sábado, 15 de novembro de 2008

Cabo Anselmo: “Mereço Justiça, não Justiçamento”

Edição de Artigos de Sábado do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por José Anselmo dos Santos – o “Cabo” Anselmo


A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça não tem o direito de justiçar a própria história. Comete uma injustiça quando ignora o pedido de indenização para José Anselmo dos Santos. A Lei de Anistia me dá esse direito, reconhecido a outros cidadãos. Inclusive, o atual Presidente da República, Lula da Silva.

Não quero indenizações milionárias. Quero apenas o que avalio ser justo. Por isso, não aceito a decisão da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça de empurrar o julgamento do meu pedido de anistia para o próximo governo. Como tantos outros, mereço um julgamento. E não o justiçamento que a história mal contada e seus vencedores ideológicos têm me imposto.

Nunca tive a chance honesta de revelar a minha versão da história. Nas poucas chances em que fui ouvido por três jornalistas, tive a minha versão completamente adulterada e deturpada. O tal Cabo Anselmo – a quem a versão mentirosa da história atribui mil e uma barbaridades – não existe. É obra de ficção. Quem “existe” é José Anselmo dos Santos. E minha realidade é dramática.

Não tenho sequer minha identidade. A Marinha, de forma inconstitucional e incompreensível, nega a expedir meu documento. Assim, sou condenado à inexistência oficial. A Comissão de Anistia não julga meu pedido de anistia. Sou o único não-anistiado pós-64.

Em suma, transformei-me em um morto-vivo, que sobrevive à própria sorte, graças a ajuda de alguns amigos. Estou velho e cansado de tudo. Não sou bandido, nem mocinho. Quero apenas minha verdade história restabelecida, com um mínimo de justiça e dignidade.

Senhores, da Comissão de Anistia. Quando fui pego pelos órgãos de repressão, a escolha imposta ao preso era: fala ou morre! Enrolei enquanto pude, mesmo sob tortura. Eu era naquele instante, prisioneiro dos mais temíveis inimigos, dos mais execrados torturadores. Muitos, de ambos os lados daquela guerra, ocupam hoje postos de direção desta nação. São alguém. Eu continuo nada.

E todos parecem buscar uma direção diferente daquela que os mobilizava naquela época. Os “inimigos” da pátria têm hoje a face mais visível, mais bem delineada. Sobrevivi como um fantasma. Passei todos estes anos escondido de mim mesmo temendo a represália de antigos companheiros, cuja fúria se voltaria contra a minha pessoa com intensidade igual ou superior àquela do aparelho policial repressivo da ditadura militar.

Forneci todos os elementos que fizeram de mim mesmo o ser mais odiado por uns e desprezível por outros. Odiado pelos ideólogos defensores da ditadura do proletariado. Fui refém dos ativistas e dirigentes daquelas organizações que diziam querer salvar a humanidade obrigando-a a abrir mão das paixões humanas, do seu caráter naturalmente predador, de suas opiniões individuais egoístas. Enfim desta tendência visceral que cada um tem de mandar e obter obediência cega do outro.

Não vou saber explicar por que escolhi afastar-me da trilha que me transformaria num assassino, assaltante de propriedades privadas, seqüestrador, um ser que deveria odiar, capaz de eliminar todos quantos fossem contrários aos fins da “luta revolucionária”, “da luta proletária”, “da civilização comunista”. Só sei que tomei consciência de que aquele não era o caminho, nem para mim, nem para o Brasil.

Tudo quanto havia vivido e experimentado naqueles subterrâneos de luta armada me desqualificava como ser humano, da maneira como havia apreendido a ser humano: um portador da ação produtiva continuada, capaz de perdoar, capaz de corrigir-se, capaz de respeitar o outro, mesmo que a opinião, os motivos e métodos de busca da felicidade e bem estar fossem diferenciados, dessemelhantes dos meus.

