terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Aquecendo ou não, o gelo glacial chegou

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Márcio Accioly

Passado o impacto do noticiário a respeito da morte do ex-governador de São Paulo (1987-91), Orestes Quércia (PMDB), está na hora de juntar fragmentos aqui e ali, para entender o que de fato aconteceu ou acontece. É que foram tantos elogios ao finado por parte da chamada classe política que ficamos, digamos assim, perdidos.

Pensava-se, antes de sua morte, que Orestes Quércia fosse um ladrão. Pilantra igual a boa parte do que vimos por aí, esta parte preocupada apenas em assaltar cofres públicos e se locupletar em vários cargos que ocupa.

Pelo menos sempre se acreditou nisso e a razão de existir do PSDB está baseada no fato de Quércia ter sido supostamente um ladrão. Não um bom ladrão como aquele Dimas que dizem ter sido crucificado ao lado de Jesus e a quem o chamado filho único de Deus teria garantido levar para o céu no dia mesmo da sua morte.

Mas, segundo diziam o ex-presidente FHC (1995-2003), o então senador Mário Covas e o depois governador de São Paulo Franco Montoro, Quércia estava mais para Gestas, o ladrão ruim também crucificado ao lado do Cristo e que por isso mesmo teria descido ao inferno tão logo exalado o último suspiro.

Pois não é que de repente o ex-governador de São Paulo José Serra, o atual, Alberto Goldman e o governador eleito Geraldo Alckmin se derramaram em elogios à figura do morto? E nós ficamos sabendo, mais uma vez, que o Brasil somente não se arruma porque essas pessoas, que chamam umas às outras de salafrários, morrem.

São tantas as coisas que se afirmam e se inventam e se desmentem mais tarde que temos de nos referir a “1984” de George Orwell, publicação que explica direitinho como tais desmentidos e, ainda, como também certas manipulações ocorrem.

Aliás, a igreja católica é mestre na invenção de coisas sem sentido e depois procura deixar o dito pelo não dito e quem quiser que absorva, pois fica tudo resumido a questões de fé. E fé não se explica.

É mercadoria que enriquece pastores e bispos a promover em muitas ocasiões mortes horrendas sabiamente “justificadas” em nome de suposto Criador do céu e da Terra. Triste de quem duvidar. O próprio dia de Natal, quando se celebra o nascimento de Cristo, foi invenção bem bolada do papa Liberius (352-366), no século IV.

No dia 25 de dezembro cultuava-se o deus-sol Mitras, data estabelecida pelo imperador romano Aureliano (214-275). A data se espalhou pela Pérsia, Ásia Menor e Roma. As comemorações abrangiam ainda as terras germânicas e a Bretanha. De maneira que sempre foi data muito popular.

No ano 354 da era cristã, Liberius determinou que no 25 de dezembro seria celebrado o nascimento de Jesus Cristo e, dessa forma, capitalizou a popularidade da festa pagã em homenagem a Mitras. Ou o papa ou sua assessoria, quem quer que seja, acertou na mosca.

Os mais radicais, por conta disso (e eles sempre existem), costumam dizer que tudo na igreja católica é falso: desde a moralidade que serve como biombo para situação de desavergonhada pedofilia, até mesmo a data adotada como do nascimento de Jesus.

Com base em tais desencontros é que ficamos mais uma vez confusos com o posicionamento de nossa chamada classe política em determinados assuntos. Boa parte de bem estudados cientistas diz que o mundo mergulhou numa nova era glacial. O gelo na Europa e nos EUA está aí atestando a veracidade do fato.

Na campanha presidencial brasileira, em 2010, todas as vezes que a candidata Marina falava em “aquecimento global” eu saía no quintal para soprar um pouco e dar a minha contribuição, ainda que modesta, na tentativa de esfriar o planeta.

Agora não se sabe mais que fazer, pois a Terra está esfriando e o negócio é grave. A Rede Globo, no entanto, continua dizendo que o caso é de aquecimento e o comentarista Arnaldo Jabor, juntamente com Miriam Leitão, Renato Machado e outros votados garantem que o calor está batendo na porta.

Como a Terra muda de órbita a cada 11 mil e 500 anos (e isso é comprovado), conclui-se que a Rede Globo está errada e o país inteiro desinformado. O frio chegou. Por via das dúvidas, já tem muita gente acendendo uma fogueirinha.

Márcio Accioly é Jornalista.

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