sábado, 3 de novembro de 2007

Maria vai com as outras

Edição de Artigos de Sábado do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

Por Arlindo Montenegro

Nadar contra a maré exige energia e esforço muscular redobrado. Exige maior tempo para completar a travessia e o resultado é a experiência de uma visão diferente, física e mentalmente. Provoca a ira dos acomodados nestes tempos bicudos em que agir de modo “politicamente correto” implica agir como “Maria vai com as outras”.

As grandes contribuições científicas da história da humanidade, o conhecimento humano origina-se de cérebros individuais e equipes de pesquisa que normalmente nadam contra a maré.

No século passado, um filme americano, “Férias de amor”, foi comentado por conter mensagem subliminar, um tipo de sugestão que o inconsciente aceita sem censura e o aparato racional humano nem desconfia. A mensagem do filme era um teste do tipo “coma pipoca”, embrulhada em música suave e com as imagens coloridas do cafajeste conquistando a mocinha rica na paisagem bucólica. Dizem que a pipoca dos quarteirões vizinhos acabou, para alegria dos pipoqueiros.

Dizem também que Nixon utilizou a ferramenta do conhecimento científico em sua campanha e que a prática foi censurada e proibida, por indecente e abusiva. Entretanto, os cientistas comportamentais continuaram pesquisando e enriquecendo a metodologia dos processos de indução de comportamentos. Tudo na moita, com resultados publicados apenas em revistas especializadas, sem informação para conhecimento do grande público, objeto (ou vítima?) das experiências mabuseanas.

Quando se fala em teoria da conspiração, o assunto é repelido com toques irônicos. Alguns assuntos no Brasil atual, mantidos a sete chaves nas gavetas dos formadores de opinião tem nome: Foro São Paulo, presença de narcotraficantes das farc treinando milícias nas periferias e favelas, treinando os guerrilheiros do mst, via campasina, mslt.

E mais a sistemática desmontagem cultural promovida pelos petistas, bem organizados e presentes em todos os quadrantes, financiados e protegidos pelo governo. E mais outros complexos assuntos que encheriam as prateleiras de um hiper mercado. Assuntos intocáveis ou apenas sugeridos, políticas, crimes, roubo continuado, liberdades comprometidas, ameaças veladas, propósitos e execução do projeto de socialização continental.

As leis, fabricadas no congresso nacional, sinalizam os limites do exercício das liberdades, conquistadas a duras penas pelas civilizações: cristã, judaica, budista, hindu... Traçam as fronteiras entre o estado regulador, o indivíduo e a sociedade livre.

Uma recente pesquisa feita pela Associação dos Magistrados Brasileiros, informa que somente 11% dos brasileiros confiam nos políticos e apenas 16%, confiam nos partidos políticos. Devem ser todos petistas. O dado interessante é que a Polícia Federal e as Forças Armadas são as instituições mais confiáveis, com a aprovação superior a 70%.

Mais de 94,3% acham que um político processado na Justiça não deveria poder concorrer a cargos eletivos. Os 15,7% restantes devem ser petistas e aliados.

Quando será que vão ser efetuadas mudanças neste cenário? Que liberdades asseguradas temos para exigir o que realmente signifique o bem da nação e do país? Que amplie as liberdades em vez de restringi-las? Que mecanismos e informações tem a nacionalidade para prevenir-se de mensagens subliminares e mecanismos outros de indução de comportamentos? Quem liga pra isso?

D. José da Cunha Azeredo Coutinho, bispo de Pernambuco, falecido em 1821, respondeu a uma pergunta sobre leis:

“As leis, meu filho... são teias de aranha que servem para apanhar insetos, mas que se deixam romper pela pressão de qualquer corpo mais pesado!”

A radiodifusão sonora ou de sons e imagens, de acordo com padrões internacionais, deve ser protegida contra interferências políticas ou comerciais, mas não há como proteger de mensagens subliminares. A independência e diversidade devem ser respeitadas. Seu conteúdo “deve servir ao interesse público e, em particular, ser equilibrado e imparcial”. Mas nada existe contra a indução de comportamentos nas escolas, nas igrejas, na imprensa...

Stuart Mill, ensina que “toda função que se acrescenta às já exercidas pelo governo transforma, mais e mais, a parte ativa e ambiciosa do público em dependente do go­verno. Se quase todas as ocupações da sociedade estivessem nas mãos do Estado e se os cargos do governo fos­sem preenchidos pelos mais capa­zes, toda a cultura, toda a inte­ligência prá­tica do país, exceto a puramente espe­culativa, se concen­traria numa buro­cracia numerosa, da qual o resto da comunidade esperaria tudo.”

E não é o que se pode dizer que está acontecendo? E não se pode mesmo justificar o comportamento de Maria vai com as outras, pela utilização massiva de metodologias subliminares e comportamentais?

Só se pode pressupor um acerto, quando se conhecem as várias faces de um assunto, situação impossível quando a liberdade de expressão de uma parte da sociedade, aquela que nada contra a maré é sufocada, ironizada e desprezada como “teoria da conspiração”.

O boi que segue a manada não tem escolhas. Os desacertos podem ser corrigidos se forem analisados, discutidos sob todos os aspectos, postos em pratos limpos e somente assim, experimentando práticas comprovadamente construtivas, poderemos experimentar pleno emprego e auto estima como em somente dois momentos mais recentes se conheceu em nossa história: Juscelino e Médici, único que teve aprovação pública superior a 90% no fim do mandato.

Outra coisa: nenhum dos governantes militares tentou a reeleição. Todos cumpriram a Lei. E todos pareciam ansiosos para passar o abacaxi para a mão do outro. Estas são verdades documentadas, deixaram de ser opinião para ser fundamento.

O hábito constante de corrigir e completar a própria opinião cotejan­do-a com as dos outros, em lugar de gerar dúvidas e hesitações, torna possível a alguém concluir que sua opinião é melhor que a dos outros ou que a da multidão, que não passaram por semelhante processo.

Gerar dúvidas e hesitações é uma ferramenta de indução comportamental. Comparar opiniões permite afastar-se da boiada. Nos primórdios da nossa civilização, entendia-se por liberdade proteger-se contra a tirania dos governantes. O poder total era percebido como imensamente perigoso, uma arma que os poderosos sempre acabavam utilizando contra os inimigos internos e externos. A limitação do poder garantia a liberdade. E as liberdades conquistadas desde então são mais úteis e preciosas para cada indivíduo, para cada nação. Como então suprimi-las?

Mensagens subliminares e outros processos de indução de comportamentos, parecem estar sendo utilizados a todo vapor, na marquetagem política, nos discursos oficiais, nos textos escolares, nas campanhas oficiais pela tv, jornais, rádios, revistas, documentários e outras publicações digestivas que simulam estar informando e que apenas fornecem o prato feito para os Maria vai com as outras, para a idiotização acelerada dos que, por natureza não gostam de estudar, pesquisar, informar-se de fontes diversas antes de decidir que idéia e que valores são dignos de defesa.

Arlindo Alexandre Montenegro é Apicultor.

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