Na juventude buscava a verdade e como todo jovem romântico fui movido pela paixão. O companheirismo me fazia sentir igual aos outros carentes espirituais e materiais. Nós, jovens daquela época, fomos movidos, conduzidos para modificar o meio, (“fazer a história coletiva!”) antes de modificar-nos a nos mesmos, modificar a história pessoal.

Era melhor agir em grupo, unir forças de Davis contra os Golias da vida. No meio da estrada parecia tardio para muitos reconhecer os erros, voltar atrás. O comprometimento, mais induzido que voluntário, plantava as dúvidas.

Foi quando me defrontei com a escolha: assassinar e suicidar-me por uma causa que iria comprometer a pouca liberdade, a fé, os costumes e a vida de milhares ou colocar-me ao lado do que estava convencido ser o lado do interesse dos brasileiros: paz, tranqüilidade para o trabalho, busca da dignidade, criar as próprias famílias com o próprio esforço.

Colocar bombas, fazer emboscadas, assaltar bancos, seqüestrar, destruir, odiar, “tornar-me uma máquina fria de matar” doando a vida a serviço de uma possível futura ditadura totalitária; uma ditadura de quem o povo brasileiro receberia tudo de mão beijada, uma ditadura senhora de todos os bens e de todo o fruto do sacrifício diário dos que produziam a vida, seria negar princípios e valores plantados no berço.

O “cachorro”, o “traidor”, estava aterrorizado com os métodos dos que reprimiam os revolucionários. Mas os revolucionários, pelo treinamento que eu recebera, tratariam os oponentes e quantos milhões lhes fossem contrários com muito maior ferocidade (se chegassem um dia a ter um exército de seguidores nas condições teorizadas pelos intelectuais e escrevinhadores de documentos da “esquerda”).

Nenhuma vida seria poupada. Não restaria pedra sobre pedra em seu caminho. Pesou na minha escolha a lembrança da família, dos amigos de infância, do orgulho moral e ético, da religiosidade, dos costumes em que fui educado.

Convivi, naquela guerra, com pessoas cujo discurso e atitudes em nada prestigiavam o discurso humano, de ambos os lados. Em nada dignificavam o que se combinou chamar de civilização. A distância do cristianismo que aprendi, então, era infinita.

Em ambos os lados, convivi e vi como se exercitava a grosseria mais animalesca. Nunca fui conivente com ela. Posso jurar por Deus e por minha consciência. Jamais cometi os crimes que me são atribuídos. Sinto-me um morto-vivo justiçado pela história que os vencedores pós-64 escreveram a maneira deles.

Busquei situar-me em posição eqüidistante. Continuo buscando a ilha de tolerância, onde possa compartir a prática e aprendizado de virtudes mais nobres. As dificuldades da vida me ensinaram a ter humildade e a respeitar os outros. Infelizmente, isso não é o que acontece no mundo presente.

Chegamos a um estado de terrorismo, hoje atribuído aos bandidos que se multiplicam aterrorizando os que buscam viver suas vidas dignamente. Não vejo diferença entre o terrorismo dos “bandidos” e o “banditismo” que envolvia as ações dos guerrilheiros – a violência, o desprezo à vida, a ignorância, o desespero, são semelhantes.

Em sã consciência sinto tristeza e compaixão! Os direitos humanos, na prática, desprezam o que aprendi como características do que está convencionado entender-se como humanidade.

Desta minha prisão moral e material que limita tanta gente, peço, humildemente, à Comissão de Anistia um mínimo de racionalidade e obediência às Leis vigentes. Sou um sobrevivente sexagenário, em extrema pobreza.

Como a maioria da população, marginal sem nome, trabalhei e contribuí com os impostos pagos pelo feijão, arroz e cigarro que consumi. Por ironia da história, até hoje estou impedido de ser o cidadão, constituir família, ter um cantinho privado. Melhor dizendo, fui atirado à privada pela contundente propaganda oficial e ideológica.

