quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

O Grande Ausente

Edição de artigos de Quinta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Quem observar com vagar as atitudes do presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP), irá notar, sem maior esforço, o ar de profundo tédio exibido por sua excelência. Não que nosso amável beberrão tenha voltado indiferente de suas férias de início do ano no Guarujá. Ele já foi para lá, assim.
Excluindo o fato de ter se preocupado em mandar emissário ao deputado federal Aldo Rebelo (PC do B-SP), com a velada sugestão de retirar sua candidatura à reeleição presidencial da Câmara, Dom Luiz Inácio não tem mostrado ânimo para mais nada.

É como se cumprisse apenas um resto de tarefa de mandato que até agora foi só decepção. E o maior problema é que esse mandato (o segundo), começou há menos de um mês e terá a duração de quatro penosos anos!

Os primeiros quatro anos (2003-07) de sua excelência, como se sabe, revelaram-se um desastre. O ponto culminante de tal desordem foi o pedido de indiciamento de 40 pessoas envolvidas com a administração petista, numa lista encabeçada pelo seu ex-ministro-chefe da Casa Civil Zé Dirceu (SP).

Mas, como se diz que a memória do povo brasileiro é curta (e como a impunidade é a raiz de todos os nossos males), eis que na disputa pela Presidência da Câmara dos Deputados o candidato petista, Arlindo Chinaglia (SP), defende anistia para Zé Dirceu e o passar de uma esponja nas demais irregularidades cometidas.

E o presidente da República, que nunca sabe de nada, mostra-se conivente com tal medida, por ter declarado apoio inicial à reeleição de Rebelo e manobrar agora pelo fortalecimento da candidatura Chinaglia.

“Dize-me com quem andas e direi quem és”, grafa velho adágio. Na terça-feira (16), o ex-presidente da Casa, Severino Cavalcanti (PP-PE), desfilou pelo salão verde da instituição, fazendo a defesa da eleição de Chinaglia e pedindo votos a seguidores e amigos.
De todos os envolvidos no mensalão (e jogadas escusas recentes), a Câmara cassou apenas três parlamentares: Pedro Correia (PP-PE), Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Zé Dirceu (PT-SP). Os outros, apesar de provas incontestáveis, foram absolvidos.

São esses os que agora transitam pelos subterrâneos e bastidores, pedindo voto e apoio para Chinaglia, oferecendo Ministérios e prometendo “garrotear” o presidente da República na negociação por cargos e espaços que deixaram escorrer pelos dedos.

João Paulo Cunha, José Genoíno (cujo assessor parlamentar do irmão foi agarrado pela polícia com a cueca cheia de dólares num aeroporto da capital paulista), José Mentor (implicado na CPI do Banestado), professor Luizinho, além de ratazanas de maior e menor porte, torcem de forma frenética pela volta triunfal à cena política.

O caminho é a presidência da Câmara dos Deputados. Como é que o presidente da República se dispõe a dar cobertura a figuras de tal jaez, depois de todos os inquéritos, CPIs e indiciamentos? Que se pretende fazer com o Brasil?

Por que prometer apoio a Aldo Rebelo (que assumiu o posto num momento difícil, na renúncia de Severino Cavalcanti), dar meia-volta e pretender entronizar a companheirada de velhas denúncias e percalços? O Brasil não merece isso!

É um crime o que se pretende fazer na presidência da Câmara, com o retorno e fortalecimento de figuras execradas nacionalmente, especializadas na geração de crises.A bancada de novos deputados eleitos tem de avaliar a responsabilidade do momento e evitar a todo custo a reinstalação de contumazes e infamados infratores. Está sendo chocado nesse instante o ovo da serpente. A mais perigosa crise da gestão petista.

Márcio Accioly é jornalista.

2 comentários:

Anônimo disse...

LULA É UM LESA PÁTRIA,


SOCORRRRRRRRRRRO

Newton disse...

Deveria se denominar Arfeio Xináglia, essa pústula que pleiteia a presidência da Câmara, é triste ver o sucesso do máu caratismo, em detrimento da honra.