segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sindicato dos petroleiros é pressionado a se manifestar sobre omissão pública no caso Gemini

Edição do Alerta Total – http://www.alertatotal.net/
Por Jorge Serrão

Já que a Presidenta eleita Dilma Rousseff mantém silêncio oficial sobre o caso, junto com os demais integrantes do governo Lula e da Petrobrás, o engenheiro João Batista Pereira Vinhosa resolveu pressionar o Sindipetro a se manifestar criticamente sobre a Gemini – sociedade por meio da qual o governo brasileiro entregou o cartório de gás natural liquefeito a uma empresa pertencente a um grupo empresarial norte-americano.

João Vinhosa enviou uma carta ao Secretário Geral do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo no Estado do Rio de Janeiro, Emanuel Cancella, questionando como o Sindipetro – RJ aceita que a Gemini agrida, de maneira impressionante, a campanha “O petróleo tem que ser nosso”, principal bandeira do sindicato nos últimos tempos.

O engenheiro lembra ao sindicalista que, nos anos de 2006, 2007 e 2008, o jornal do Sindipetro publicou gravíssimas matérias, acusando a Gemini de ser altamente lesiva ao interesse nacional. Mais: tais matérias denunciavam, de forma por demais explícita, a prática de corrupção no “caso Gemini”. Vinhosa estranha como, de uma hora para outra, o Sindipetro silenciou-se, absorvendo o vergonhoso dano causado ao interesse nacional pela espúria sociedade.

Vinhosa reclama que o Sindipetro não insistiu junto ao Ministério Público e nem incluiu a questão da Gemini na Campanha pela Nacionalização do Petróleo e Gás, como havia declarado o seu secretário-geral. Vinhosa considera comprometedor que o Sindipetro tenha se silenciado, ao mesmo tempo em que intensificou a campanha intitulada “O petróleo tem que ser nosso”, contra a qual a Gemini se choca frontalmente. Vinhosa destaca que, em 19 de outubro de 2010, formulou denúncia ao Ministério Público Federal, ressaltando que nada mais perfeito para caracterizar o tráfico de influência no caso Gemini que a mudança de postura do Sindipetro: um sintomático silêncio, após uma denúncia de corrupção, categórica a ponto de apresentar uma mala de dinheiro com o nome do corruptor.

Numa das matérias no jornal do Sindipetro-RJ, datada de 23/03/06, pode-se ver uma charge bastante sugestiva: um homem com uma mala recheada de dinheiro na qual se encontra gravado o nome da sócia da Petrobras na Gemini. Em outra matéria, publicada em 03/08/07, sob o título “Petrobrás entrega mercado de GNL aos EUA”, uma charge mostra a mão do Tio Sam acionando um cilindro de gás de onde jorra dinheiro. Numa terceira matéria, de página inteira, publicada em 29/05/08, além de uma charge bastante sugestiva, depara-se com um título esclarecedor: “Soberania Nacional Ameaçada – Mercado de GNL brasileiro está nas mãos de multinacional”.

Vinhosa também chama atenção para a entrevista dada em 16/05/08 ao jornal do sindicato dos previdenciários pelo secretário-geral do Sindipetro, Emanuel Cancella. Entre as graves palavras do líder petroleiro, se destacam: “O que nos perguntamos é o que moveu o governo a referendar um negócio como este. O que está por trás disto? Tem alguma coisa suja no meio desta história. Vamos insistir junto ao Ministério Público e incluir esta questão na Campanha pela Nacionalização do Petróleo e Gás”.

Vinhosa faz algumas provocações ao Sindipetro: “Será que a massa arrebanhada pelo Sindipetro para a campanha “O petróleo tem que ser nosso” foi colocada a par do procedimento do sindicato em relação à Gemini? Quem será que determinou que o poderoso Sindipetro se calasse a respeito da Gemini? Por todo o exposto, torna-se impossível negar: o Sindipetro terá sua reputação extremamente abalada, caso não se manifeste à altura sobre seus procedimentos relativos à Gemini – a mais danosa privatização já ocorrida no setor “petróleo e gás”.

Vai para o processo

João Vinhosa juntará a carta enviado ao Sindipetro ao processo que tramita no MPF sobre tráfico de influência na Gemini.

O engenheiro repete os endereços eletrônicos das matérias citadas.

HTTP://www.sindipetro.org.br/101/b1063/1063.pdf (Jornal do Sindipetro, 23/03/06)


HTTP://www.sindipetro.org.br/101/b1109/1109.pdf (Jornal do Sindipetro, 03/08/07)


HTTP://www.sindipetro.org.br/101/b1133/1133.pdf (Jornal do Sindipetro, 29/05/08)

Grandes negócios no ar

Jornais noticiam que Dilma Rousseff decidiu chamar um superexecutivo do mercado para comandar a Infraero - encarregada de preparar os aeroportos brasileiros para a Copa do Mundo de 2014.

Dilma negocia hoje com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, como será criada a Secretaria de Aviação Civil, que terá a atribuição de comandar a Infraero, cujo orçamento para 2011 é de R$ 1,2 bilhão.

Um bem articulado oficial da FAB pode comandar a nova Secretaria ou a própria Infraero.

Mas o grande tocador pessoal deste negócio na Infraero é o futuro ministro-chefe da Casa Civil, Antônio Palocci Filho, que já tem grandes articulações para PPPs ou concessões e aeroportos à iniciativa privada.

Vida que segue...


Ave atque Vale!


Fiquem com Deus.


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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 6 de Dezembro de 2010.

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