sábado, 27 de janeiro de 2007

Sina de Derrotado

Edição de Artigos de Sábado do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Dia desses, no lançamento do tal PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP), cometeu ato falho ao declarar que “quatro anos de mandato não são suficientes” para realizar tudo a que se propõe.

Sua excelência esqueceu que, na verdade, encontra-se já há cinco anos no cargo, sem nada de positivo ou espetacular, além do registro de indiciamento de 40 membros de sua equipe administrativa por “formação de quadrilha” e desvios generalizados.
Nosso amável beberrão, que condenou com veemência o fato de seu antecessor, FHC (1995-2003), ter subornado parlamentares corruptos para a compra da emenda constitucional da reeleição, sonha agora em se perpetuar.

Está nos passos do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que descobriu o caminho das pedras do mandato sem fim: a distribuição de bolsa-esmola e outras migalhas a abandonados seculares do continente, os que constituem genuíno poder decisório nas eleições. A democracia é uma maravilha!

A diferença é que Chávez comanda país cuja maior riqueza natural (o petróleo) não se encontra alienada a nenhum poder estrangeiro. E Dom Luiz Inácio, como bem lembrou Hélio Fernandes (em artigo na sexta-feira, 26), cuida (cuida?) de dívida interna que se encontra na casa de um trilhão e 91 bilhões de reais!!!

Com a atual taxa de juros, como irá sobrar dinheiro para se alimentar o tal PAC? Vivemos num país de escravos, no qual as instituições não funcionam e qualquer bandido de gravata, com patrimônio considerável e poder de influência está livre para agir da forma que melhor apetecer. Carregando e entregando o que bem desejar.

Quem conduziu os países ditos emergentes para situação caótica de desesperança, foram as oligarquias preconceituosas e irresponsáveis que ditam normas há séculos. No Brasil, nada mudou.

O desgoverno petista continua adotando a mesma tática suicida de política entreguista que sangra o investimento interno e remete para o exterior a riqueza produzida. Nada nos pertence.
Mas é possível que Dom Luiz Inácio não consiga se perpetuar no palácio, embora alimente visível divisão numa sociedade onde dois terços vegetam no desespero da necessidade extrema. A maior preocupação dessa parcela é não saber o que irá comer no dia seguinte.

Quem sustenta os planos mirabolantes, gestados nas entranhas da insensibilidade da burocracia nacional, são as classes médias espoliadas e exauridas por carga tributária a ocupar o primeiro lugar no planeta.

O Plano de Crescimento, como resposta às crescentes dificuldades que o país enfrenta, não tem como prosperar porque é preciso que se efetue radical mudança no atual modelo. Blábláblá infindável a justificar paliativos mal-intencionados.

Para que houvesse a mínima possibilidade de sucesso do PAC, seria necessário investimento interno de recursos financeiros contabilizados para o pagamento de juros de nossas impagáveis dívidas (interna e externa).

Mas não há como enveredar por tal caminho, enquanto o Banco Central for dirigido de fora para dentro e a corrupção estiver admitida como moeda de troca na compensação pela aprovação de projetos que beneficiam nossos algozes.

Todos os presidentes justificam que nada pode ser feito em curto período de tempo e que nossas mazelas existem há séculos. E todos agem no sentido da não mudança. Falta-lhes pudor. Até porque, em longo prazo, estaremos todos mortos.

Márcio Accioly é Jornalista.

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