domingo, 23 de novembro de 2008

Segredinhos públicos e pecados privados

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Jorge Serrão


Imagine se o jovem empresário Fábio Luiz da Silva tivesse 4% de participação acionária na Brasil Telecom, sem que quase ninguém soubesse. Então, teria ares de escândalo a venda da BrT para a Oi, por R$ 390 milhões, autorizada por decreto do pai do rapaz (que alterou às pressas o Plano Geral de Outorgas nas telecomunicações).

Tal informe (sobre os negócios do biólogo Lulinha) circulava ontem nos bastidores econômicos. O problema é que tal fato será praticamente impossível de se comprovar. A Comissão de Valores Mobiliários só exige que sejam divulgados, oficialmente, os nomes de quem tem 5% ou mais de participação (em ações ordinárias) de empresas. O segredinho público de Lula e Lulinha no negócio privado da fusão Oi-BrT ficará preservado.

Os negócios dos últimos dias criam problemas para Lula. Os petistas ficaram “pt” da vida com o chefão por causa da compra da Nossa Caixa, a preço de banana, pelo Banco do Brasil. O fogo amigo reclamou que Lula deu um presentão de Natal para o governador paulista José Serra - potencial candidato tucano a presidente. Lula alegou que agiu “republicanamente” e criticou os petistas. O engraçado é que a Nossa Caixa teria de ser vendida por licitação pública – e não foi porque os interesses políticos pessoais falaram mais alto.

O dando que se recebe de tal negócio surtiu resultado imediato. No começo da noite de ontem, José Serra defendeu Lula, que fora atacado, mais cedo, por ninguém menos que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Serra aproveitou os holofotes no encerramento do 5º Encontro dos Tucanos Eleitos de São Paulo (reuniu 139 prefeitos, 69 vice-prefeitos e 358 vereadores) para admitir que ambos operam “em parceria”:

“Vejo o presidente Lula hoje preocupado com a crise. Inclusive estamos fazendo algumas parcerias. Foi o caso do crédito para a indústria automobilística, o caso agora do adiantamento do recolhimento do Simples, que nós estamos de acordo e os estados são fundamentais para isso. Enfim, estamos trabalhando nisso”. Serra foi tão generoso com Lula que esqueceu até de agradecer o presentinho que ganhou se livrando da Nossa Caixa, e ganhando mais dinheiro em caixa para suas futuras obras eleitoreiras.

Mais cedo, FHC fez críticas à forma como o desgoverno Lula tem enfrentado a crise econômica. O velho Príncipe dos Sociólogos foi irônico, chamando Lula de "grande economista", em referência à previsão feita pelo chefão de que quando a crise chegasse ao Brasil seria uma marola. O presente tsunami econômico comprova que o vidente Lula errou feio.

FHC detonou: “Não precisamos ser agressivos pessoalmente com ninguém, mas nem por isso precisamos dizer que tudo o que o seu mestre fala está certo, porque não está. Nós temos que dizer: o rei está nu aqui, ali, acolá. Põe a roupa, ô presidente. Não diga bobagem, presidente. Seja mais conseqüente com a sua história. Não seja tão rápido no julgamento do que os outros fizeram. Perceba que uma nação se faz no decorrer de gerações. Não seja tão pretensioso. Seja um pouquinho mais humilde”.

Fernando Henrique Cardoso reclamou que o PT traiu o eleitor quando manteve as mesmas medidas adotadas pelo PSDB na gestão anterior, sobretudo as medidas adotadas na economia. FHC ponderou que “a traição” vem do fato de o PT ter dito que faria tudo diferente, mas não fez. FHC comentou que o povo percebe quando as coisas não vão bem. E criticou o amigo Lula novamente:

“Entendo que o presidente deva animar o país. Mas o país não é bobo. O país percebe quando as coisas mudaram. As coisas mudaram no mundo, mudaram para pior. É cíclico? É momentâneo? É, mas nós temos que ter a capacidade de visão do futuro para sair da situação ruim que estamos e não ficar dizendo que não está ruim. Está ruim sim. Aqui não é marola, não. Vai perguntar para quem está perdendo o emprego hoje, que é mineiro da Vale, se é marola. Não é marola. Marola é quando você não é afetado. Está afetando”.

Quando saía da sede social do Jóquei Clube de São Paulo, onde aconteceu o encontro dos tucanos, Fernando Henrique voltou a ironizar que não foi duro com o presidente Lula: “A essa altura da vida só faço discursos amáveis, doces. Mas você acha que o rei tem que estar nu? Não! Quero o rei bem vestido”.

