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Por Jorge Serrão
Merece uma profunda análise dos estudiosos das Teorias da Comunicação e da Educação a repercussão midiotizante do problema causado/sofrido pela estudante de turismo Geisy Arruda na Uniban de São Bernardo do Campo. Até agora, contaminados pelo vírus canceroso da dissonância cognitiva, os midiotas de plantão só abordaram, do jeito simplista deles, os efeitos, as conseqüências, e não as reais causas e todos os aspectos envolvidos no caso que ganhou repercussão globalitária.
Se o ideologismo militante, a dissonância cognitiva e “as ideais fora do lugar” não atrapalharem, surge uma grande perspectiva de que a midiotização seja discutida em nível dito “superior”. A Escola de Comunicação e Artes da USP acaba de criar um curso público e gratuito de “Educomunicação”. Em 2010, já será oferecido no vestibular. O curso – noturno e com 2800 horas/aula ao longo de quatro anos – será oferecido a partir de 2011.
Educomunicação é a utilização das tecnologias e das linguagens das mídias para que as pessoas e os grupos expressem o que sentem e pensam e, assim, decidam o que querem para si mesmas e para o mundo em que vivem. Esta é a definição do professor de filosofia Donizete Soares, diretor do GENS – Serviços Educacionais e diretor de Relações Institucionais da ONG “Projeto Cala-boca já morreu” – que já oferece tal curso na esfera privada.
A ECA da USP só não pode é fazer “eca”. A escola acerta ao tentar fornecer uma modalidade interdisciplinar na área pública para formar professores que darão aulas de comunicação e desenvolverão projetos midiáticos no ensino fundamental e médio. Tomara que a iniciativa seja copiada e aprimorada por outras instituições de ensino que contem com profissionais interessados em combater a “midiotice”. Precisamos superar o mal que forma e deforma o “idiota coletivo” tão útil aos poderosos de plantão.
Somos vítimas dessa doença grave que assola o processo de comunicação na Era Globalitária – ou Bobalitária -, na qual se agrava o controle, a dominação e a manipulação a serviço dos objetivos de poder de uma Oligarquia Financeira Transnacional. Por isso temos de apresentar proposições verdadeiras capazes de superar os anti-valores humanos, as ideocracias, os conceitos, os métodos ou os mecanismos dogmáticos que consolidam o nazismo global e suas variações totalitárias.
Uma Educomunicação seria justa e perfeita para a formação básica do ser humano capaz de aplicar os diferentes conhecimentos com base na Verdade (= Realidade Universal Permanente), na Democracia (Segurança do Direito Natural, através do Exercício da Razão Pública) e na Sabedoria (Prática correta e verdadeira do saber acumulado). Assim superaremos a ignorância, os preconceitos, os erros e as mentiras que hoje inviabilizam a felicidade humana.
Se conseguirmos praticar uma Educomunicação baseada nos valores (Verdade, Democracia e Sabedoria), valorizando a criatividade humana e sua interação com os outros seres sociais, praticaremos a comunicação e neutralizaremos a midiotice que produziu e reproduziu fenômenos (efêmeros ou não) como o da celebridade Geisy Arruda. Ela é uma jovem brasileira, igual a tantas outras, agora transformada em objeto de consumo midiático. Geisy foi convertida em um mero produto - que aceita qualquer rótulo que lhe derem. Nem ela nem ninguém – com suas virtudes e pecados – merece ser submetido ao processo midiotizante bem simbolizado na charge que ilustra este artigo.
Para que a midiotização não aconteça, não se reproduza ou se perpetue, o processo de ensino precisa de um choque urgente de Educomunicação. O Brasil, principalmente, precisa reinventar seu sistema educacional. O caso Geisy, em seu aspecto amplo de análise, é um corte da dramática realidade de formação (ou deformação) do ensino imposta aos brasileiros. De que adianta lotarmos universidades e faculdades de pessoas que não tiveram uma formação básica (fundamental ou média) de qualidade e baseada nos valores citados anteriormente?
E já que preferem mexer no topo, antes de cuidar da base educacional, melhor que se fizessem as duas coisas juntas – principalmente instituindo, aqui no Brasil, o verdadeiro conceito de Universidade – um espaço articulado de diferentes centros de produção de saber, ensino, pesquisa e extensão, sempre valorizando a figura da cátedra (o professor). O problema é que inexistem Universidades no Brasil. Pior ainda, só existem no nome. A farsa vale para as públicas, privadas, comunitárias, confessionais ou filantrópicas. Peço perdão aos semideuses da Academia pela heresia de desnudar este vergonhoso fato.
Além de criar universidades de verdade, devíamos recorrer ao pensamento de um sujeito genial. Albert Einstein definiu que educação é aquilo que fica quando esquecemos o que nos foi ensinado. Relevando a brincadeira matemática dele, precisamos compreender que vivemos em um mundo “ponto.com”. O estudante de hoje vive outra realidade de espaço e tempo que vai muito além do tradicional espaço da escola (ou da universidade...). Temos de viver a beleza de ser o “eterno aprendiz” – que o imortal Gonzaguinha nos cantou.
A criatividade pode nos salvar. Vamos criar! Inovar! Usar a comunicação em favor da Educação. Valorizar processos de gestão de pessoas focados em valores humanos – e não em simples processos de “administração de pessoal”. Junto com isso, vamos enfiar na cabeça do brasileiro a importância de estudar, buscar e fabricar conhecimento, com base na verdade e nos valores humanos e democráticos, para podermos evoluir. Vamos tirar vantagem de sermos uma nação diferente: um povo euroafroameríndio altamente criativo que não merece ser escravo do globalitarismo.
O primeiro passo para tudo melhorar: vamos praticar os verbos observar e lembrar para agirmos com sabedoria. A educomunicação pode ajudar muito neste desafio de construirmos um Brasil soberano, desenvolvido e democrático, com cidadãos capazes de pensar e agir corretamente, em vez de seres meros escravos ideológicos da midiotice. Eis o desafio para cada pessoa de Bem na erradicação da “midiotice”.
Leia também os artigos: Educação de Caranguejos e O que é Programação Neurolinguística?
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.
© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 22 de Novembro de 2009.
2 comentários:
Belo texto, Serrão.
Além da manipulação ideológica,
há um outro tipo, mais difícil de ser constatado, que é a manipulação científica e tecnológica.
As universidades pelo mundo afora ensinam apenas o que foi filtrado e permitido pelos interesses dominantes
(cartéis de indústrias, governos, etc.)
Enfim, a ciência de hoje é uma velha prostituta a serviço dos seus senhores, e não a virgem pura e idealista que
idealizamos.
Com isso, a humanidade segue prisioneira de tecnologias da idade da pedra.
A educação em massa não conseguirá sair desta armadilha. Será necessário criar
uma pequena porém excelente elite científica e tecnológica, capaz de
romper os limites medíocres da atual
ciência oficial.
Esqueceu que a "Oligarquia Financeira Transnacional" tem nome e endereço. Aliás, pergunte para o seus "irmãos", tão afeitos à esta "comunidade"... dê umas férias à muleta hitlerista!
http://img694.yfrog.com/i/debate1611xxx.jpg/
"Para saber quem domina o mundo, você deve saber qual grupo não se pode criticar”
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