Hoje lamento que a ação política está bem distante das promessas. Vejo o tradicional jogo do poder. Vejo a justiça e o direito dos poderosos contra os humildes, contra as Leis, contra o próprio discurso. Tenho pouco tempo de vida e sinto que não verei o Brasil do sonho de tantas gerações, como aquela geração da minha juventude.

Senhores membros da Comissão de Anistia, o que peço é o simples cumprimento da Lei. Que José Anselmo dos Santos seja anistiado. Ele não pode pagar eternamente pelo personagem inventado, o “Cabo” Anselmo, na verdade, um marinheiro que entrou de gaiato no navio da História mal contada do Brasil.

Texto enviado ontem por José Anselmo dos Santos, via e-mail, para o Alerta Total. Anselmo se recusa a dar entrevistas, pois alega que acabam deturpadas editorialmente. A partir de agora, promete se defender por escrito, dando sua versão pessoal da própria história, até agora mal contada.

O Drama do Homem que Não Existe

José Anselmo dos Santos é o verdadeiro nome do Cabo Anselmo. Cidadão que não existe perante a lei, ele apenas deseja que a Marinha emita seu documento de identidade, devolvendo-lhe a vida civil, e que a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça pare de enrolar e julgue, imediatamente, seu pedido de anistia (Processo nº 2004.01.42025).

O “cabo”, na verdade um marinheiro de primeira classe, foi o centésimo cassado pelo Ato Institucional número 1, em 1964. Expulso das Forças Armadas por liderar a Revolta dos Marinheiros, um dos estopins do golpe contra João Goulart, Anselmo acabou preso e colaborou com a repressão, delatando antigos companheiros.

Anselmo até hoje continua clandestino, vivendo sem identidade e como o único exilado “morto-vivo” da dita-dura (que, ao que tudo indica, persiste no Brasil, travestida de pretensa democracia).

Confira no YouTube (alertatotaldojs) reportagem do Jornal da Record, em 5 de julho de 2007, sobre a entrevista exclusiva feita pelo Editor-chefe desta Alerta Total com José Anselmo dos Santos, em 4 de abril do mesmo ano.


Confira no link: http://br.youtube.com/watch?v=TK_J0WlbY9Y

A Marinha e a Comissão de Anistia precisam devolver a vida e a dignidade a Anselmo – um homem que não existe.

14 comentários:

Anônimo disse...

É fácil falar quando se esta de fora da situação, mas o que senti lendo seu depoimento, foi que: tirando seu sofrimento por estar na miséria financeira, eu não fazia questão de ser cidadão de um país como esta hoje nosso Brasil. Felizmente, nossa pátria não pertence a essa gente que esta no poder, e nessa vida tudo é passageiro, o que me faz continuar vivendo com esperanças dadas pelo próprio instinto de sobrevivência.

Anônimo disse...

É fácil falar quando se esta de fora da situação, mas o que senti lendo seu depoimento, foi que: tirando seu sofrimento por estar na miséria financeira, eu não fazia questão de ser cidadão de um país como esta hoje nosso Brasil. Felizmente, nossa pátria não pertence a essa gente que esta no poder, e nessa vida tudo é passageiro, o que me faz continuar vivendo com esperanças dadas pelo próprio instinto de sobrevivência.

Anônimo disse...

O pau que dá em chico só dá em milico... Em verdade, isso que aí está não é democracia. É algo pior do que comunismo, onde as regras são claras e mais homogêneas, se é que se pode dizer desta forma. Nesta pilantropia desigual e injusta, berro de boi é lei... Falar em boi, que perda de tempo ver uma pilhéria dessas numa cúpula de países se sequer fala o idioma nacional. Se a dita-dura foram 20 anos de retrocesso, ditos anos de chumbo, estes 8 foram 200 de atraso e deseducação da população via maus exemplos e leis frouxas que estimulam a criminalidade.

Anônimo disse...

