sábado, 22 de janeiro de 2011

Terrorista no olho dos outros é refresco?

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net/


Por Jorge Serrão

A Arte de Mentir parece mesmo o manual de orientação da gestão petralha. Nosso Bolcheviquepropagandaminister teve a cara de pau de produzir, para veiculação no Jornal Nacional da Rede Globo, uma versão light para a veloz saída de Pedro Abramovay do cargo de secretário Nacional de Política sobre Drogas. Alegou-se que Abramovay deixava o time de Dilma por ter recebido um convite irrecusável para atuar fora do governo. Parabéns para a Paulina do Carmo Arruda Vieira Duarte que vai para o lugar dele na Senad!

Na verdade, Pedro Abramovay foi detonado pelo ministro da Justiça. José Eduardo Cardoso ficou pt da vida com a polêmica entrevista dada por Abramovay, duas semanas atrás, ao jornal O Globo. Pedrinho defendeu o fim da prisão para pequenos traficantes de drogas. No dia seguinte à defesa desta tese, Cardozo alegou, irritado, que a posição não era do governo, mas apenas uma opinião pessoal de Abramovay – que agora vai trabalhar em outro lugar.

Demissão de assessor é refresco. Pimenta no olho do governo é a pressão italiana para que seja revista a decisão do Extalinácio de manter o terrorista aposentado Cesare Battisti no Brasil. O ministro José Eduardo Cardozo teve de seguir com o teatro de alegar que “o Brasil é um país soberano, e como tal tem o direito de afirmar suas decisões”. Engraçado que, no caso da Lei de Anistia, os petistas querem que o Supremo Tribunal Federal do Brasil não seja soberano e siga o que decidiu a Corte Internacional de Haia. Para eles, deve valar o “princípio piadático” de que “terrorista no olho dos outros é refresco”.

A hemorróida que se cuide... Em fevereiro, os 10 deuses do supremo (falta um ser nomeado) baterão o martelo, definitivamente, sobre se Battisti fica ou não no Brasil. Agora, especificamente, o STF avaliará se a decisão de Extalinácio pró-Battisti foi tomada sob o ponto de vista da sua constitucionalidade e da adequação ao tratado internacional entre Brasil e Itália sobre extradições. Nos bastidores, os italianos pressionam para que Battisti seja extraditado.

O governo brasileiro ficou ontem pt da vida com a divulgação feita pelo governo italiano de uma carta enviada pelo presidente Giorgio Napolitano à presidenta Dilma Rousseff. O italiano escreveu que a não extradição de Battisti “é motivo de desilusão e amargura para a Itália". O presidente da Itália advertiu, oficialmente, que "não são aceitáveis remoções, negociações ou leituras românticas dos derramamentos de sangue daqueles anos, e as responsabilidades não podem ser esquecidas".

O italiano foi claro: "Talvez não foi plenamente compreendida a necessidade de justiça do meu país e dos familiares das vítimas dos brutais e injustificáveis ataques armados, assim como dos feridos e sobreviventes". Em outro trecho da carta, Napolitano pega pesado: "Trata-se de uma necessidade de justiça ligada ao empenho das instituições democráticas do meu país e da coletividade nacional, que foram capazes de reagir à ameaça e aos ataques do terrorismo, conseguindo derrotá-lo segundo as regras do Estado de Direito".

O STF daqui tende a julgar que o tratado Brasil-Itália é constitucional e deve ser acatado. Novamente, a decisão sobre Battisti será transferida para Dilma Rousseff. Aí a porca torcerá o rabo, com dores na hemorróida. Terá a ex-terrorista tupiniquim coragem de devolver para a Itália o sujeito condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos cometidos na década de 1970, quando integrava o grupo de extrema-esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC)?

A tendência é que não! Pela vontade íntima de Dilma, Battisti tem tudo para ficar no Brasil. A não ser que o pragmatismo – ou outro motivo qualquer – fale mais alto e leve Dilma a rever seus conceitos político-ideológicos. Já pensou se Dilma der uma do velho comunista Luiz Carlos Prestes - que acabou perdoando Getúlio Vargas por extraditar sua amada Olga Benário para a Alemanha Nazista?

O negócio é aguardar serenamente para ver o que acontece. Mas é preciso tomar cuidado para a hemorróida não estourar. Da Itália, mandam avisar que a pimenta da marca Cosa Nostra costuma arder demais.

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.


© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 22 de Janeiro de 2011.

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