sábado, 17 de novembro de 2007

Se liga, Gabrielli!

Edição de Artigos de Sábado do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por João Batista Vinhosa

Em 07/11/07, no auge da crise de abastecimento de gás natural, foi inaugurado o primeiro posto de abastecimento de gás natural veicular de Brasília. No mesmo dia, o Jornal da Globo levou ao ar uma matéria, na qual consta o seguinte:

“No dia em que o governo recomendou a diminuição no uso do gás natural veicular, a capital andou no sentido contrário. Em Brasília, foi inaugurado o primeiro posto com GNV. ‘Eu acho que o uso do gás natural para veículos não é o melhor uso para o gás natural. Mas isso não é responsabilidade da Petrobrás. A Petrobrás não vende GNV. A Petrobrás vende às distribuidoras. A política de estímulo ou não é dos estados’, ressalta José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobrás.”

Para que o presidente Gabrielli saiba de quem é a responsabilidade por estimular o consumo de gás natural veicular em uma cidade tão distante, desprovida de gasoduto, enquanto a Petrobrás encontra dificuldades para abastecer até mesmo indústrias em cidades dotadas de gasoduto, como Rio e São Paulo, basta atentar para os fatos a seguir enumerados.

1 – O gás natural veicular que abastece o posto de Brasília é distribuído pela empresa GásLocal, nome fantasia da GEMINI – sociedade da Petrobrás com a White Martins, constituída para produzir, comercializar e distribuir o gás natural em cidades não servidas por gasoduto.

2 – O gás natural é levado para Brasília no estado líquido – o chamado Gás Natural Liquefeito (GNL) – em carretas, a partir de uma unidade de liquefação localizada em Paulínia, estado de São Paulo, distante cerca de mil quilômetros da capital federal.

3 – A constituição da GEMINI foi autorizada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) em julho de 2006, ou seja, dois meses antes da Petrobrás, formalmente, alertar o governo para o risco de haver falta de gás natural caso o consumo continuasse crescendo.

4 – A Petrobrás, apesar de ser a monopolista da produção e importação do gás natural, optou por ficar com apenas 40% das quotas da GEMINI, permitindo que a White Martins se tornasse a sócia majoritária com 60% das quotas da sociedade. Por não ter a União a maioria das quotas, a GEMINI pode contratar os serviços necessários à sua operação sem licitação.

5 – A GEMINI contratou, sem licitação, sua sócia majoritária para a prestação de todos os serviços necessários à colocação do produto no consumidor (liquefação do gás natural, transporte do Gás Natural Liquefeito, etc.). Isso significa dizer que quanto mais se consumir gás natural em cidades não atendidas por gasodutos e quanto mais distante estiverem tais cidades de Paulínia, mais faturará a White Martins como prestadora de serviços à GEMINI.

6 – Até mesmo negócios deficitários para a GEMINI poderão trazer lucros incalculáveis à sua sócia majoritária, a prestadora de serviços de transporte para a sociedade.

7 – A afirmativa de Gabrielli segundo a qual a responsabilidade pela instalação de um posto de gás natural veicular em Brasília não é da Petrobrás permite inferir que a White Martins é quem está determinando a política de expansão do uso do produto no país. Assim sendo, o Brasil terá que torcer muito para que a política da White Martins coincida com o interesse nacional.

Pelo exposto, enquanto a Petrobrás continuar procedendo como tem procedido com a GEMINI, pouco adiantará o Brasil se tornar auto-suficiente em gás natural. O problema do GNL se tornará ainda mais grave. Assim sendo, todos os brasileiros que tenham alguma ligação com o setor – muito especialmente a Ministra Dilma, Presidente do Conselho de Administração da Petrobrás – têm que gritar em alto e bom som: SE LIGA, GABRIELLI!

João Batista Pereira Vinhosa é Professor de matemática.

Um comentário:

Anônimo disse...

Professor,
marca uma palestra na UNE e conta tudo isso para os estudantes esquerdistas para ver se quem sabe eles pintam as caras e vão às ruas de novo.