Interessante certos brasileiros: nunca estão satisfeitos com nada.
Como bem descreveu o fenomenal Nelson Rodrigues, temos o sangue "vira-lata" em nossa circulação sanguínea.
O mundo está uma bodega total, um montão de aprendizes e seus balões de ensaios deteriorando mais e mais a situação financeira e política junto. E agora, que o Brasil parecia a bola da vez (junto com a China e a Índia), certos brasileiros (olha o sangue "vira-lata" aí) querem por que querem ver o Brasil por baixo...
Se o dito Cabo Anselmo está passando por agruras hoje e talvez sempre, é o ônus sem o bônus da sua atuação no passado.
Mas, o simplismo de escrever que o Brasil está pior, não evoluiu, ou detratar o Brasil e dizer que não se fez mais justo do que era no passado, é a tolice apocalíptica formando a nuvem sobre a nossa realidade.
Quem lê diariamente os jornais e acompanha os bons blogs, feito este do incansável Serrão, sabe que estamos longe do ideal, longe do necessário, longe do exigível para dignificarmos a Grande Nação (não só no tamanho) que somos.
Mas, desmerecer tudo o que conseguimos nos últimos anos (governo Itamar – que quase não fez nada, mas é daí a sua presteza, governo FHC, e o governo Lula), é no mínimo uma insensatez obtusa.
Então, para finalizar vou adaptar uma frase do Joãozinho Trinta: "quem gosta de meter o pau no Brasil é o filósofo, é o pensador, é o jornalista, é o cientista político, porque o povão ama de paixão este nosso Brasil".

Anônimo disse...

Eu pergunto:- cadê a turma dos Direitos Humanos? cadê os colegas de terrorismo que hoje estão no governo que não vem em socorro desse coitado?
Os militares fizeram na época o que era justo, ou seja, expulsar um elemento que sublevou contra a tropa para aliar-se aos "comunas". Cadê o lullinha "paz e amor" para socorrer esse coitado que "não existe"?

Anônimo disse...

"O Ibama considera um crime a confecção de bolsas com couro de jacaré, mas não há lei que proíba a confecção de BOLSAS-FAMÍLIA com o couro da CLASSE MÉDIA"

Anônimo disse...

Colegas fabiamos:

Leiam o que os patifeses também fazem com este marinheiro, que na época não queriam ser assassino, arruaceiro, explodidor de bombas, assaltante de bancos, matador de sentinelas, executor de milicos a sangue frio, invasor de propriedades privadas (isso eLLes fazem até hoje), assassino de gente inocente e outras "honrarias" mais para implantar a tal - liberdade comunista - igualzinha que existe em cuba, china, coreía e outras pocilgas avermelhadas.

Que pena que na época nós cabos da fab também não fomos BANTIDOS iguais a eLLes, hoje estaríamos anistiados...

Só não sei se a gente poderia dormir tranquilo, igual aos petralhas anistiados....

Era isso.

Creio que chega de conversa fiada com essas mulas, eles não entendem a razão nem a justiça, então, vão passar a ouvir palabrão mesmo, pode ser que isso eLLes entendem, fica mais a altura deLLes a baixaria...

Nélio
Porto Alegre, onde os petistas estão em extinção, igual a mariazinha do terço, o próximo, não vai passar de um genérico...

http://fotolog.terra.com.br/asane:70

http://www.militarpos64.com.br/

Anônimo disse...

A meu juízo,ambos os lados:os que
agora estão no poder,(mormente es-
tes)e os que aspiram o mesmo,têem
é medo do que Anselmo possa reve-
lar sobre eles.
Creio mesmo que Anselmo ficará de
"môlho" por um bom tempo,pois o que
fizeram com ele é o que se faz após
chupar uma laranja."Chuparam-no" e
deram um ponta-pé ao lixo,pois o
homem é um arquivo ambulante.

Abração,Serrão.

Anônimo disse...

Meter o pau no Brasil, essa foi boa...

Anônimo disse...

