domingo, 16 de janeiro de 2011

Instituto da Hipocrisia Social

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Arlindo Montenegro

No número 1 da Rua Dupois em Paria, está o Instituto da Hipocrisia Social. Filiais em Los Angeles, Edimburgo, Oslo e Berlim. Falta abrir a filial do Brasil, preferivelmente no Rio de Janeiro, que sempre concentrou a nata da intelectualidade brasileira vinda de todos os quadrantes da nação, engrossando o caldo de peculiaridades regionais, presentes naquilo que os acadêmicos rotulam de cultura nacional. Vivemos num tempo de aridez cultural funkeana! Um tempo carente de mentes livres, como Dupuis.

Uma cultura nacional, pressupõe uma Patria! Amor à Pátria! Defesa intransigente do nosso pedaço de chão, da nossa casa, dos nossos costumes e mais: um plano de construção, uma visão estratégica presente no dia a dia, na educação, na discurso "falado, escrito e televisado" de todos que se dedicam a "formar a opinião pública". Precisamos com urgência retomar as origens, honrando a natureza, o saber e a busca do saber, a livre realização de todas as faculdades, sem os sofismas que impedem o pensamento e a livre expressão.

O ser humano é muito mais que esta coisa que nos querem impingir como detentor de "direitos", como se fôssemos objetos subservientes de políticos, ministros, governantes que manipulam a boa fé. Cada um de nós é portador da vida e consequentemente senhor dos direitos inerentes à natureza. Esta coisa de direitos excepcionais para uns em detrimento dos direitos naturais dos outros, a invasão dos lares e imposição de normas aos pais para a educação dos filhos que geraram e alimentam é pura violência.

Quando a gente mergulha no conhecimento do passado, encontra o registro nas paredes das cavernas, nos papiros, gravações em pedras documentando sentimentos e emoções humanas, observação da natureza e certeza da presença de uma inteligência universal, uma ordem que inclui chuvas e sol ardente, raios e trovões, terremotos e vulcões, amor e desamor. Aqueles documentos revelam os trabalhos hercúleos para a sobrevivência em harmonia com o hatitat, usos e costumes, comportamento das gentes.

Nos documentos mais antigos, a.C, encontram-se nos fundamentos religiosos de hindus, egipcios e muitos outros, o registro de narrativas semelhantes às que foram escolhidas para compor a Biblia cristã, tal como a conhecemos. As ultimas mudanças e adaptações foram feitas séculos depois do início da era cristã, após a queda do império romano. É notável que, em todas as épocas, os reis e líderes militares tenderam a ultrapassaram suas prerrogativas, para controlar e explorar o trabalho das populações.

Das muitas faculdades "extintas" pelas leis, subsiste uma, persistente, incômoda, mas como diz Olavo de Carvalho, ausente no espaço intelectual do Brasil: a curiosidade de saber, que exige o aprendizado de exercitar o pensamento. Há mais de meio século ainda existiam debates entre racionalistas ateus, materialistas e teistas, todos conscios de suas verdades e cada um respeitando o espaço do outro. Nas últimas gerações iniciou-se um mergulho profundo no obscurantismo. Salvaram-se poucos. Os exemplos morais e éticos sumiram.

A hipocrisia social instalou-se entre nós. O colonialismo reservou para adestrar nossos "pensadores" e reproduzir na formação de crianças e jovens, a fração mais retrógrada das metodologias educacionais. Alguns "peritos" tomaram parcos e ligeiros resumos ideológicos, para implantar nas mentes imaturas a semente de dogmas, seitas fanáticas e anarquismo existencial, como se todas as áreas do saber estivessem sintetizadas em medrosas meia verdades, que escondem a verdadeira natureza da gente que os poderosos temem: a busca da liberdade no saber.

Voltamos à Rua Dupuis em Paris. Charles-Frances Dupuis, nasceu em 1742. Estudou retórica, direito e matemática. Da sua biografia consta a invenção do aparelho que antecedeu o telégrafo. Mestre no Colégio de França, foi eleito para a Academia de Letras. Horrorizado com a carnificina da revolução, retirou-se de Paris, regressando como um dos eleitos à Assembléia Nacional, integrando o Conselho dos 500. O que o distingue como pensador e Mestre é sua obra ( Abrégé de l'origine de tous les cultes) – Resumo da origem de todas as religiões. Eis um trecho:

