quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Querem acabar com as mulatas!

Edição de Artigos de Quinta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Ernesto Caruso

Em um passeio pelos canais de televisão, me deparei com a TV Senado que transmitia uma das sessões, onde os discursos focavam a CPMF e a própria existência daquela Casa, podendo ser citado o veemente senador Mão-Santa do Piauí, que com verve e conhecimento da História, como o próprio sublinha, destaca o nível do Senado atual como o melhor nos seus 183 anos de existência, e que representa a última resistência em defesa da democracia, alinhavando nomes de presidentes das Repúblicas vizinhas como um sinal de alerta do descaminho delineado, como os do Chávez, Morales, o da Nicarágua (cita só o país, mas é o Daniel Ortega) e Correa, do Equador.

O pronunciamento do senador Paim, do RS, diz respeito ao Dia da Consciência Negra, que procura estender essa capa protetora contra toda a forma de preconceito, não somente aos negros, como também a outras minorias, como se negros de sangue, origem afro com outros migrantes, ainda fossem minoria perseguida. Arrola judeus e homossexuais no mesmo conjunto. Ora, se é uma proteção aos desrespeitados, apartados, alijados, o porquê da comemoração com esse epíteto. O humanismo está na generalidade e não na particularidade. Se apartados são os moradores desassistidos das periferias e favelas, há os de várias origens étnicas que precisam de socorro humanitário, assistência médica que não têm, educação e trabalho.

Igualdade racial não é privilegiar alguém pela cor da pele, há que se olhar para as pessoas com uma profundidade maior, além da matéria, do concreto; a pele é superfície. Se for preciso conceder cotas para levantar a média da estatística que se pense em todos os que precisam encontrar portas abertas nas escolas e universidades. Quantos de origem nordestina estão nas periferias, de origem branca? Não são filhos de Deus? A questão social deve ser a preocupação.

Não acredito que o voto seja o motivo principal de uma proposta política para atingir um nicho do universo eleitor, para criar desigualdade, oferecer vantagens, como se fosse o camelô postado próximos aos postos de vistoria do Detran Rio (um outro absurdo da administração pela exceção) para alugar pneus em bom estado.

Fico com dúvidas a respeito da afirmação de que os negros ganham menos dos que os brancos (não gosto nem de escrever tais classificações, quando entendo tratar de brasileiros, como ponto capital), quando desempenham a mesma função. Onde? Como? Quais os empregadores que tendo dois competentes engenheiros, dois competentes mecânicos, dois competentes serventes, mestres, doutores, professores, pagam menor salário aos negros?

O Sen Paim traz à tona a novela DUAS CARAS e o beijo entre a atriz Débora Falabella e o ator Lázaro Ramos, como se fora o primeiro “nesse País”, ilha da fantasia, macho e fêmea que se unem pelos laços do amor, como se fosse um grito contra o preconceito. Depois de tantos anos de miscigenação?

Será que o português não beijou a primeira escrava que lhe deu filhos e filhas, brasileiros? Quantos negros e brancas, brancos e negras estão agora casados, amantes como quaisquer outros povos do mundo, se beijando, procriando aos milhares. Não se pode omitir o incentivo da fase pombalina de união entre os brancos e os brasileiros primitivos, os indígenas, bem como as relações naturais entre esses e negros. Famílias se constituíram a partir de uma vida conjugal estável, mas de forma amasiada e filhos foram gerados até de conjunção carnal proibida.

A novela explora, como tantas outras vezes fez, o amor proibido que atrai a compaixão e apreço pelo par romântico perseguido pelo rancor da pai da mocinha. Os mais antigos vão se lembrar da novela de rádio e depois reproduzida pela TV Direito de Nascer, com a mesma arrogância do que faz o Barretão, de Duas Caras, lembrado pelo senador

Não é possível que um senador vá à tribuna para apresentar tal fato como argumento à sua proposta, complementando como fundamento estatístico as declarações da citada artista que foi questionada por beijar o ator negro e por seus familiares. Pode uma coisa dessa? As milhares ou milhões de famílias que se fundiram nada representam diante da estatística no âmbito familiar da atriz, ou até por algum racista ainda existente, que consultado se manifeste contra. Qual o valor desse posicionamento? Vai impedir, hoje! hoje! hoje!!! que os dois amantes se unam? Nem no passado nas novelas e nem na vida real.

Olhe ao redor, as mulatas lindas brasileiras, que já foram destaque do Sargentelli e outras tantas são fruto do amor e beijo ardente como o da cena apontada. Não enterrem essa magia.

A artista Adriana Bombom questionada responde que na próxima vida gostaria de nascer preta e bonita, como se o componente de origem européia certamente não existisse.

Ficcionando, o Marquês de Pombal incentivou a união e nasceram mulatas e mulatos, cafusos e curibocas, os zumbis, princesas e abolicionistas de hoje, querem acabar com eles e elas; tem que se dizer negros, abjurando a herança paterna ou paterna de origem branca do europeu. “Atentai bem”, como diz o Sen Mão Santa, para se chegar aos 190 milhões de habitantes, que sejam 40, 50 ou 70 milhões de mestiços, houve muito BEIJO NA BOCA, a despeito da lei, das proibições maternas, paternas, etc...

A propósito, o artigo GENOCÍDIO RACIAL ESTATÍSTICO, de José Murilo de Carvalho, O Globo, 27/12/04, contribui de forma interessante, pois inicia assim: “Está em andamento no Brasil um tentativa de genocídio racial perpetrado com a arma da estatística. A campanha é liderada por ativistas do movimento negro, sociólogos, economistas, demógrafos, organizações governamentais, órgãos federais de pesquisa. A tática é muito simples. O IBGE decidiu desde 1940 que o Brasil se divide racialmente pretos, brancos, pardos, amarelos e indígenas. Os genocidas somam pretos e pardos e decretam que todos são negros, afro-descendentes. Pronto. De uma penada ou somada, excluem do mapa demográfico brasileiro toda a população descendente de indígenas, todos os caboclos e curibocas.”

A aura da gente brasileira está muito além do corpo e esse povo pretende ser tratado pelos governos com igualdade e respeito.

Que não tenham dor na consciência os administradores da coisa pública, em todos os níveis, e que do amor dos personagens desempenhados de Lázaro e Débora nasçam brasileiros, com toda assistência que os demais também merecem.

Ernesto Caruso é Coronel da Reserva do Exército Brasileiro.

3 comentários:

Anônimo disse...

O próximo passo é dizer que os afros são uma raça superior.....

Anônimo disse...

O próximo passo é afirmar que os afros são uma raça superior.........

fernando disse...

Superior , inferior , a quê ou a quem ? Falamos de pessoas ? Há-os mais , ou menos inteligentes . Não é de considerar um humano , diferente de outro humano . Normalmente quem se diz superior , sente-se na verdade inferior ao outro .