ADNAM
ASSOCIAÇÃO DEMOCRÁTICA E NACIONALISTA DE MILITARES.
Rua Araújo Porto Alegre, 71 - décimo andar - Castelo
Rio de Janeiro-RJ
E-mail.: adnam.1983@ig.com.br


.

A FARSA DA ANISTIA POLÍTICA DOS MILITARES

Militares das Forças Armadas, punidos pela Ditadura, por motivação exclusivamente política, denunciam aos Poderes Constituídos deste país, que está em curso por determinação dos atuais chefes e dirigentes das Forças Armadas um entendimento, que tem por objetivo retirar dos militares anistiados, parte dos seus direitos, previstos no Estatuto dos Militares, negando, inclusive, aos seus herdeiros a Pensão Militar, para a qual contribuíram por mais de 40 anos, sob a alegação de que militar anistiado só garante aos seus dependentes a REPARAÇÃO ECONÔMICA, de que trata a última lei de anistia, lei 10.559/2002, que é, na verdade, e tão somente, uma norma regulamentadora, do art. 8º, do ADCT.


Esse entendimento não só viola direitos dos militares já anistiados, pelas restrições que contém, como também começa a significar, pelos ranços autoritários que manifesta, que estamos diante de uma nova cassação. Resolveram “excluir do regime de anistia tratado por legislação anterior”, fato que já é do conhecimento dos Tribunais Superiores, militares JÁ ANISTIADOS, direitos que detinham, há mais de 27 anos, por força de normas de natureza constitucional. Por tais interpretações os perseguidos políticos de 1964, estão tendo os seus direitos desconstituídos; estão sendo DESANISTIADOS; não mais serão militares inativos, com direitos e prerrogativas estabelecidos na Constituição e no seu Estatuto, onde estão definidos o “seu regime jurídico” e “as características e peculiaridades” de suas carreiras, cuja observância é recomendada pelas diferentes Leis de Anistia; seus ganhos não mais serão “proventos de inatividade”, e sim reparação econômica, e seus herdeiros, não mais usufruirão dos benefícios da Lei de Pensões.


São intoleráveis esses procedimentos, porque, desvirtuando as finalidades das leis de Anistia, inovam em soluções não autorizadas pelo legislador constitucional, quando ultrapassam os próprios limites de suas interpretações e competências, ao mesmo tempo em que tentam desconstituir direitos já assegurados por anteriores Leis de ANISTIA.


Disseminam incertezas, quanto à permanência dos reais direitos, garantidos pelo Estatuto dos Militares e pela Constituição Federal, acenando com uma “nova relação jurídica“ a ser aplicada aos militares anistiados.


Passam a integrar o REGIME DO ANISTIADO POLITICO MILITAR, que é uma situação não existente no ideário da legislação castrense, com exclusão dos direitos assegurados por anteriores Leis de Anistia. Qualificam “os ex-cassados”, como ANISTIADOS POLÍTICOS MILITARES, ao invés de MILITARES INATIVOS, não fazendo com que retornem ao “status quo ante“, mesmo sabendo que Anistia é esquecimento ( O RETORNO À SITUAÇÃO ANTERIOR ), colocando-os num segmento, à parte, para segregá-los e distingui-los dos demais companheiros de caserna.


Como conseqüência de tudo isso, os perseguidos políticos de 1964, apesar de já anistiados, desde 1979, ainda se vêem obrigados a reclamar judicialmente a correta aplicação das Leis de Anistia. Está o estamento militar “mudando as regras do jogo”, e intencionalmente ferindo de morte os princípios da ANISTIA.


Sem qualquer provisão legal para os seus atos, os burocratas militares vão criando situações novas em desacordo com o estabelecido nas disposições da EC nº 26/85, do Art. 8º, do ADCT e, da EC nº 98/1998, que definem os verdadeiros direitos dos anistiados.


