domingo, 25 de novembro de 2007

O inimigo bem ao lado

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

O que mais impressiona na implacável disputa pelo poder, empreendida por viciados e mal-acostumados políticos brasileiros, é a falta de sensibilidade com relação a alarmantes problemas que corroem nossas instituições.

Não se sabe, finalmente, qual a serventia dos representantes do poder público, grande parte envolvida com desvios de recursos financeiros e desenfreada corrupção, desmoralizando qualquer tentativa de imposição de autoridade.

Enquanto brigam por espaços, nossas “autoridades” demonstram desconhecer o que acontece no país, principalmente com relação à segurança pública. O índice de violência em Pernambuco, por exemplo, já extrapola todos os níveis, sem que se tomem medidas indispensáveis e inadiáveis. O que se está esperando?

Na última semana, o Pará foi alçado ao centro das discussões, ao se descobrir que ali as prisões tornaram-se mistas, com mulheres colocadas em celas masculinas e barbarizadas na cumplicidade do Estado.

A violência registrada em todo o país aterroriza a população e a faz refém da inação estatal. E voltemos mais uma vez a Pernambuco, onde autoridades municipais e estaduais se mostram incapazes de encaminhar qualquer proposta viável.

Recentemente, parlamentares federais da CPI do sistema carcerário percorreram as dependências do Presídio Professor Aníbal Bruno, no bairro do Sancho, descobrindo, em suas próprias palavras, tratar-se do “pior complexo prisional do país”.

O deputado Neucimar Fraga (PR-ES), presidente da CPI, sugeriu a demolição imediata do presídio, classificando-a ser “uma prisão exemplo do que não deve ser feito”.
De acordo com a página da internet (PE Bodycount) que faz a contagem diária de mortes em Pernambuco (média de 13 assassinatos por dia), o Aníbal Bruno abriga a maior população carcerária da América Latina com quase quatro mil presos.

Se fossem cumpridos todos os mandados de prisão expedidos pela Justiça, não existiria espaço suficiente para apenados amontoados em celas exíguas e superlotadas. Basta acessar http://www.pebodycount.com.br/home/index.php e comprovar o absurdo.
É quase impossível encontrar um morador do Recife que não tenha sido vítima ou testemunha de algum ato de violência. Em todos os bairros, ruas e avenidas, os assaltos são praticados a qualquer hora do dia, ou da noite.

Os prejuízos à economia são significativos, com o fechamento de restaurantes e casas noturnas. Nas portarias dos prédios residenciais, os condomínios contratam grupos de segurança particular que fazem ronda permanente, inclusive acompanhando os moradores na entrada e saída dos prédios.

Diante de situação tão inquietante, o PSDB realizou Convenção Nacional em Brasília (DF), na qual o ex-presidente FHC (1995-2003), poço de vaidade alheio aos interesses nacionais, afirmou que o país quer ser governado “por quem saiba falar corretamente a língua”.

O que o brasileiro gostaria mesmo seria de ter emprego, segurança e saúde. E, claro, educação. Mas, em troca, os mais pobres estão tendo bolsas-esmolas e programas que só irão agravar o quadro de miséria nos seus desdobramentos.

FHC foi quem pôs em prática o desmonte generalizado ao qual o presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP) vai alegremente dando seqüência. As cidades brasileiras estão gritando por socorro há décadas, sem conseguirem chamar a atenção dos governantes. Infelizmente, nesse ritmo, não irá demorar muito para uma catástrofe.

Márcio Accioly é Jornalista.

5 comentários:

Anônimo disse...

E o Sr Lula mostrando o paraíso tropical q é o Brasil e a mídia dando destaques à imbecilidade de um apedeuta que está levando o país às profundezas do inferno. Pasmem!!!É de chorar!!!!
Maria Cristina SP/SP

Eraldo Angelo disse...

É hora de parar de se admirar com a indiferneça do poder público com o caos reinante. Violência em Pernambuco, no Pará, no Brasil inteiro ... Mas, afinal, não é esse o objetivo? Ou alguem duvida que o país está sendo conduzido propositalmente para o clima de "quanto pior, melhor"? Quem não sabe que população acuada e desinformada é de fácil manipulação? Quando o povo é facilmente dirigido, qualquer apedeuta pode galgar o poder e dele desfrutar e é isso que importa. O PT (partido dos trapalhões, como dizia o ministro Armando Falcão) tinha um discurso contundente até assumir a presidência da república; aí mudou a postura, dando um giro de 180 graus. Não será prova suficiente de que se aproveitou do "quanto pior, melhor"? E que, portanto, é melhor que fique pior, para manter-se no poder? Esse é o objetivo do momento.

Anônimo disse...

Segundo o Mula e a midia amestrada e puxa saco tudo esta otimo na republica bananeira do Braziu que continua lindo... Enquanto isso as instituicoes vao sendo demolidas e desmoralizadas pelos trogloditas do PT.

Koppe disse...

Não temos inimigo só "ao lado".

Temos inimigos armados querendo roubar o pouco que temos; inimigos fardados corruptos, que por uma mesada facilitam a vida dos traficantes e seus chefões; o terrível inimigo que está em todos os nossos lares, disfarçado como uma inocente caixa de plástico com uma face feita de vidro, diariamente nos distraindo para não percebermos a presença dos outros inimigos; inimigos de terno e gravata, que só se lembram de nossa existência uma vez a cada 4 anos, e que ficam o resto do tempo nos roubando.

A bem da verdade, não temos "Inimigo bem ao lado", mas sim "Inimigos por todos os lados".

Anônimo disse...

"os analistas de inteligência norte-americanos avaliam que o presidente Lula teme o poderio bélico de Hugo Chávez – que é o coordenador militar do Foro de São Paulo"

Os analistas deveriam usar mais um pouco a inteligência e realizar uma leitura com um pouco de atenção do discurso do Lula no FSP 2005.

"Foi assim que nós, em janeiro de 2003, propusemos ao nosso companheiro, presidente Chávez, a criação do Grupo de Amigos para encontrar uma solução tranqüila que, graças a Deus, aconteceu na Venezuela.

E só foi possível graças a uma ação política de companheiros. Não era uma ação política de um Estado com outro Estado, ou de um presidente com outro presidente. Quem está lembrado, o Chávez participou de um dos foros que fizemos em Havana. E graças a essa relação foi possível construirmos, com muitas divergências políticas, a consolidação do que aconteceu na Venezuela, com o referendo que consagrou o Chávez como presidente da Venezuela.

Foi assim que nós pudemos atuar junto a outros países com os nossos [..] dos partidos daqueles países, [...] sempre utilizando a relação construída no Foro de São Paulo para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política." (Lula - http://www.info.planalto.gov.br/download/discursos/pr812a.doc )