (PT-SP), nosso amável beberrão, afirmou, certa ocasião, perceber “muito ódio acumulado” no Brasil. Sua excelência, que apesar de semi-alfabetizado, sem escrúpulo e despreparado para o cargo, é muito inteligente, confirmou, naquela observação, rara perspicácia e poder de avaliação.

Os brasileiros vivem revoltados com a impunidade sempre crescente e com o sentimento de absoluta impunidade reinante, num país corrupto e aparentemente insolúvel. Uma nação de fancaria, na qual por mais que se realizem eleições o resultado é sempre o mesmo. Aqui, só os espertos são bem-sucedidos.

A impressão reinante é a de que na terra tupiniquim nada funciona: Justiça, administração pública, nada vezes nada. Vivemos à deriva! Nas mãos de infratores e salafrários que quanto mais pregam honestidade e “transparência” dos atos, mais comprometidos dão-se a conhecer.
Agora mesmo, o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE), está sendo acionado na Justiça, (pela Procuradoria da República no Distrito Federal), por ter supostamente desviado 33 milhões de reais, à época em que foi ministro da Reforma Agrária do corruptíssimo governo FHC (1995-2003).

Sua excelência tem se arvorado, ultimamente, em paladino da moralidade no Congresso Nacional, acusando a tudo e a todos sem dó nem piedade. Ele foi secretário-geral da Frente “Brasil Sem Armas”, num período em que se pretendeu proibir qualquer cidadão brasileiro de ter uma arma em casa para defesa pessoal.

Coincidentemente, Jungmann é apontado como tendo colocado no bolso tal significante ervanário, no mesmo instante em que se revela que seu ex-chefe e mentor, FHC, recebeu doação “de meio milhão de reais de uma empresa paulista (a Sabesp)” para a ONG sob seu domínio, Instituto Fernando Henrique Cardoso. Tudo dentro da lei!

E aí estoura o caso da Igreja Renascer, bem emblemático dos nossos descaminhos. A “bispa” Sônia Haddad Moraes Hernandes e seu marido, o “apóstolo” Estevam Hernandes Filho (que Deus os tenha e a justiça norte-americana os guarde na chave), estão no centro de questão que no Brasil expõe a fragilidade das instituições.

Depois de decretada a prisão preventiva do casal (em novembro de 2006), a “bispa” e o “apóstolo” desapareceram, tornando-se foragidos. Um mês depois, despacho de um ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), revogou a preventiva e deixou os dois enviados divinos soltos e felizes.

Aí, que fizeram? Viajaram para os EUA, onde possuem mansão de um milhão de dólares (e pelo menos 14 automóveis de luxo), levando cerca de 56 mil dólares em dinheiro vivo que sonegaram a informações requeridas pelas autoridades do país.

Resultado: foram presos, acusados por sonegação falsa e “cash smuggling” (contrabando de dinheiro). No Brasil, depois do anúncio da prisão, o Gaeco (Grupo de Atuação de Repressão ao Crime Organizado), conseguiu liminar na Justiça “que determina a prisão preventiva do casal”.
Os promotores entraram também com pedido de extradição, porque a Justiça brasileira, que determinou a prisão preventiva em novembro, declarou-os como foragidos ao sumirem do mapa, e revogou a prisão, deixando-os livre para ir aonde quisessem, parece que agora quer tomar outras providências.

O Brasil é um país de incidentes. As coisas só se desenrolam quando ninguém mais consegue suportar. Basta lembrar o assassinato de João Pessoa (1930) e o suicídio de Getúlio, entre outros. O ódio a respeito do qual Dom Luiz Inácio comentou é latente e tem tudo para explodir. Porque o país é dirigido por base majoritária de pilantras.

Márcio Accioly é Jornalista.

Um comentário:

Anônimo disse...

Mas é assim mesmo que funciona a coisa! Nós sabemos que uma notícia abafa a anterior, bastando que tenha algum impacto. Ora, num paiz que é educado por tele-novelas, não precisa muita coisa para impactar. Me atevo a dizer que nunca tivemos um governo que tão bem explore este tipo de coisa. Veja, quem ainda fala de mensalão? Um enorme escândalo, em dezenas de pessoas estiveram envolvidas. No entanto,tudo acabou como se nada tivesse acontecido. Que posso eu, pobre mortal, fazer? Orar e esperar pela misericórdia divina?