domingo, 1 de novembro de 2009

A três passos da guerra civil

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Gelio Fregapani

Pela primeira vez em muito tempo, está havendo alguma discussão sobre a segurança nacional. Isto é bom, mas sem identificarmos corretamente as ameaças, não há como nos preparar para enfrentá-las.

A crise econômica e a escassez de recursos naturais poderão conduzir as grandes potências a tomá-los a manu militari, mas ainda mais provável e até mais perigosa pode ser a ameaça de convulsão interna provocada por três componentes básicos:

— a divisão do povo brasileiro em etnias hostis;

— os conflitos potenciais entre produtores agrícolas e os movimentos dito sociais;

— e as irreconciliáveis divergências entre ambientalistas e desenvolvimentistas.
Em certos momentos chega a ser evidente a demolição das estruturas políticas, sociais, psicológicas e religiosas, da nossa Pátria, construídas ao largo de cinco séculos de civilização cristã. Depois, sem tanto alvoroço, prossegue uma fase de consolidação antes de nova investida.
Isto ainda pode mudar, mas infelizmente os rumos que seguimos apontam para a probabilidade de guerra intestina. Em havendo, nossa desunião nos prostrará inermes, sem forças para nos opormos eficazmente às pretensões estrangeiras.

A ameaça de conflitos étnicos

A multiplicação das reservas indígenas, exatamente sobre as maiores jazidas minerais, usa o pretexto de conservar uma cultura neolítica (que nem existe mais), mas visa mesmo a criação de “uma grande nação” indígena. Agora mesmo assistimos, sobre as brasas ainda fumegantes da Raposa-serra do Sol, o anúncio da criação da reserva Anaro, que unirá a Raposa/São Marcos à Ianomâmi. Posteriormente a Marabitanas unirá a Ianomâmi à Balaio/Cabeça do Cachorro, englobando toda a fronteira Norte da Amazônia Ocidental e suas riquíssimas serras prenhes das mais preciosas jazidas.

O problema é mais profundo do que parece; não é apenas a ambição estrangeira. Está também em curso um projeto de porte continental sonhado pela utopia neomissionária tribalista. O trabalho de demolição dos atuais Estado-nações visa a construção, em seu lugar, da Nuestra América, ou Abya Yala, idealizado provavelmente pelos grandes grupos financistas com sede em Londres, que não se acanha de utilizar quer os sentimentos religiosos quer a sede de justiça social das massas para conservar e ampliar seus domínios. O CIMI, organismo subordinado à CNBB, não cuida da evangelização dos povos indígenas segundo o espírito de Nóbrega, Anchieta e outros construtores de nossa nação. Como adeptos da Teologia da Libertação, estão em consonância com seus colegas que atuam no continente, todos empenhados na fermentação revolucionária do projeto comuno-missionário Abya Yala.

O processo não se restringe ao nosso País, mas além das ações do CIMI, a atuação estrangeira está clara:

— Identificação das jazidas: já feito;

— atração dos silvícolas e criação das reservas sobre as jazidas: já feito;

— conseguir a demarcação e homologação: já feito na maior parte;

— colocar na nossa Constituição que tratados e convenções internacionais assinados e homologados pelo congresso teriam força constitucional, portanto acima das leis comuns: já feito;

— assinatura pelo Itamarati de convenção que virtualmente dá autonomia à comunidades indígenas: já feito.

Falta ainda homologar no congresso e unir as várias reservas em uma gigantesca e declarar a independência, e isto não poderemos tolerar. Ou se corrige a situação agora ou nos preparemos para a guerra.

O perigo não é o único, mas é bastante real. Pode, por si só, criar ocasião propícia ao desencadeamento de intervenções militares pelas potências carentes dos recursos naturais — petróleo e minérios, quando o Brasil reagir.

Questão quilombola

A UnB foi contratada pelo Governo para fazer o mapa dos quilombolas. Por milagre, em todos os lugares, apareceram “quilombolas”. No Espírito Santo cidades inteiras, ameaçadas de despejo. Da mesma forma em Pernambuco. A fronteira no Pará virou um quilombo inteiro.

Qual o processo? Apareceram uns barbudos de piercings no nariz, perguntando aos afro-descendentes: "O senhor mora aqui?" "Moro." "Desde 1988?" (o quilombola que residisse no dia da promulgação da Constituição teria direito à escritura). "Sim". "Quem morava aqui?" “Meu avô." "Seu avô por acaso pescava e caçava por aqui?" "Sim” “Até onde?" "Ah, ele ia lá na cabeceira do rio, lá naquela montanha." "Tudo é seu." E escrituras centenárias perdem o valor baseado num direito que não existe. Não tenho certeza de que isto não seja proposital para criar conflitos.

