domingo, 23 de janeiro de 2011

Uma Herança Maligna para Dilma

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net


Por Paulo Ricardo da Rocha Paiva

Quando nossa diplomacia admitiu na ONU os dispositivos impróprios que geraram toda uma polêmica em torno da atual política indigenista, por certo, o honorável Barão do Rio Branco deve ter se revirado em sua tumba haja vista o mal feito sem volta causado à nação, cujos interesses maiores o nobre chanceler tão bem soubera defender nos fóruns internacionais.

Criado o draconiano contencioso indígena, com reflexo negativo em todas as etnias nacionais, o STF falha ao tentar neutralizar o “mau passo” dado na política externa, assim como também não demonstra habilidade plena para fazer reverter tantas demarcações absurdas concedidas durante os três últimos mandatos presidenciais. Quanto às “recomendações de voto” do saudoso Ministro Menezes Direito, apostas ao final de um parecer que pretendia regulamentar aquelas concessões, estas na realidade não são factíveis de efetivação nem a médio prazo, restando admitida a exposição de flanco por quem devia negá-la, a qual pode ser explorada imediatamente por oponentes que não hesitarão em fazê-lo no momento azado.

Atenção! Um grotesco leviatã vem ganhando contornos, sorrateira e subliminarmente, abrindo precedentes e criando vulnerabilidades sem retorno para o Brasil que, na esteira de desatinos irreversíveis, ajusta tratados que nos obrigam a combater ao invés de dissuadir, condenando a descendência a uma luta sangrenta, de longa duração, ancorada na “estratégia da resistência” para enfrentar as ameaças que nos rondam na região norte, porém, absolutamente desigual em meios aeronavais para esboçar a menor reação em disputa que fosse travada pela posse do nosso pré-sal.

Ao observador de percepção mediana, todavia, não escapa o motivo das pressões para se assinar acordos de limitação de armas, nos quais se incluem desde simples mísseis convencionais assim como sofisticados lança-rojões propelentes de granadas, estes utilizados pelas resistências iraquiana e afegã, destruidores de carros de combate e helicópteros. Estes artefatos têm sido os maiores causadores de baixas entre as tropas da “coalizão” que desmantelam seus países, havendo indícios de pressão internacional, até mesmo na OEA, para que sejam discutidos regulatórios inclusive dos limites na produção deste armamento. Qual a razão? Com que finalidade? Está claro: se o monitoramento do petróleo alheio já foi obtido, mesmo apesar destas armas, o que dizer da gerência das águas da Amazônia se não pudermos utilizá-las para manutenção da posse daquele imenso manancial hídrico?

A soberania limitada e a vulnerabilidade bélica, absorvidas de forma subserviente, estão na contramão da visão de estadista do barão, evidenciando um amadorismo absolutamente descompromissado com as responsabilidades que, queiramos ou não, vão acometer o País já alçado entre a 5ª e a 8ª economias no ranking mundial. Este desiderato não pode prosseguir. Está na hora de se fazer resgatar aquele tirocínio largo, pautado na idéia de nação forte e respeitada, de política externa pacífica, mas, sobretudo, de um pacifismo armado capaz de dissuadir ameaças .

O cenário no horizonte, não olvidemos, é espectral! População e território, a Pátria enfim está sob a mira das notórias projeções de poder. Deste porvir incerto, nem mesmo integrar o Conselho de Segurança da ONU nos livrará de surpresas. A propósito, que tipo de garantias poderíamos assegurar no contexto da comunidade global com forças armadas tão dilapidadas? Promover segurança a nível mundial subentende “poder de veto”. Hoje, com que cacife poderíamos vetar qualquer pretensão descabida de um ou mais membros permanentes naquele conselho viciado? Com a palavra a nação iraquiana, que continua sem dispor do armamento de que foi acusada.

Paulo Ricardo da Rocha Paiva é Coronel de Infantaria e Estado-Maior da Reserva do EB.

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