domingo, 18 de novembro de 2007

Assassinatos e roubo como forma de governo

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

Por Márcio Accioly

O Brasil é um país nascido sob o signo da corrupção. Sempre vivemos sob o amparo da mais tácita e tranqüila roubalheira. Desvios são promovidos em todos os escalões da República, com a bandalheira sempre justificada em escabrosos argumentos.

Daí, nada demais esse “acordo”, ora anunciado aos quatro cantos, no qual o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), renunciaria à Presidência daquela Casa em troca de ter seu mandato preservado.

Todos ficariam de olhos fechados às aberrações contidas nos vários processos a que sua excelência responde, e não seriam encontradas provas suficientes para levá-lo à cassação. Aliás, diga-se de passagem, prova é o que não falta.

O que falta é vergonha na cara-de-pau de muitos de seus iguais, num país em que o contribuinte gasta milhões de reais anualmente para financiar escória da pior espécie. A jogada é muito simples e escancarada para quem quiser enxergar.

No Conselho de Ética, pede-se a cassação de sua excelência, pois a votação é aberta. No plenário, onde a decisão é secreta, vota-se pela absolvição e a grande maioria diz que optou pelo afastamento, mas foi vencida.

Nos idos de D. Pedro I, nos “sete anos em que durou sua ligação” com o imperador, Domitila de Castro, marquesa de Santos, acumulou considerável fortuna. “Qualquer comerciante sabia que, para liberar do porto determinadas mercadorias, bastava molhar a mão da marquesa de Santos”.

Um pouquinho antes, em 1816, quando D.João VI se tornou rei, o servidor Plácido Antônio Pereira de Abreu “foi nomeado chefe da Real Ucharia”, a dispensa do Palácio Real. Ali, eram armazenados todos os alimentos que abasteciam a mesa do rei.

O barbeiro, que em determinada época foi sócio de D. Pedro “num negócio de compra e venda de bois e cavalos”, costumava requisitar “toda a produção de determinado gênero alimentício”, revendendo o que sobrava a particulares por preços extorsivos.

A situação atingiu tal nível de abuso que, em 1819, três anos depois, um grupo de cidadãos enviou carta de protesto ao rei. Nela, reclamava-se da “falta de galinhas para o socorro dos enfermos particulares, pois por dinheiro algum as podem encontrar senão em mãos do galinheiro da Real Ucharia”.

Quem quiser saber mais detalhes de nossas origens deve ler o excelente livro de Isabel Lustosa, “D. Pedro I”, série perfis brasileiros (Companhia das Letras). Ou, então, dirigir-se ao ex-presidente e atual senador Collor de Mello (PTB-AL), que declarou certa ocasião, em entrevista, achar que foi D. Pedro na outra encarnação.

Pode ser que sua excelência consiga lembrar-se ainda de alguma coisa que tenha passado despercebida no livro citado. O fato é que a amante de D. Pedro cobrava propina, mas repassava cinco por cento do que amealhava aos intermediários de qualquer transação, dizendo “ser praxe”.

O que pode existir de diferente, desde o período imperial, é o valor do percentual cobrado: em algumas gestões, como já se tem comprovado, chega-se a cobrar quase 50%, sendo que, em alguns casos, o serviço pago sequer é realizado.

Agora, os meios de comunicação anunciam que o presidente Dom Luiz Inácio está se empenhando pessoalmente pela absolvição de Renan Calheiros, afirmando ser o presidente licenciado do Congresso Nacional “um importante aliado”.

Na prática, dá-se seqüência tão somente a uma política herdada do Estado português, fundada em vícios, transgressões imperdoáveis e assassinatos eventuais.

Márcio Accioly é Jornalista.

Um comentário:

Anônimo disse...

Caro Marcio,

Continue c/ seu excelente trabalho.

A cara de pau de nossos governantes e exponencialmente proporcional a ignorancia e desinformacao do povo.