Com descabidas interpretações da Lei nº 10.559/2002, que é plena de imperfeições e cuja inconstitucionalidade no que couber, com a ajuda da OAB haveremos de argüir, sem prejuízo das situações já constituídas, colocam os militares anistiados num inconstitucional REGIME JURIDICO DO ANISTIADO POLITICO MILITAR, quando só existe um único regime jurídico para os militares, que é o regulado pelo seu Estatuto.


Repudiamos o procedimento de “desanistiar” os anistiados. Nada, e nem ninguém, pode revogar os nossos diretos.


- Teria sido a Lei nº 10.559/2002 uma “armadilha”?


- E pior: uma armadilha intencional? premeditada? imoral?


- Alguém tem que explicar! Por que ”desanistiar”?


Existe, ainda, uma situação insólita, que precisa ser denunciada, e que diz respeito aos expedientes utilizados nos engajamentos e reengajamentos e licenciamentos do Serviço Ativo dos Cabos da Aeronáutica ( e que ainda não foram anistiados ), punidos com a exclusão do serviço ativo pela Portaria 1.104GM3/64. Alguns poucos, que alcançaram a Anistia, tiveram as suas portarias revogadas pelo próprio Ministro da Justiça, que as concedera, por “pressões, no mínimo, estranhas…“, originadas do Comando da Aeronáutica.


Os Comandos da Aeronáutica, a partir de 1964, em cumprimento a uma política de “varrição dos quadros”, com a eliminação daqueles que pudessem se constituir “em ameaça comunista”, assim agiram obedecendo aos ensinamentos ministrados pelo opúsculo “NOÇÕES BÁSICAS SOBRE GUERRA REVOLUCIONÁRIA” produzido pela 2ª. Seção do Estado Maior da Aeronáutica, em que afirmavam: “tais subsídios serão de real valia para a Instrução dos quadros da FAB”.


É, no mínimo estranha, a opção feita pela Aeronáutica, ao prosseguir aplicando a Portaria nº 1.104GM3/64 durante dezoito anos (que só, ainda que absurdamente, poderia valer, se aplicada na exceção apontada), quando, ao invés do Decreto nº 57.654/66, passou a utilizar essa norma administrativa de modo continuado, que, na escala hierárquica das Leis, não possui a força jurídica daquele.


Conclui-se, assim, que os atos administrativos praticados com fundamento na Portaria em comento, violaram direitos, em virtude do caráter sumário dos licenciamentos (verdadeiras punições), sem direito a qualquer contestação, transformando-se num poderoso instrumento de exceção da Ditadura Militar, satisfazendo, assim, aos propósitos autoritários de quem detinha o Poder.


Ao que parece, não querem o encerramento das lembranças desse nefasto ciclo da história brasileira, quando não cumprem os ordenamentos constitucionais, os Decretos, as Resoluções da AGU, e, até mesmo, as decisões do Judiciário.


Em qualquer País civilizado a tendência moderna é no sentido de adotar o princípio da responsabilidade do Estado por qualquer ato danoso praticado por seus agentes. Dessa forma, o Direito pátrio, também, caminha no sentido de preservar a garantia individual de cada cidadão, impondo-se ao Estado o dever de indenizar o ofendido pela prática de qualquer restrição injusta à sua liberdade.


O Estado brasileiro terá que responder pelos danos morais e perdas materiais que tiveram todos, ao longo desses quarenta e três anos. Ademais, na Constituição de 1988 está expresso, que “as pessoas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”.


O que se percebe é a existência de um deliberado propósito de retardar o cumprimento das normas legais acima citadas, o que denota a existência, ainda, dos ranços autoritários de setores, sobretudo do estamento militar, que não quer encerrar esse triste momento da vida brasileira. Quarenta e três anos depois de atingidos em seus direitos, esta longa espera tem gerado um grande contencioso do Estado com os anistiados.


