domingo, 16 de novembro de 2008

Oposição, transforme-se em Proposição

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

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Por Jorge Serrão

A má gestão, a incompetência, a ignorância, a ganância, a mentira, os preconceitos, as injustiças e os erros sistemáticos são os fatores geradores ou agravantes das profundas e diferentes crises que afetam a humanidade.

Para infelicidade geral da Nação, a classe política no Brasil esbanja tais vícios – combinados ou em separado. A maioria da pretensa oposição ao atual desgoverno os pratica de maneira consciente ou inconsciente.

Os cidadãos esclarecidos precisam se mobilizar, democraticamente, para mudar tal mentalidade destrutiva. Precisamos cultuar e praticar Virtudes – e não vícios. Em síntese, temos de redefinir e praticar uma nova forma de fazer Política (a arte de exercer o poder em favor do bem comum).

A cultura do atraso civilizatório não serve ao Brasil (ou a País algum). Tais defeitos só colaboram para manter uma Nação rica artificialmente na miséria para que a Oligarquia Financeira Transnacional a explore, feito colônia, até a exaustão de seus recursos e de seu povo.

Quem é politizado e do Bem precisa apoiar uma campanha cidadã, politizada e consciente, em favor do sistema de voto distrital puro, restabelecendo a representatividade do poder local do cidadão-eleitor-contribuinte. Temos de aprimorar o sistema de voto eletrônico, tornando-o passível de auditoria transparente, através dos comprovantes impressos, que permitam uma recontagem pública e isenta.

Ainda no campo eleitoral, é preciso acabar com o "voto obrigatório". Nosso sistema é a negação do princípio democrático. Uma outra reforma urgente é do modelo Judiciário. Também necessitamos de uma Justiça mais próxima da realidade municipal, capaz de tomar decisões mais imediatas, simples e sábias.

Precisamos de uma Justiça de verdade - capaz de resolver mais rapidamente, no tempo certo, pequenos casos, reduzindo o clima de impunidade, que historicamente amplia a corrupção, a violência e a barbarie no Brasil. O princípio é básico: Judiciário existe para promover Justiça.

O atual “ativismo no judiciário” só vai ampliar o caos de insegurança do Direito (que é a negação da democracia, e o caminho aberto para o estado de absoluto arbítrio). Torna-se patético e até criminoso o “show” de alguns membros do Judiciário que se julgam poderosos e donos da interpretação da realidade.

O tal ativismo judiciário (em voga numa minoria de toga) prega que “a Constituição deve ser mutável por natureza” (conforme pregou o juiz Fausto De Sanctis, segunda-feira passada, durante uma palestra a universitários, no Rio de Janeiro). Tal pensamento é a legitimação de violações dos direitos civis, como a escuta eletrônica, as invasões de privacidade e censuras à atividade jornalística, por exemplo.

Eis por que fazer Política, de verdade, é fundamental para a defesa da cidadania. A fim de apoiar tal tese, vamos praticar agora uma espécie de “judô mental”. Apelemos para o conteúdo de uma entrevista feita pelo brilhante repórter Ricardo Kotscho. Foi publicada a partir da página 44, na edição número 12 da revista de reportagens “Brasileiros” (Julho de 2008).

O entrevistado, de quem vamos tomar emprestados alguns conselhos, nas próximas linhas, é ninguém menos que o jornalista Franklin Martins. O atual Ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República seria o mesmo sujeito que, em 1969, como militante da Ação Libertadora Nacional ou do MR-8, seqüestrou o embaixador norte-americano Charles Elbrick?

A ironia da resposta da história menos importa, agora. O importante é conteúdo da mensagem dada pelo gigante Franklin Martins (um cabra com 2 metros de altura). O que afirmou o Bolcheviquepropagandaminister tem importância capital para que surja, no Brasil, uma oposição de verdade que atue de forma consciente, conseqüente, responsável e democrática.

Palavras de Franklin: “Acho que talvez a coisa mais dramática que estejamos vendo no Brasil é a incapacidade, revelada pelo menos até o momento – e espero que isso mude -, da oposição e de alguns setores com influência na mídia de botar o pé no chão e olhar para a realidade”.

Adiante, calibrou o tiro: “Eu acho que a oposição tem uma enorme dificuldade para travar o debate político, porque a oposição tem vergonha de defender o que ela pensa. Ela sabe que o que ela pensa não tem respaldo na maioria do País”.

