quarta-feira, 20 de junho de 2007

A Importância da Fama

Edição de Artigos de Quarta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

O STF – Supremo Tribunal Federal – negou liminar ao deputado federal Edigar Mão Branca (PV-AL), que insiste em usar chapéu de couro nas dependências da Câmara, apesar de apelos já efetuados pelo presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP) e parlamentares que vêem no fato “quebra de decoro”.

São situações interessantes no Congresso Nacional: mensaleiros, sanguessugas e figuras do mesmo naipe foram absolvidas em plenário, embora tivessem condenação recomendada pelo Conselho de Ética. Desviar recursos públicos e meter a mão nos cofres do país pode se configurar crime perdoável. Usar chapéu, nem pensar!

Esse não é o primeiro caso de parlamentar causar problemas por conta do uso de chapéu na Câmara. Na legislatura 1983-87, Múcio Athayde (PMDB), eleito pelo estado de Rondônia, ficou muito conhecido por só andar de chapéu. Ele o usava no estilo cowboy, abas levantadas, diferente da moda cangaceira de Mão Branca.

Múcio se elegeu a primeira vez, como deputado federal, pelo PTB de Minas Gerais. O golpe militar de 64 o cassou por corrupção, um ano depois da posse, em ato publicado no Diário Oficial de 14/04/64.

Depois de recuperar seus direitos políticos (suspensos por 10 anos), Múcio decidiu eleger-se por Rondônia, estado no qual jamais havia colocado os pés. Montou esquema vitorioso para a compra do mandato e se deu bem.

Na Câmara dos Deputados, se alguém de Rondônia comparecesse a seu gabinete, solicitando qualquer tipo de ajuda, recebia a seguinte explicação:

“-Eu não ajudo ninguém, pois não devo nada a ninguém. Paguei caro por cada um dos votos que recebi e cumpri o acordo que fiz”.

Nunca mais colocou os pés naquele estado, sendo proprietário de jornal em Brasília (DF), o qual diariamente publicava sua foto na primeira página com manchete que ele mesmo escrevia. Era sempre citado como “O Homem do Chapéu”.

Não largava aquela peça do vestuário para nada. Só conseguia pensar se estivesse com a cabeça coberta. Dizia-se que o chapéu era como se complemento da própria massa encefálica. Se andasse sem ele, desequilibrava e caía.

É possível não ser este o caso (quem sabe?) do deputado Edigar Mão Branca, mas ninguém jamais conseguiu encontrá-lo, também, sem a indefectível cobertura. Ele já falou algumas vezes na tribuna da Câmara, sempre com o chapéu de couro.

No dia em que for obrigado a retirá-lo do cocoruto, certamente irão prestar mais atenção ao que diz, já que poderá acontecer até mesmo quebra no padrão rítmico de seu raciocínio. Há quem jure ter presenciado tal comportamento no antecessor, Múcio Athayde.

Se proibir o uso de chapéu contribuísse para elevar o nível dos que integram a Câmara (como representantes de população desenganada e mais do que desencantada), o procedimento seria aplaudido. O duro é verificar que todos os envolvidos em desvios e negociatas das mais escabrosas sempre foram vistos com a cabeça nua.

Múcio Athayde mora já há algum tempo na Flórida, Estados Unidos, onde dizem que trabalha na área de construção e abandonou de vez a militância partidária. Desistiu do Brasil, que considera muito violento e segue à risca as leis na Terra do Tio Sam.

Sabe que lá, se agir fora dos ditames, corre o risco de ser preso com um par de algemas e corrente nas pernas, sendo encarcerado num sistema onde não se facilita muita coisa para a maioria esmagadora. Por isso que, lá, as instituições funcionam.

Quanto a Mão Branca, o uso do chapéu de couro tem lhe rendido notoriedade.

Márcio Accioly é Jornalista.

4 comentários:

Giuseppe Brandoni-20/6/07 disse...

NA CASA DOS PORCOS CHAFURDAM OS CÍNICOS.



É lamentável o baixo nível a que chegou a nossa ex-casa maior.

Repleta de travestis de homens públicos o Senado sangra no açougue de desatinos onde as vacas malditas da corrupção são cortadas ao vivo sob o escárnio de uma população estupefata.

E o que fazem os vetustos habitués da casa? Nada. A não ser gritarem fracamente enquanto energùmenos defensores de Calheiros berram como putas histéricas querendo transformar o cinismo empedernido em novela de horrores que nunca deveria ter começado.Façanhas sexuais com emissão de notas e recibos frios são escoltados pelo cinismo. Não se investiga nada e canalhas sem expressão ganham poderes de advogados e juízes de uma farsa.

A que ponto chegamos?

Vão para casa, calhordas que mancham uma instituição que deveria ser sagrada.

Sibás, Salgados, Virgílios, até o 81, maturos, matreiros, atrevidos ou enrustidos, esses espectros de homens públicos que enxovalham e envergonham a vida pública, deveriam ser retirados logo de cena e antes que um desastre faça implodir de vez o que resta da miserável classe de políticos que envergonha o país.

Os fracos, os velhos, os de vozes débeis que se retirem igualmente do antro em se transformou o que deveria ser o exemplo maior do legislativo.

Que as putas sejam enxotadas, extirpadas e que os cambalachos de espertos seja expurgado com mão de ferro para que não vejamos propagados pelas gerações futuras uma praga de clones de cafetões, cafeteiras, que se escondem na safadeza, na omissão ou no crime, para preservarem o privilégio de assaltar a nação.

Anônimo disse...

É giusepe, voce está certíssimo! Mas não é so o congresso que se transformou em prostíbulo. É o executivo,principalmente; o judiciário, absurdamente e toda a máquina pública, estatais, autarquias, secretarias, e mais o diabo...está tudo podre, meu caro, tudo podre.

Anônimo disse...

Realmente a história de corrupção do Mucio Athayde é longa. Se enriqueceu dando golpes em viúvas, lesando a construção civil e se aproveitando dos seus direitos políticos. O bom de tudo é que a lei de Deus é maior e os perversos não prevalecerão. Uns idiotas como este acha que pode fazer o que quiser, ao invés de servir o próximo.

Jorge Dom disse...

Gostaria de saber se esse deputado mineiro de Rondonia (Mucio Atayde) é o mesmo que casou com a Miss Brasil 1961 , Stael Abelha...