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Por Márcio Accioly
Diz velho ditado que “Panela em que muito se mexe, ou sai insossa ou salgada”. Mas ainda não se conhece o timbre ou medida exata da panela do Poder Legislativo brasileiro. O que se sabe é que de lá não tem saído nada que preste, desde que se começou a cutucar, mesmo sem aprofundar o mexedor.
Claro que existem figuras de escol no Congresso Nacional, pois toda regra tem exceção. Tanto de um lado (Câmara dos Deputados), quanto do outro (Senado), é possível encontrar pessoas agindo com seriedade. Mas a verdade é que gente assim é contada nos dedos. E talvez nem seja preciso utilizar os dedos das duas mãos.
Se for perguntado: “-Afinal, quem presta?” A memória atuará de forma seletiva e irá mergulhar na visualização dos 81 integrantes do Senado. De imediato, surgem os nomes dos senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Jefferson Peres (PDT-AM).
Cada um de nós tem defeitos a enumerar que se perdem de vista, dependendo do lado de quem observa. Pedro Simon e Jefferson Peres podem não ser exemplos de pureza absoluta, mas têm agido com honestidade e desempenhado com honra os seus mandatos.
Há alguns dias, logo no início da crise que revelou a boiada de Renan Calheiros (PMDB-AL), Simon subiu à tribuna e disse que quando falou no nome de Jefferson Peres para presidir o Conselho de Ética, riram na cara dele.
Somente por este fato, dito por um homem do quilate do ex-governador gaúcho, pode se avaliar integrantes da chamada Câmara Alta. No lugar do senador pelo Amazonas, preferiram colocar o suplente da ministra Marina Silva (Meio Ambiente), Sibá Machado (PT-AC). Ele até já renunciou.
Sem ter recebido um só voto para ocupar tão relevante cargo, Sibá, que quando jovem trabalhou como coveiro, empenhou-se em se envolver nos maiores conchavos, com o objetivo de salvar o presidente do Senado e sepultar de vez qualquer esperança de que agiria com a dignidade que a situação exige.
O Conselho de Ética não serve para nada. Na sexta-feira (29), o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), propôs, inclusive, mudar a sua composição. Ele defende que cada legenda, se tiver no mínimo três senadores, possa indicar um titular e um suplente, evitando o domínio de partidos sobre outros, como agora acontece.
No Conselho de Ética, dormita pedido de cassação do senador Romero Jucá Filho (PMDB-RR), bem fundamentado, provando por A mais B que ele falsificou documentos ao tentar se livrar de pedido de cassação anterior.
Até hoje não se investigou séria denúncia efetuada pelo jornal Folha de S. Paulo, mostrando que sua excelência quebrou o decoro parlamentar ao efetuar empréstimo milionário junto ao Basa – Banco da Amazônia S/A.
Naquele empréstimo, o senador Filho, de acordo com reportagens publicadas no jornal, apresentou como garantia sete fazendas inexistentes no estado do Amazonas, deixando a instituição financeira a ver navios.
Como é que se consegue brecar a violência que se dissemina pelo país, punindo-se ladrões de galinha e assaltantes de rua, se no Senado existem integrantes que carregam milhões de reais dos cofres públicos, é denunciado por jornal importantíssimo como a Folha e tudo parece cair no esquecimento?
Há um processo de saturação que pode aumentar o nível de violência. Ninguém agüenta mais tanta injustiça. É preciso que se grite “Basta” a tudo isso. Fala-se em Renan e Roriz, mas falta outro “R”, o de Romero Jucá Filho nas investigações.
Márcio Accioly é Jornalista.
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