quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

O Ocaso de Zapatero?

Edição de Artigos de Sexta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio C. Coimbra

O Presidente de Governo da Espanha está colhendo os resultados de sua pífiaestratégia política de negociação com o terrorismo. O atentado de 30 dedezembro no aeroporto de Barajas serviu para que os espanhóis passassem aduvidar de Zapatero. A conseqüência mais clara do novo atentado em Madri foio fim da agenda do atual governo, que agora está pautada e atrelada aquestão do grupo terrorista basco.Uma das grandes conquistas espanholas, garantidas pela Constituição de 1978, foi seu sistema parlamentarista de controle dos atos do governo.

Presidente e Ministros, quando convocados pelo Parlamento, devem apresentar-se emsessão legislativa para oferecer esclarecimentos. Zapatero e seus ministroscompareceram ao Congresso de Deputados e escutaram do líder da oposição,Mariano Rajoy, uma verdade inquietante: "Um grupo de assassinos zombou devocês".

Os erros de Zapatero são evidentes e sucessivos. Um dia antes do atentado aomoderno terminal 4, o Presidente de Governo havia declarado que a situaçãose encontrava melhor e melhoraria ainda mais. Um dia depois, dois imigrantesequatorianos perdiam a vida pelas mãos do ETA. Logo após o atentado, em umato falho gravíssimo, se referiu ao crime como um "trágico acidente", além de ter demorado incansáveis dias para realizar a primeira visita ao local doataque. Muitas são as perguntas ainda sem respostas. Tudo isso reforçou a idéia de que Zapatero é um Presidente fraco, semliderança, agenda ou estatura política para governar a Espanha, que somentechegou a La Moncloa por acidente após os atentados de 11 de março de 2004.

Sua ingenuidade em acreditar que seria possível negociar com um grupoterrorista pelo fim do conflito nos faz ter certeza de que sua administraçãoparece cada vez mais patética, errática e débil. O Presidente de Governodeixou que um grupo terrorista capturasse a agenda política espanhola. Zapatero, que carece do mal de aprendiz revolucionário, não entendeu que umatrégua ou cessar fogo, como a que foi negociada desta vez com o ETA, servesomente para o grupo terrorista rearmar-se, buscar financiamento para suasatividades e voltar com mais força.

O tempo fornecido de forma ingênua pelogoverno serviu exatamente para isso. As provas estão nos escombros domoderno terminal do aeroporto de Madri.A aprovação do governo despencou e as intenções de voto para a oposiçãosubiram. A confortável vantagem do PSOE sumiu. As pesquisas já mostram umempate técnico entre socialistas e populares. O desastre político somentenão foi maior porque a opinião pública espanhola tradicionalmente tende maisa esquerda.

Assim, sondagens que mostram as intenções de voto do Partido Popular equilibradas com as do PSOE, evidenciam que os erros do governo Zapatero podem ser tão desastrosos quanto os recorrentes casos de corrupçãoque decretaram o fim de Felipe González há cerca de uma década atrás. Adiferença é que a chamada "Era Zapatero" pode encontrar seu fim em apenasquatro anos, ao contrário de González, abatido depois de 14 anos de poder.

Para perceber se o governo ZP está realmente encontrando seu ocaso, a senhaé acompanhar os passos de seu ministro do Interior e mestre da sobrevivênciapolítica, Alfredo Pérez Rubalcaba, conhecido com o grande Fouché do PSOE, omaior sobrevivente do Felipismo. Se Rubalcaba deixar o governo será porqueZapatero está perdido definitivamente.Ao fim e ao cabo, é possível que não seja difícil para Zapatero se recuperarpoliticamente. Além de o eleitorado espanhol pender tradicionalmente umpouco mais a esquerda, seu governo, de forma irresponsável, segundo alguns,incentivou movimentos de maior autonomia em algumas Comunidades, como a Catalunha.

Isto, apesar de colocar em risco a existência da concepção denação espanhola moderna, pode fazer com que ZP ganhe votos nestaslocalidades. O fato é que depois deste ataque foi possível perceber que oETA se rearmou com tranqüilidade durante a trégua. Se Zapatero insistir nasnegociações e houver outro atentado, isto pode custar-lhe o governo, e como lembrou o líder do PP, Mariano Rajoy, "Não se negocia com o terrorismo. Oterrorismo deve ser vencido ou deve ser aturado". A decisão está nas mãos doPresidente de Governo. Caberá a ele decidir o que fazer. Os resultados serãodeterminantes para definir sua continuidade frente a La Moncloa.

Márcio Chalegre Coimbra. Analista político. Habilitado em DireitoMercantil pela Unisinos. PIL pela Harvard Law School. MBA em DireitoEconômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em DireitoInternacional pela UFRGS. Mestrando em Ação Política pela UniversidadFrancisco de Vitória e Universidad Rey Juan Carlos, em pesquisa paraFundación FAES (Partido Popular), em Madri, Espanha.

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