sábado, 24 de julho de 2010

A Esquerda em Baixa

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Jayme Copstein

Enquanto na América Latina, a esquerda só conseguiu progressos eleitorais aliando-se a manjados caudilhos populistas e a corruptos de todas as roupagens ideológicas, na Europa comentaristas políticos especulam se qualquer vertente do socialismo tem futuro.
As indagações nascem do desastre econômico a que partidos de esquerda produzem quando governam, como atualmente em Portugal, Espanha e Inglaterra, ou já governaram, como França e Itália, onde continuam a sofrer pesadas críticas.

Mesmo diante da crise que assola o mundo capitalista, a opinião pública europeia não se mostra condescendente com a esquerda. É que os anos de austeridade e contenção dos conservadores no Governo têm sido sistematicamente desbaratados em benemerências sociais sem pé na realidade. Aliás, é o que está acontecendo no Brasil de hoje em que os esforços do governo anterior, para alcançar solidez à economia e equilíbrio às finanças, têm sido malbaratados em projetos de perpetuação no poder da aliança que nele se aboletou para saquear o Tesouro.

O declínio político da esquerda europeia foi registrado sob o dramático título de "Os últimos dias do socialismo", em matéria do International Herald Tribune, a edição internacional de The New York Times. Mas Bernard-Henri Lévy, ícone do socialismo francês, foi mais contundente: "Já está morto. Ninguém, ou quase ninguém, se atreve a dizê-lo. Mas todos, ou quase todos, sabem disso".

A matéria publicada pelo International Herald Tribune resume artigo do próprio The New York Times, intitulada "Europe's Socialists Suffering Even in Downturn" (Socialismo europeu sofre declínio)." É uma longa análise da situação político-partidária europeia. Dela se depreende que contribui para a agonia do esquerdismo europeu o fato de ser doutrina inspirada pela realidade do Século 19, mas superada por avanços tecnológicos do final do Século 20, como a globalização, por exemplo. Enrico Letta, jovem líder da esquerda italiana, confrontado com o populismo nacionalista de Berlusconi, assinalada a necessidade de "construir um centro-esquerda pragmático, como alternativa atraente e não mera oposição".

Há certa semelhança com a situação brasileira, onde os partidos de esquerda, após anos de recalcitrante oposição, aliaram-se ao que havia de pior na prática política, para um projeto anfíbio de poder. Na superfície, a submissão aos corruptos e inescrupulosos sob o pretexto da governabilidade. Nas águas profundas, o aparelhamento do estado e as repetidas tentativas de impor uma ditadura dissimulada sob a máscara de "democracia direta", criando de "conselhos" para controlar a justiça, a educação e a livre manifestação do pensamento através da censura à imprensa.

É evidente que Tony Judt, diretor do Instituto Remarque da Universidade de Nova York não leva em conta nem faz referência à evolução da esquerda brasileira ao se mostrar pessimista em relação à receita de Enrico Letta, mas a observação da coincidência de situações se legitima no comportamento semelhante dos "militantes", aqui e na Itália. Judt é taxativo: "Não acho que o socialismo na Europa tenha futuro, e dado que é parte essencial do consenso democrático europeu, é uma má notícia ".

Resta saber para quem, se para a esquerda ou para todos nós, que devemos nos preparar para a violência do terrorismo, tal como ocorre quando esta gente não consegue impor-se pela convicção das ideias.

Jayme Copstein é Jornalista. Originalmente publicado em www.jaymecopstein.com.br

2 comentários:

Anônimo disse...

Preocupante mesmo! Mais ainda sabendo-se que as Farc já atuam em solo brasileiro e treinaram gente do mst, além de integrar o foro de são paulo ao lado do PT, cujos líderes ficam arrepiadinhos quando esta merda é jogada no ventilador. Tem um deles, que "não sabe" de nada...é tudo invenção de "golpistas da direita". Mas que direita, se no Brasil não existe oposição política organizada?

Anônimo disse...

Se submeteram aos corruptos? Que papo é esse maluco? A corrupção esta na alma da esquerda devidamente documentada pela história. No início dos anos noventa o Profº Olavo já avisava o que estava por trás da defesa da ética apregoado pela esquerda -e mais uma vez Olavo não estava errado. Este teu texto atribuindo a culpa da corrupção aos demais parece a desculpa do PT dizendo que isto é em virtude das alianças que foram obrigados a fazer. Só falta tu usar a novilíngua e dizer que não é corrupção é desvio ético ou erros cometidos. TE LIGA MACANUDO QUE COM ESTA ATÉ O BAIO MASCOU OS FREIOS.