"Qualquer coisa que possa produzir a ilusão, todos os recursos da mecânica e da magia, que era o conhecimento secreto dos efeitos da natureza e da arte de imitá-los; a pompa brilhante das festas, a variedade e a riqueza das decorações e roupas, a majestade do cerimonial, a força da encantadora música, coros, cantos, danças ao som de címbalos sonoros, destinados a despertar o entusiasmo e delírio, são mais favoráveis aos impulsos religiosos, que a calma da razão. Tudo foi empregado para atrair e unir as pessoas para a celebração dos mistérios. Na isca do prazer, alegria e festejos, muitas vezes está oculto o propósito de passar lições úteis e tratar o povo como uma criança, que sem instrução, só pensa em se divertir. É através das grandes instituições que buscamos formar a moral pública e as muitas reuniões pareciam adequadas para atingir este objetivo. "

Do texto grifado se depreende que as nossas instituições, sem exceção, a serviço do estado, tratam a nação com a mesma receita racionalmente descrita por Dupuis, há mais de 200 anos. O mesmo pão e circo dos romanos, aplicado à formação de grupos e seitas ideológicas dificultando a observação e a reflexão. A percepção natural da presença de Deus, Inteligência do Universo, usurpada por falsos condutores na rota contrária à liberdade.

Arlindo Montenegro é Apicultor.

Um comentário:

Anônimo disse...

Bolso cheio – Desde as primeiras notícias sobre a tragédia que tomou conta de cidades da região serrana do Rio de Janeiro, ficou clara e evidente a ditadura silenciosa a que se submete a grande imprensa nacional, que diante de um extenso caos se limitou, como ainda se limita, a noticiar os fatos. Quando os veículos de comunicação entrevistam as autoridades, as desculpas oficiais são perpetuadas como verdades supremas, sem que os responsáveis pela maior tragédia natural da história brasileira tenham sido contestados ou criticados.

Esse tipo de situação ocorre porque o Estado, como um todo, é um grande e poderoso anunciante. E como no mundo capitalismo rasga-se a coerência, mas o vil metal jamais, não demorará muito para que a opinião pública se convença que a natureza é a grande e única culpada pelo rastro de destruição que por pouco não dizimou algumas cidades fluminenses.

Para provar que alguns órgãos midiáticos não se envergonham de deixar a coerência de lado, a Rede Globo não se fez de rogada e gerou reportagens a partir da sede da Legião da Boa Vontade (LBV), em São Paulo, que como sempre atua em benefício dos mais necessitados. Sob o comando de José de Paiva Netto, a LBV capitaneia uma enorme operação de coleta e distribuição de donativos para as vítimas da região serrana fluminense.

Para quem não sabe, a Vênus Platinada patrocinou tempos atrás, sob os auspícios de Roberto Marinho, uma covarde campanha contra Paiva Netto, apenas porque o líder da LBV não se curvou aos interesses da emissora que cresceu à sombra do ranço criminoso da ditadura. Mas José de Paiva Netto não foi o único que experimentou a artilharia virulenta do então todo-poderoso Roberto Marinho. Ex-ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel também teve o nome envolvido em um escândalo faccioso, apenas porque contrariou interesses da emissora carioca. O mesmo ocorreu com o médico Alceni Guerra, deputado federal pelo Paraná, que quando ocupou o Ministério da Saúde no governo Collor de Mello foi alvejado por um cipoal de mentiras disparado a partir do Jardim Botânico.

Nas reportagens exibidas nos últimos dias, as emissoras de tevê, principalmente, pouparam os culpados e enxertaram na programação depoimentos dos próprios repórteres, que falaram sobre a cobertura jornalística de episódios semelhantes, como se a opinião pública brasileira fosse composta por pessoas afetadas pelo vírus da idiotia. O enfadonho e dominical Fantástico, atendendo a ordens oficiais, levou ao ar matéria em que um geólogo explica o que ocorreu na região serrana do Rio de Janeiro. E como era de esperar, a natureza mais uma vez foi a grande culpada.

A genuflexão da imprensa do País chega a causar náuseas, pois muitos dos que participam dessas reportagens encomendadas trocaram a própria consciência pelo salário, não importando neste momento que a verdade seja mostrada à sociedade e que o dedo seja, sim, apontado para os culpados, que devem ser tratados pelo Estado como criminosos. Diferentemente do que ocorre nessa banda nada confiável da imprensa brasileira, o ucho.info volta a afirmar que, fosse o Brasil um país minimamente sério e responsável, o governador Sérgio Cabral Filho já estaria preso.