Tem gente se armando, tem gente se preparando para uma guerra. Temos de abrir o olho também para esse processo, que conduz ao ódio racial. Normalmente esquerdistas, talvez desejem começar uma revolução comunista com uma guerra racial.

Certamente isto vai gerar conflitos, mas até agora o movimento quilombola não deu sinal de separatismo.

Os Conflitos Rurais

O MST se desloca como um exército de ocupação, mobilizando uma grande massa de miseráveis (com muitos oportunistas), dirigidos por uma liderança em parte clandestina. As invasões do MST são toleradas e a lei não aplicada. Mesmo ciente da pretensão do MST de criar uma “zona livre”, uma “república do MST” na região do Pontal do Paranapanema, o Governo só contemporiza; finge não perceber que o MST não quer receber terras, quer invadi-las e tende a realizar ações cada vez mais audaciosas.

É claro que os produtores rurais, desesperançados de obter justiça, terminarão por reagir. Talvez seja isto que o MST deseja; a convulsão social, contando, talvez, com o apoio de setores governamentais como o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Segundo Pedro Stédile: “O interior do Brasil pode transformar-se em uma Colômbia. A situação sairá de controle, haverá convulsões sociais e a sociedade se desintegrará.”

Este conflito parece inevitável. Provavelmente ocorrerá num próximo governo, mas se ficar evidente a derrota do PT antes das eleições, é provável que o MST desencadeie suas operações antes mesmo da nova posse.

O ambientalismo distorcido

Já é consenso que o ambientalismo está sendo usado para impedir o progresso, mesmo matando os empregos Caso se imponham os esquemas delirantes dos ambientalistas dentro do governo, com as restrições de uso da terra para produção de alimentos, um terço do território do País ficará interditado a atividades econômicas modernas.

Há reações, dos ruralistas no interior do País, nas elites produtivas e até mesmo em setores do governo, mas as pressões estrangeiras tendem a se intensificar. Se bem que raramente o meio ambiente serviu de motivo para guerra, hoje claramente está sendo pretexto para futuras intervenções, naturalmente encobrindo o verdadeiro motivo, a disputa pelos escassos recursos naturais.

No momento em que a fome ronda o mundo, o movimento ambientalista, a serviço do estrangeiro, mas com respaldo do governo e com apoio de uma massa urbana iludida, chama de “terra devastada” àqueles quadrados verdejantes de área cultivada, que apreciamos ver na Europa e nos Estados Unidos, e impede a construção de hidrelétricas para salvar os bagres. Com a entrada da Marina Silva na disputa eleitoral, nota-se, lamentavelmente, que todos os candidatos passarão a defender o ambientalismo, sem pensar se é útil para o País.

A três passos da guerra civil

O ambientalismo, o indianismo, o movimento quilombola, o MST, o MAB e outros similares criaram tal antagonismo com a sociedade nacional, que será preciso muita habilidade e firmeza para evitar que degenere em conflitos sangrentos.
Várias fontes de conflito estão para estourar, dependendo da radicalização das más medidas, particularmente do Ministério da Justiça:

— Roraima não está totalmente pacificada;

— o Mato Grosso do Sul anuncia revolta em função da decisão da Funai em criar lá novas reservas indígenas;

— no Rio Grande, os produtores rurais pretendem reagir às provocações do MST;

— Santa Catarina ameaça usar a PM para conter a fúria ambientalista do ministro Minc, que queria destruir toda a plantação de maçã.

Uma vez iniciado um conflito, tudo indica que se expandirá como um rastilho de pólvora. Este quadro, preocupante já por si, fica agravado pela quase certeza de que, na atual conjuntura da crise mundial o nosso País sofrerá pressões para ceder suas riquezas naturais — petróleo, minérios e até terras cultiváveis — e estando dividido sabemos o que acontecerá, mais ainda quando uma das facções se coloca ao lado dos adversários como já demonstrou o MST no caso de Itaipu.

Bem, ainda temos Forças Armadas, mas segundo as últimas notícias, o Exército (que é o mais importante na defesa interna) terá seu efetivo reduzido. Será proposital?

Que Deus guarde a todos vocês.

Gelio Fregapani é escritor e Coronel da Reserva do EB, atuou na área do serviço de inteligência na região Amazônica, elaborou relatórios como o do GTAM, Grupo de Trabalho da Amazônia.

3 comentários:

Chicko disse...

