sábado, 11 de setembro de 2010

Fidel Castro: 1959 -1964 – 2010


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Ernesto Caruso


Fidel Castro, líder cubano, guru de alguns, comandante para outros, também chamado de presidente — no poder de 1959 a 2008 — não acredita que hoje valesse a pena exportar o modelo cubano, completando: "Já nem funciona conosco".

Foi o que revelou o jornalista Jeffrey Goldberg da revista “The Atlantic”, através publicações da entrevista que teve com o ex-ditador, ou meio ditador, já que passou o comando de Cuba para o irmão Raul Castro.

Um mea culpa que levou bastante tempo para ser admitido, mesmo depois da implosão do regime comunista na União Soviética, marcado pela transformação do muro de Berlin em pó e fato histórico, mas emblemático, ocorrido em 1989; calvário, cruz e morte de tantos que tentaram fugir da teia vermelha, e foram metralhados, desde a sua construção em 1961.

O muro caiu, mas o “paredón”, ainda não, testemunha de milhares de cubanos fuzilados por pensarem diferente ou tristemente mortos, mártires que se imolam pelas greves de fome; grito silencioso, sem a força da voz que lhe foi roubada, simbolizado por uma imagem que nos fere a alma de um corpo inerte em pele, osso e sofrida expressão facial.

No início da década de 1960, guerra fria e bipolaridade, EUA e URSS, os fatos delimitaram caminhos; democracia, liberdade, economia de mercado, desenvolvimento, de um lado, e de outro, economia de estado, soberania limitada e presença do exército soviético para consolidar conquistas e manter o expansionismo como doutrina. Cuba escolheu o lado vermelho.

Nesse entorno, 1962, houve a chamada Crise dos Mísseis, da qual, agora, Fidel critica as posições assumidas, quando concordou com a instalação de ogivas nucleares soviéticas na ilha e ainda tentar persuadir Nikita Kruschev para atacar os EUA. Diz mais ao jornalista: "não valeu nada a pena". Fidel lhe pareceu fisicamente frágil, mas lúcido.

O tom de raro arrependimento sobre os fatos do passado provavelmente vai ser atribuído, pelos ainda marxistas convictos, filhotes e admiradores de Fidel, como decorrência de uma senilidade dos 84 anos de idade.

Pois é. Esse modelo serviu de bandeira e exemplo a muitos brasileiros e hispano-americanos que lá foram aprender a fazer guerrilha e terrorismo, juntamente com outros pólos irradiadores das lições marxistas-leninistas. Iludidos, jovens estudantes secundaristas se tornaram presas fáceis de velhos comunistas.

A rebeldia, o desejo de afirmação, independência e os anseios por um mundo sensível ao humanismo, características dos adolescentes, determinaram como objetivo das internacionais comunistas, organizá-los para os embates.

No Brasil, o povo e as Forças Armadas neutralizaram a tomada de poder pelos comunistas em 1964, livrando algum Fidel brasileiro de se arrepender em 2010 do atraso imposto a uma nação.

As Forças Armadas Colombianas são o resultado da semente que lá foi plantada e hoje detêm parte do território alheio ao governo central democraticamente eleito.

Cuba não se limitou a preparar combatentes de outros países, mas de atuar no exterior com forças convencionais, forças especiais, conselheiros, como em Angola (12.000 homens), Iêmem do Sul, Síria (3.500 a 4.000), Guiné, Tanzânia, Argélia e Congo, dados de 1976.

Aviões cubanos transportavam tropas para Angola, abastecidos em território da Guiana, que pensava em um socialismo próprio, sem seguir a linha chinesa, cubana, soviética ou argelina. Cubanos treinaram tropas da Jamaica e pilotos peruanos. Che Guevara foi lutar na Bolívia.

No Brasil, o foquismo de origem cubana, em nova intentona comunista, ensejou a guerrilha da Serra de Caparaó (1966/67), guerrilha do Araguaia (inicio de 1970), e do Vale da Ribeira/Registro (1970). Mais, uma vez o Brasil se livrou da stalinismo assassino. Países sul-americanos também.

Mas, Fidel ainda é inspiração de políticos deste continente, como Hugo Chávez, presidente da Venezuela que se impõe usando a massa para se perpetuar no poder, amordaçando a imprensa, esteio da liberdade de pensamento.

Cuidado Brasil com essa nova epidemia, americanos do sul ao norte.

“Aos liberais do ocidente. Para vocês, pensadores, intelectuais de esquerda e estudantes de vanguarda, americanos, alemães e franceses, toda esta minha obra não terá nenhuma importância. Somente quando vocês ouvirem a ordem: “Mãos para trás” e quando vocês começarem a marchar em direção ao Arquipélago, então vocês começarão a entender.” (A. Soljenitsin, autor de Arquipélago Gulag, Regime Russo é o mais sanguinário)

Ernesto Caruso é Coronel da Reserva do EB.

3 comentários:

Humberto Pinto disse...

Ilustre Coronel
ERNESTO CARUZO

Brasil 1964,o marco da liberdade!
Cuba 2010, final melancólico de um ditador.
Pede desculpas pelas destruições que causou, sem nada construir de útil para o seu povo e para a humanidade. Deve se converter e pedir perdão a DEUS.
Para seu irmão resta o caminho da liberdade.
Humberto Pinto Cel

Anônimo disse...

O coma'ndante Castro já voltou atrás. Declarou que foi mal interpretado. O modelo continua sendo do bom e do melhor!!! Lembra até um certo presidente que diz uma coisa num dia e no outro diz que não disse ou diz que sisqueçeu!

Esperança disse...

Explicação da Graça Salgueiro:

Isto foi, segundo o próprio Fidel, uma "interpretação" do jornalista, pois o que ele disse, de fato, foi que o "capitalismo" é que não presta.
Isto foi divulgado hoje e eu acredito mesmo que tenha sido assim, pois do mesmo modo que ...a imprensa inteira "entendeu" que Lula havia dito que repudiava as FARC, as pessoas vivem loucas para "adoçar" os atos desses dois seres abomináveis: Castro e Lula.
Lula disse que repudiava o "terrorismo" que para ele quem comete é o Estado colombiano (leia neste meu artigo aqui: http://observatoriobrasileno.blogspot.com/2010/09/conoce-santos-lula.html), e Fidel JAMAIS iria abdicar de sua "revolução" e a implantação do comunismo em Cuba. JAMAIS!