Por outro lado, os atuais detentores do poder, por alguns dos seus integrantes, beneficiários, também, das Leis de Anistia, desconhecendo toda a VERDADE sobre os processos que estão sendo deferidos pelo Ministério da Justiça, através da Comissão da Paz, vêm fazendo coro, numa imperdoável atitude política, às vozes daqueles que, contrários à ABERTURA DOS ARQUIVOS DA DITADURA, resolveram desencadear intensa campanha na mídia, com o objetivo de desmoralizar a ANISTIA, promulgada em nome do povo brasileiro, pelo Congresso Nacional, após a edição do artigo 8º dos ADCT da Constituição Federal de 1988. Numa mobilização consciente de amplos setores da sociedade brasileira, os perseguidos políticos da Ditadura alcançaram em 1979 e 1985, tímidas conquistas, de concessões parciais, que não lhes garantia, ainda, uma Anistia AMPLA, GERAL E IRRESTRITA.


Convém ressaltar, que a Anistia elegeu como seus beneficiários milhares de brasileiros, que foram retirados de suas carreiras por atos de exceção, sem um processo regular, homens e mulheres que ousaram contrapor-se aos verdadeiros golpistas, que atentaram contra a ordem vigente, derrubando um Governo legalmente constituído.


Os exemplos da Argentina e do Chile, que, numa atitude política responsável, resolveram identificar os autores das barbáries praticadas em nome do Estado em suas Ditaduras, ao que parece, vêm preocupando àqueles que, tendo pertencido aos núcleos da repressão brasileira, torturaram e mataram, durante esse nefasto ciclo da nossa história Estão tentando desmerecer a Anistia, para que não se leve adiante o propósito de identificar esses agentes das violações aos direitos humanos.


Percebe-se que estão construindo uma campanha, que leva até a grande imprensa a dar destaque à declarações de políticos ligados ao governo e de articulistas interessados no descumprimento das leis de Anistia, objetivando criar um clima de CALOTE para as INDENIZAÇÕES, destinadas a remunerar os danos morais e materiais, de crescentes prejuízos, comprovadamente acumulados, por injustas aposentadorias e reformas compulsórias, demissões, expulsões ou prisões e condenações sem processo, cujos ressarcimentos foram nulos ou parciais, para os considerados subversivos, ao contrário dos TORTURADORES, que prosseguiram em suas carreiras, anistiados preventivamente, em 1979, dos “crimes conexos”, cometidos durante as suas ações de repressão aos opositores do golpe militar


A opinião publica só tem acesso à versão dos detratores da Lei de Anistia, que escamoteia o fato de que 95% das indenizações mensais giram em torno de R$ 3 mil, e as retroativas, na média de R$ 120 mil, que são diferenças salariais, ou remunerações não pagas “aos cassados”, enquanto afastados de suas carreiras, destacando e abrindo juízo sobre um número insignificante de indenizações retroativas de alto valor, cujos pagamentos integrais ainda não se efetivaram, pela falta de empenho do atual governo em prover as verbas, como determina a própria Lei, estimulando a divulgação de números fantásticos, (quatro bilhões de reais), quando a realidade dos processos deferidos demonstra números bem mais modestos (tanto em quantidade, quanto em valores)… Ademais, não satisfeitos, tentam passar para a opinião pública que os militares cassados estão a receber indenizações milionárias, pretendendo com isso banalizar a Anistia.

As indenizações, que não são milionárias, pois só agora começam a ser processadas, para serem de modo lesivo pagas em nove anos, conforme estão propondo, sendo que, muitos, com mais de 72 anos, já estarão mortos, antes que se conclua tal pagamento.

A esses detratores manda-se um recado: ao invés de ficarem vociferando contra os Anistiados, reclamem do Governo a concessão de salários mais dignos para os militares, e que ele restabeleça as diversas e imprescindíveis dotações das Forças Armadas, necessárias ao seu indispensável reaparelhamento

A sociedade deve ser informada de que a Anistia tenta repor o que foi, por um ato de força, tomado do cidadão, que não teve o direito de defesa – perdeu o emprego, a carreira, e, até, sua família, imolando a liberdade e a cidadania – chegando, muitos, até à perda da vida e da dignidade, quando submetidos a torturas. Que valor pecuniário poderia ser capaz de repor tais afrontas ao ser humano? – Quem pode emitir juízo de valor e julgar?

