sábado, 11 de setembro de 2010

Lula e as pesquisas que virão

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Cesar Maia

Recomenda Duda Mendonça, controller dos programas de Dilma: Quem bate, perde. Por que então Lula bateu em Serra no caso das quebras de sigilo fiscal de pelo menos 1400 pessoas e de pessoas ligadas ao partido opositor? Por que Lula foi pessoalmente a TV atacar, ocupando um terço do horário eleitoral de Dilma? Por que não foi um locutor, como seria apropriado em casos como este?

A participação de Lula tem dois aspectos 'ocultos pelo verbo', como se diz nas aulas de português. O primeiro, Lula ao entrar no programa de Dilma pessoalmente, informa que Dilma não sabe se defender e nem comanda seu próprio programa de TV. O eleitor deduz que se ela não coordena seu programa, como será no governo? Se não é a atriz principal, como será no governo? Precisa da presença do padrinho. Isso a enfraquece.

O segundo é que os números de pesquisas -qualitativas e quantitativas- internas já refletem isso, e, num risco de segundo turno, chamaram o 'salvador'. Todos sabem que uma pequena inflexão nos números de Dilma leva ao segundo turno. Basta ela apontar para 45% das intenções de voto para se estar na margem de erro em relação ao segundo turno.

Como a opinião pública é afetada por ondas, a primeira já produziu efeitos, e as que vêm sempre empurradas pela primeira também terão efeito. Não que isso inverta a liderança nas pesquisas. Mas que o segundo turno passou a ser uma probabilidade, isso passou. Talvez hoje a possibilidade de um segundo turno já esteja em 50%.

Os riscos sentidos por empresários e classe média com renda mais alta em relação a seus sigilos fiscal, bancário e grampos generalizados, já afetam sua decisão de voto, que começa a deixar de ser do tipo "tanto faz". A privacidade atingida já é percebida por esses segmentos. Se alcançar parte dos demais, ainda não se sabe. Mas no andar de cima, já alcançou.

Cesar Maia, Economista, é candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro.

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