sábado, 4 de setembro de 2010

Quanto tempo durará esta Constituição?

Artigo no www.alertatotal.net

Por Nelson Valente


Eu pergunto: quanto tempo durará esta Constituição? Porque suas falhas são múltiplas. Eu daria um elenco delas. A começar pelo voto aos 16 anos, que me parece jocoso. O cidadão não pode tirar carta de motorista, não pode viajar sem autorização dos pais e pode votar. Há alguma lógica nisto? Ele não pode abrir nem um boteco na esquina, porque a lei o impede.

Ela não vigorará por muito tempo. Será reformada de acordo com as circunstâncias ou será reformada através de ato de violência. Não é uma boa Constituição. Para começar, os que a escreveram não devem ter tido noções elementares da língua portuguesa.
Esse filólogo que lá esteve deveria falar o esperanto, porque a Constituição o leva estudar o esperanto. Ou então ele já desistiu da língua portuguesa.

Em primeiro lugar, a escolha dos constituintes não foi a melhor. Foram eleitos deputados e se fizeram constituintes.

Nós temos uma Constituição boi-vaca. Venha alguém me dizer que ela é de esquerda. Venha alguém me dizer que ela reacionária. Não concordo com nenhum deles.

Na reforma agrária os erros são muitos. Até nas concessões sociais para a mulher gestante, por exemplo, ou para o repouso do marido na licença-paternidade. Quero acreditar que o Xingu, tenha influenciado bastante, porque lá a mulher dá à luz e o homem vai para a rede repousar.
Essa Constituição é uma frustração.

Imaginava-se uma Constituição liberal, com algumas concessões populares, que não chamo de esquerdizantes, porque a legislação inglesa, ligada a monarquia, prevê alguns desses princípios.

Temos um país no qual as condições econômicas são tão ruins que se o dinheiro aplicado no exterior por brasileiros voltasse para cá, nós poderíamos ser credores do mundo, não devedores. Milhares e milhares de brasileiros têm dinheiro lá fora. E quem quer aplicar sua fortuna aqui ?

Depois, há no Brasil, o que é muito ruim, uma desigualdade, uma discrepância muito grande entre ricos e pobres. Os ricos têm tudo e os pobres não têm coisa alguma.Não têm nem terra, não têm alguns metros quadrados para arar, plantar seu feijãozinho, milhinho, suas plantas.

A nossa Constituição diz claramente que são proibidos os privilégios. Pois agora se fala em reservar um certo número de vagas nas universidades para jovens oriundos das escolas públicas, acabando com a "seletividade"dos exames vestibulares, que estariam privilegiando estudantes dos estamentos sócio-econômicos de mais alto nível.

Todos são brasileiros, todos deveriam ter direito à cidadania, mas enquanto uns têm o privilégio do ensino superior, outros de candidatam ao vestibular da marginalidade, com a pós-graduação no crime organizado.

Há uma relação inequívoca entre pobre e falta de educação, podendo com isso gerar o fenômeno da violência. Os exemplos existem em nossos bolsões de atraso, infelizmente ainda bastante numerosos no Brasil.

A educação brasileira é um grande mosaico, formado por uma grande e dinâmica diversificação . Temos sistemas avançados, principalmente no Sul do país, convivendo com esquemas atrasados, sobretudo no Norte e Nordeste.

Nos dias de hoje, há uma descrença generalizada. Os escândalos no Congresso, as falcatruas no governo, a falta de lisura em alguns membros do Judiciário, tudo isso faz crer que a ética está em pane, promovendo a prevalência da tristemente famosa "Lei de Gerson" (a vida é dos espertos).

Os assaltos são sucessivos, não se tem garantia de nada, mata-se por qualquer bobagem. A droga comanda as ações desses celerados. Vivemos num país com enormes desigualdades sociais, com altos índices de desemprego e não se espere que não tenhamos um preço a pagar por isso.

Não pode haver indiferença do Estado, enquanto cresce essa lamentável criminalidade. Se o cidadão fica responsável pela sua própria defesa, fazendo justiça por conta própria, com a privatização do poder de polícia, corremos o risco de uma guerra civil. Não é isso que se deseja - e certamente a solução passa por uma educação de boa qualidade estendida a todos.

Uma das realidades mais tristes do nosso país é a verificação de que se trata mesmo de uma nação de muitos contrastes. Cidades desenvolvidas e com um nível de vida apreciável convivem com outras, totalmente desassistidas, onde a pobreza, a ignorância, a violência e a miséria fazem parte de seu cotidiano.

O recorte da “política”, que a ciência política faz, inclui governos, partidos e parlamentos; dependendo das preocupações específicas e das inclinações de cada um, também participam movimentos sociais, militares, elites econômicas ou a igreja.

Os meios de comunicação de massa ficam (quase) invariavelmente de fora. Ou então são vistos como meros transmissores dos discursos dos agentes e das informações sobre a realidade, neutros e portanto negligenciáveis. (Cumpre observar que esta também é a visão da política que a própria mídia costuma transmitir, na qual raras vezes aparece como agente.)

Se os cientistas políticos tendem a restringir a importância da mídia, os estudiosos da comunicação costumam, como observou Jânio da Silva Quadros, exagerá-la, a ponto de julgar que a política, totalmente dominada pela lógica dos meios, tornou-se um mero espetáculo entre outros.

Está na hora de mudar isso. A educação é o caminho, antes que o país afunde de vez na ignorância, miséria e violência.

Nelson Valente é professor universitário, jornalista e escritor

Um comentário:

Anônimo disse...

Tudo isto já está dito e repetido. Tudo isto já é sabido por uma parcela consciente do valor das liberdades políticas, que estão sendo desmontadas para facilitar o projeto totalitário dos petistas.
Onde estão os acadêmicos e intelectuais elaborando um projeto dirtor para o Brasil? Que organização existe para elaborar curriculos escolares éticos, abertos, eficazes para formar cientistas e pensadores sem os vícios da ideologia socialista?
São tantas perguntas....!! São tantas as dúvidas diante da violência do estado socialista. E a parcela "inteligente" empacou: constata, denuncia... e quê?