terça-feira, 27 de novembro de 2007

Como matar militares dormindo

Edição de Artigos de Terça-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Aluísio Madruga

Hoje, 27 de novembro de 2007, a Intentona Comunista de 1935 completa 72 anos. Tendo eclodido no dia 23 de novembro em Natal/RN e dia 24 em Recife/PE, só no dia 27 teve início no Rio de Janeiro, no quartel do 3º Regimento de Infantaria na Praia Vermelha e na Escola de Aviação no Campo dos Afonsos, então subordinada ao Exército.

Nos vários dicionários não vamos encontrar unanimidade nos sinônimos a respeito da palavra intentona, mas há nos significados. A seguir alguns exemplos: plano insensato, intento louco, conluio, rebelião, motim, conspiração, sedição, revolta, conjuração, insurreição ou intento insano. Porém, historicamente, Intentona Comunista é o nome oficial da insurreição militar que ocorreu no Brasil nas cidades acima citadas, cujo número real de mortos nunca foi oficialmente revelado pelo Governo da época, possivelmente para diminuir o episódio revolucionário marxista–leninista ou olhá-lo como insignificante, quando, na realidade não o foi, principalmente, pela maneira covarde e vil como os conspiradores, em prol de uma outra Nação, traíram seus companheiros de farda e a própria Pátria.

Antônio Carlos Otoni Soares, por ocasião das comemorações da Intentona Comunista em 1985, escreveu o livro Os 50 anos da primeira Intentona Comunista, no qual aborda com muita propriedade fatos negados com veemência pelos comunistas, ou seja, que assassinaram seus companheiros de maneira traiçoeira, covarde e vil, quando muitos deles dormiam.

Os comunistas e os setores da propaganda partidária esquerdista permanecem até hoje negando, afirmando que estas idéias são fruto da invenção e dos preconceitos anticomunistas, pois todos os que tombaram estavam lutando. “Não houve ninguém, oficial ou soldado, assassinado na cama pelos companheiros sublevados. Os que morreram, morreram lutando”.(Barbosa Lima Sobrinho – na orelha da contra capa do livro de Hélio Silva – 1935 – A Revolução Vermelha).

Ora, como afirma Otoni em seu livro, a versão de que houve morte de militares dormindo não surgiu anos ou décadas depois da Intentona. Esta versão é da própria época. Consta, por exemplo, do Jornal Correio da Manhã de 30 de novembro de 1935, sábado, página 4, num editorial intitulado “O Castigo” que afirma: “já estão reconstruídas algumas scenas da tragédia que culminou na verdadeira batalha da Praia Vermelha.....Contam-se entre os episódios tenebrosos daquelle dia impiedosas liquidações summarias, nas quais intervieram indivíduos despidos de todo o sentimento, até de simples humanidade....Um official friamente assassinado por mão de seu companheiro que trazia a arma envolvida num jornal: outro morto quando dormia e teria sido fácil prende-lo e desarmá-lo”.

Esclarecemos ao leitor que a rebelião no Rio de Janeiro ocorreu após um período no qual a tropa estava pelo menos a cinco dias de prontidão, portanto, exausta e que o movimento teve início após a meia-noite.

É interessante citar a opinião moderada de um oficial que participou dos referidos combates, o então tenente José Campos de Aragão, que se reformou como General de Divisão. Em seu livro sobre a Intentona, na página 75, o Gen. Aragão assim se manifesta: “ O capitão Armando de Souza Melo e o tenente Danilo Paladini, que repousavam no momento da insurreição, foram mortos pelos revoltosos ainda aturdidos quando se levantavam”. E sobre estas declarações comenta em seu livro Otoni Soares: “dizer que alguém foi morto quando estava atônito e aturdido, no exato momento em que se levantava do descanso, não quer dizer que estivesse dormindo, embora mais próximo do estado de sono do que de vigília. Contudo, passar de um extremo ao outro: os que morreram, morreram lutando, como afirmam os comunistas, também não tem sentido”.

Finalmente, é importante deixar claro que os comunistas atuais continuam enobrecendo a Intentona, planejada e determinada pelo governo comunista da Rússia e executada pela Aliança Nacional Libertadora sob a liderança de Luís Carlos Prestes, como se matar alguém, acordado e cara a cara, pelas costas ou que estivesse dormindo, buscando o objetivo de submeter a própria Pátria a uma nação estrangeira, com a intenção de destruir valores morais, sentimentais e cívicos de um povo, faça diferença. São uns cínicos.

Naquele momento histórico e qual era o pensamento da mídia? Os comunistas assassinaram militares seus companheiros de farda de maneira covarde ou não? O certo é que até hoje insistem em negar. Que o leitor tire as suas conclusões.