Franklin Martins acrescenta: “Seria ótimo ter uma oposição forte no País. Mas uma oposição forte precisa ser uma oposição séria, uma oposição que pega os erros do governo, aponta, critica e força o governo a ser melhor, a se aproximar dos pontos de vista dela. Ela não propõe uma ação política que constrói politicamente para fazer disputa política na sociedade. Para isso, teria de defender o que ela pensa. Ela não pode esconder o que pensa e querer, com esse artifício, introduzir um elemento que é artificial na política hoje. E a população percebe isso”.

No resumo dessa ópera, Franklin Martins conclui o óbvio: “O Brasil precisa desesperadamente de uma reforma política da Reforma Política”. Se o homem que cuida da imagem do chefão Lula da Silva é sincero ou não em seus argumentos – ou se joga apenas para a platéia, fazendo marketagem política -, tal comportamento é com ele mesmo, Roberto Carlos e as baleias azuis.

A pretensa reforma política defendida pelo desgoverno para o qual Franklin trabalha não serve ao País. A proposta oficial dos bolcheviques tupiniquins no poder sequer toca na questão básica do voto distrital. E ainda introduz o entulho autoritário da “lista partidária” (para o eleitor votar no partido, e a cúpula partidária escolher quem será o senador, deputado ou vereador). Também nem toca na questão essencial do voto eletrônico com comprovação impressa para posterior recontagem mecânica ou auditoria.

Por isso, não podemos esperar que o desgoverno faça “uma reforma política da reforma política”. Os cidadãos esclarecidos é que precisam abraçar uma campanha nacional por uma Reforma Política de verdade. Para que isso aconteça, quem se julga de “oposição” precisa recalibrar o discurso e mudar de atitude.

O momento mundial (e nacional) exige solução, proposição – e não um arremedo oposicionista, cujo discurso sequer seduz a amada “Velhinha de Taubaté”. Por isso, cabe à Oposição se transformar em Proposição.

Jorge Serrão, jornalista radialista e publicitário, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. http://alertatotal.blogspot.com/ e http://podcast.br.inter.net/podcast/alertatotal

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 16 de Novembro de 2008.

8 comentários:

Anônimo disse...

Neste momento, representantes de quase uma centena de representantes dos partidos comunistas do mundo inteiro, stalinistas, pro cubanos, pro capitalismo (tipo Vietnam e China), vão reunir-se em São Paulo, na próxima semana, para discutir os passos coordenados da "realidade imperialista".
Vem chumbo grosso. O PC do B que o diga!
A oposição no Brasil? Pelo que vejo não passa de uma centena de blogs, alguns intelectuais e meia duzia de 5 ou 3 políticos, todos atuando como individualidades sem articulação, sem projeto, sem força de pressão, exigência diante dos comunistas no poder.
Serrão, parabens! O Alerta é o primeiro a apontar um caminho para a ação e Pensar Brasil.

Anônimo disse...

Serrão, parabéns pelo seu artigo de hoje e pelos demais anteriores. Você é a palavra solitária a dizer as verdades que o Brasil e os brasileiros precisam saber. Infelizmente temos uma oposição que é apática e não consegue arregimentar mais valores aos seus pensamentos, pois, demonstram muita fraqueza em seus argumentos. Você, ao contrário, demonstra que sabe tudo a respeito e fala à vontade. Só que as suas palavras ficam adstritas somente àqueles que gostam de ler o seu blog. Parabéns e que o GADU possa ilumina-lo sempre no caminho do bem.

Anônimo disse...

Ou criamos um Brasil puro, concebido através das necessidades de um povo que ainda se encontra em estado de gestação, e por um povo que aprenda a se autogerenciar, ou ficamos nas mãos de PilanTras seculares, atávicos "capioportumunistas", em um jogo de espelhos composto por imagens distorcidas, partilhadas com a banda desprezível do PSDB. Lima Barreto, sofrido e segregado, porém preciso e perspicaz, dizia que "o Brasil não tem público, tem platéia", lá pelos idos dos anos 20, do séc.XX! Nada mudou! Até quando ficaremos a observar avatares auto-ungidos, em pedestais de areia movediça, a vomitar verborragicamente insensatez sobre tolices, a determinar a figura ridícula que deve sucedê-lo na construção de um Podre País sem Lei? Falo da Lei maior, que nos faz preparados para exercer a Cidadania, o Dever de respeitar e manter o compromisso e comunhão, para o erigir de uma Nação, e não de acordos de rapinagem, instituída e patrocinada por um Estado de Não-Direito. Não tenho saudade alguma do militarismo, militares são soldados para defender o País e proteger a Nação, nunca para governar, Entretanto, onde está o espírito cívico destes mesmos militares, que em muito poderiam contribuir para o engrandecimento de um Povo Brasileiro? Atrás de quais interesses inconfessáveis se esconde a Justiça? E os legisladores, por quê, e para quê outorgaram o sagrado dever a quadrilhas instaladas, em concreto, no Legislativo? O Serrão luta, um ou outro de nós dizemos algo aqui e ali, mas ainda é muito pouco para construir um País, para mover o povo e torná-lo responsável pela construção de um Destino, onde viver seja algo que valha a pena, pelo simples prazer de entender que estamos participando da elaboração Cósmica, e não apenas sendo levados pela ignorância e arrogância, tão próprias do desgoverno que nos desconduz.

