quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Os limites do pensamento mágico

Edição de Artigos de Quarta-feira do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Luciano Blandy

Alguns estudiosos da história sustentam a tese de que o chamado holocausto judeu, bestialidade que tirou a vida de mais de seis milhões de pessoas em uma década não teve somente os nazistas como responsáveis. Sustenta-se que tão responsável quanto o Nacional Socialismo pelo genocídio, estava o chamado “pensamento mágico”.

O pensamento mágico se conceitua como aquele otimismo histérico, aquela certeza esquizofrênica de que os fatos não podem ser tão ruins quanto eles mesmos se declaram. Assim, quando Hitler publicou Mein Kampf e escreveu, com todas as letras, que o judeu era uma praga que deveria ser exterminada da Alemanha, a sociedade entendeu como mera retórica ou “licença poética” do autor.

Quando o ditador alemão se alçou à posição de líder de Estado e de Governo e afirmou, em discurso no Reichstag, que revogaria a cidadania dos judeus, os “analistas políticos”, em sua maioria, concluíram que ele não conseguiria fazer isso, já que os judeus, à época, ocupavam posições de destaque social e político na Alemanha e não permitiriam tamanho desatino.

Mesmo quando a barbárie já estava em fase avançada, com o povo judeu se espremendo em guetos abarrotados de fome, doença e morte e passaram a surgir os primeiros boatos de gazeamento em massa de seres-humanos, novamente o pensamento mágico se impôs, sob o argumento de que “os alemães não irão matar sua mão de obra escrava. Somos muito importantes para a economia nazista”.

Mudemos um pouco o cenário:

Em 14 de maio de 2007, publiquei um artigo neste blog (http://alertatotal.blogspot.com/2007/05/o-socialismo-do-sculo-xxi.html), no qual busquei alertar aos leitores acerca do risco que corríamos em acreditar que no Brasil, diferentemente de seu vizinho governado pelo proto-ditador Hugo Chavez, não se tentava implantar o tal “socialismo do século XXI”.

Tentando romper com o tal pensamento mágico que, a despeito das comprovadas relações de Lula e do PT com o Foro de São Paulo – criado para “construir na América Latina o que se perdeu no leste europeu”, das suas declarações durante mais de 20 anos a favor da implantação do socialismo real e dos afagos constantes dessa turma à ditadores como Fidel Castro, insistia na crença de que o PT aceitara o jogo democrático e que Lula, Dirceu, Gushiken, Dilma Et caterva eram agora ferrenhos defensores do capitalismo e da globalização.

No artigo em questão, busquei chamar o leitor à realidade de que o brasileiro médio, hoje, só compra dinheiro onde quer que vá. Compra dinheiro para adquirir uma casa, para trocar de carro e até mesmo para abastecer seu lar com alimentos.

Diante desta realidade, que está aí para qualquer um ver sem a necessidade de grandes estudos matemáticos, finalizava com um pequeno exercício de “futurologia”, onde convidava o leitor a imaginar um grande escândalo envolvendo bancos que fizesse o governo concluír pela necessidade de um maior controle financeiro, criando então mecanismos legais que tornassem esse setor, praticamente, um braço do Estado. Neste caso, tanto o patrimônio, como até mesmo a remuneração de uma enorme parcela de cidadãos brasileiros estariam sob o controle absoluto do Estado.

Críticas a este raciocínio vieram de todos os lados. E-mails me chamando de “teórico da conspiração”, “maluco”, “dinossauro político”, dentre outros impublicáveis foram uma constante. Os argumentos eram típicos do pensamento mágico: “Os bancos estão com os cofres cheios. Se o governo mexer com eles o governo cai”.

Pois bem: passados um ano e seis meses daquele artigo, não ocorreu nenhum escândalo de corrupção bancária. Ao invés disso, o mundo mergulha em uma crise financeira e eis que – como tábua de salvação – o governo apresenta a Medida Provisória 443/2008 - em plena vigência desde 22 de outubro p.p.

Diz seu artigo 2º:

“O Banco do Brasil S.A. e a Caixa Econômica Federal, diretamente ou por intermédio de suas subsidiárias, poderão adquirir participação em instituições financeiras, públicas ou privadas, sediadas no Brasil, incluindo empresas dos ramos securitário, previdenciário, de capitalização e demais ramos descritos nos artigos 17 e 18 da Lei 4.595 de 31 de dezembro de 1964, além dos ramos de atividades complementares às do setor financeiro, com ou sem controle do capital social, observado o disposto no artigo 10, inciso X, daquela lei”

Isso significa, caro leitor, que desde 22 de outubro de 2008, o Banco do Brasil e a CEF estão autorizados a fazer exatamente aquilo que eu previ em meu artigo em maio do ano passado.

