domingo, 17 de fevereiro de 2008

A permanência da mudança

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Arlindo Montenegro

Um dia deparei com a frase “a única coisa permanente na vida, é a mudança”. E pensei na vida de cabo a rabo, criancinha começando a caminhar e levando sucessivos tombos, até aprender que a coluna deve manter-se erecta e o equilíbrio distribuído entre as duas pernas.

Mudanças na infância, na adolescência até a maturidade e o desenlace final estão presentes na existência de todos os seres vivos e inanimados. Pensei na força que mobiliza os homens nos momentos mais confusos e dolorosos, em ambientes mutantes, alguns estranhos e violentos. Pensei como esta força se foi desmilingüindo nos últimos vinte anos, dia a dia, no contato com os programas educacionais ideologizados em todos os quadrantes.

Imaginei a cabeça, os neurônios bem alimentados dos grupos que controlam as finanças, políticas e escolhas do que fazer com os recursos crescentes. Percebi como se multiplicam como ratos os que desprezam as conquistas produtivas e positivas dos que estudam, pesquisam, trabalham arduamente nesta luta constante de manutenção da vida.

Lembrei como há meio século se discutia a fome e o analfabetismo no Brasil. Destacavam-se pesquisadores, cientistas e pensadores que ganharam respeito mundial. Tempo produtivo de Gilberto Freire e de Josué de Castro, que concluiu de seus estudos que existiam áreas famintas e desnutridas no Brasil analfabeto, onde a natalidade era superior, enquanto nas áreas mais alimentadas e alfabetizadas se geravam menos filhos.

A preocupação voltava-se para a educação e informação das pessoas para uma dieta apropriada à vida saudável, neurônios e músculos produtivos e imaginava-se, por isto, felizes, construindo uma nação que mais tarde seria orgulhosa e exemplar.

As carências diminuíram, mas a presença da deseducação é incontestável. Nenhuma das estatísticas oficiais subsiste a uma auditoria severa e honesta: o analfabetismo, a ignorância e a pobreza aumentaram comparativamente.

Olhando de outro ponto de vista, os temores sobre a produção de alimentos que se pensava não seriam suficientes para alimentar tantas bocas, caíram por terra. Com novas tecnologias do engenho humano se produzem alimentos suficientes para suprir todas as bocas e carências de vitaminas, proteínas, carboidratos e minerais. Até mesmo para os que recolhem restos de feira e comida nos lixões, personagens da miséria mais degradante na era eletrônica.

Enquanto isto, os governantes parecem ter-se especializado em mentir, enganar, iludir, prometer, enrolar os portadores de neurônios atrofiados pelo desemprego, pela fome, pela baixa escolaridade, pelas calamidades. Apenas uma parcela minoritária tem acesso aos serviços da Internet – educação, comunicações, lazer, negócios – e o governo criou um portal, governo eletrônico, democracia eletrônica... Mas, ao fazê-lo, mudou a forma de funcionamento, agilidade e prometida transparência que esta ferramenta proporciona.

O setor privado personaliza e oferece serviços, comércio e informação 24h por dia. Mas o governo e algumas empresas com interesses monopolistas estão distante de ser atraentes e transparentes. Temem a liberdade por serem controladores por vocação, até dos pensamentos e preferências da massa de indivíduos livres. Por que se protela tanto o governo eletrônico? Brasília ficaria às moscas? Os bancos perderiam ou ganhariam mais? E os eleitores, não poderiam resolver democraticamente, decidir sobre políticas e chutar a bunda de gerentes ladrões?

É sinal de progresso o acesso on line à utilização dos recursos públicos através do tal portal da transparência, agora meio embaçada. É perigoso sinal de retrocesso ouvir um oficial superior das forças armadas argumentar: “risco para a segurança nacional” a divulgação das despesas com os comes e bebes no avião presidencial, os saques cash de centenas de milhares de dólares e euros, as compras vips, o custeio, sem qualquer licitação, por servidores públicos, para as mais diversas finalidades, cobertos com notas fiscais “frias”.

Eles têm sim, que dar satisfações destes gastos imorais, porque as despesas são pagas com recursos que pertencem aos que produzem a riqueza da nação.
Privacidade de homens públicos para dilapidar o patrimônio nacional... É pra rir ou rugir? Segurança nacional? E o que dizer dos abusos contra a Constituição, contra a integridade territorial, com o silêncio cúmplice destes militares que envergonham as instituições por não cumprir seus deveres constitucionais?

A jornalista Patrícia Costa, escreveu um artigo que reúne algumas das ações improdutivas no campo da educação, mostrando que não se formam professores suficientes para o número de alunos... e quanto esta profissão outrora de importância fundamental sofre abusos e resiste por teimosia e sobrevivência... como a maioria dos brasileiros. O endereço para a matéria na íntegra é: http://www.opiniaoenoticia.com.br/interna.php?id=14094

No Universo as forças que não alcançamos explicar racionalmente, provêm de uma fonte de energia inominável, que tem varias denominações e simbolismos em todas as culturas, em todas as manifestações de religiosidade e fé.

Não podemos reagir e mudar as forças do Universo. Mas podemos reagir e estabelecer mudanças sobre estas forças domésticas, que subjugam a dignidade e as possibilidades de desenvolvimento da história cultural humana para estágios superiores. Podemos estabelecer como missão unir-nos em várias frentes para exigir o cumprimento à risca da Carta Magna. Podemos traçar os planos de luta e ocupar as posições para restabelecer a dignidade humana e construir uma nação soberana. Não obstante os quadrilheiros que ocupam os mais altos postos deste País.

O ponto de partida é estabelecer mudanças em nosso modo de pensar e agir. Abrir os olhos para visões de um mundo onde possamos ativar mudanças diárias para o bem e para o bom.

Arlindo Montenegro é Apicultor.

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