FHC preferiu adotar a postura tucana de ficar em cima do muro sobre as candidaturas presidenciais do PSDB. Não falou nem contra ou muito menos a favor de José Serra ou Aécio Neves (potenciais candidatos): “Os dois são bons. Sou presidente de honra do partido. Não posso, antes da hora, antes de conversar com os dois, antecipar. (...) Não adianta dramatizar. Não vai ser assim. Haverá uma convergência. Se não houver temos mecanismos de resolver dentro do PSDB. (...) Acho que é natural, na democracia, não é todo mundo unânime. O que é importante é ter mecanismo que leve no momento necessário à convergência. É isso que o PSDB tem que criar”.

No momento, embora FHC não possa dizer publicamente, a tal “convergência” é do tucano Serra com o batráquio barbudo Lula. Embora Serra seja magrinho, Lula arranjou um aliado de peso para sair menos pesado da Presidência pós-crise. E, quem sabe, já não garante uma nova continuidade do governo FHC, já que o PT não terá um candidato do mesmo nível popular de Lula para disputar a presidência em 2010.

Os próximos segredinhos públicos, seguidos de muitos pecados privados, vão mostrar em que bicho vai se transformar tal aliança tucano-lulista.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 23 de Novembro de 2008.

7 comentários:

Anônimo disse...

Há poucos dias, o comentário de uma autoridade colombiana passou batido: "as farc tinham plano para infiltras estudantes nas universidades brasileiras..." Esta coisa de infiltração é velha como Matusalém. Quando o Partido Comunista era proibido no Brasil, os comunistas se elegiam deputados em outras legendas. Hoje,com o consenso da pouca vergonha eles são literalmente farinha do mesmo saco. Utilizam os nomes "filiações" comunistas, socialistas, são "democratas" ou mesmo "liberais". Tudo farinha do mesmo saco!
A tal "crise" é resultado da roubalheira e concentração de riqueza internacional. A concentração estatal das finanças é o objetivo da economia globalizada. O resto é fumaça nos olhos dos desinformados.
As possibilidades de subsistência e sobrevivência estão resumidas à posse do cartão de crédito que sangra os possuintes trabalhadores ou à minguada cesta básica que faz a festa dos políticos, garantindo votos com o cartão do bolsa família para milhões de miseráveis desempregados votantes.

Anônimo disse...

Saudações Serrão.

É dando que se recebe.
Frase franciscana adotada como lema do ex-deputado português José Lourenço, que baiano de coração e opção, levou o seu lema para o Congresso Brasileiro, e lá fez escola...
O interessante é que o dito ex-deputado fora preso em sua pátria de nascimento ao urinar em uma estrada.
Levado para a delegacia saiu-se com algo assim: “sou velho e não posso reter a urina e acho isso de urinar na estrada é algo totalmente normal”.
Faltou ao notável ex-deputado (já falecido), quem sabe, acrescentar que fazia isso normalmente no Brasil e que os outros viam a sua atitude com naturalidade e até engraçado...
Bem, a prática franciscana nunca afastou-se da vida pública brasileira, nem dos mandatários vigentes. O que causa espanto é a naturalidade com que a prática tem se espalhado na surdina em momentos propícios ou não em toda a política brasileira.
Pois, a revelia do criador da prática, Francisco de Assis, os praticantes atuais da “bondade franciscana” não se furtam de encher as mãos com benesses estatais e conchavos para se locupletarem as custas do povo brasileiro.
Agora, atire a primeira pedra aquele que no governo não conjuga o verbo franciscano: eu francisco, tu franciscas, ele francisca...

Anônimo disse...

Esses caras sempre foram aliados. Sao farinha do mesmo saco. De vez em quando encenam uma briguinha pra fingir que sao oposicao.
A politica e um nojo e um circo ao mesmo tempo.
Pobre do cidadao que acredita que essa corja e "representante do povo".

Anônimo disse...

A grande diferença do FHC para o LULA, é que o LULA foi mais aloprado e FHC não teve um Roberto Jeferson.

Anônimo disse...

FHC é apenas um Lulla de colarinho branco.......

Adonias Mangueira - São Paulo

Anônimo disse...

POR FAVOR,COMO VOCES ESTÃO VENDO ESTA FUSÃO(?) ITAU/UNIBANCO??
SERÁ QUE FOI FUSÃO MESMO,OU COMPRA PELO ITAU? AFINAL DE CONTAS QUEM ERA O "DONO" DO UNIBANCO? PELO QUE SEI ERA A TAL CORRETORA DE SEGUROS QUE QUEBROU..OU NÃO? DIZEM QUE ERA A MAIOR NO MUNDO...DIZEM...

Anônimo disse...

Até mesmo um circo é mais sério do que o nosso sistema sistema político-administrativo