sábado, 25 de setembro de 2010

Consciência política na hora do jantar

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Edson Garcia Gabriel

"A política é como a esfinge da fábula: devora a todos que não lhe decifram os enigmas" Essa frase, do escritor francês Antoine Rivarol, sintetiza o motivo maior da preocupação em educar politicamente os jovens. Com a conquista da democracia, a responsabilidade de zelar pelos rumos do país saiu exclusivamente das mãos dos governantes e chegou até nós, cidadãos que vão à urna exercer o direito de votar. Só que precisamos aprender que, além disso, temos o dever de fiscalizar.

O assunto não parece um dos melhores para se discutir, ao redor da mesa, com a família, depois de mais um dia de trabalho. Se pressupõe que será uma conversa longa com muita discussão e diálogo além de exigir participação de todos na negociação de posturas. Mas o fato é que em um país onde não se formam cidadãos conscientemente políticos, o futuro da sociedade fica a mercê dos poucos que entendem do assunto. E isso não é, no mínimo, confortável para a nação.

Por isso chamar a atenção para algo tão delicado se faz urgente, principalmente em época de eleição onde os olhos se voltam para a decisão eleitoral do mês de outubro. Penso que a política é a essência do relacionamento humano. Quanto mais nossa sociedade – e nossas vidas – se tornam mais complexas, mais nos metemos de cabeça na política.

Entender a dinâmica da vida, nossos relacionamentos, nossos caminhos, sonhos, projetos, nossa identidade, tudo isso se vincula à atividade política, aqui entendida como a arte suprema da busca do bem estar coletivo. Fazer política, nesse sentido será sempre pensar na nossa relação com os outros, no bem estar da maioria. Isso deve estar presente e orientar o currículo escolar e a vida social de toda família.

É preciso vencer o tabu do medo ideológico incutido nos educadores que política não combina com escola. Pois a verdade é totalmente o contrário. As duas vertentes estão diretamente ligadas à vida em sociedade e precisa ser tratada com transparência e clareza para que se formem cidadãos mais esclarecidos sobre o poder que exercem na democracia.

A maioria das escolas e dos educadores nesse momento são vítimas de um certo descaso e falta de investimentos públicos na educação pública. Vivemos a consequência dos últimos governos, da mordaça, da fraqueza da nossa jovem democracia e da tibieza da maioria dos líderes políticos. Tudo isso refletiu e ainda reflete na organização, na competência e no desempenho das escolas. Ao redefinir o seu papel na sociedade é preciso que a escola encontre o espaço necessário para a educação política.

Nesse sentido, os pais precisam ter a noção de que não se podem transferir para as instituições de ensino a total responsabilidade da formação política dos jovens, pois dessa forma abrirão uma lacuna no diálogo domiciliar tão importante quanto os debates escolares.

Ao longo e médio prazo a intervenção da escola e da família no sentido de formar pessoas com uma visão da política como a busca pelo bem estar coletivo, certamente contribuirá para formar líderes políticos mais conscientes do seu papel e mais responsáveis com uma sociedade socialmente mais justa. Da mesma forma que o regime político ditatorial que se instalou no país a partir de 1964 abolindo, entre outras coisas, a discussão política e filosófica na escola, contribuiu para deixar um enorme vácuo na formação de novos líderes nessa perspectiva.

Mesmo que as mudanças em uma sociedade não passem apenas por crianças e jovens, é importante salientar que com essa base política elas mudarão o foco do seu olhar e do seu comportamento, lidando com mais atenção e sabedoria com as coisas da vida. E, cá entre nós, isso já é bastante.

Se discutirem nas escolas um pouco mais sobre política, no mínimo, votarão com mais sabedoria e aprenderão a controlar e cobrar os nossos políticos partidários. Educação é a base de todas as sociedades mais evoluídas socialmente. E educação pela política é a semente do “em se plantando dá”.

Edson Garcia Gomes é autor do livro De Olhos Bem Abertos – A política presente em nosso cotidiano, da editora FTD.

Um comentário:

Anônimo disse...

A HERANÇA DO DEPUTADO CLODOVIL


Clodovil era uma figura inegavelmente polêmica. Mas tinha idéias e coragem, além de suas contradições tão humanas. Inteligente, com um senso crítico aguçado, ele dizia o que os outros apenas pensavam…

Em julho de 2008, o deputado Clodovil Hernandes apresentou à Mesa da Câmara a proposta da emenda à Constituição (PEC) para reduzir o número de deputados de 513 para 250.

O projeto teve apoio de 279 parlamentares (eram necessários 172 votos para que fosse apresentado).

Não passou por interesses óbvios.

É o gato tomando conta do peixe.

Pelo projeto, nenhuma Unidade da Federação poderá ter menos de 04 deputados e nem mais de 35.

Hoje, a menor representação tem 08 e a maior, 70.

Se a PEC passar, haverão cortes de 263 deputados e redução de gastos, só em despesas com parlamentares R$26,3 milhões por mês. As informações são do Jornal o Estado de S.Paulo.

Vamos divulgar e apoiar? A idéia é ótima!!!

Fui pesquisar o custo de cada parlamentar brasileiro, de acordo com a ONG Transparência Brasil o custo de cada deputado é de R$6,6 milhões por ano! E o custo de cada senador é de R$33,1 milhões por ano.

Se a Emenda Clodovil passasse, reduzindo pela metade o número de parlamentares, e supondo que isso pudesse ser feito tanto na Câmara quanto no Senado, teríamos uma economia de aproximadamente R$3,1 BILHÕES DE REAIS!!!

Isso dá mais ou menos R$17,00 por habitante.

Já que o gasto público com saúde é de R$0,64 por habitante, veja o que a economia com os parlamentares pode proporcionar!!! (No Brasil, segundo o sindicato dos hospitais de Pernambuco Sindhospe), “para um gasto total de U$600 per capta/ano (em saúde), apenas U$300 vêm do setor público. Destes apenas U$150 é investimento federal, ou seja, U$0,40 por cidadão brasileiro”).

Daria para multiplicar a verba hospitalar atual por habitante por mais 26 vezes!!!

Além disso, teremos menos chance de corrupção, menos políticos para controlar.

Divulguem, se concordarem.

Quem sabe a maior obra do Clodovil não se tornará póstuma?…

Realmente, para que serve um Congresso com tantos parlamentares, considerando-se que foram capazes de aprovar um hediondo crime contra velhos e indefesos trabalhadores, ao desvincularem imprudentemente a correção da sua aposentadoria à correção do salário mínimo. E ainda de quebra, aceitaram a criação do Fator Previdenciário! É muita maldade junta contra idosos.

Autor: Almir Papalardo