A sociedade tem, isto sim, direito à informação correta. Que País é este, que ainda acoberta os crimes dos agentes da Ditadura, e que, hoje, censura os punidos, que defenderam, no passado, um Governo legalmente constituído, acusando-os, hoje, “de assalto aos cofres públicos”. Essa pecúnia nos pertence. Deixou de ser paga, enquanto de nossas carreiras estivemos afastados, por arbitrários Atos de Exceção! Por ventura, as indenizações dos anistiados terão que servir, também, ao propósito de gerar moeda, para atender aos compromissos dos banqueiros internacionais, que determinam o tamanho do sacrifício a ser imposto aos povos, para sustentar as guerras de conquistas dos EUA e seus aliados?

Diante de tudo isso, só nos resta afirmar que, se os perseguidos políticos de 64, não têm direito a uma Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, oriundas dessas leis, delas também, não podem se valer os truculentos beleguins que torturaram e mataram em nome da Ditadura. Se o Governo nada fizer para modificar esse quadro de intolerâncias, irá assistir ao surgimento de uma campanha nacional, envolvendo a sociedade, as Universidades, a OAB, a ABI, e até organismos internacionais comprometidos com a luta dos direitos humanos, para denunciar os que torturaram e mataram durante a DITADURA, reclamando a instauração de processos, para a apuração dos seus crimes. Quem não quer a pacificação são eles, que ainda se recusam a reconhecer os direitos dos cassados de 64.
Os militares anistiados, amparados por normas constitucionais, reguladoras da sua condição militar, reclamam do Governo Brasileiro, atitudes mais firmes, quanto ao cumprimento das Leis de Anistia, sem as restrições que o Ministério da Defesa e as Forças Singulares vêm adotando, que estão impedindo a recuperação integral dos seus direitos..


ADNAM – Associação Democrática e Nacionalista dos Militares

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http://fotolog.terra.com.br/asane:70

http://www.militarpos64.com.br/

Anônimo disse...

Pois é,

Essa comissão não foi criada para fazer justiça ou para reparar erros. Ela existe para exaltar ações ilegais e beneficiar financeiramente um "clube".

Você Anselmo, tem, pela Lei, os seus direitos, mas NÂO faz parte do "clube".

Pelo que sei como cidadão, quem faz justiça é o poder judiciário e todos estes "processos" deveriam ser julgados pela Justiça e não por uma comissão montada pelos próprios interessados. Pode não ser uma ilegalidade mas é um absurdo.

Anselmo, recorra à justiça brasileira, para o "clube" você é um traidor e "eles" vão te ferrar.

Anônimo disse...

caro CABO ANSELMO,a justiça já foi feita e pessoas como vc tem que estar na miseria,mata a mulher e o filho e ainda que dinheiro da nação,amigo vc estar com sorte que ninquem te acha.

Anônimo disse...

vajam aliberdade de expressão,OS COMENTERIOS SÓ SERÃO EXIBIDOS PÓS A APROVAÇÃO DO PROPIETARIO DO BOLG,traduzindo,só colocarei aquilo que estiver ao meu favor,fala serio O LIBERDADE.

luiz brasileiro disse...

Anselmo, você não pode morrer de morte natural, um raio tem que lhe cair na cabeça. Não chamo você de "cahorro" para não ofender os cahorros.
Precisamos localizar o endereço de José Anselmo.

Alguma Justiça precisa precisa ser feita em nome do sangue das vítimas e dos companheiros apunhalados pelas costas por este ser vil e infame.
Ninguém pode se infiltrar e fazer o que este verme fez sem pagar com a vida.Um raio tem que lhe cair na cabeça; é uma questão de honra para o povo brasileiro.