sábado, 13 de setembro de 2008

Também quero ser grampeado

Edição de Artigos de Sábado do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

Adicione nosso blog e podcast aos seus favoritos.

Por José Carlos Bolognese

Prezados parlamentares: Mais uma vez percebemos que as políticas de inclusão do governo não passam de meros artifícios eleitoreiros. Porque ainda não se fez um projeto de lei ou uma MP (manobra populista), determinando uma ação afirmativa para estender a todas as classes o direito de serem grampeadas? Será que vamos de novo assistir a mais um monopólio em favor da Dona Zelite, concentrando em suas mãos adornadas de anéis um avanço tecnológico que pertence a toda sociedade? Eu também quero ser grampeado!

Sim, porque não acho justo que só as classes dominantes tenham suas vidas devassas, quero dizer, devassadas por arapongas . Porque querem (e podem) saber tudo sobre esses bacanas e ninguém quer saber nada de nós, os roubados aposentados da Varig? Se o banqueiro A, o empresário B ou o político C podem ter suas vidas "escutadas" e vazadas para a imprensa, eu também quero o mesmo direito. Isonomia já!

Quando eles são escutados, o país inteiro escuta, vê, lê e se inteira de seus problemas, coitadinhos. Rapidinho aparecem liminares conseguidas por luminares advogados que parecem turbinar as rodas da justiça a golpes de Red Bull com Viagra, liberando a rapaziada a tempo de um happy hour. Para nós, variguianos, como ninguém nos escuta nem bisbilhota as nossas vidas, a justiça não se mexe. Não adianta a gente falar com um amigo ao telefone que não vamos pagar o boleto do plano de saúde, (grave delito) porque roubaram nossa aposentadoria.

Como nossas residências não têm escutas, nós é que continuamos aprisionados numa situação dramática, em que os vazamentos correm por conta de canos que não podemos consertar por falta de dinheiro. Como ninguém espiona nossa caixa de correio, não se sabe quantas contas que não podemos mais pagar, sorrateiramente nos esperam lá todo mês. Assim ninguém fica sabendo como estamos vivendo (muito mal) com o nosso Aerus grampeado.

Se pudermos ser grampeados em bits and bytes, vazando para toda a sociedade e a mídia a nossa desolação, talvez possamos recuperar o nosso dinheiro e des-grampear as nossas vidas.

JC Bolognese é Comissário Varig - Aposentadoria grampeada

5 comentários:

Anônimo disse...

Corretíssimo, quem tem medo de GRAMPO? Mas para voce meu amigo trabalhador honesto, injustiçado, brasileiro que estudou, se esforçou para conseguir emprego e ganhar dinheiro com dignidade, essa gente, tem e terá sempre (infelismente) para pessoas como voces: ESCUTA DE MERCADOR, DIGO, OUVIDO DE MERCADOR, e se perceber algum grampo em seu meio de cominicação, fique esperto, porque vem mais perseguição por ai.
Tenha esperança,sei que é difícil sua situação, mas um dia a casa cai.

Anônimo disse...

Apesar de não ser um variguiano como você, também gostaria de ter a minha vida grampeada...
Sentiria um prazer quase que orgasmático em ter o meu nome associado ao do indestrutível e onipresente Daniel Dantas.
Os grampeadores ficariam abismados por saber que existe um pobre mortal, afastado da “Ilha da Fantasia”, que sobrevive diariamente e consegue estar em dia com suas obrigações (sobretudo os impostos, claro!).
Então, caro Bolognese, abra uma lista já daqueles que querem e necessitam ser grampeados e inclua o meu nome nesta lista, por favor, pois como você também necessito ser grampeado...
Ops: meu nome: Marcelo Ventura.
Falou!

Alerta Total de Jorge Serrão disse...

O Bolognese expressou, com fina ironia, a dramática situação dos brasileiros de bem. Quem vive corretamente - sofrendo com um sistema que desrespeita os elementares direitos civis - encontra poucos canais de expressãso para protestar e exigir um basta. Que Bosta! Os bandidos vivem soltos, nos desgovernando, e nós presos às regras do Governo do Crime Organizado. Até quando? Eis a questão.

Anônimo disse...

Em suma... PARABÉNS pela sugestão!
Que haja grampos nesta amada Pátria Brasileira! Haja mesmo! - de comissários à todas demais classes laboriosas! (eu disse as LA-BO-RI-O-SAS, não as vagais!)
A grampolândia está aí para dispistar meu caro!... O negócio é mais escuso, muito escuso!

Anônimo disse...

Vamos lançar as campanhas:

"Grampos para todos"

"Diga não à discriminação grampeadora"

e iniciar uma "Pastoral do Grampo"
com bispos e cardeais de vermelho da CNBdoB...