domingo, 26 de setembro de 2010

Abandonados e desfavorecidos

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Márcio Accioly

De repente, sem que ninguém vislumbrasse o porquê, o presidente Dom Luiz Inácio mudou completamente o discurso e passou a afagar a imprensa. A mesma que ele enxovalhava 24 horas antes. Não vivemos no melhor dos mundos, é verdade.

Mas neste país dominado basicamente por analfabetos e ladrões, ainda existe parte formal do Estado a funcionar e uma imprensa investigativa a exibir sua melhor performance. Nem queiramos imaginar a imprensa e o Ministério Público amordaçados, como muitas vezes Dom Luiz Inácio e acobertados têm defendido.

O problema, como está mais do que claro e explícito, nos esquemas e ladroagem no Palácio do Planalto (leia-se Casa Civil), é que o presidente “traído” e que jamais sabe de coisa alguma parece ter receio de que sejam descobertos todos os rolos que ali jazem debaixo de tapetes e escondidos em tapeçarias, caso haja mudança de guarda.

Num pequeno espaço de dias e horas, depois que sua excelência deu meia volta volver, eis que a Folha de S. Paulo (em matéria assinada por Rubens Valente, Fernanda Odilla e Andreza Matais), revelou até mesmo contas no exterior, em Hong Kong, para onde seriam destinados valores extorsivos cobrados por quadrilha palaciana.

Publicada na Folha de S. Paulo do domingo (26), a reportagem seria capaz de causar a prisão e o impeachment do presidente, se a oposição brasileira não fosse tão comprometida e acanalhada. Uma oposição que se pretende firmar no discurso de FHC, o qual desmoralizou o país por oito anos (1995-2003), não tem como ser levada a sério!

Dom Luiz Inácio já deveria ter caído há séculos sem fim. No escândalo do mensalão, no dos cartões corporativos (criados por FHC), e nos desmandos sem fim. Como não cairá, afunda-se o Brasil de desesperançados a servir de referência mundial a indizíveis descalabros.

Quem não se lembra da CPI dos cartões corporativos, quando se levantou a farra monumental que até hoje persiste, jogando no domínio de “autoridades” sem pudor os recursos financeiros destinados à Saúde, Educação e Segurança? E o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), convenientemente esquecido? Tenham dó!

A frustração causada pelo STF, numa prova de incompetência monumental, jogando por terra as ilusões dos que ainda tentam acreditar na possibilidade de Brasil melhor, coloca as instituições em alarmante sintonia: num ritmo de ineficiência que com clareza se detecta em todos os órgãos.

O que mais assusta é perceber que o próximo Congresso Nacional deverá ser muito pior do que o atual. Como se isso ainda fosse possível! E nem adianta procurar culpa em gatos pingados e isolados, porque nossa derrocada é fruto de trabalho organizado e coletivo.

Ruína alicerçada em modelo permanentemente condenado e combatido, mas fortalecido na insensatez dos que se locupletam nas arcas públicas há séculos sem fim! Como não existe punição a culpados, desde que estejam acima de cinco salários, o desmonte é geral e a gatunagem estimulada, pois permitida.

Depois de tudo isso, é hipocrisia pretender a remoção de quadros de Gil Vicente (29ª Bienal de São Paulo), por conta de série que apresenta sob o título de “inimigos”. Até porque o artista não se prende tão somente aos que identifica como carrascos nacionais. Sua abordagem é mais ampla e contempla, inclusive, a figura do papa!

Vivemos num mundo de loucos, em que “nada é sólido e tudo se dissolve no ar”, planejando elaboradas maldades com o fito de tornar mais cruel a vida de nosso semelhante. Que pelo menos encontremos meios de rir de nossas próprias desgraças, os sem sorte (como nós), nascidos num país onde o desrespeito é a maior característica.

Márcio Accioly é Jornalista.

Nenhum comentário: