quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Perigoso Continuísmo Generalizado

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Jorge Serrão

A malvada Clara vai assassinar o iludido e apaixonado italiano Totó. O crime será segunda-feira que vem, em horário nobre televisivo. Numa prova de que a política imita a “Passione”, a bondosa Dilma fuzilou seu atual-futuro ministro da Defesa. O justiçamento de Totó Jobim, sem misericórdia, aconteceu anteontem. Mas o cadáver continuará insepulto, fingindo que ainda tem força para dirigir os chefes das três forças.

A quase chefona-em-comando Dilma Rousseff obrou na farda genérica de Nelson Jobim. Ontem, o ministro virou motivo de piada nos e-mails de turmas de militares. Todos interpretaram como um sinal de desprestígio de Jobim o fato de Dilma ter chamado, para uma conversa individual sem a presença do ministro, cada um dos três chefes militares.

Foi no teretetê com um-por-um que Dilma comunicou que aceitaria a permanência deles nos cargos de comando do Exército, Marinha e Aeronáutica. Como o Palácio do Planalto deixou vazar na mídia amestrada, Dilma cobrou “lealdade” de Enzo Peri, Juniti Saito e Júlio Moura Neto. Eles devem retribuir o pedido, com a promessa de reaparelhamento das forças hoje fracas de equipamentos de primeira linha.

Sem querer querendo, como diria o Chapolim Colorado da televisão, Dilma avacalhou com a Estratégia Nacional de Defesa. A END instituiu que os chefes militares são diretamente subordinados ao Ministro da Defesa. Seguindo a tradição institucional brasileira, que a END deformou, Dilma deixou claro que quem manda nos chefes militares é a Presidente da República. Mesmo que nem tenha assumido ainda.

Dilma atravessou Jobim. Tirou-lhe o suposto poder de “intermediário”. Certamente, Jobim já está PT da vida com a futura chefona-em-comando. Mas não vai manifestar seu desconforto publicamente. Vai ficar quietinho no cargo. O problema é que Totó Jobim, claramente, foi enganado pela maldosa Clara – que deve ter se lembrado dos tempos da dita-dura, quando brilhava no papel da guerrilheira Stella.

Clara deixou claro que Jobim não vai negociar, sozinho, a modernização das Forças Armadas – como vinha fazendo no governo do General $talinácio. O Totó da Defesa ainda será obrigado a amestrar o Gato Angorá colocado na Secretaria de Assuntos Estratégicos. Dilma também não gosta do Moreira. Mas ele agora é bichinho de estimação do vice Michel Temer. Logo, todos terão de aturar Moreira interagindo com as grandes empreiteiras que cuidarão do reaparelhamento das Forças Armadas.

Triste final de uma novela que apenas está começando. O primeiro capítulo é de uma profunda tristeza institucional. Manter os mesmos chefes militares no cargo é uma “ditadura”. A própria carreira militar condena a falta de rotatividade no poder. A permanência de atuais chefes é um retrocesso imperdoável. Já gerou confusão no Alto Comando do EB – onde outros generais (desejosos de comandar a força) estão Pts da vida.

Uma coisa é certa. O continuísmo generalizado é péssimo e perigoso para qualquer regime. Pior ainda para o nosso onde inexiste democracia – a segurança do direito pelo exercício da razão pública. As malvadezas da Clarinha virão nos próximos capítulos.

Releia o artigo de domingo: Cueca blindada para quem precisa

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.
© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 22 de Dezembro de 2010.

3 comentários:

JESUS ESTÁ VOLTANDO disse...

ISTO ESTÁ CHEIRANDO A BRIGA EMTRE ELA E O VICE.
E TAMBÉM AO DESEJO DE QUERER COMANDAR DIRETAMENTE AS FFAA, PARA TIRAR O RECALQUE DO PERÍODO, EM QUE ERA PERSEGUIDA POLÍTICA.
SÓ FREUD EXPLICA.

Anônimo disse...

Pois é caro Serrão.
Como se dizia nos meus tempos de estudante do CMRJ, "cagaram no pau" do genérico(Jobim). Ele já estava se "achando". Bem feito. Nem ditadura militar deixou de haver "rodízio" dos generais-presidentes.
Como um velho civil aposentado, fico triste em ver tudo isto.
Realmente, o Brasil na sua essência, sempre foi o que é e, talvez será. Só que consegui viver momentos bons na minha vida, o que hoje é bem difícil. Em "La dolce vita"(1957) do grande mestre Fellini, previu com grande exatidão o que hoje vivemos. É isso aí "mermão".
Braga

Anônimo disse...

É isso aí Serrão,sua análise procede.
Daqui p'frente é que vamos ver como se dizia,"a cobra fumar".
Eu não espero nada a não ser o que todo não enganado por oito anos de propaganda espera:a mesmice em enganação,improbidades,maracutaias e sobretudo exaltação ao próprio ego,desta vêz pela criatura-sombra-extensão do "deus" que continuará dando piteco.O problema é...,até quando dará piteco?
Quem viver verá!