quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Empanturrados de Poder

Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net

Por Arlindo Montenegro

Imaginemos um destes gráficos cruzados, com escala positiva à direita e para cima enquanto as medidas netgativas situam-se à esquerda e para baixo. Imaginemos que este gráfico está representado no terreno onde pisamos, vivemos, atuamos. No ponto central, vamos situar um mastro, uma bandeira que pode ser a bandeira brasileira. Isto porque hoje é o 7 de Setembro e ainda restam algumas pessoas que, conscientes do valor das liberdades políticas, carregam a emoção, a veneração e o respeito pelo símbolo que lembra quem somos.

Quem somos? Em que ponto destes limites territoriais nos situamos? O que pensamos? O que queremos? Há mais de meio século umas professorinhas gentís me ensinaram que aquela bandeira simbolizava a nossa Pátria, uma terra abençoada por Deus e vocacionada para ser o celeiro da terra. Incutiam nas cabecinhas carregadas por pés descalças, o dever de defender o solo "mãe gentil, Patria amada, Brasil".

Com o passar do tempo, cada um - daqueles piás, pixotes, gurís, meninos e meninas, - situou-se numa posição do terreno, explorando as possibilidades em excursões à direita ou à esquerda do pensamento-pátria. Uns ficaram ali mesmo onde nasceram. Outros mudaram-se para viver em diversos pontos, buscando melhores condições de bem estar, saber mais, conquistar melhores oportunidades econômicas para melhor educar a prole.

Numa data que nem esta, no passado, muitos despertaram ansiosos para vestir o uniforme escolar, azul e branco e participar do primeiro desfile, sabendo que no país inteiro aquela cena se repetia, com bandeirinhas que se agitavam e familiares que acorriam para apreciar e aplaudir, crianças, tropas armadas e ex-combatentes que haviam participado da guerra na Itália, em defesa da democracia.

O senso de civismo e responsabilidade unificava brasileiros de todos os credos e cores, as bandinhas tocando marchas e hinos pátrios, marcando o passo do povo brasileiro em direção ao futuro, o peito inchado de orgulho. Dia da Pátria, referencia amorosa, responsabilidade de cada um, resultado de trabalho e luta.

Aquele civismo, traço inseparável do carater de cada brasileiro na segunda metade do século passado parece ter desaparecido da memória, das aulas nas escolas e até dos quartéis. As pessoas que se apinhavam honrando seus filhos soldados, parecem ter esquecido as ameaças, os riscos e o papel da defesa confiada aos militares e policiais. Estamos ancorados no século do salve-se quem puder.

As pedras fundamentais que sustentavam a consciência nacional, essencialmente a família, a defesa do chão e o direito ao trabalho, apoiados na fé em um Deus presente e bondoso, tolerante e enérgico, tem sido alvo preferencial de uma guerra diferente, uma revolução de costumes implantada, que revoluciona e envenena o alimento espiritual da nação.

O momento de civismo que os poetas citavam, "diante do altar da Pátria" foi transferido para os campos de futebol. Substitui-se o que era emoção significativa da integridade, por paixão de torcida, que divide e tem conduzido à agressão entre os mesmos nacionais, organizados para sacrificar-se por times reconhecidos como "nações" que "lutam" para vencer umas às outras, nos campos e nas ruas.

No grande campo pátrio as divisões são fomentadas entre grupos etnicos, entre ricos e pobres, entre proprietários e sem terra, entre letrados e iletrados. Tudo orquestrado "científicamente", para substituir o que era sentimento de orgulho e construção nacional, por uma guerra permanente sem sentido consistente.

Perde-se o sentido da continuidade da vida e as consciências se vão moldando para lidar com a impermanência das coisas. Perde-se a visão estratégica da unidade e integridade territorial enquanto se fomenta a divisão em todos os sentidos – familiar, ético, religioso, costumes, etnias, cor da pele, práticas sexuais privadas se erigem em direito público, o estado interfere na educação e nas relações entre pais e filhos.

Os comentaristas da mídia referiam "o feriadão", "a folga", "o descanso prolongado" e aconselhavam o cuidado nas estradas, a roupa a ser usada, onde e o que comer. Nenhuma referência à comemoração! Memória apagada? Significado perdido?

As guerras e guerrilhas atomizadas, a defesa pessoal, da familia e da propriedade atribuida a cada um. E todos a serviço de um poder estatal ausente, distante que já não serve à Nação e muito menos à Pátria. Serve a "times" e "bandeiras" desconhecidas. Ostenta símbolos desconhecidos. Dirige por caminhos estranhos e confusos. Educa para o conformismo servil.

As emoções extremadas conduzem à loucura. Os loucos dominam o hospício. Tudo parece normal enquanto a insanidade se sobrepõe à razão. Resta a esperança na justiça maior, confiável, imutável, natural, presente na eternidade. Somos apenas estruturas pensantes, ínfimas, transitando na grandeza do infinito. O poder é transitório como um espirro ou arroto de animal empanturrado.

Sic transiit gloria mundi!

Arlindo Montenegro é Apicultor.

3 comentários:

Humberto Pinto disse...

Ilustre Escritor e Professor
ARLINDO MONTENEGRO



Bravo! Pelas suas palavras.

Independência do Brasil 7 de setembro de 1822 .

Olhamos para trás e recordamos um Brasil que caminhava de acordo com o lema da bandeira - Ordem e Progresso.

"Estamos ancorados no século do salve-se quem puder", diz seu escrito.

Hoje procuramos explicar o erro. Por que não deu certo? Afinal estamos diante de um quadro de autofagia social.

E eu, na minha humilde opinião, sou capaz de apostar que somente a Mão de Deus será eficaz para estancar essa avalanche que esmaga a sociedade brasileira.

Lembra 1950 quando a televisão chegou ao Brasil? A partir daí a telinha dos pervertidos começou a invadir os lares e inocular o veneno do desarranjo social e da desordem.

O comportamento das pessoas mudou.

Da inocência à maldade foi um pulo.

Hoje, no lugar das coisas que agregam proliferam os cultos da discórdia. As festas das famílias - festas juninas e os balões juninos - condenadas e substituídas pelas novelas da Globo, Halloween, festivais de rock e outros dispersivos.

Das coisas boas às drogas que degradam.

Os inocentes úteis, inebriados pelo canto da sereia, somaram aos predadores e, assim, comendo pelas beiradas, como se come mingau, os inimigos da ordem foram corrompendo a arte, os nossos valores, os nossos costumes e a nossa cultura, manipulando a liberdade.

Logo, o respeito deu lugar ao fratricídio.

Agora, com o caos presumido, impõe-se, como solução o seu PNDH3, a dialética do artificialismo.

Ainda há tempo de reverter essa tendência e que DEUS nos ajude, na missão.

Humberto Pinto Cel

Esperança disse...

Ninguém mais pode divulgar a verdade já que é ameaçado pelo Partido dos Trambiqueiros

PT ameaça Pr. Paschoal Piragine Jr
http://juliosevero.blogspot.com/2010/09/pt-ameaca-pr-paschoal-piragine-jr.html

Anônimo disse...

Lendo o título desse POST - "Empanturrados de Poder", vem-me à memória o livro "Revolução dos Bichos", de George Orwell. Até parece profecia sobre um país tropical "desconhecido"...

Zé Bigorna