Paulo Figueiredo disse...

Para oposição, de fato, exige-se sinceridade.

Penso que Franklin Martins tenha sido sincero em suas palavras, pois é exatamente isso que estamos observando nas reações da pseudo oposição política ao desgoverno instalado. Este desgoverno foi preparado e é tutelado pelas mesmas forças econômicas que instalou e tutelou os desgovernos FHC. Portanto, os desgovernos do PT é seqüência harmoniosa dos desgovernos do PSDB.

PT e PSDB são faces da mesma moeda, o antagonismo de fachada entre eles só é alimentada para enganar a plebe rude e ignara. Portanto, se a oposição é falsa, raramente haverá reações sinceras.

Os procedimentos dos petistas no poder só não são exatamente iguais aos procedimentos do PSDB no poder, porque os petistas são mal educados e têm menor capacidade intelectual, mas em termos de incapacidade moral e ética são idênticos. O falso antagonismo alimentado pela mídia e pelas cúpulas dos dois partidos é tão eficaz que consegue enganar até as militâncias de ambos, transformados em massas de manobras. E como as pessoas, de modo geral, têm muitas dificuldades para interpretar a realidade, por si mesmos, ficam à mercê de deglutirem, somente, as “realidades” que lhes são impostas pelos grandes meios de comunicações, também, títeres, dos grandes conglomerados econômicos mundiais. Assim, a grande farsa está montada. Qualquer político que se arvorar em oposição, sincera, será, imediatamente, defenestrado, ridicularizado ou ignorado pela mídia venal, vil e servil; no que resultará, sem detença, que sua imagem seja repudiada ou ignorada pelo povo abestalhado.

Este plano de poder está acima dos partidos e das desigualdades políticas, por isso não admite antagonismos de idéias ou de ideologias.

Aos incrédulos, eis uma pequena demonstração: Porque o presidente do Banco Central é membro do PSDB, garantido no cargo durante todo desgoverno do PT? Não sabem?
A presidência do Banco Central foi exigência dos controladores econômicos do mundo, os mesmos que tutelam o desgoverno do PT e tutelaram o desgoverno PSDB. E controlam as relações entre os dois, além da mídia, é claro.

Anônimo disse...

Nada mais se pode fazer. Vamos ficar sentados nos sofás esperando ordens que nos tirarão cada vez mais dinheiro sob a forma de impostos, taxas, pois Sua Exelência precisa viajar, beber e comer do bom e do melhor. Depois nos tirarão mais liberdade, quer por limitações legais como o confisco de armas, quer pela bandidagem que cada vez mais tira nosso direito de ir e vir. Até que dominem tudo, imponham toque de recolher, e administrem todo nosso salário em prol de um Brasil bolivariano mais justo. Precisamos ajudar nossos irmãos bolivarianos, cubanos, viets...

Anônimo disse...

Parabéns Serrão pelo posicionamento e pela simplicidade ao apontar o caminho e os problemas que temos( e não são poucos).
Acredito que se pararmos de querer que os outros façam aquilo que cada um de nós precisa fazer, ou seja, mudar de atitude, temos condições de iniciar uma mudança.
O problema é que o jogo está sendo muito bem jogado pelos esquerdistas e dominam totalmente todo o campo e em todas as posições. Para querermos reverter precisamos estar concientes da realidade e travarmos o processo que vem como avalanche por cima de nós.
Pelo menos agora, temos alguns que gritam. A algum tempo atraz, não tinhamos isso. Já é um avanço!
Abraço
FG

Anônimo disse...

Oposição no Brasil? Ela está toda corrompida e vendida. Já não temos qualquer hipoteses de ver uma Oposição neste governo e mesmo nos próximos. A corrupção tomou conta da classe politica. Dá-lhes um status social que permite um estilo de vida dificil de ser alcancado com honestidade.

Anônimo disse...

A que ponto chegamos, a "oposição"
recebendo "lição de moral" da situação. PT, "governo", PMDM, a puta da históris e o resto é base de bajulação, tudos vendidos, de mamando a caducando... Eita paizinho sem vergonha.