Vejamos então o que escreveram alguns jornais:

“Tropas se sublevaram no Norte”

“Natal em poder dos amotinados, tendo o governador do Rio Grande do Norte abandonado a capital”.

“Combates sangrentos em bairros do Recife. Afogados é o centro dos amotinados”.

“Foi decretado o estado de sítio em todo o País. No Rio e nesta capital as tropas estão de prontidão”.

“O movimento devia explodir em cinco pontos diferentes. Colunnas de civis combatem os extremistas”.(Esclarecimentos do autor: estes últimos fatos ocorreram no Rio Grande do Norte, onde os civis situacionistas retomaram a cidade de Panellas, fazendo mais de 90 presos.)
(Correio Paulistano, 26 de novembro de 1935).

“Dominados os levantes do 3º RI e da Escola de Aviação. O Movimento sedicioso do Nordeste tende a ser debellado de um instante para outro. As primeiras notícias do Movimento. Os rebeldes roubaram 3 mil contos da Agência do Banco do Brasil”.

“Os amotinados da Escola de Aviação renderam-se sob a pressão de cargas de baionetas. Commentários da imprensa Allemã sobre os acontecimentos em nosso País”.
(Correio Paulistano, 28 de novembro de 1935).

No que diz respeito aos comentários constantes da edição de Correio Paulistano, acima citado, destaco os seguintes trechos:

“o atual movimento sedicioso no Brasil é qualificado como uma das conseqüências da agitação systemática do Komintern russo”.

“o jornal (Correspondência Nacional Socialista) tratando dos movimentos communistas na América do Sul, publica: na América do Sul há terreno favorável ao desencadeamento de uma guerra civil de grande envergadura. É pela primeira vez que se verifica um effeito prático dos processos bolchevistas, principalmente na propaganda do credo de Moscou entre os militares”.

“Doze horas de Nutrido Fogo. Prisão dos rebeldes. Os feridos. Fuga e delação dos chefes do Movimento da Escola de Aviação. O capitão Agildo Barata na detenção. Destino dos prisioneiros. O estado de saúde do coronel Affonso Ferreira. A Central do Brasil está exigindo salvo-conducto. Outras notas: os Correios e Telegraphos homenageiam os mortos da revolução. 21 mortos e 63 feridos, só no Hospital Central do Exército no Rio de Janeiro”.
(Correio Paulistano, 29 de novembro de 1935)

“Violentas explosões num depósito clandestino de munição de guerra. O bairro do Grajahú em pânico.”
(Correio Paulistano, 24 de dezembro de 1935).

“ Foi assinado decreto prorrogando o Estado de Sítio. Eram de fabricação recente as bombas encontradas em virtude da explosão no bairro do Grajahú”.
(Correio Paulistano de 25 de dezembro de 1935)

“Os explosivos encontrados no Grajahú , destinavam-se a ataques contra Unidades Militares do Rio. As importantes declarações de Franco Romero sobre os planos terroristas”.
(Correio Paulistano de 27 de dezembro de 1935).

“Irrompe em Natal e Recife um movimento extremista. Cem mortos entre os revoltosos de Recife”.
(Correio da Manhã de 26 de novembro de 1935)

“Um tópico sobre Luiz Carlos Prestes. O Correio da Manhã escreve em tópico de hoje: o capitão Agildo Barata, logo depois de sua rendição, mostrou a um nosso redactor uma ordem de sublevação assignada por Luiz Carlos Prestes. Esta mesma ordem possivelmente foi recebida pelos que se revoltaram na Escola de Aviação e quem sabe quantos mais. A cidade e todo o Brasil estão hoje consternados com o que viu. Sangue de bravos brasileiros, derramado criminosamente em virtude de um simples bilhete.”
(Correio da Manhã de 30 de novembro de 1935).

No prosseguimento publicaremos o INTENTONA COMUNISTA III, quando abordaremos, transcrito do Correio da Manhã de 6 de dezembro de 1935, o Relatório de Dimitroff, apresentado no VII Congresso Mundial do Komintern. Dimitroff era dirigente búlgaro da Internacional Comunista, homenageado por Luiz Carlos Prestes em nome das delegações sul-americanas.

Aluisío Madruga de Moura e Souza é coronel da reserva do EB e autor dos livros: Guerrilha do Araguaia – Revanchismo – A Grande Verdade e do Documentário – Desfazendo Mitos da Luta Armada. Artigos originalmente publicados no site do grupo Terrorismo Nunca Mais (Ternuma)

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