quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Nhenhequinho de Pinda

Edição de Artigos de Quarta-feira do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Adriana Vandoni

Sabe aquela história da mãe que vai ver o filho, o Nhenhequinho, desfilar no 7 de setembro e comenta: veja, todos marchando errado, só Nhenhequinho de passo certo? Então, foi isso que entendi ao ler a explicação do ex-marqueteiro de Geraldo Alckmin (sim, ele tinha um), Lucas Pacheco, que acabou de deixar a campanha por "pressões de tucanos ligados a José Serra".

Em entrevista ao jornal Folha de SP, Pacheco disse que Alckmin é uma vítima da orquestração de "lobos em pele de cordeiro" que "tentaram, primeiro, inviabilizar a candidatura, trabalharam depois para tornar seu discurso inviável".

Sobre a estratégia do programa eleitoral gratuito (sim, ele tinha uma), Lucas Pacheco explicou que o primeiro programa (20/08) "reapresentava o Geraldo ao eleitor". O segundo era para "executar a estratégia de colocar o dedo na ferida". Alckmin então começou a citar os problemas da saúde e da educação.

Segundo o atual ex-marqueteiro, foi aí que os tais "lobos em pele de cordeiro" começaram a pressionar o candidato para mudar a estratégia, parar de atacar Kassab e voltar seu foco para Marta. E conclui: "Se ele não puder apontar os problemas, vai dizer o quê? Não é o prefeito. Não foi prefeito. É um ex-governador que acredita ter uma missão".

Eis o ponto que queria chegar. A forma angelical e cândida com que o candidato foi "reapresentado ao eleitor" o gabaritava a ser o mais querido coroinha da paróquia do bairro. Já escrevi reiteradas vezes que o eleitor, de qualquer classe social, não quer um líder (no caso, um prefeito) que seja a materialização da singeleza.

Quer um líder que seja mais que ele próprio, que tenha meios de resolver o que ele não pode resolver, que seja corajoso para enfrentar as adversidades que o aflige. O eleitor quer um prefeito que, se for preciso, quebre a cara do padreco fajuto que explora os miseráveis de debaixo da ponte.

No geral, Alckmin, como o próprio Pacheco disse, é um ex-governador que acredita ter uma missão, um bem intencionado. Mas sabemos que boa intenção não é o suficiente. Quando seu nome foi colocado na bandeja ao lado do se Serra para concorrer à presidência e estava aquele imbróglio tucanesco, um belo dia Alckmin bateu o pé e disse que seria o candidato.

Aquela atitude demonstrou firmeza, mas Alckmin fez uma campanha presidencial pífia, na defensiva, embora tantos escândalos do governo petista tivessem dado discurso suficiente para aquela eleição. Procurou a linha do bom moço de Pindamonhangaba e acabou sem a participação efetiva do seu partido. Alckmin saiu menor que entrou.

Agora, ao bater pé para ser candidato a prefeito, Alckmin aliou-se a Aécio Neves, entrou em uma briga que não deveria ser sua e escolheu um lado que não costuma ter lados. Poderá sair desta campanha novamente menor do que entrou. Não terá espaço na ala "serrista" que o verá como traidor, muito menos na ala "aécista" que simplesmente não o verá.

Hoje, como naquela outra eleição, falta o básico nas suas campanhas: garra. Pior, nesta, falta até o discurso, já que bater em Kassab pode parecer que mira no próprio partido.

É, a família Covas terá muito trabalho para tê-lo como candidato ao governo em 2010 e, segundo previsões da "mãe Dedé", em 2012 Alckmin terá grande chance de ser o prefeito de Pindamonhangaba.

Quanto à entrevista do atual ex-marqueteiro, bem, se a "estratégia" e a forma de abordagem haviam sido traçados por ele... dizer o quê?, sei lá, que..., ah, já sei, Padre Marcelo vai lançar novo CD.

Adriana Vandoni é Economista e Especialista em Administração Pública. Site: www.adrianavandoni.com.br

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