sábado, 27 de janeiro de 2007

A Síndrome do Cadáver Politicamente Insepulto

Edição de Artigos de Sábado do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Jorge Serrão

"Agora, ou vai ou racha". O presidente Lula quase ficou lelé, depois que sentiu na pele as primeiras pressões oficiais dos Estados Unidos da América, cobrando uma posição política e diplomática clara sobre sua relação e apoio ao governo venezuelano, que só fala de estatização de empresas estrangeiras e socialismo. O setor do Departamento de Estado Norte Americano que cuida da América Latina enviou ao governo brasileiro, semana retrasada, via Itamaraty, um documento advertindo sobre a falta de limites de Hugo Chávez. A Águia da Condollezza Rice está com as garras afiadíssimas, apesar das dores de cabeça iraquianas.

Através da esperta ave, o “Seu Madruga” reclama que o Chapolim Colorado da Venezuela usa e abusa do dinheiro do petróleo na compra de armamentos e no financiamento para a formação de milícias na Venezuela, na Bolívia e no Equador, como preparativos para um conflito direto com a Colômbia. Tal advertência, por escrito, também foi enviada a alguns senadores brasileiros. A queixa foi expedida por orientação da Secretária de Estado Condoleezza Rice, e assinada pelos diplomatas Richard MC Qewa e Aníbal Goodman.

O documento estranhava a atitude do Brasil de não se posicionar contra as medidas beligerantes e estatizantes de Hugo Chávez. No caso do eventual conflito com a Colômbia, os EUA advertem que isso contagiaria a fronteira norte-amazônica do Brasil, que, na visão deles, ficaria desguarnecida para uma guerrilha que está sendo prevista. Os EUA também cobram de Lula uma posição clara contra a estatização de bancos, empresas telefônicas e companhias de energia, em curso na Venezuela. Mas a posição dele continuará dúbia, pendendo para o amigo Chávez.

Durante mais um passeio internacional no suntuoso Air Force 51 para dar satisfação de seus atos aos ricos controladores econômicos, em Davos, na Suíça, Lula provou que é mesmo Lelé pelo Chávez. Lula negou que o presidente venezuelano seja um elemento perturbador da América Latina. Em contradição, Lula reafirmou que "o caminho para a América Latina é a democracia". Só falta ele explicar qual o seu conceito de democracia. Lula também deixou clara a oposição ao presidente do México, Felipe Calderón, que havia manifestado preocupação com "ditaduras pessoais vitalícias".

O quadro elétrico é de tensão crescente na América Latina. Quinze dias atrás, o sistema paralelo de controle do tráfego aéreo, montado pelos EUA como alternativa de orientação para suas aeronaves frente ao apagão no Cindacta brasileiro, detectou um dos maiores movimentos de preparação para um conflito na América Latina. Segundo a inteligência norte-americana, pelo menos dois aviões militares cargueiros (um C130 e um Antonov) cruzaram os céus do norte do Brasil levando armas pesadas para a Venezuela e para a Bolívia. Os vôos vieram da Rússia, com escala em Cuba, e destinos finais em Caracas e La Paz.Os agentes norte-americanos detectaram que o lote de armamentos foi de 14 mil fuzis AK-47, três mil pistolas automáticas, grande quantidade de granadas, explosivos e detonadores, além de grande quantidade de botas especiais, fardamento camuflado para guerra na selva.

Não bastasse tal fato, O presidente Hugo Chávez, ameaçou expulsar o Embaixador dos EUA na Venezuela, William Brownfield, caso ele insista em pedir compensação a investidores norte-americanos afetados pelas nacionalizações:“Se você continuar se intrometendo nos negócios da Venezuela acima de tudo, estará violando acordos de Genebra, o que pode fazer com que se transforme em persona non grata e seja obrigado a deixar o País”. Este foi o recado bravateiro do Chapolim Colorado, que certamente foi nada bem recebido pelo “Seu Madruga”, lá na Casa Branca.

Mas os rolos diplomáticos ideológicos são fichinha. Na dura realidade, só existe um fato objetivo que consegue impor mais temor ao governo Lula que um simples papel irado do Departamento de Estado Norte-Americano. Trata-se da ameaça de divulgação de um novo laudo sobre o assassinato do prefeito petista de Santo André, Celso Daniel. O espectro do cadáver politicamente insepulto da República assombra o petismo.

Quem pretende desenterrar o caso assegura que Celso Daniel chegou a ser torturado e seviciado antes de morrer. Garante, também, que essa exumação política pode rolar com a cabeça de muita gente boa, próxima ao Palácio do Planalto. O cadáver do prefeito de Santo André vive mais politicamente insepulto que nunca. E ainda pode vir acompanhado do espectro do também assassinado Toninho do PT, prefeito de Campinas assassinado também em circunstâncias estranhas.

Quem viver verá... E para quem acha que é vivo, melhor é que fique claro. A verdadeira estória do morto pode arrastar muito poderoso para o inferno político. "Agora, ou vai ou racha" - como tem dito Lula, usando uma expressão popular que se aplica a tudo que ele pensa.

Jorge Serrão é jornalista, radialista e publicitário, especialista em Administração Pública e Assuntos Estratégicos. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total (http://alertatotal.blogspot.com)

2 comentários:

Mario disse...

Caro Serrão,

Sei que este assunto é totalmente offtopic, mas, é importante que você e seus leitores tomem conhecimento: JÁ HÁ PRESOS POLÍTICOS DESTE DESGOVERNO!


USP-Brasil e repressão: estudantes condenados à prisão por protestarem contra governo Lula

http://www.wsws.org/pt/2007/jan2007/por1-j27.shtml


Fui uspiano de 1968 a 1972, a fase mais difícil do governo militar e participei do Movimento EStudantil. SOU TESTEMUNHA! Nem naquela época houve ações desta natureza dentro da Cidade Universitária!

Anônimo disse...

Serrão, só uma perguntinha: vc é contra a nacionalização de empresas estrangeiras, muito bem, mas e a nacionalização das empresas brasileiras feita pelos grupos estrangeiros, AÍ PODE CARALHO ???!!!