sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Banco Central, o fiel da balança

Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net

Por Eduardo Pocetti

Prudência. Essa é a palavra que melhor define a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em manter a taxa básica de juros em 10,75% ao ano. Suficiente para manter afastado o risco de uma escalada inflacionária, e não tão alta a ponto de prejudicar os setores produtivos, a manutenção da atual Selic aponta confiança na estabilidade econômica sem incorrer no otimismo exagerado – e perigoso.

A decisão do Copom não surpreendeu o mercado. Na verdade, era esperada pela maioria dos analistas financeiros, que já há algum tempo apontam a existência de condições favoráveis para o Banco Central encerrar o ciclo de ajustes da Selic iniciado em abril, quando a taxa estava fixada em 8,75%. De fato, a inflação entrou em declínio nos três últimos meses – as atuais projeções estão bem próximas da meta de 4,5% – e não existem, ao menos por ora, fatores que possam exercer pressão significatica sobre os preços.

Nisso, aliás, reside a grande diferença entre o cenário atual e o do início deste ano, quando o risco inflacionário estava associado, por exemplo, aos altos preços dos alimentos em nível global e às desonerações fiscais concedidas pelo Governo a alguns setores da economia, com o objetivo justamente de aquecer o consumo interno e reduzir o impacto negativo da crise mundial.

Se o contexto é tão positivo, não teria sido oportuno o Banco Central reduzir a taxa Selic?

A resposta, infelizmente, é não. No último trimestre, teremos os reajustes salariais de diversas categorias, os pagamentos de bônus pelas empresas e uma provável alta nos preços de alguns gêneros alimentícios. Ou seja, um relaxamento agora poderia se somar a esses fatores que já despontam no horizonte, e a inflação, atualmente debelada mas nunca vencida em definitivo, poderia voltar a assombrar.

Assim, por mais que todos desejem ver a economia brasileira crescer a índices chineses, não se pode menosprezar a importância de garantir um cenário tranquilo e estável. É com ousadia e prudência nas doses certas que se constrói um modelo de desenvolvimento sustentável e seguro. E o Banco Central vem exercendo, com inegável sucesso, o papel nem sempre popular de “fiel da balança” – algo muito necessário a este País com economia pujante, muita sede de crescer e algumas fragilidades que, aos poucos, estão sendo solucionadas.

Eduardo Pocetti é CEO da BDO, quinta maior rede mundial em auditoria, tributos e advisory services.

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