“- Ah! mas isso é medida para conter os efeitos da crise mundial” - dirá o mágico-pensador.

Concordaria em gênero, número e grau com o argumento, se o texto da Medida Provisória contivesse, ao se referir às instituições que poderão ser adquiridas pelo Estado, um adjetivo essencial para validar tal argumento: “em dificuldades financeiras”. Não há este adjetivo bem como nenhum semelhante em todo o texto legal. Em tese, o Estado está autorizado a adquirir tanto o pequeno banco de investimentos que vai mal das pernas, quanto, por exemplo, o Bradesco.

Da noite para o dia, vejam os leitores, o financiamento do seu carro, sua casa ou sua máquina agrícola, caso inadimplido, poderá dar ao Estado o direito de confiscá-lo. Tudo sem tanques na rua, pescotapa ou “paredon”.

O leitor incauto ainda duvida da possibilidade de que, após devidamente aprovada a MP e transformada em Lei, poderá vir outra, determinando que os bens penhorados por inadimplência aos financiamentos de bancos adquiridos pelo Estado possam ser distribuídos às “famílias de baixa-renda”? Ou vão me chamar de maluco de novo?

O próprio fato de a canetada ter sido imposta de sopetão por uma Medida Provisória já é sintomático. Caso se apresentasse um projeto de lei, a auto-proclamada oposição poderia barrá-la simplesmente deixando-a passear – à passos de tartaruga – pelos corredores do Congresso Nacional. Se o Executivo reclamasse, simplesmente se argumentaria que o excesso de MPs tranca a pauta e impede a apreciação.

Com uma MP, o Executivo coloca o Legislativo em uma “sinuca de bico”: Se não votar, ela pode ser reeditada indefinidamente (foi assim com o plano real) e ainda tranca a pauta impedindo a votação de outros projetos, alguns de interesse pessoal de parlamentares; se for rejeitada, obrigará os Deputados e Senadores a se explicarem contra a pecha de “oposição golpista que está trabalhando para o Brasil quebrar”.

“- Ah! mas o Judiciário barra isso!” - dirá nosso sonhador.

Sim, é possível. Acontece que uma demanda contra o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal – que obrigatoriamente tramitará na Justiça Federal, versando acerca de uma questão complexa como fusão ou aquisição de uma instituição financeira, poderá durar, no mínimo e com sorte, dez anos. Nem todos têm saúde financeira para brigar na justiça por tanto tempo e, além do mais, em uma década, muita coisa pode ser feita para garantir que tal processo tramite ad aeternun.

Concessão de liminar no início da ação? Como dispõe o Código de Processo Civil, em casos como este, envolvendo questões que podem gerar prejuízos a terceiros (os correntistas do banco, por exemplo), o juiz poderá exigir um depósito em calção do banqueiro para conceder uma liminar. Quem conseguir me explicar como um banqueiro destituído de seu banco conseguirá milhões de reais para dar em garantia judicial, ganha um prêmio.

Talvez isso explique a recém anunciada fusão do Unibanco com o Banco Itaú. O primeiro - instituição pequena perto do gigante Itaú - busca uma forma de agregar valor ao seu patrimônio, em uma tentativa de evitar, assim, ser “encampada” pelo Banco do Brasil ou pela CEF que, certamente, baseados no princípio da prevalência do interesse público sobre o privado, formulariam oferta bem menos atrativa do que a feita pelo gigante privado, com a diferença de que o, digamos, “poder de persuasão” do Estado neste caso, seria muito maior .

Não busco, com este artigo, me “bacanear” da análise feita naquele 14 de maio. Entendam os leitores como mais uma tentativa – a derradeira talvez – de quebrar o encanto da parcela da sociedade que lê este blog, fazendo-os despertar do pensamento mágico enquanto ainda há tempo.

O trem para Auschwitz encontra-se parado e já estão nos embarcando. É hora de considerarmos a hipótese de que, talvez, não sejamos tão importantes assim. Talvez venham mesmo a nos gazear.

Luciano Blandy é Advogado.

12 comentários:

Anônimo disse...

"Talvez venham a nos gazear?" Precisa não doutor! Já estão fazendo: com acidentes, nas filas do sus, com os "micro ondas", com as balas perdidas, com a dengue, com os "amantes" e "pais" que matam filhos e vice versa, com a impunidade que promove discretamente a violência. O negócio é preparar o bunker. Ou aplaudir a União das Republicas Socialistas Americanas! Ou União Democrática Socialista das Americas.

Anônimo disse...

CRÍTICA
A culpa é do PMDB, partido vira lata que se der certo ele ganha, se não der, a culpa não é dele, pois não esta no comando do poder.
PMDB: Partido Mercenário Deteriorador do Brasil, que sempre tira vantagens em qualquer governo, independente da linha de ação do governo da hora, agindo como uma PUTA, que sempre esta do lado de quem tem dinheiro e poder, não se importando como e o que fizeram para conseguirem esse poder e dinheiro.
Ex.: O líder no senado (PMDB) do "governo" Lula (PT) é o mesmo que era líder no governo FHC (PSDB), e assim segue todo o partido. Quanta vergonha e falta de compromisso com o povo que só leva fumo. É o caminho é esse descrito pela "bola de cristal" do Luciano. Parabéns.
SOLUÇÃO
Reforma política honesta e Educação
CONCLUSÃO
Isso nunca vai acontecer.

Anônimo disse...

Tá passando da hora de mostrarmos a nosso estudantes e ao povo a história da REVOLUÇÃO CUBANA, ou será que muita gente tem medo dessa triste e sanguinária verdade?

Anônimo disse...

Che Guevara e Fidel Castro. Heróis? Só para quem é cego!!!

Todos conhecemos a história do regime comunista de Cuba. É sabido que a maior parte das pessoas que apoiaram a revolução cubana liderada por Castro e Che Guevara não eram nem comunistas nem socialistas. Apenas pessoas normais que queriam um governo eleito democraticamente e tal como na Alemanha deprimida pós 1ª Guerra Mundial de Adolf Hitler, em tempos de grande depressão as escolhas são quase sempre erradas e os extremistas têm caminho aberto para enganar e convencer.

Como diz o ditado: "Cuidado com o que desejas."
Não pretendo relatar a história da revolução cubana, mas apenas enumerar uma série de factos que me parecem interessantes:

1 - Após a fuga de Batista (Ditador derrubado na revolução), Fidel Castro à boa moda comunista, julgou, executou e torturou os seus oponentes políticos.
2 - Fidel Castro, mais uma vez à boa moda comunista, nacionalizou todas as indústrias cubanas e apropriou-se de toda a propriedade privada.
3 - Os abusos aos direitos humanos estão documentados e não precisam de pesquisar muito para encontrar esta documentação (Google).

Depois de Castro assumir o poder, Che Guevara foi colocado à frente do exército e agora começa a parte gira: a semelhança entre dois extremos opostos, Hitler e Castro.

1 - Che Guevara executou por esquadrão de abate e torturou milhares de pessoas.
2 - Implantou um sistema de leis em Cuba, onde os homossexuais e ouvintes de Rock and Roll eram presos pela mera justificação de serem homossexuais ou ouvirem música rock.

E admiram-se algumas pessoas que me conhecem quando digo que pessoas com imagens do "El Che" nas suas t - shirts me metem nojo. Eu posso passar por "odeia comunistas", mas tenho noção do que essa gente fez e faz.

Hoje em dia existe uma empresa que detém os direitos da famosa imagem de Che Guevara e que os defende afincadamente. Pergunto eu: O que pensaria um Stalinista como Che Guevara sobre um capitalista a fazer rios de dinheiro com a sua imagem?

As atrocidades do Nacional Socialismo de Hitler são bem conhecidas por toda a gente. E as atrocidades do Comunismo? Dois números para finalizar:

20.946.000 de mortos por Adolf Hitler (Nacional Socialismo)
20.000.000 de mortos por Mao Tse Tung (Comunismo)
20.000.000 de mortos por Stalin (Comunismo)

Anônimo disse...

HOLOCAUSTO COMUNISTA EM CUBA



Diz Fidel Castro que ?Aqui (em Cuba) nunca torturamos ninguém, nem privamos ninguém da vida por métodos extrajudiciais?.