Tive a honra de participar, sob a coordenação do Cel FREGAPANI, do GTAM (Grupo de Trabalho da Amônia) por quatro anos, convivendo com as duras realidades daquela regão de nosso país. Infelizmente o GTAM, após s saída de FREGAPANI, não mais existiu, sucumbiu a interesses políticos de esconder fatos que poderiam mostras ao povo brasileiro que seu País é vendido ao estrangeiro, que suas riquezas naturais são oferecidas gratuitamente em conseqüência de uma política de preservação ambiental que mascara interesses de governos estrangeiros atuantes em nosso território sob a maquiagem de ONG. Infelizmente o GTAM acabou! Infelizmente estamos vendo uma área rica ser transformada em território "off limits" de cidadãos brasileiros e em "property" de grupos internacionais que, por menos de trinta dinheiros, adquiram consciências nacionais a seus serviços. Realmente, Cel FREGAPANI, temos ameaças à nossa soberania, ao nosso território, ao nosso povo, só que as altas autoridades deste país não podem se dizer "surpreendidas" com qualquer fato que aconteça na região amazônica; não podem alegar desconhecimento com ainvasãode nosso território ONG estrangeiras; não podem alegar desconhecimento de fatos envolvendo autoridades comprometidas com o estabelecimento de gigantescas áreas em nossas fronteiras, a soldo de países "preocupados com o ciclo gestacional das mariposas vermelhas de Iaramonta" ou com o "sistema de chuvas e alagamentos da planície dourada de Conceição de Maú", mas que na realidade, e dura realidade essa, defendem interesses nada nacionais. Fico muito feliz que o Cel FREGAPANI tenha espaço (e só poderia ser no ALERTA TOTAL)de expôr suas idéias e profundo conhecimento das coisas da nossa (Brasileira)Amazônia. Quem conhece o profundo respeito que o povo da Amazônia tem por GÉLIO FREGAPANI agradece ao ALERTA TOTAL por poder usufruir de seus conhecimentos e pontos-de-vista, muito diferentes das autoridades que governam nosso país comose fosse um enorme sindicato DEPELEGOS.

Anônimo disse...

Serrão,

Penso que estamos andando de marcha a ré em TODOS os sentidos.


Percebo que a desordem e o caos tomaram conta do país de norte a sul.

Ninguém respeita a lei ou as autoridades.

A corrupção tornou-se endêmica em TODOS os órgãos do governo.

O país está tomado por bandidos, corruptos e favelas.

Algo vai mal, muito mal.

Como o nosso querido presidente, "O APEDEUTA", pode dizer que Brasil vai bem se ao sairmos de nossas casas nos defrontamos com uma legião de indigentes pelas ruas.

Será que o presidente Lula fala do mesmo Brasil em que vivemos??

Serei eu um pessimista ou reacionário??

Onde está o Brasil tão maravilhoso apregoado no evento que elegeu o Rio de Janeiro para sediar a Olimpíada de 2016???

Será que como carioca estou sendo um traidor do meu estado ao afirmar que a Cidade já não mais Maravilhosa não tem condições sequer de sediar uma partida de damas no Jardim do Méier???

Gostaria que o povo e os políticos abrissem os olhos antes que seja tarde.

Estou sem esperança.

Paulo Figueiredo disse...

Prezado Cel Fregapani, lamento não compartilhar de suas previsões. Não no tocante à total degradação social e degeneração dos valores que estão sendo levadas e estimuladas à toda força. Mas não creio em guerra civil. Para se guerrear é necessário haver razão, coragem, brio, determinação e bravura. Tudo isso está faltando na população de hoje, outrora conhecidos como brasileiros. Estão todos, sem exceção, preocupados em “salvar a própria pele” e “garantir o seu primeiro”. Disse o Gen. Antonio Carlos de Andrada Serpa: “Tudo que fizerem contra o Brasil nós conseguiremos reverter. A única coisa que tornará irreversível é se deixar de nascer brasileiros”.

E o pior aconteceu: deixaram de nascer os “brasileiros”. Não há dúvidas que estamos sendo submetidos a um projeto deliberadamente engendrado para levar a sociedade brasileira ao caos e à barbárie para facilitar um tenebroso processo de dominação. Um povo submetido ao caos e à barbárie é um povo acuado e acovardado, portanto, sem fibra ou disposição para defender-se, quanto mais defender a dignidade nacional. A desintegração e degradação moral é a preparação para uma dominação mais ampla. Já estamos a meio caminho. Disse Nicollo Machiavelli: “NÃO HÁ GARANTIA DE POSSE MAIS SEGURA DO QUE A RUINA”.

E como não se percebe? Simples: Um dos mais importantes segmentos utilizados para os preparativos passa pela mídia. Tem seu compromisso: mentindo; destruindo a estrutura e ideário do sentido de família; elegendo e protegendo governantes e autoridades somente dentre os indicados pelo poder oculto e destruindo imagens de pessoas que possam dificultar os projetos; promovem a difusão da imoralidade, da violência e de boçalidades através de programas disfarçados de entretenimentos, tais como: novelas, filmes, programas infantis de diversões, “reality shows”, etc...

Somos, hoje, um país de amorfos, debilóides e boçalóides; governados por canalhas da pior estirpe; nos três poderes. E parece que assim se perpetuará.