- No "Livro Negro do Comunismo" (Editora Bertrand, 1999) são identificados cerca de 50,000 mortos e/ou desaparecidos. Há descrições de atrocidades cometidas em mais de 200 prisões de segurança máxima como a masmorra de La Cabaña e Puerto Boniato. Estes campos de prisioneiros são responsáveis pela tortura e execução sumária, de pessoas consideradas obstáculos à "revoluçao".

- No livro "Contra Toda Esperança ? As prisões políticas de Fidel Castro"
(Editora InterMundo, 1988), o poeta Armando Valadares relata a morte diária com barras de ferro envoltas em mangueiras de borracha, ingestão de fezes, extermínio de prisioneiros e experiências biológicas.

- O Poeta cubano Pedro Juan Gutiérrez fala sobre as "Unidades Militares de Ayuda a la Produción", onde descreve a tortura de filhos de presos políticos, comerciantes, religiosos, artistas, homossexuais e órfãos (filhos de políticos executados pela revolução). Nestas unidades, os prisioneiros são tostados ao sol, em jaulas de grades de ferro, onde não se podem sentar nem permanecer de pé. Quando chega a noite, ficam à mercê do frio e humidade tropical.

Anônimo disse...

Caramba .. desde 2001, pela EC 32-2001 as MPs não podem, ou não deveriam poder, ser reeditadas ... e mais ... quando fala em DEPOSITO EM CALÇÃO DO BANQUEIRO, nosso articulista esta se referindo a indumentária da pessoa física ou a expressão CAUÇÃO ?? Assim é impossível convencer alguém dos argumentos ....

Luciano Blandy disse...

Ao imbecil anônimo:

Não sei se o idiota percebeu, mas no Brasil de hoje a última coisa que é levada em consideração quando o governo se propõe a alguma medida, é a Constituição Federal. Como exemplo, basta citar a questão da anistia, onde se pretende punir supostos torturadores, por supostos crimes cometidos há mais de 30 anos, quando a própria CF dispõe que a lei não irá retroagir salvo para beneficiar o réu.
Quanto ao termo caução, infelizmente tenho um corretor de texto no word muito pro-ativo, que tem o costume de mudar as palavras sem minha ordem.
Mas vc está correto. O termo é caução mesmo. Acho que desta vez vc deve conseguir aprovação na primeira fase do exame da OAB. Já está até sabendo diferenciar calção de caução.
De um texto da extensão deste, vc conseguiu criticar dois pontos que não modificam em nada o seu conteúdo e a idéia central. Parabéns! Se o governo estatizar realmente as instituições financeiras privadas, acho que vc está plenamente habilitado à uma boquinha de diretor em uma delas.

Flavio Fabres disse...

Gazear ou gasear? Duas palavras, dois significados diferentes. É só consultar os dicionários da língua portuguesa.

BRAGA disse...

Sr. Blandy. Boa noite.
O nazismo se "criou" graças a ignorância da maioria do povo sobre os assuntos "políticos" e uma mídia açuladora e parcial.
Quanto aos judeus da Alemanha, naquela época, tinham um perfil humanístico, reliogoso e ético, que sob esta ótica, jamais aconteceria o que aconteceu. Aliás, no Brasil, vivemos quase a mesma situação. Nós, os que ainda pensamos e sabemos um pouco mais, somos os "judeus" daquela época. O povo está ensandecido, principalmente, através da atividade nefasta das Organizações Globo, que bombardeia diuturnamente, com o que há de pior. Novelas horrorosas, programas infames, "jornalismo" da pior espécie, etc.
Nós que ainda pensamos, devemos agir como os judeus israelenses: preventivamente! É claro, dadas as devidas proporções.
Parabéns.

luciano blandy disse...

Ao professor pasqualle

Gasear não existe no dicionário. O termo "gazear" embora no português casto signifique "cantar" e no popular, "faltar às aulas", também é utilizado em algumas obras sobre o holocausto para se referir ao ato de matar com o uso de gás. De qualquer maneira, o cerne do texto continua intacto.

luciano blandy disse...

Ao professor pasqualle

Gasear não existe no dicionário. O termo "gazear" embora no português casto signifique "cantar" e no popular, "faltar às aulas", também é utilizado em algumas obras sobre o holocausto para se referir ao ato de matar com o uso de gás. De qualquer maneira, o cerne do texto continua intacto.

Flavio Fabres disse...

Do Aulete:
GASEAR
(ga.se.ar)

v.td.
  1 Ficar exposto a ação de gases asfixiantes ou tóxicos

[F.: gás + -ear. Hom./Par.: gazear (todos os tempos do v.)]